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Vou começar contando um flagrante da vida real. Há alguns anos, um belo sábado, depois de ter trabalhado a semana inteira, e acordando com a casa suja e desarrumada de uma semana sem cuidados, olhei para o companheiro de jornada, que na época estava desocupado, dei uma resmungada e comecei a faxinar. Reclamei sim, porque não acho justo. E ouço a pérola:

– Não tenho culpa se desde que o mundo é mundo, as mulheres cuidam disso…

Respiro fundo… (Senhor, dai me paciência, porque se der força, eu bato!!).

– Amigo, desde que o mundo é mundo, os MAIS APTOS saem pra caçar e colocar comida na mesa, e os MENOS APTOS, ficam na caverna, mantendo-a limpa, livre de pragas e aquecida!! Não tenho culpa se as aptidões necessárias hoje são diferentes e quem sai pra caçar sou eu. Portanto, ajude a manter essa caverna em ordem, por favor!!!!

Essa história me leva aos rótulos, que são tantos que encaramos no nosso dia a dia, e nesse caso especificamente, o que é ‘de menina’ e o que ‘é de menino’. E como isso vira feminismo e machismo. E como precisamos nos apegar a grupos de códigos préestabelecidos, ou melhor, preconceitos!

E quantas vezes me peguei pensando: E SE TODOS NÓS NOS TRATÁSSEMOS SIMPLESMENTE COMO PESSOAS??? E se a regra fosse o PESSOALISMO?

Nem mulher, nem homem, nem jovem, adulto ou velho, nem chefe ou subordinado, nem alto ou baixo, nem gordo ou magro, nem branco ou negro, nem budista, católico, umbandista ou qualquer outra das milhares de religiões que existem no mundo. E a história das gerações então? Baby boomers, X, Y, millenials… dos rótulos criados pelos serumaninhos, esse só não é pior que o de gêneros.

Porque temos tanta dificuldade em ver simplesmente uma pessoa, em sua individualidade, com suas características tão singulares, quando nos encontramos com alguém?

A resposta vem das cavernas… o mais apto é o mais forte, e consegue impor suas vontades, suas regras. Nem que seja à força… E algumas pessoas sentem certo conforto em serem vítimas! Afinal, algumas pessoas preferem responsabilizar os outros por suas mazelas, do que assumir as rédeas da própria vida.

Na religião, se não houver o domínio dos sacerdotes, como domar o rebanho? A resposta está em acreditar e incentivar o bem dentro de cada pessoa!

Na família, se o mais velho não impuser as regras e os limites, como fazer a família andar na linha? A resposta está na missão de criar pessoas boas!

No trabalho, se não houver chefe e subordinado, como fazer com que cada um cumpra suas tarefas e atinjam os objetivos da organização? A resposta está em como motivar as pessoas!

Mas ainda assim, mesmo que a hierarquia seja em algum momento necessária, e de modo geral as pessoas precisem de uma liderança, a opressão, a imposição, o domínio, ou mesmo a doutrinação, não deveriam acontecer. Acontecem quando os interesses não estão nas pessoas, e sim na ganância, nos bens, e no próprio sentimento de domínio.

Mas certamente não aconteceriam se em nossas interações com os outros, em qualquer meio, víssemos o que elas são em sua essência. Pessoas… como eu e como você!

Foto TOVE

Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

 

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