Sempre convivi com o imaginário infantil, minha vida profissional foi sempre junto às crianças.

Hoje trabalho numa creche com 100 crianças.

Fora isso tive irmã e primas bem mais novas e fui mãe aos 22 anos.

Nada deu errado na vida dessas crianças porque acreditaram em Papai Noel, Coelho da Páscoa, fada do dente e super heróis. Nada!

Foram todas crianças normais e hoje muitas são excelentes profissionais, pais e mães.

O que há de errado com o Papai Noel? Por que querem acabar com ele?

Há uma perseguição à infância. Querem destruir imaginários e fantasias das crianças substituindo tudo isso por excesso de presentes, cuidados e zelo.

Os pais de hoje tem medo de que a criança vire isso ou aquilo….. Tem medo que se machuquem, que se frustrem… Se perguntam: – E quando meu filhinho descobrir que não tem Papai Noel? Está sendo iludido! Oh Meu Deus!

Coitadinho do meu filho!

Ora bolas senhores pais: A passagem da infância para adolescência vai gerar frustração. Nascer, frustra. Tirar chupeta frustra. Não dar tudo o que querem, frustra… a vida frustra….

E frustrar é necessário!

Não sou psicóloga não sou psicanalista mas estou na pedagogia desde os 15 anos de idade, há mais de 30.

Posso afirmar que a fantasia faz parte do desenvolvimento da criança. Da formação afetiva e intelectual. Tudo que vive na imaginação ajuda elaborar cognitivamente pensamentos e construir valores.

Nada há nada de errado com o Papai Noel.

Toda criança tem o seu mundo imaginário e fantasioso.

A criança  não vive o capitalismo do Natal, ela não se preocupa com o dinheiro. O que vale realmente é o PAPAI NOEL. O presente faz parte de toda essa fantasia. Mas se ela não for influenciada pelos adultos e mídia, Papai Noel pode vir sem presente que fará a alegria das crianças. E alimentará sua fantasia positivamente.

Pelo amor de Deus…..

Vamos deixar a criança viver sonhos, fantasias, querer presentes…. querer carinho. Querer sonhos…

O que nós adultos precisamos é ensiná-las a dar valor nas coisas que conquista. Comprar para elas somente o que precisam, sem exageros. Dar presentes somente no aniversário. Doar o que não usam mais para alguém. Ensiná-las a gentileza. Ir junto com elas dar um presente pra quem não pode comprar.

Vamos ensinar as nossas crianças o que é generosidade, Vamos usar a fantasia e magia do Natal pra ensiná-las.

A criança aprende o que ensinamos e o que ela vivencia.

Vamos deixar o Papai Noel quieto. Fazendo a parte dele que é criar o mundo da fantasia e representar o amor, a solidariedade e a alegria.

Que a magia do Natal fortaleça a família e colabore com o desenvolvimento das crianças.

FELIZ NATAL!!

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“

Dia 19 de Abril de 2014, indo até a padaria de meu bairro observando um velho caminho, mas, me contentando com o novo apresentado.

Em uma esquina, me senti tão virgem… mas… tão virgem que nem eu tão criativa poderia ter esse GRAFITE imaginado.

Porém…

Eu… vibro o meu olhar e re… torno querendo entender o enunciado… tão virgem… mas… anunciado!

Em uma esquina

Talvez qualquer uma

Num talvez sem medidas

Observo e me imploro

O cantar das virtudes

Anoitecidas…

Vejo-me amanhecida!

Como um pão amanhecido.

Paro… Leio e re… leio.

E me olho entre… olho dentro de meus olhos!

Olhos de uma vida… e sem ter mais o brilho invasivo das córneas… E des… a… bafo o meu entender entre a caligrafia e a monotonia, dessa virgem não se dar ao uso de se querer.

Eu vou terminar de grafitar em voz bem audível…

O grand finale (expressão) desse meu encontro na esquina:

Vou de banda (expressão)… vou de outra…

Vejo-me dançando o tom tosco.

No entanto troco de lado e num enrosco… virgino-me (criei) e dou em tapas o rosto.

Virtualmente as virtudes se dão aos vãos blindados e escapam pelas esquinas algo que jamais foi pecado…

Nos sítios (leia-se corpos) que foram e estão invadidos pelos teclados… e nas esquinas em que as virgens se deflagram em tocantes meninas!

Fim

Será?

Ou ainda seremos visitados por frases de esquinas que não sabemos?

E agora dispam-se de seus guardados e vamos falar de Amor… E de Família também!

