Muitas guerras começam por erros de comunicação. Fala-se uma coisa, mas o interlocutor entende outra e a guerra começa, mas em muitos casos por não saber o real significado das palavras.

A palavra feminismo causa isso, já senti muita vergonha alheia por várias pessoas aparentemente informadas e com boa cultura se posicionarem falando as maiores besteiras em relação ao significado.

Também já fui aconselhada a não me posicionar como feminista porque isso poderia atrapalhar meus projetos com boicote de clientes e anunciantes. Seria engraçado se fosse uma piada, mas isso é real, é o reflexo da falta de saber o sentido da palavra e por isso de uma mediocridade gigante. Toda vez que acontece isso, eu respiro fundo e explico, a maioria entende, se liberta do preconceito e muitos dizem “sou feminista”.

Então, vou fazer o mesmo aqui e explicar. Deixo claro que sou feminista sim e espero que você leitor(a) também seja, ou pelo menos passe a ser após entender a definição correta caso ainda não saiba. Homens podem ser feministas? Sim, porque ser feminista é algo independente do seu gênero, é uma causa que você abraça.

Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos  e condições entre mulheres e homens, e luta contra a violência de gênero. Surgiu após a Revolução Francesa  que tinha como lema a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, se fortaleceu na Inglaterra, durante o século XIX, e depois nos Estados Unidos, no começo do século XX.

Já a definição de machismo no dicionário é: opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres. Característica, comportamento ou particularidade de macho; macheza. Demonstração exagerada de valentia. Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza.

A realidade é que uma pessoa machista (uma mulher também pode ser machista), é uma opressora que acredita que a mulher não deve ter os mesmos direitos de um homem ou ainda enxerga a mulher de forma inferior em diversos aspectos, ou seja, é um preconceito. O homem domina e a mulher é dominada.

Existe também o femismo, que poucos conhecem e por isso a confusão com a palavra feminismo. O femismo nada mais é do que o contrário do machismo. O femismo prega a superioridade da mulher sobre os homem. Pessoas femistas tem geralmente atitudes agressivas em relação aos homens, com constantes comentários que os desavorizam ou humilham. É preconceito também.

Bom, meu caro leitor, eu luto contra o machismo no meu dia a dia, não sou femista, sou feminista e acredito no lema da Revolução Francesa, Igualdade, Liberdade e Fraternidade como o único caminho que podemos trilhar para uma verdadeira revolução e evolução em nossas sociedades.

Faz sentido para você? Se sim, me de sua mão e vem comigo nessa jornada.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, fundadora do Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Le agenda

sem lenda

agenda

agora

sem legenda

ele vai entender

eu sei

Le agenda

agenda que chega

a hora é agora

dessa vez

sem legenda

ele vai entender.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

– Meu pai é o homem mais forte do mundo?

Na minha cabeça eu já tinha a resposta e era SIM, mas a resposta que veio foi NÃO. Inconformada voltei com outra pergunta: – E como ele vai nos proteger dos ladrões?

Não me lembro com exatidão da resposta, mas lembro que minha mãe me disse que não era para eu me preocupar, mas a pequena Adriana, na sua primeira infância, já era alguém preocupada. Preocupações exageradas para uma menininha, mas cada um é o que é desde sempre.

E somos, todos nós, uma construção de todos que vieram antes de nós, de todos que conviveram conosco, de tudo que vimos, sentimos, vivemos e percebemos… assim somos feitos.

Meu pai tem um grande papel na pessoa que sou, além da parte genética, sempre me disseram que sou a cara dele, o que me gerava muito choro, porque eu achava que me achavam “cara de homem”, eu chorava e rebatia que eu era a cara da minha mãe.

Tenho lembranças muito doces, outras engraçadas, outras tristes, outras alegres. Lembranças com todos os sentimentos do mundo. Tenho certeza que fez o seu melhor como meu pai.

Quando ele ficou doente, teve um câncer muito agressivo e já sem cura quando descobrimos, foram três doloridos meses. Algumas pessoas me falavam que era um tempo para se despedir… sinceramente que bobagem falar isso para alguém que está com o pai visivelmente morrendo… não existem palavras para se dizer nessa hora, é só viver e sem pensar que é uma despedida, mesmo sabendo que é.

