Tiraram o meu chão
Agora peso descalça na grama
Buscando a energia que preciso
O riso e difícil
Do pensamento não consigo apagar as imagens
Relutei para colocar uma foto nossa na parede
Respirar fundo e desacredito, quase sempre
Organizada a casa
Pouco a fazer
Vivo a solidão que construí
Poucos amigos
Poucas palavras
Essa é a minha realidade
Boa se a vida não tivesse tirado a força essa alegria de mim
Experimento bons momentos na minha obsessão
Limpar o mato da horta, fazer canteiros. Varrer as calçadas. Limpar o pó.
Fico bem quando olho a ordem
Faço uma boa comida, prato colorido sempre
Vejo a simplicidade como o fato mais concreto da vida.
Sou apenas esse corpo e essa mente agora.
Poucas vezes me vem aquela sensação boa de Alegria. Acho que o tempo vai arranhando assim como arranha o meu corpo.
Sinto falta do abraço apertado do filho pequeno, do neto.
Sinto falta da ilusão da paixão.
Ainda me excitam filmes, musicas, corpos bonitos. Me surpreendo tendo desejo aos meus 65 anos. Rio disso.
O caminho para o FIM está bem menor.
Já aprendi bastante e pela minha falta de crenças, esse aprendizado só me serve pra hoje e às vezes, nem isso.
Não acho que evoluo pra nada a não ser para a morte eminente.
Sigo em frente, só tenho essa direção.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Comentários

comments