As Virgens continuam e as Esquinas se tornaram virtuais demais!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

Essa semana aconteceu algo que me fez pensar sobre ser professor… me deparei com uma foto com algumas professoras que me deram aula na adolescência, alguns daqueles rostos me causaram tristes lembranças… professor deveria ser aquele que acolhe e ensina seus alunos a lutarem em meio a suas dificuldades. Eu era essa aluna com dificuldades de aprendizagem, mas nem sempre no meu caminho escolar encontrei professores com essas preocupações. Infelizmente foram professores que se alegravam em trabalhar com alunos ditos inteligentes, aqueles que nem precisam do professor para aprender. Então questiono, qual a importância desse professor? Professor deveria se alegrar em ensinar independente a quem! Como um médico que cura o doente… mas estar nas mãos de um professor que não se sensibiliza com a necessidade de seu aluno é doloroso, causa danos e muitas vezes podem ser permanentes. Um professor deve sempre ser lembrado que terá em mãos seres humanos em formação, daí tamanha responsabilidade dessa profissão, que é linda!
Mas nesse mesmo caminho tortuoso apareceram outros professores maravilhosos que me entenderam e me levaram a escolher ser professora, e de forma inconsciente naquele momento ( mas consciente mais tarde), escolhi essa profissão exatamente para levar o meu olhar e minha sofrida experiência, para ajudar aqueles pequenos que encontrei em meu caminho com dificuldades muito parecidas com as que tive.
O magistério foi uma escolha que mudou minha vida escolar, me reaprendi, tive professores de olhares sensíveis que me ensinaram a superar-me e a mudar a minha história. Me superei quando fui fazer pedagogia na Unicamp, encontrei novos desafios e novos professores mas nesse momento eu já era outra pessoa, bem mais forte e acreditando em mim, isso era o fruto dos professores competentes que encontrei nessa caminhada!
Quando me tornei professora, já muito diferente e mais madura daquela adolescente que deixou para trás aqueles professores opressores, voltei para trabalhar na mesma escola da adolescência, nesse momento me redefini enquanto pessoa, pois encontrei um novo lugar, de olhar sensível ao aluno e pude colocar o meu amor ali!
O olhar sensível do professor é uma das ferramentas mais importantes para exercer essa profissão. É esse olhar que percebe a dificuldade, que busca caminhos para instrumentalizar o aluno, para que ele possa se superar.
Enfim, esse emaranhado de sentimentos me fez constatar algo que já sabia, o quanto o professor é importante na vida de seus alunos, e quanto ser sensível às dificuldades deles é urgente!
Veja bem, após 30 anos, ao ver a foto com algumas pessoas q me ignoraram nas minhas necessidades (sim é forte dizer isso, mas é verdadeiramente doído) senti indignação!!!!
E então me lembrei de uma reportagem que dizia que somente 2,4% dos jovens hoje escolhem ser professor, eu reflito, diante dos diversos motivos óbvios (falta de reconhecimento, salários baixos, condições de trabalho ruins etc) para os jovens não escolherem essa profissão, também devemos incluir a possível experiência de se depararem com a falta de sensibilidade de alguns professores que não deveriam estar onde estão! Essa falta de identificação com esse profissional também afasta os jovens dessa escolha.
No meu caso consegui usar a experiência negativa para buscar uma mudança para melhor, mas imagino que muitos que desistiram de seus sonhos tenham tido professores insensíveis que colaboraram com o fracasso escolar!

Viviani Raimundo Viégas Barreira –  Bela Urbana, psicopedagoga. Muitos alunos passaram em seu caminho, foram 20 anos de magistério e mais alguns de professora de seus filhos. Sempre teve como objetivo encorajar na dificuldade., buscou ao longo da trajetória o olhar sensível. Hoje é mãe em tempo integral de João Vitor e Milena, continua se sensibilizando e encorajando-os a enfrentarem os obstáculos.

 

Ela era dessas pessoas confusas. Confusas e centradas. Coisas dúbias em uma só pessoa e talvez isso fosse o que a tornava mais interessante.

André era apaixonado por ela, dizia isso. Ela gostava dele, já foi também apaixonada, mas hoje já não mais. A paixão secou, como a água da torneira da sua cozinha por culpa do encanamento do vizinho. A pia ficou com as coisas para lavar, sujas, mas não tem o que fazer, até a água voltar.

Jantou o macarrão de ontem, frio, nunca gostou de comer comida requentada. Hoje só queria ficar só, e estava… André, estava por aí e ela nem aí, não ligou, apesar do dia merecer uma comemoração especial.  Dia dos namorados. Ela hoje não liga para datas, na adolescência sim, mas hoje, tantos anos depois da adolescência não mais.

