Havia uma criança, vestida em negro.
Ela era o cowboy,
O atirador do desapego.
Era uma criança, vestida em negro,
Senhora do puro ódio,
Da violência e desespero.
Caminhava pela rua totalmente sozinha. Sem um adulto por perto,
Uma alma,
Nadinha.
Sem mãos para segurar,
Sem pessoas para se apegar,
Sem carinho para guardar.
Só uma criança vestida em negro,
Totalmente sozinha e saída de um enterro.
Uma criança vestida em negro,
Saída de sua sina,
Sem nem mesmo vida
E perdida no próprio medo.
Onde que foi parar sua família?
Por que saiu pelas ruas,
Sozinha?
Onde foi parar,
Onde deve estar,
Onde irá ficar,
Pra onde irá levar…
Talvez
Para seu
Lar…
De onde ela veio,
Estará de saco cheio
Morro em seu anseio!
Qual é seu
Meio?
Havia uma criança vestida em negro,
Ela era o cowboy,
O atirador do desapego.
Era era uma criança, vestida em negro,
Senhora do puro ódio,
Da violência e desespero.
Onde está seu pai?
Onde estão seus irmãos?
Onde esta sua mãe!?

O choro em suas mãos…
Onde foi parar?
Onde deve estar?
Onde irá ficar?
Pra onde irá levar?
Terá você…
Um lar?
Pobre criança,
Por quê está a chorar?
Pobre menina, vestida em negro,
Caída no chão
Sozinha e sem emprego.
Pobre menino vestido em negro,
Seria ele o meu filho,
Gritando em desespero?
Havia uma criança vestida em negro…
Havia uma criança vestida em negro…
Havia uma criança perdida em seu medo. Havia ela e o puro desespero.
O sozinho atirador do desapego.
Veio de longe, fugindo de um enterro. Qual seria dela o seu anseio?
Qual o seu meio,
De onde ela veio?
Pobre criança vestida em negro…

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

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