Uma história passa a ser um conto, quando se encontra repleta de causos constantes na vida de uma família, seja ela de qualquer tempo de vida.
Quando nascemos, já viramos a história da família que nos comporta. Então, lá vamos nós como uma máquina agindo naquele tempo.
Tempo leia-se Vida!
Meu pai João Firmino Neves nasceu em 1901, em 19 de outubro… e viajou para a Lua, assim como disse para a querida vizinha Clementina, antes de seu falecimento, de que só morreria pós a Chegada do Homem na Lua (acontecida em 20 julho 1969) … E meu pai, viu o Homem pisar na Lua… e no dia seguinte 21 julho 1969, faleceu! A conversa com Deus, foi positiva!
E a amiga dona Clementina, avó de minha afilhada Paulinha nos contou a prosa dele com ela no dia anterior. Um “causo” assim o declamo, esses causos ficam para um sempre!
Lembranças de meu Herói João Neves, assim foi conhecido…
Foi durante muitos anos Caminhoneiro, Benzedor/Rezador, Policial Civil (Investigador 1ªDelegacia Campinas/SP/Brasil).

CURIOSIDADES:
EDUCAÇÃO E CULTURA
Poliglota na percepção do entender e da fala – Inglês, francês, japonês, italiano, espanhol, um pouco de alemão e árabe, e o que mais orgulho tinha um PORTUGUÊS impecável.
Como? Sentia pela Vida o maior enlaço, e ele abraçava os seus AGORAS, e sempre dizia, que o aprender Joaninha (apelido carinhoso que ele me deu) só tem lógica, quando somos capacitados para vivenciá-la. E sendo meu Pai um Caminhoneiro viajou o Brasil todo, e foi aprendendo a se comunicar com as pessoas que tinha contato, para se entender e ser entendido. Eu o considerava um ABUSO! Ele se lambuzava em suas estradas pessoais e interpessoais! Gostava muito de ler… e me estimulava demais à leitura, e a compreensão de metáforas! Estudava muito sobre o Comportamento dos seres vivos, o que ajudou muito a ser um Investigador de Excelência.

AMIZADES

Foi muito querido pelas crianças e adultos, vizinhos ou não, e sempre era uma festa encontrá-lo!
Como fui filha única, meu pai abriu a nossa casa para primos e primas de longe, afim de morar em casa, para fazer-me companhia tendo uma vivência normal de estudo.
A Joaninha não podia crescer sem ter ninguém ao lado… Ele proferia:
– Nenhum homem é uma ilha.
Para ele meu pai, o mimo fazia mal e solidão também.
Ele tinha tantos amigos, que nem que pensem como isso se dava, não entenderão… As noites de final de semana, na casa da Vila Nova/Rua Carolina Florence/ o caminho para Barão Geraldo, nós éramos embalados pelo som de Guarânias, Amigos paraguaios, que até o instrumento Harpa levavam… Não jogávamos água não… saíamos de dentro da casa e ficávamos no jardim (Guarânia é um estilo musical de origem paraguaia, em andamento lento, geralmente em tom menor. Foi criada em Assunção pelo músico José Asunción Flores, em 1925).

SENSIBILIDADE E PERCEPÇÃO
De notável diferença a sua percepção da vida, dentro de si mesmo e ao arredor. Me confiava de que um Ser Humano precisa se acertar, antes de proclamar ser o Mestre Salvador da Pátria!
Me treinava com seu olhar, e podem começar a dar risada, eu sou ele…
Um adendo:
A minha mãe toda social, tímida, preocupada com o que somos e o que vêm, ficava uma fera quando saíamos juntos… Pois, eu e meu pai ríamos alto e sem parar, diante de qualquer coisinha, mesmo nossas, aliás eu aprendi com ele a rir de mim. A maior herança que me deixou foi o BOM HUMOR!
Ele amava carros antigos, quando faleceu tínhamos um modelo Oldsmobile (Oldsmobile foi uma marca de veículos descontinuada pela General Motors em 2004).
Ele usava chapéu “Panamá” e ternos de linho, gravatas e sapatos notadamente engraxados, pelos engraxates da cidade.
Ele nos levava, eu e mamãe ao Restaurante Rosário, toda semana.
E toda semana, eu e minha mãe esperávamos a sua volta do trabalho, que era árduo como Investigador da Polícia Civil, com sanduiches dos bares Giovannetti ou do Eden Bar.
Ele me presenteou com o Livro O Diário de Anne Frank/1958 quando me formei no primário e tinha 09 anos, para que eu conhecesse o’utro lado do meu mundo!
Vocês entendem o valor disso na educação?
Um detalhe, aos meus 06 anos de idade estava no primeiro ano do grupo escolar “Dona Castorina Cavalheiro” (morava na Rua Barata Ribeiro) quando a Diretora chamou meus pais logo na segunda semana de aulas.
Foi um ohhhhh!
Em casa, e meu pai disse:
-Joaninha o que está acontecendo?
E lá foram conversar, e eles ficaram exultantes, a filha pequenina deles, estava atrapalhando a sala, já estava alfabetizada, e não poderia ficar mais na sala. Meu pai teve um infarto…
Mentira… Estavam lá para credibilizar a minha ida direta ao segundo ano!
Meu pai disse, ao sairmos para a minha mãe:
-Zilda, não estamos errando.
Uma das metáforas mais importantes que ele me ensinou:
Joaninha, a Oportunidade só tem cabelo na frente, atrás ela é careca!
Nunca duvidei disso, pois hoje aos 7.3 anos de vivências, sei e sou muito ainda de meu Pai João Neves.
Viveu durante quase 68 anos… nasceu em 1901/outubro/19 e faleceu 1969/julho/21.
Eu tinha 21 anos de idade!
E EU ESTOU FELIZ PARA SEMPRE!
FIM

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

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