Depois do jantar, mais um prato, copo, garfo e faca para a pia suja, ela olhou tudo aquilo com desgosto e sem ao certo saber o que fazer para resolver. Terá que resolver com o tal vizinho.

E por falar em vizinho se não fosse tão esquisito seria interessante. Era interessante, mas era esquisito. Quantos anos tinha? Acho que era um pouco mais novo que ela e sempre a olhava quando estavam no elevador.

Resolveu tomar banho, colocar seu perfume favorito. Usava seu perfume até para dormir sozinha. Era para ela. Amava aquele cheiro. Tentou dormir cedo, mas seu relógio biológico não ajudava para isso. Foi para a sala, ligou a TV, a TV sempre dava sono, mas nada. Foi para internet e ali despertou de vez, com ele, aquele que agora fazia ela sorrir, gargalhar. Ela só observava o que ele postava e quantas eram as que respondiam para ele. Muitas…

Ele era história antiga. História dela com ele. Dele com ela. Cada um pelo seu olhar. Seguiam suas vidas separadamente. Ela lembrou da música da adolescência “no balanço das horas tudo pode mudar”, cantava com a amiga da escola em um dia 12 de junho de muitos anos atrás. Ela lembrou e confusa que era pediu para o “Papai do Céu”, sim, ela ainda se referia a ELE como “Papai do céu”, pediu com fervor, pedir com amor e com um certa dose de dor.

Pediu que tudo fosse para o lugar certo. Que a água voltasse. Que a comida nunca faltasse. E que a alma dela encontrasse a dele frente a frente. Cara a cara. Corpo a corpo. Olhos nos olhos. Que pudesse ser seu nAMORado. Que esse tempo, esse das horas da música,  que enfim, chegasse para eles. Coragem.

Pegou no sono. Sonhou com merda. Sim, merda. Não estranhem, isso é um sonho que traz sorte. Presságio bom. É o que dizem…

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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Quando criança pensava em tudo que eu ia fazer ‘quando eu for grande’… cresci, fiquei grande, e pensava no que ia fazer quando fosse adulta. Fiquei adulta, um pouco antes da hora talvez… mas isso é assunto para outro post… Aí, adulta, pensava… quando as crianças crescerem, quando eu tiver mais dinheiro, quando tiver mais tempo, quando… quando… quando…

E aí dobro a esquina dos 50… e penso ‘cadê tudo aquilo que eu ia fazer quando isso e quando aquilo?’. No fim, fiz algumas, mas não todas, e fiz outras que nem pensava…E entendi que a única coisa que não volta é o tempo…

Nunca poderei dizer ‘quando eu for jovem de novo’ ou ‘quando eu for criança de novo’!

Mas se a gente inverte o tempo e fica adulta cedo demais, podemos inverter na volta também, certo?

Aos 40 fiz minha primeira tatuagem, três na verdade… hoje são sete e já penso na próxima.

Aos 50 estou tirando carta de moto porque decido que se não posso dizer ‘quando eu for jovem de novo’ eu ainda posso fazer as coisas que não fiz nessa época. E sem saudosismos e nem por rebeldia! Apenas porque chegou a hora em que dá, tenho vontade, recursos e motivação para isso!

E porque aos 50 a noção de idade e juventude e maturidade se confundem, e na verdade se tornam quase que irrelevantes. Idade certa para fazer, sentir, agir? Não tem! A oportunidade certa, a ocasião certa, esses sim é que contam… a idade pouco importa e na verdade, idade certa é uma noção burra e limitante!

Quem sabe qual será a minha próxima empreitada? Nem eu sei, mas com certeza não pensarei se estou ou não na idade de fazer, mas se é a ocasião, a oportunidade e se me fará feliz!

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

 

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Ler seu passado, seu diário, seu diário muito antigo, o começo da sua adolescência, é como revirar uma gaveta guardada, mas deixar tudo revirado. Se reler para se entender.

O que mudou? Muiiiiitas coisas, mas algumas ainda persistem, não sei se é bom ou mal, não sei o que é. Percebo que uma energia que vive ali, é como se aquele tempo estivesse vivo em algum lugar, aquela história de estar tudo sempre acontecendo ao mesmo tempo, muito louco isso e essa sensação.

Se reler, como quem lê um livro, é desconfortante.

21  de abril – Gisa Luiza – 46 anos

Adriana Chebabi

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos. A personagem Gisa Luiza do ‘Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza.