Diário de uma pandemia
20/3/2020
8:30
É primavera.
Há uma semana declarou-se a crise COVID 19. Sentimentos e pensamentos poderiam ser resumidos nesta semana. Ação e o coração sofrendo. Ainda trabalhamos, damos serviços mínimos, porque o governo não nos colocou na lista de empresas que precisam fechar. Mas a pressão imposta pelo sistema de saúde é para fechar.

ficaemcasa.

Minha situação mental é estressante, ainda que ativa, adrenalina para administrar esse momento. Mas também muito sobrecarregada pelo de risco para nossa saúde, nossa economia necessária para nos dar suporte e os conflitos sofridos em nossas relações de trabalho.
É como ter sofrido um choque frontal entre dois trens: a equipe de direção e a de gestão decidimos o quê precisava ser feito e as necessidades individuais da maioria dos trabalhadores.
Esse confronto foi inevitável porque qualquer decisão tomada envolvia risco ou conflito em uma área ou outra.
Agora não sabemos se tomamos a decisão certa … Tudo será esclarecido em alguns meses e, honestamente, minha visão é de uma incerteza avassaladora.
Lidamos com muitos lutos de relance, aqueles que são realmente tristes pelas as pessoas que estão caindo com o COVID. De longe, este é o mais importante de todos e o que mais nos preocupa.
Mas há outros lutos que estamos vivendo e que devemos administrar em uma marcha forçada: o luto pela perda da normalidade, por não poder encontrar pessoas queridas, familiares, amigos, colegas que nos apreciam em vários campos. O luto por ter de interromper a atividade que, em alguns casos, é a nossa motivação e nos ativa todos os dias, o luto por sacrificar as férias para poder ter o meu tempo livre neste momento difícil.
Isolamento versus ter que trabalhar em tempos de isolamento.
E acima de tudo, o medo, a COVID, o sofrimento ou o sofrimento das pessoas que amamos, até o medo da morte.
E medo de fazer coisas erradas de um lado ou do outro.

E esperamos, todos os dias, as demonstrações de solidariedade, resiliência e respostas à emergência, ações de pessoas exemplares que aplaudimos desde nossas janelas todos os dias, e pessoas que não recebem esse aplauso explícito, mas que também nos dão suporte – muito obrigada! – reconhecimento a todas elas por favor.
Esta é uma reflexão resumida do que experimentamos atualmente. Existem muitas nuances, emoções opostas e o melhor e o pior de cada um de nós vieram à luz.
Proponho que nos reconheçamos nesse melhor e pior, que aceitemos diferenças em todas as áreas e que apostemos no exercício de nos colocar no lugar dos outros, agora é hora de nos encontrarmos novamente em espaços de solidariedade e cooperação que salve a todos nós com soluções coletivas que não deixem ninguém para trás.

Nati Yesares – Bela Urbana, vive em Barcelona, é formada em ciências ambientais e atualmente é chefe da área ambiental em Solidança, empresa dedicada a economia social. É motivada por tudo que ajude a construir uma sociedade sustentável e justa para todos.

Tradução Gisela Chebabi Abramides

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