Eu confesso que estava me sentindo toda toda, igual à letra da música do Lucas Lucco.

Mesmo sendo da década de “tralalá”, estava me achando super moderna por estar dominando todos os filtros do insta que me deixam, digamos, mais novinha. Bom, pelo menos era o que eu achava até a semana passada.

Depois de 10 meses enraizada em casa por causa da Pandemia, finalmente uma escapada do lockdown.

Combinei com uma amiga de infância de nos encontrarmos em um restaurante-balada aberto com quarenta por cento da ocupação, em área aberta e uma gastronomia russa maravilhosa.

Lá fui eu com meu pretinho predileto que uso em todas as minhas fotos do insta. A manchinha de “cândida” na barra ninguém vai perceber, afinal, caprichei na maquiagem dos olhos esverdeados para serem destacados pelo uso da máscara black.

E lá fui eu, pronta para chegar chegando com meu perfume Givanchy e fazer muitas fotos da minha mini balada. Afinal, de app’s eu entendo, apesar de ser de… tralalá.

Mas a história virou com a chegada do garçom. A pergunta foi simples, difícil foi a minha resposta:

_ Vocês já sabem o que vão pedir?
_ Não. Podemos ver o cardápio?
_ Basta clicar no QR Code do cartão sobre a mesa!
_ Oi?????
_ QR Code, senhora. Aqui o cardápio é por QR Code no celular.
_ Ahhh! (risos). Moço, é o seguinte, preciso de um cardápio de papel. Passo álcool gel. Eu sou da década de tralalá, não sei nem mexer nesse tal de QR Code.

Bom, relacionamento virtual eu já sei que tá na moda, mas cardápio também? Isso já é anormal.

E nada do cardápio. Então resolvi pedir um sanduba que já tinha visto no instagram do restaurante. Minha amiga já tinha o prato predileto dela da casa: um vegano feito de quibe de abóbora cabotia.

Mas, nada estava tão resolvido assim pois para completar pedi meia “CARACU”, aquela cervejinha adocicada preta. Mas aí foi o garçom quem respondeu:

– Oi?????

Eis a dobradinha entre gerações: QR Code x Caracu.

História verídica. Na semana que vem volto lá. Não sossego até conseguir abrir o cardápio naquele tal de…como é mesmo?

QR Code.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

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