Há alguns anos, comecei com uns calores horríveis, exames de rotina e POF: estava na “menopausa”, era o conhecido fogacho!

Mais exames, conversas com meu médico, leitura de artigos científicos sobre o tema, histórico materno de câncer de útero… algumas decisões a tomar…
Mas, pior do que a onda de calor, irritabilidade, às vezes, um cansaço absurdo e algumas paranóias que vão surgindo: “Será que vou perder o tesão?” Será que vou perder a lubrificação?” “Será que esse calor não vai passar nunca?” “Será que esse ressecamento dos pés, das mãos e da pele em geral vai ser sempre assim?” “Será? Será? Será?”

Na realidade, essa fase entre ser fértil e deixar de ser fértil é o climatério – definida como “fase crítica”, a menopausa é definida pela ciência como: “fim dos ciclos menstruais, fim da idade fértil, fim do ciclo reprodutivo, perda da atividade folicular.”

Os nomes e definições não ajudam a mente pensar positivo, tudo leva ao fim doloroso, vexatório… falta dignidade nesses termos e conceitos.

Mas todas as alterações hormonais, todas as possibilidades de mudanças neste período na vida e no corpo da mulher não se comparam ao fato, de ainda, em pleno 2021, nós, as próprias mulheres, termos o preconceito de falar que estamos na menopausa.

Frequentemente, sou repreendida por alguma amiga: “Adriana, para de falar que estamos na menopausa!” Como se fosse uma fase vergonhosa, a ser escondida, tanto de outras mulheres, quanto dos homens! Não é assunto recorrente nas mesas de bares somente com mulheres!

Entrar na menopausa ainda tem um marco forte de preconceitos contra a mulher, da mesma forma que assumir a idade… é como se fôssemos predestinadas a permanecermos eternamente na juventude! Entrar na menopausa de forma assumida é ter orgulho da nossa história percorrida, da nossa vida de menina que virou mulher com a primeira menstruação, das nossas experiências sexuais, do nosso prazer em transar, gozar sem travas, sem preconceitos, de assumirmos para nós mesmas e para a sociedade: estou na menopausa e tenho orgulho da trajetória da minha vida que me fez chegar até aqui!!!!

Aliás estou melhor com quase 50 anos do que estava ao fazer 40, e melhor ainda do que quando tinha 30 anos! A menopausa não é o fim: é o início de um momento em que nós, mulheres, poderemos ser tudo que queremos ser, podemos até não ter tanta certeza do que queremos, mas temos convicção do que não aceitamos! Então vamos nos libertar e viver sem amarras, sem preconceitos contra nós mesmas! Menopause-se!

Adriana Ramos – Bela Urbana, professora por natureza, quase cinquentona e com muito orgulho! Melhor hoje do que aos 30! Adora nadar, ir a praia, ser mãe, dançar, cozinhar para quem ama, comer bem e ir a um boteco com amigos! Adora uma polêmica! Sempre apaixonada!

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