A história da Bela e a Fera esteve presente na minha casa durante um jantar.

Todos aqui em casa gostam de sopa, sempre foi um prato divertido de se comer, às vezes era sopa do Hulk, outras era sopa de letrinha quando brincávamos de escrever nomes, sentimentos, era uma bagunça bem gostosa.

Numa noite de sopa, quando os ingredientes já tinham sumido da cumbuca e só restava caldo, a Bela aqui de casa estava com a cumbuca na mão virando o caldinho na sua boca.

E eu que fui condicionada a ser princesa, a repreendi e com reprovação lhe disse:

“Princesas não comem desse jeito!”

A Bela que sempre foi falante e com liberdade para se expressar, retrucou imediatamente:

“Mas a Bela do filme “A Bela e a Fera” toma sopa assim!”

E eu que estava engessada nos meus condicionamentos, insisti dizendo:

“A Bela estava se comportando como a Fera, mas princesas não se comportam desse jeito!”

No filme, a Bela vê a dificuldade da Fera em tomar sopa, e lhe mostra como fazer para não se sujar todo, age com tamanha gentileza, praticando a empatia e aceitação, mostrando à Fera que não há nada de errado com ela.

Mas naquele instante que eu a repreendi, ela internalizou que ser princesa era sinônimo de beleza, modelo de comportamento e perfeição.

De lá para cá, tomar sopa para ela nunca mais foi a mesma coisa, não teve mais o mesmo sabor e tão pouco o prazer da diversão.

Tomar sopa para essa Bela é momento de reforçar sua imperfeição.

Somente há pouco tempo, coisa de um ano, a Bela compartilhou comigo quanto essa lembrança refletia de forma negativa na vida dela.

O quanto ela se sente inadequada para algumas situações e ambientes.

O quanto ela sente a desaprovação dos olhares quando não parece ser perfeita. 

Hoje ela consegue se desvincular de padrões tidos como certos ou errados, pré-determinados e estruturados por mim, pela sociedade e até mesmo em alguns filmes infantis.

Trabalhamos juntas aceitação das imperfeições, vulnerabilidades e compreendendo que assim somos.

Quero com essa história mostrar que somente o amor incondicional é capaz de fortalecer laços, educar verdadeiramente, e fazer com que nossos filhos se sintam amados, adequados e prontos para viverem a vida realizando seus próprios sonhos.

A maior prova de amor que podemos dar aos nossos filhos é a autonomia para que eles possam viver suas próprias experiências, independente da idade.

Luana Carla – Bela urbana, analista corporal e comportamental. Sua paixão é poder contribuir para evolução da nossa espécie através do seu trabalho, sendo facilitadora do processo evolutivo interno, auxiliando pessoas a encontrarem soluções para seus conflitos de forma mais harmoniosa possível, respeitando seu funcionamento natural. E assim viverem em paz consigo e com o ambiente a sua volta.

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