Na ladeira, lá no morro
a lavadeira carrega o balde.
E, na descida ou subida, que não falte
mão de obra a servir.

Que importa se à porta
há tanto serviço assim?

Só não pode construir um futuro de verdade.

O sol que arde,
queimando a pele.
O ferro esquenta
e o suor desce
Mas em pé, ela luta
e, na labuta, não esmorece.

Faz uma prece,
pedindo aos anjos
que a protejam
nesse trabalho sem fim.

E sobe morro…
E desce morro…
Carrega o fardo
que é tão árduo

Para a mulher que não se entrega,
Para ela, não há regra
nem mistério que a desacate.
E o cão que late,
tentando detê-la,
quando desce a ladeira.

Mas lá está ela,
acendendo a vela,
rezando para os santos,
pedindo forças,
acalentando seus filhos,
mantendo-se firme.

Ela…um ser de fibra
que, talvez, viva todos os seus dias,
fazendo o mesmo até o fim.

O importante é que crê
em um novo alvorecer
de outra vida
de outra forma
de outro tempo
de outra magia,
mas de compreensão…
um outro mundo
longe da dor, com certeza,
um mundo de amor!

Solange Cristina Marchioni – Bela Urbana, especialista em língua portuguesa, neurolinguista, revisora, musicista e poetisa. Entende que a vida é desafiadora e surpreendente… que a dor vem de cenas urbanas tristes, como moradores de rua, crianças e animais abandonados. Acredita que a esperança e o amor vêm junto para resgatar tanta dor. A poesia fala por ela e fica muito feliz se, com os poemas, puder tocar os corações endurecidos.

Poesia do livro: Prosas, Sonhos e Rosas

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