Meu pai morreu em casa, na frente de sua família, já não falava nas últimas semanas e nem se comunicava de outras formas. Um pouco antes dele morrer, eu estava com ele sozinha no seu quarto e naquele momento eu contei algo que nunca tinha dito e que até hoje guardo no meu coração. Contei que amava quando era pequena e ele me fazia dormir no sofá da sala, depois do almoço, antes de voltar para o trabalho. Eu acho que ele ouviu e me entendeu.

Ali eu me sentia protegida e amada. Essa sensação é uma capa de proteção que levo comigo. Uma lembrança linda…. de todas, é a minha preferida. E ter dito, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

As coisas do dia a dia estão sempre mudando, as vezes mudam gradualmente e mal percebemos, mas as vezes mudam de repente.

Nos dias de hoje, eu trabalho home office quase que totalmente, as exceções são quando participo de produções de filmes ou fotos, até as reuniões viraram virtuais.

Há quase um ano e meio assim, percebo que trabalho mais do que antes e que faço um esforço danado para não perder o foco do que estou fazendo, porque faço muitas funções ao mesmo tempo. Sempre fiz, mas agora além das do trabalho, faço funções da casa juntamente. Entre um texto, uma aprovação, a roupa para a máquina, o cachorro para passear, a arte para aprovar, o briefing para levantar, o vídeo para postar, o feijão para cozinhar…

E é justamente o feijão que hoje me deu um presta atenção. Quase coloquei fogo no meu apartamento. Deixei três panelas cozinhando, uma delas, a panela de pressão com o feijão. Eu trabalho na sala de jantar e comecei a sentir um cheiro de queimado, na hora senti o cheiro e fiquei com raiva de mim que foquei nos afazeres do trabalho. Pensei que deixei o feijão queimar, mas quando chego na cozinha é um pano de prato que está em chamas. Joguei água correndo apaguei o fogo, mas o pano se foi por inteiro, mais um pouco e começaria um incêndio, até um pedaço do fogão pegou fogo.

Essa mania que nós mulheres temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo… primeiramente eu sentia orgulho, é uma boa capacidade, mas será que é mesmo? Hoje muitas vezes me pego assistindo séries e fazendo coisas mais burocráticas de trabalho ao mesmo tempo. Hoje mesmo fiz isso vendo um documentário que um amigo me indicou ontem e me disse que eu choraria muito no final. Não chorei, mas acho que não chorei (sou emotiva vendo filmes, séries e documentários), mas acho que não chorei porque não estava ali por inteiro, vou até assistir de novo, só olhando para a tela e nada mais.

Semana passada viajei, quatro deliciosos dias em Minas, em Gonçalves com a família, sem muita conexão com a internet, mas conectada com a natureza, com novos lugares, com o campo. Viajar é preciso, desacelerar pode ser o recurso que precisamos para focar de fato e ser mais produtiva e assertiva. Fazer tudo ao mesmo tempo sem perceber gera uma ansiedade enorme. Tenho conversado com muitos amigos nessa mesma condição de ansiedade, mas não conseguia ter clareza de onde estava vindo isso, mas hoje, o feijão me deu a lição.

Por sinal ele ficou saboroso e delicioso e graças a Deus e ao meu anjo da guarda, foi só o pano de prato que virou cinzas. O que tenho que aprender com tudo isso? Que posso ser mais cuidadosa comigo mesmo fazendo uma coisa por vez e que não sou nenhuma mulher maravilha e nem a Oma (entendedores entenderão).

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Tenho me feito de infinito

Infinitos sonhos

Infinitas possibilidades

Infinitas vontades

Infinitas formas de amar

De infinitos e infinitos

Escrevo um novo parágrafo

e amplio meu coração

para uma nova ação

Penso que assim como o infinito….

tem poesia que não sei terminar.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 


A série HISTÓRIAS DE AMOR foi uma dessas séries leves, gostosas e tão necessárias de serem ditas. Tivemos a estreia de colunistas novos, como a Shirley, que nos trouxe uma linda história inspiradora, de que em qualquer tempo pode haver um reencontro, como a dela, de um amor real, De J’teaime moi non plus à Amor I love you. O Alfredo abriu para todos os leitores seus guardados com Uma carta de Amor escrita numa Olivetti. Carta real. Será que foi entregue? Afinal, a carta está com ele, mas essa história quem sabe ele nos conta outra hora. E por falar em carta, a Liliane veio com Carta Aberta ao Amor, que delícia de texto! Já o Bernardo fez sua estreia com dois textos, em Dose Extra de Amor ele nos diz que “amor é todo dia, sem adiamentos”. Alguém duvida? Eu não. E ainda em Noite de Picadeiro que nos faz sentir na pele do protagonista com todas suas emoções. Uma boa turma nova que chegou aqui no Belas Urbanas, super bem-vindos.

Tivemos três #tbts, o da Claudia com sua poesia RETRATO e seu contar sobre a relação de uma taurina e um escorpiano. Aliás, o que é um retrato? Penso que é captar a poesia do dia a dia e apreciar. Por mais retratos então! Macarena também nos falou dos signos, Virgem e Peixes. Histórias verdadeiras, mesmo quando são passageiras, marcam nossas almas positivamente, bom seria se todas fossem assim. Será que podemos fazer do limão sempre a limonada? Eu não sei, mas ando aprendendo. Tove com seu Um conto moderno, mas ainda assim, encantado! mostra que a modernidade não é sinônimo de frieza e percebemos que contos reais são melhores que os de fada. Seu conto nos desperta aquela esperança de que tudo é possível em qualquer fase da vida, igual ao da Shirley. Sim, estamos todos ligados e nem sabemos, até nas histórias com similaridades.

Marina conta Sobre um amor bom, e um bom amor nem sempre segue a regra do felizes para sempre, mas fica na alma e desperta aquele sorriso no rosto ao lembrarmos. Roberta com sua A linguagem do amor… nos faz refletir sobre o que leva as pessoas a se enamorar senão o próprio sentimento de amar. Lembrei uma música que diz: “toda forma de amor vale a pena e toda forma de amor vale amar”, abaixo aos preconceitos, deixe que cada um ame quem quiser. André faz uma declaração para Marina. Quem já recebeu uma declaração de amor? Quem ainda nunca fez uma declaração? Se não fez, está em tempo, faça! Mesmo que as mãos fiquem trêmulas, mesmo que o coração acelere. A vida é aqui e agora, não deixe passar. Não tenha vergonha de mostrar sua felicidade. Escrevi sobre Meu primeiro amor, e disse: “por que algumas vezes temos vergonha e queremos disfarçar nossa felicidade?“, deixo a pergunta aberta para vocês… preciso saber a resposta. Outro ponto muito bacana desse texto foi o retorno que os leitores deram de que a história resgatou uma conexão com suas próprias histórias.

Afinal, o que todos queremos saber Sobre um bom amor é o que significa isso. A Siomara, com toda sua delicadeza, trouxe claramente em sua poesia “para ser leve não precisava ser breve…” e que “para ser fogo não precisava ser doente”. Bingo! É isso. Faço a analogia com a música do Titãs “a gente quer comida, diversão e arte…”, nada menos que isso quando falamos de amor, de um bom amor. E por falar em comida, nos Conselhos da Madame Zoraide – 24 – Amor ela diz que o “amor é barriga“, essa Madame Z sai das explicações lógicas, mas fica claro seu ponto de vista quando diz: “O AMOR não se entende, só se sente, como a barriga”. Não tem como negar uma dor de barriga meus amigos!

E para fechar essa série temos a psicóloga Clarissa em seu texto Relacionamento Saudável e seus desafios que reflete sobre esse caminhar a dois, onde essa máxima que diz que opostos se atraem caem por terra. Opostos não duram, o que faz durar são olhares parecidos entre tantas outras boas coisas da vida. Vale a pena ler. Aliás, vale a pena ler todos, de preferência pela ordem de postagem, garanto que as leituras serão uma injeção de alegria nesse domingo.

