Nos sentimos como uma cedilha. Você sabe o que é uma cedilha? Ela é uma letra ou um C acentuado para baixo? E aquilo lá é acento? O C de cidadão vira cedilha quando tá acentuado, assentado, imóvel. Perde a identidade.

Tem som de S, de Ser, mas sem identidade, não é nada. Cidadão tem um só assento que é o til, que nem acento é. E o que é? Poucos sabem. Me chamam de tio nos faróis e me fazem lembrar que além de escravo, sou algoz, mas não parente (nem entre parenteses).

Mesmo sabendo que não sei o que sou, como a cedilha, que também não sabe, é que o mudar inflama em mim: mudança! Se não sei quem sou, posso mudar quando quiser: uma luz! No final desta mudança está lá: A luz no fim do túnel?

Não, a bendita cedilha.

Uma letra que não é letra e não sabe o que é. Um C que de cidadão não tem nada, pois está acentuado para baixo, assentado, imóvel. Mas será mesmo um assento?

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

 

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