Dificilmente uma relação abusiva começa com cenas de terror! E muito menos as pessoas carregam plaquinhas escritas “oi eu sou um desgraçado!”.
Muito pelo contrário! E no meu caso foi exatamente assim!
Quando conheci o abusador, e vi nele a alegria e leveza em pessoa… mal eu sabia o que estaria por vir!

Começamos a nos relacionar e foi lindo, ele escreveu uma música sobre mim no dia seguinte do nosso encontro! E que encontro! Passamos a noite conversando! Parecia um encontro de almas!

Ele foi sutilmente me mostrando que minha vida toda estava errada! Que o que ele propunha era o certo!
Começou aos poucos me fazendo enxergar que meu trabalho era péssimo! E que eu mãe solo há 8 anos, estava o tempo todo falhando como mãe! Aliás eu estava falhando em todas as áreas da minha vida!

E ele sendo um ser de luz, grandioso em toda a sua bondade me aceitava!
Não só me aceitava! Estava disposto a ficar ao meu lado, construir uma família comigo, e me mostrar novos horizontes! Mesmo eu sendo bem péssima em todas as áreas da minha vida!

Me colocou em dúvida em todas as minhas questões! Inclusive eu que corria, que surfava, que estava com a autoestima lá no céu…. aos poucos ele me fez acreditar que tinha algo errado comigo!

Não foi aos gritos, não foi me batendo! Não!
Foi com carinho! Foi sendo fofo!

Chegou a me falar que tudo bem minha vagina ser feia, que provavelmente um cirurgião plástico arrumaria! E quando eu indignada questionei… não… ele não gritou! Ele chorou copiosamente me pedindo perdão! E chorou por horas! Me fazendo sentir o gosto amargo da manipulação!

Era sempre assim! No fim eu acabava sempre colocando em dúvida o meu próprio caráter! Porque como assim eu era capaz de magoar uma pessoa tão incrível?

Carol Oliveira – Bela Urbana, chef de cozinha, mãe de 3 filhos. Adoro escrever sobre o dia dia real. Inspirada pelas fotos do meu marido… Sigo tentando ver poesia e arte nesse momento de tanta angustia e medos!

Foto Ricardo Lima

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