Amor melhora tudo!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Meu primeiro amor tinha o cabelo castanho lisinho, olhos castanhos e era um pouquinho maior que eu. Provavelmente devia ser alguns meses mais velho, já que eu era uma das mais novas daquela classe. Eu amava! Sentia uma emoção que nem sei descrever, mas lembro sim que a sentia.

Uma vez ouvi algum adulto, uma mulher, que falou para mim: – Criança não ama! – eu fiquei muito brava e me lembro de protestar: – EU AMO! – disse em alto e bom som. – Amo sim, e amo o Rogério!

Não me lembro quem era a adulta, talvez minha mãe, talvez minha tia Marta… Eu era bem pequena, tinha só quatro anos. Sim, você entendeu bem, tinha quatro aninhos! Estudava no jardim da infância e minha professora, que eu achava linda, se chamava Regina. Para seus alunos, Tia Regina.

Tia Regina me deu uma grande alegria. Os pares da festa junina para a dança da quadrilha eram escolhidos por ela. Quem vocês acham que ela escolheu para ser o meu par? Ninguém menos que o Rogério. Meu coração pulou de alegria, e me lembro da emoção e também de querer disfarçar que estava tão feliz. Fico hoje me perguntando, por que algumas vezes temos vergonha e queremos disfarçar nossa felicidade?

Como eu me lembro de tudo isso? Eu simplesmente me lembro… E, mesmo hoje (melhor nem contar quantos anos já se passaram daquele junho, algumas décadas), ao lembrar, consigo recordar da emoção sentida.

Dançamos aquela quadrilha e foi lindo! Aliás, essa foi até hoje a quadrilha que mais gostei de dançar na minha vida.

Dizem que somos feitos de emoção. Eu acredito nisso. Acho que emoção nos molda. As boas nos moldam para sermos mais doces, para algo interno que nos resgata e conforta nos momentos difíceis da vida. Até hoje eu discordo da adulta que me disse que criança não ama. Eu sei hoje que ela se referia a um amor romântico, mas mesmo assim, eu discordo mesmo, porque eu amava o Rogério, do meu jeitinho, de uma menininha de quatro aninhos, da forma mais pura e autêntica que é o amor. Simplesmente o querer bem, o encantamento e a vontade de estar do lado.

Saí da escola no ano seguinte, como eu disse, era das mais novas e a lei tinha mudado. No outro ano, quando voltei, nunca mais o vi. Acho que mudou de escola.

Se sofri por que amava? Não. Se fiquei pensando no Rogério? Não. Eu brincava, e brincava muito, e isso também era feito de amor.

Brinco com essa história a vida inteira. Outro dia peguei as fotos da quadrilha e mostrei para meus filhos. Eles riram, e ficamos perguntando na mesa: – Cadê o Rogério? Inventamos mil destinos para ele e jantamos dando boas risadas.

Desejo do fundo do meu coração que o Rogério tenha sido um menino feliz, assim como eu fui, e desejo que onde quer que esteja, que esteja bem.

Como disse Drummond: “Amar se aprende amando”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Tenho três filhos Bruno com 23 anos, Pedro com 17 e Carolina com 16 anos.

Ser mãe com toda certeza é o meu maior desafio.

Cheguei a falar para o pediatra que o meu lado profissional era o meu lado mais evoluído porque sabia lidar com os piores problemas com clareza e sem desespero. Já ser mãe é uma prova de fogo…

Nasce um filho, nasce uma mãe, e mesmo quando nasce o segundo e a terceira é uma nova mãe que nasce com cada um deles.

Sempre senti que cada filho é uma grande oportunidade de sermos seres humanos melhores.

Entre anseios, sustos, medos, alegrias, cumplicidades, vaias e aplausos, a vida segue… tenho aqui muitas histórias que posso contar de cada um deles, em várias fases… mas hoje escolhi uma do Bruno quando ele tinha 4 anos.

Preciso antes de mais nada colocar que o Bruno sempre foi uma criança muito curiosa e estava na fase que perguntava o tempo todo: ” o que que é aquilo?”. Para vocês terem uma ideia, uma vez fomos para Ubatuba e por todo o caminho a pergunta se fez presente. Uma enxurrada “do que que é aquilo?”

