Como muitas pessoas sou uma leitora, as vezes constante, as vezes nem tanto, certamente ao longo da vida sempre leitora, para a importância do livro em minha vida posso utilizar de variados adjetivos: essencial, crucial, relevante, significante, terapêutico e até imprescindível.

Fazendo uma breve retrospectiva, me lembro dos contos dos Irmãos Grimm, nos idos dos anos oitenta, em casa o dinheiro era curto, meus pais tinham preocupações financeiras maiores do que gastar na compra de livros, felizmente meu avô ganhou uma coleção linda de capa dura dos Irmãos Grimm e foi aí que eu me encantei com a ficção, aqueles contos estranhos povoavam minha imaginação, tinha medo e ao mesmo tempo me maravilhava com as histórias, fui crescendo e encontrei “O colecionador” me deparei com a obsessão e psicopatia, um universo de vocabulário muito alheio ao que eu estava acostumada, no meu ambiente todos eram muito humildes e nem tinham frequentado a faculdade, esse livro me trouxe palavras que eu buscava no dicionário, apesar da dificuldade no entendimento, rapidamente  me envolvi tanto na história que andava na rua com medo das pessoas, me compadecia da vítima  e no fundo (não sem culpa), também do sequestrador, quando o livro terminou fiquei impactada por dias e dias.

Quando li “Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída” fiquei chocada com os detalhes tão esclarecedores e a coragem do relato, também vi o filme e apesar de ter tido contato com drogas em diferentes épocas da minha vida ouso dizer que aquele livro me livrou (desculpe o trocadilho) de muitos problemas, sempre tive na memória o retrato da degradação humana descritos naquele livro e isso me manteve longe de passar de determinados limites em se tratando de drogas, recentemente a curiosidade me levou ao segundo livro “Eu, Cristiane F., a vida apesar de tudo” e pude comprovar como as drogas destruíram a vida dela e como ela vive hoje.

Amei ter encontrado “O lobo da estepe”, foi um mergulho interior, me identifiquei tanto com essa obra, me fazia refletir sobre a vida e até doía, parecia que ia me dominar, naqueles dias me lembro de não querer nem interromper a leitura, me sentia deprimida e ao mesmo tempo tão viva, enfim só mesmo quem sente o mesmo para entender o impacto daquelas palavras. Depois veio “Cem anos de solidão”, que livro!

Enfim, são tantos livros maravilhosos que passaram por minha vida, cito alguns mais recentes: A quadrilogia de Elena Ferrante “A amiga genial”, seu estilo é incomparável, cheguei a ter o luxo de ficar um sábado todo lendo, foi uma delícia, uma enxurrada de sentimentos, chorei, sorri, me emocionei, viajei, me deprimi, me decepcionei e finalmente chorei de saudades dos personagens, nunca tinha tido a experiência de ler livros tão extensos e foi uma ótima surpresa ver como podemos nos aprimorar no hábito da leitura e ao contrário de fazer dieta é muito mais fácil.

Acredito firmemente que além de nos trazer conhecimento, nos modificar culturalmente os livros moldam nosso caráter para melhor, e seus efeitos são terapêuticos, já fiz terapia em diferentes momentos da minha vida, mas nenhum psicólogo foi capaz de despertar mudanças duradouras e compreensão profunda, uma maneira totalmente nova de pensar sobre determinado assunto (os famosos “insights”) quanto os livros conseguiram fazer comigo.

Quando li um texto do escritor Neil Gaiman sobre ficção e a importância da leitura, chorei, pois, percebi todos aqueles benefícios advindos da leitura em minha própria vida, muitos livros me salvaram da angústia, me mostraram outras soluções e me levaram a voltar a amar e a nunca deixar de acreditar que tudo pode melhorar não importa o tamanho do poço. Deixo aqui o link https://papodehomem.com.br/neil-gaiman-e-o-poder-da-leitura/.

Finalmente não poderia deixar de mencionar humildemente como me senti honrada em participar com um texto no livro “Precisamos falar sobre relacionamentos abusivos” iniciativa da idealizadora do projeto Adriana Chebabi desse blog.

Com os que já foram fisgados pelos efeitos do livro na própria vida eu termino compartilhando meu absoluto e irrestrito amor pelos livros e com os que ainda não, eu os encorajo a provar.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

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