Ontem eu estava muito animada.

Ouvi músicas, cantei, dancei, interagi com família e amigos pelas redes sociais e até escrevi um texto sob encomenda. Pensei que passaria rápido.

Mas hoje já faltou a vontade de levantar da cama. Horário descontrolou inteiro. Durmo às 21h, acordo meia noite, durmo novamente às 5h30 e às 8h já estou procurando o que fazer. Molhei as plantas, lavei o cabelo mas preferi nem ver meu saldo bancário para não me desesperar. Tem conta pra pagar. Mas hoje esquece, não vou nem olhar!

Escuto barulho de carros, motos e bate aquela saudade de passear com meu cachorro e com os filhos na pracinha.

Chorei, chorei de soluçar. Por ver como viramos reféns com tanta facilidade. Reféns de governo, de vírus, de ideologias, de preconceitos, de pessoas, do dinheiro, da nossa mente e também das nossas fraquezas.

Onde está a culpa do ser humano por tudo isso? Mas por que sempre temos que achar culpados? Pode ser destino, pode ser profecia, pode ser oportunidade, pode ser calamidade.

Para mim uma coisa é certa: não é por acaso que estamos vivendo a pandemia na quaresma.

Muitos planos rapidamente foram mudados. Sussurrou no meu coração a voz doce de uma bela menina dos olhos escuros e pele branquinha suplicando por paz. – Minha filha, nem tudo depende de mim, mas vou tentar. E ela dizia: – Mamãe, alguém tem que começar.

Vivamos essa quaresma e pandemia tentando olhar ao menos um ponto positivo. As grandes oportunidades que só agora a vida nos tráz.

Angela Carolina PaceBela Urbana, publicitária, mãe, tem como hobby estudar Leis. Possui preferência por filmes de tribunais de todas as áreas jurídicas.

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