Ela adorava viajar, e em sua lista de possíveis destinos lá estava o Inhotim, um lugar que após conhecer o comparou ao céu, ou oásis ou ainda um paraíso ou algo similar, como não se sentir maravilhada com a junção de tanta beleza: natureza exuberante e obras de arte a céu aberto.
A viagem tomou forma, uma amiga de anos a convidou, marido foi generoso (a maior prova de amor do mundo), ficou com duas crianças para cuidar, e lá se foi ela ansiosa e excitada com as perspectivas da descoberta de um lugar novo, poucas coisas no mundo a deixam terrivelmente feliz quanto mudar de lugar, ver pessoas de outras terras, habitar outros lugares, saborear outros pratos, o cheiro do inédito é único, tudo tinha uma aura especial, por muitos anos não passava tanto tempo com a amiga de mais de vinte anos, a rotina e a vida as juntava apenas por algumas horas por mês, de vez em quando; ela na verdade estava se sentindo tão mais jovem, estava em seus quase 50 anos mas não
durante aquela viagem, voltou a ter vinte e poucos, remoçou, seus olhos vibravam com as novidades, a mente estava frenética para não perder nenhum detalhe.
Chegaram em Belo Horizonte e o amigo da amiga lá estava, conversas, sorrisos, mais conversas, beberam, comeram e seguiram conversando, ela adora os mineiros, para beber e conversar melhor que mineiro só mexicanos, os melhores. No dia seguinte saíram para conhecer a Lagoa da Pampulha, caminharam, tiraram “selfies” e fizeram tudo o que os turistas fazem, o dia estava lindo, era novembro, depois almoçaram e
foram encontrar outros amigos no final da tarde; a noite seguiram em grupo, beberam, riram muito, falaram muito, ela, uma mãe, uma esposa era agora apenas uma pessoa conhecendo e convivendo com outras pessoas, ela estava despida de seus títulos costumeiros e se sentia maravilhosamente bem, não deixou de ser mãe, não deixou de ser esposa mas reencontrou suas outras partes, algumas já nem se lembrava mais, não se lembrava mais como era gargalhar a toa, sem se preocupar em cuidar de alguém ou preparar a comida de alguém; e se sentiu livre e descompromissada e aqueles poucos dias valeram por horas de terapia, ela sentia saudades e falava com a família todos os dias mas desfrutou seu tempo sem culpa e com muita alegria, todas as mães deveriam ter algo de tempo para si próprias, assim teriam sua Pasárgada, um refúgio, um escape, para se refazerem, olharem para si próprias e voltar melhor para sua realidade.
Ela é grata por essa experiência e ama ter vivido com intensidade todos aqueles dias, aprendeu a criar sua Pasárgada ainda que seja apenas por 10 minutos diários: liga para uma amiga ou para mãe, observa suas suculentas crescendo e respira, faz um café e o saboreia sem pressa, lê umas duas páginas de seu livro do momento, e o faz com a intenção de que aqueles momentos são para ela e para mais ninguém. Ela precisa.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

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