Este é o meu vigésimo dia sem tocar a mão, sem abraçar nem beijar alguém. Estranho, certamente, para todos meus companheiros de viagem nesta nave chamada Terra.

Hoje, passamos todos “por mares nunca dantes navegados”.

Em casa sozinha, afastada de meus filhos e netos amados, sinto um pouco de tristeza. Não reclamo, não lamento, reconheço que sempre recebi muito carinho e amor, tanto que tenho meu estoque cheio de carícias. Recebo o amor que me basta.

Passamos todos, agora, por uma fase de lapidação.

Difícil, no entanto, providencial para agradecer a Deus pela vida. Tempo de reconhecer os valores mais sublimes, de nos conscientizarmos da razão de estarmos neste planeta. Cada um no seu estágio. Escolhemos passar por esta experiência antes de pousarmos em nossos ninhos.

Vejo vantagens nessa tragédia mundial para a evolução do planeta. Não precisamos fugir dos perseguidores, das flechas, das lanças, das bombas de todos os tipos de materiais, ofensas nos combates inaceitáveis da espécie humana. A guerra agora é outra, não temos como fugir, ainda que nos recolhamos na alcova. O tiro é invisível e incontrolável e pode nos pegar em qualquer local.

O que fazer? Refletir e nos prepararmos para essa vida e a eternidade. Alerta divino de que a vida é muito mais do que aparências com exploração do outro e da natureza, desigualdade, inveja, vaidade, empáfia e cobiça desenfreada. Oportunidade inédita pra entendermos que a felicidade não está nas coisas da terra.

Aproveitemos para iniciar a paz, com serenidade para o resto de nossos dias e, assim, viver novo modo de estar no mundo após passarmos por sentimentos de abandono físico, a dor, o medo, a angústia. Tudo faz parte da lição mundial.

Não deixemos que o medo turve nosso olhar. Conforme Dom Quixote O medo é que faz que não vejas, nem ouças porque um dos efeitos do medo é turvar os sentidos, e fazer que pareçam as coisas outras do que são!”

Não existe maior aprendizado, maior evolução e transformação drástica do que o sentir, e ter consciência plena para viver intensamente para nos aperfeiçoarmos.

Assimilemos a mensagem que está diante dos nossos corações e mentes. Façamos primeiro nossa reforma íntima.

Amor, união e compreensão do próximo. Nada de novo, os profetas todos, representantes de Deus na terra, já deixaram sua palavra há milhares de anos, entretanto poucos aprenderam.

Conectemo-nos com a eternidade, sendo ponte de transmissão da mensagem do amor.

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana, Pós graduada em marketing, Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Formada em piano clássico. Hobbies música, cinema, fotografia e vídeo. Nascida em São Paulo. 4 anos como aluna, 35 anos como professora de Publicidade na PUC Campinas. É aquariana (ao pé da letra).

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