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Todo ano, no dia 8 de março alguém me dá os Parabéns! Parabéns por quê? Porque sou mulher… E?

Sou filha de uma mulher que precisou lutar por sua existência e a da sociedade em que vivia, durante a Segunda Guerra Mundial! Alguém a quem ninguém dizia que era menos capaz por ser mulher, porque naquele momento precisavam que ela fizesse o trabalho dos homens que estavam morrendo no front. Quando a guerra acabou, essa e outras mulheres já não aceitariam o papel de submissas na Europa. A luta por igualdade de direitos entre os gêneros já era uma realidade de mais de séculos, mas aquele foi o momento decisivo.

Mesmo assim, as mulheres ainda estão longe de ter os mesmos salários ocupando os mesmos cargos. Lutam para poderem ser promovidas nas empresas em que trabalham. Lutam para poder andar nas ruas sem receberem cantadas, para não serem julgadas, estereotipadas. Lutam por respeito. E lutam para explicar quase todo dia a razão da luta.

O que espanta é o quanto uma questão do ENEM gera de protesto e espanto em pleno ano de 2015, não só por uma bancada evangélica, embora sim, a igreja sempre esteve envolvida na opressão da mulher, mas também por pessoas que, por preguiça de pensar, por ignorância, jogam pedras sem saber no que querem acertar.

Alguém realmente imagina que Simone de Beauvoir quis dizer que a mulher que não nasce mulher, nasce sem gênero? Isso seria até simples. Difícil é entender o quanto a sociedade molda a mulher para ser submissa. Essa é a essência da luta.

Na história da humanidade, nos primórdios, homens e mulheres eram responsáveis pela sobrevivência da espécie, o homem, fisicamente mais forte, era caçador e a mulher, a cuidadora da cria, era a colhedora, colhia frutos, musgo, ervas, precisava saber distinguir alimento saudável e veneno. Essa mulher foi ganhando e passando adiante seus conhecimentos, usava ervas para curar, ajudava nos partos e nas curas de doenças… As descendentes dessas mulheres, na idade média, passaram a ser acusadas de bruxaria. Com as bruxas queimadas, queimou-se muito conhecimento…

Hoje, nós bruxas, ainda estamos tentando resgatar a nossa dignidade.

O dia Internacional da Mulher marca uma fogueira, uma fábrica têxtil, onde as funcionárias queimaram em um incêndio, porque o responsável pela fábrica trancara as portas no horário de expediente.

Então quero dar os Parabéns a todas as mulheres e homens que lutaram e lutam por dignidade.

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Synnöve Dahlström Hilkner É artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.  

 

 

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