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Uma das canções mais lindas que Barbra Streisand cantou foi “memories”.

Alias canções e memórias funcionam como disse um amigo certa vez: SENHAS. Cada música é uma senha de acesso a uma memória, algumas possuem cheiro, temperatura, paisagens e acima de tudo emoções. Quando a década de 80 parecia que ia ser um fracasso… entenda: Nós, adolescentes na década de 80 tínhamos como referência os anos 60, anos dourados dos nossos pais, e vimos nossos amigos mais velhos voltarem da discoteca em 78/79 e não tínhamos idade para ir. Pensem, um amigo seu voltando da disco após ter dançado Bee Gees e com muita sorte dançado lenta….. o que iria sobrar para nós?

Eu até que tive sorte. Eu e meu amigo de infância fizemos um bailinho de garagem em 1979 com um rádio gravador e uma caixa (eu disse uma) amplificada e o repertório foi fitas da Donna Summer e Bee gees… mas e a década de 80?

De repente o mundo virou de ponta cabeça. Depois de blá blá blá ti ti ti ti titi da blitz vimos uma onda de rock nacional explodir. Anos 60 e 70 ficou para trás, e lá estávamos não na “discoteca”, mas nas danceterias, em minha cidade Campinas Fábrica de Areia, Stratosfera Music Hall e APÔ se destacavam, e sem mais nem menos estávamos dançando B52’s, Devo, Léo Jaime, Kid Abelha, Legião, Titãs, Paralamas, e o bombástico RPM. De repente Michael Jackson lança o álbum mais vendido da história e Madonna desponta para dominar a cena em toda a década (e futuras também). Sem mais nem menos Ray Charles, Bob Dylan, Cindy Lauper, Paul Simon, Bruce Springsteen e mais umas 40 lendas gravam juntas WE ARE THE WORLD. Antes da web já estávamos em um só mundo. Com azarrô comprado na lojinha japonesa da Thomás Alves e uma camisa amarela da Janis Joplin e uma calça semi bag com bolsos laterais e um cabelão enorme íamos para a danceteria…. claro, um dia antes Shopping, fliperama e doceria Brunella. Creio que em todas as cidades faziam isso, só mudava o nome dos locais.

Jamais esquecerei uma tarde da década de 80, que graças a Deus, não tinha celular para fotografar nem filmar para eternizar. Ficou no HD mais importante, meu cérebro. Lá volto quantas vezes desejar e é mágico. Uma tarde lotada, mas aquela estava diferente, simplesmente era meados de agosto de 1985, alegria estava no ar, já tínhamos passado pelo Rock in Rio, Roque Santeiro e pranteado Tancredo. Andávamos no ônibus cantando o tema de Tim Tones do Chico Anísio em coro. Bom, enfim, certo domingo, não se sabe bem o por quê, Radio Pirata estava no auge e quando o DJ tocou numa pancada só: Radio pirata, Revoluções por Minuto, Louras Geladas e sem contar Fórmula do Amor de Léo Jaime enlouquecemos. Na Rádio Pirata nem sei quem teve a idéia primeiro, mas como estava muito calor alguém tirou a camisa e começou a rodar ela no ar, seguido de todos, todos os homens mesmo e pulávamos cantando: Tooooooquemmmmmm o meu coraçãooooooo…. Pronto, era o auge da década, se alguém me perguntar o que é felicidade ao extremo posso dizer várias coisas, mas essa é uma delas.

O que eu quero dizer é que eu jamais tinha noção de que aquele momento era um dos mais intensos de minha vida. Não era o primeiro dia de aula, nem o primeiro dia do primeiro namoro. Era um dia como outro qualquer, só que não. Como diria o poeta a vida é feita de instantes. Creio que no céu deva haver uma central onde possamos acessar nossa vida. Esse dia em especial quero visitar. Mas aproveite o hoje querido leitor. Pode parecer que não, mas talvez você esteja vivendo uma parte linda de sua vida em meio às lutas. Largue seu celular, se parar para fotografar, o instante passa e você o perde. Olha a sua volta, aguce seus instintos e como dizem: BORA VIVER! Abrace, ame, beije, ore, leia, caminhe e perdoe por que um dia chegará em que não poderemos mais viver, apenas lembrar.

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Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.

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