Mas a história é a seguinte: Certa vez a noite, eu estava saindo do trabalho tarde, por volta das 20h. Nesse dia estava sem carro e meu ex-marido foi me buscar com o Bruno, devidamente sentado no seu cadeirão no banco de trás.

No elevador tinham mais duas pessoas, entre eles um anão. Saímos juntos do prédio. O nosso carro estava bem na frente do prédio, na entrada. Só vi a cabecinha do Bruno grudar no vidro, e eu já sabendo o que me esperava e por receio de passar algum tipo de vergonha, fui diminuindo o passo e me distanciando do anão.

O anão seguia na minha frente e a cabecinha dele grudada no vidro se virando seguindo o anão que subiu a rua. Cheguei no carro, assim que entrei, a pergunta: – Mãe, o que que é aquilo?

-Um anão, Bruno.

Silêncio no carro. Partimos e após minutos de silêncio, o Bruno vem com essa:

-E cadê o gorrinho?

Risos e a explicação.

Crianças são puras. Não tem a maldade dos adultos. Constroem suas realidades e aprendem o mundo pelas suas referências. A partir daquele dia, o Bruno entendeu que os anões não são somente os sete mais famosos dos contos. E eu entendi que nem tudo é óbvio.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

Moto boy Vitão

Entrega aqui, agora, na hora

Quando pedem…

Vitor, Vitão e sua moto

Quase uma música…

Seu capacete fora da validade

Ninguém sabe, ninguém viu

Entrega, corre

Aplicativo ativo

Pandemia ativa

Mais motoboys

Mais entregas

Mais concorrência

Menos dinheiro…

Vitão sem muito estudo

Gosta de pilotar

Gosta de correr riscos no trânsito

Adrenalina e ignorância

Incoerência na balada abalada funk

Gosta de Rosa

De Violeta não

Tira o capacete

Pitota na estrada vazia

Rosto no vento

Perigo iminente

No ar

No tombo que pode levar

Na multa que pode tomar

Na vida que pode evaporar

Vitão, sem sentir o que pode perder

Voa como o pássaro no céu

Respira fundo, profundo

Chora pelo vizinho que se foi

Pela prima que não tem ar

Pela mãe que precisa trabalhar

e se arriscar na lotação lotada

Vitão, o grandão, o da moto, o boy

Sabe exatamente o que é, onde está e o que quer

Por isso chora, mas é de alegria por estar vivo.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Você me perde, cada dia um pouco. O luar vai sumindo.

A certeza que o fim é o melhor caminho, dói.

O fogo está apagando e o que sinto no coração, é a certeza do não, só que algo não combina, poque no sonho eu queria,

queria as mãos dadas, a pele encostando, queria caminhar na mesma direção, queria seus olhos brilhando tão intensamente como os meus.

Mas, mas, mas, a letargia

Mas, mas, mas, o vício

Mas, mas, mas, a solidão

Mas, mas, mas, cada hora um mas

Mas a vida vai passando

rápida

e eu enxergo os meus sonhos ficando longe

Como se o mar me puxasse para dentro

e os sonhos ficando… longe

e você nada, nada,

NADA E VOLTA (grito)

NADA com todas suas forças

Acha aí dentro de você (a força)

Mas nada….

eu começo a ter forças e nado, devagar

sabendo o perigo de me afogar com você

mas é devagar porque não quero te deixar

mas quero viver, então começo a nadar, devagar, e começo a aumentar o ritmo

Eu sei que esse ritmo vai aumentar ainda mais

e eu penso, berro, na minha cabeça

NADA NADA NADA

e nada vejo, nada, nadinha

talvez seja a hora de acordar, acordar desse sonho

Porque está passando do ponto

Virando pesadelo, com ursos no meio da estrada

Você com medo

Eu com medo também, mas firme, quero caminhar para frente,

Alguém tem que estar são

Seguro na sua mão, você tem muito medo, pânico

Se fechou nesse mundo

De segredos, de medos, de vícios, de dores

Mundo pequeno e o mundo é tão grande…

Queria te mostrar, mas você não quer ver.

Eu NADO

Você NADA.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico