Juliana sentiu um carocinho na mama direita e pensando ser por conta da época da menstruação, retenção de líquidos não deu muita atenção, notou porém que ele continuou lá, consulta, exame e punção, doeu um pouco, e do momento dos exames até o resultado da punção, sua vida parou, era como se ela vivesse duas vidas: aquela que tinha antes: levantar, estudar, trabalhar, etc. e a outra que congelou após o carocinho, foram dias que se revelaram meses, noites mal dormidas e
imaginação fértil: “o médico vai dizer que tenho câncer, nunca vou poder amamentar, meu namorado não vai querer uma mulher sem mama, vou morrer jovem….” só quem é mulher sabe como a vida anda em paralelo quando enfrentamos uma situação assim, tão simples para alguns
mas que pode decidir todo seu futuro.
Não tinha coragem de contar para a mãe, a tia que estava com câncer e se submetendo a sessões de quimioterapia, e nesse momento Juliana sentia que suas preocupações com ela mesma eram até egoístas, afinal era só um carocinho e uma suspeita, nada mais, tentava se tranquilizar e não conseguia, a mãe percebia que algo não andava bem e perguntava, ela dizia estar tudo bem, finalmente chegou o dia do resultado da punção e felizmente era apenas um cisto e nada mais grave, explodiu em lágrimas, deixou o drama sair, ligou para a mãe, contou tudo, finalmente foi comemorar com as amigas, sua vida tinha voltado ao normal.
Hoje Juliana come menos carne vermelha, procura comer mais legumes e verduras e dormir uma quantidade de horas razoável, tenta meditar e sabe da importância de manter relacionamentos saudáveis, procura resolver as mágoas rapidamente, desodorante somente sem Alumínio, por isso fabrica o seu próprio, sabendo de sua genética mantém seus exames ginecológicos em dia, quando pensa em reclamar de que tem uma mama maior que a outra se lembra do carocinho de anos antes, respira, agradece a Deus pela saúde e fala para o espelho “minhas mamas são
perfeitas e lindas assim como elas são, como sou feliz”.
Que possamos honrar, amar e cuidar nossas mamas e a responsabilidade que é tê-las, elas alimentam o corpo de alguém, o desejo de alguém, elas inclusive matam a sede de alguém, elas são ao mesmo tempo pesar e benção, dor e prazer, como toda a vida é: cheia de contrastes, assim são as mamas, fazem as mulheres tão bonitas, poderosas e tão peculiares em suas formas, elas são incríveis.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

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