Início de mais uma semana, em uma rotina que é difícil até de se imaginar;
Ao final da segunda-feira, com a cabeça ja dolorida, chamei minha amiga Chica para caminhar;
A resposta sincera foi não poder, falou algo da dança flamenca que iria praticar;
Disse também da distância da escola e perguntou alegre se não gostaria de acompanhar.

Fui até a portaria onde esperei Chica chegar, ainda envolto aos pensamentos do trabalho, francamente bem cansado a vi se aproximar;
Uma mulher com estatura alta e forte de uma presença que impõe respeito, mas traz uma doçura no olhar e no falar que me faz alegrar;
De longe ela já vem sorrindo, pude perceber pois não havia colocado a máscara, adereço destes novos tempos;
A abracei com ternura e saímos para caminhar;

Ela tem um daqueles poderes de super herói que a gente não sabe direito explicar, nos conhecemos a pouco tempo e já parece que somos grandes amigos e me coloco a falar;
Sem muita vergonha falamos das ruas da cidade, do cotidiano e de poesia, assunto que insiste em me procurar;
com passos fortes, seguimos sorrindo e eu me aproveitando do que poderia aprender, afinal ela é letrada, de conhecimento não muito casual e não poderia perder;
Disse que para escrever era só me dedicar, sentar em frente a máquina e deixar a coisa rolar, disse também que conheceu outros escritores, não que eu seja um, mas que eu poderia ser;
As ideias e composições são, de acordo com ela como canções e podem renascer, falou que se tiver uma pitada de sofrimento fica até melhor, mais fácil de entender;

A deixei a frente da escola e fui para padaria comprar o que comer, pensei em poesia, livros escritos e musicados, achando de certo um bocado que talvez tenha algo a fazer.
Mas não sou escritor e nem musico, minha poesia é reza, não se sustenta só, se parada cai de pé, se deitada se esparrama, se sentada descansa a chama que não quer calar.
De concreto se quebra a lama e de banda se anestesia a alma e chega dar um nó;
Logo como pode ´perceber, não sou escritor nem musico, não sei tocar nenhuma nota SÓ;

Mas se ela que conhece e sabe muito bem escrever, se ela que fala em outras línguas que sequer sei dizer, diz ela, que talvez eu consiga escrever;
Porque então no encanto do descanso do retorno do caminho eu não poderia me colocar para pensar, de repente dentro do meu ninho, sentado, ali sozinho eu poderia escrever;
Sair quem sabe um rascunho, daquele curto e sem nó, que ninguém nem consegue ler, quem sabe se eu pegar uma caneta, colocar atras da orelha eu poderia fazer;

Foi o que fiz ali calado, de certa forma ainda cansado do trabalho e agora do lazer, quis escrever esta trilha, de de passo em passo , poder relatar o que aprendi com você;
Na caminhada com Chica, descansei na escrita do que pude pensar;
Na caminhada com Chica, de conhecimento terno e rica, pude perceber;
Se quero e busco conquisto, haja visto o que um homem pode fazer;
Agradeço a Chica, pessoa mais rica que pude conhecer.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

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