Ela andava pelas ruas. Era madrugada, estava só.

A noite tinha sido uma sucessão de desencontros. Primeiro com os amigos, o que ela entendeu não foi o que eles entenderam e ela foi parar em outro bar com o mesmo nome.

Gente estranha tinha por lá. Esperou, tomou uma cerveja, nada de chegarem, olhou o relógio, nada ainda, mais uma cerveja. Como era fraca para bebidas, já no final da segunda estava meio zonza, resolveu ir para a terceira, começou a rir de tudo que observava por ali.

Chegou um carinha na sua mesa, com uma dessas cantadas baratas e abobadas, mas como ela estava só, aceitou a cantada e que ele sentasse na mesa. Falaram do Japão, nenhum era japonês, e o lugar mais distante que ela conhecia era bem perto, mas atrevida que era, não se fez de rogada e do Japão falava sem parar e ria, porque quem bebe um pouco além da conta ri.

Lembrou da turma de amigos que nunca chegava. Pensou no celular, mas como de costume, sem bateria. Xingou as velhas gerações por não ter comprado aquele carregador que pode carregar em qualquer lugar, mas sabe como é, grana curta.

O carinha que só falava do Japão lá estava a falar sem parar e aquilo parecia uma boca nervosa que precisa ser calada e acalmada; sem pensar lascou-lhe um beijo. Há dois anos atrás ela jamais faria aquilo, mas agora, as águas rolaram e era só um beijo em uma noite de verão, em um alguém, sabe-se lá quem.

Ele ficou boquiaberto e ela foi embora, deixando a mesa e a conta para ele. Foi embora a pé, rodando aqueles bares, sem celular, cabeça acelerada, fala lenta.

Pensava nele, tinha saudades dele, do beijo dele. Não, não era do carinha de cinco minutos atrás não, aquilo era nada, era do outro, do antigo, do que grudava na sua pele, mas que estava longe, do que tinha a melhor pegada, pele a pele.

E esses amigos onde estão? Cabeça ia, vinha, voltava e vinham risadas, ânsia de vômito. Ela era fraca para beber, ficava engraçada, mas assim na madrugada, sozinha na multidão, com quem podia compartilhar?

Podia passar uma cantada e usar o celular de alguém, mas não adiantaria porque não sabia ‘de cór’ nenhum número. Eram quase três horas da manhã, resolveu andar e ir para a praça perto da faculdade, não tinha combinado de dormir na casa de ninguém, e não queria voltar para a casa da mãe porque garantiu que dormiria na casa das amigas.

Então, foi para a praça esperar o nascer do sol, a vista era linda! Já tinha feito aquilo uma vez com ele (ele de novo nos seus pensamentos), ela ria e tinha vontade de dançar, melhor não, estava zonza mas não totalmente sem juízo, dançar na rua era um sonho de infância, mas sem companhia não teria graça.

Na praça, sentou no mirante. Ela, o céu e um celular que tocou. Sim, tocou um celular que estava perto, ninguém ali, só ela, o céu e o celular.

Não atendeu. Tocou de novo. Atendeu: – Alô, não, não é ela. Não, não é ela que está falando. O quê? Como assim? Não, não sou. Ah, por favor, não sou, ligue depois.

Desligou, esperou e o sol começou a clarear o dia, assim como a mente clareava para seu estado normal.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Lembro de muitas histórias de carnaval. Na infância, esperava ansiosa minha tia Marta e minha prima Gi chegarem do Rio de Janeiro, com a fantasia que minha tia trazia pra mim igual ao da minha prima. Sempre tão lindas! Lembro de nós duas na matinê, no salão do clube à espera para desfilarmos no concurso de fantasias… já fomos baianas, bruxinhas, ciganas etc.

Na adolescência, a primeira vez que fui a um baile à noite estava de melindrosa, tinha 12 anos e fui uma única noite. Queria porque queria ir, já que minha prima ia, mas não gostei. Não me senti pertencendo, ainda gostava da luz da matinê e de ficar jogando confetes e serpentinas… A noite ainda não era para mim!

Com 13 anos, passei as cinco noites com um grupo de uns 40 adolescentes como eu, fantasiados de egípcios e gritando: “Alalaooooo, mas que calor”. Aquilo para mim foi o máximo! Passei as cinco noites junto com o grupo, correndo pelo salão, cantando sem parar aquele refrão e sem olhar para nenhum garoto. Eu era mais criança que adolescente ainda.

Já no ano seguinte, 14 anos, começaram a ser mais divertidos os bailes de carnaval. Nesse ano, lembro que junto com minha amiga Alexandrina, ficamos “apaixonadas” platonicamente por um mocinho no salão, que nunca nem sequer dançou uma música com nenhuma de nós. Acho que nem nos via, era “gatinho”, como dizia a gíria da época dos anos 80 quando era para fazer referência a alguém bonito. Ali eu descobri que gostei do colorido que a paixão nos traz, mesmo quando não é correspondida. Ainda era uma menina que nunca tinha beijado na boca.

Com 15 anos, já era mais encorpada, bem morena, e novamente com minha prima e amigas fizemos fantasias iguais para algumas noites. Éramos piratas com meia arrastão preta, top vermelho com lantejoulas e um pano de cetim vermelho que servia de saia, biquine por baixo, porque tudo era bem curto, era moda. Ano que comecei a ser vista pelos mocinhos. Dançava com um, depois com outro e com outro pelo salão. Funcionava assim: Tinha uma grande roda e quando parávamos de dançar com o par, ficávamos no entorno dessa roda dançando até outro convidar para dançar. Sempre nós, as meninas, esperando passivamente sermos convidadas. Eu nunca convidava ninguém, poderia justificar com minha timidez – de fato era tímida demais para chegar em algum moço –, mas não era só isso, era algo que no fundo estava enraizado em mim. “Isso não é papel de moça, os homens é que devem tomar a iniciativa”.

Os homens podiam escolher e nos tirar para dançar, mas nós, moças mais recatadas, jamais faríamos isso. Isso nunca passou pela minha cabeça como algo a ser questionado, nunca nem pensei, e se quisesse dançar com alguém, por que não ir tirá-lo também? Nesse ano, me lembro de dois mocinhos que ficavam “me disputando”… Uma vez, dançando com um deles, um amigo o chamou para brigar, e ele, como ‘bom macho e fortão’, falou pra mim: “– Tenho que brigar agora, depois eu volto, me espera”. Eu sei lá qual o motivo da tal briga, na hora o achei muito valente. “Nossa, uau, ele vai brigar, como é forte! Como é valente!”, esses eram meus pensamentos.

Bom, os dois que me “disputavam”, o valentão e o outro, eram amigos, esse outro tinha uma namorada… mas passava por mim quando não estava dançando comigo e me media de cima a baixo, jogava charme, fazia comentários, mesmo dançando com ela, sem nenhum respeito por ela. Eu, na verdade, também não percebia que isso não era respeitoso nem com ela e nem comigo.

Na última noite, a banda tocava até quase o raiar do sol, e nas repetições do mais um, eu estava dançando com outro mocinho. A música parou e ele veio todo para cima de mim tentar me beijar, quando o tal que me “disputava” com o amigo fortão, o que tinha namorada, disse em alto e bom som: “Não mexe com essa moreninha que eu vi primeiro!”. Como se eu pertencesse a ele, como se eu fosse um mero objeto.

Como me senti? Sinceramente, naquele dia, me senti desejada, importante, e estava gostando das investidas do garoto que levou um sinal amarelo do outro. Eu fiquei passiva, esperando que os meninos decidissem de quem eu era. Como assim de quem eu era? Eu que deveria escolher! Afinal, eram dois pretendentes, mas eu não tinha essa percepção e talvez até achasse interessante ser “disputada como um prêmio”. Hoje consigo enxergar o quanto eu era machista e não tinha consciência de nada disso. Sou uma desconstrução dessa machista.

Enfim, me despedi, fui embora com minha prima e amigas. Já com saudades daquele carnaval, que me traz lindas lembranças, mas com água na boca de um beijo que não aconteceu, mas… a vida é um caixa de surpresa e o primeiro beijo veio no carnaval do ano seguinte… Mas essa história é outra…

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Alguém já entrou pelado na sua casa sem convite?

Achou estranha a pergunta?

A pergunta pode soar estranha porque as pessoas não comentam que isso acontece, mas isso acontece, e muito! Sábado de madrugada isso aconteceu comigo.

Recebi dois vídeos, o primeiro era um vídeo pornô de um casal. O vídeo veio acompanhado da frase: “Meu pau é muito maior viu rs vou te mandar o vídeo pra provar tá rs”.

Eu não pedi para receber nenhum vídeo pornô e não queria saber qual é o tamanho do pênis de quem me mandou a mensagem. Fiquei pensando, o que passa na cabeça de um homem que aborda, que invade minha casa, meu celular, meu sossego com um vídeo assim?

Fui responder, e antes de terminar minha resposta, recebi o vídeo dele se masturbando.

É importante esclarecer que não tenho a mínima intimidade com esse homem, é um colega e tenho seu contato por questões de trabalho.

Me senti como muitas outras vezes já me senti, quando caminhando nas ruas, algum homem me mostrava seu pênis e se masturbava para que eu olhasse. Eu sempre saía correndo.

Desta vez me senti igual, foi virtual, mas a invasão e o assédio foram o mesmo.

Senti vergonha por ele, é um papel ridículo que se prestou. Sexo, nudez, namoros virtuais podem ser legais quando a via é de mão-dupla, quando a dupla está disposta a isso, mas no meu caso foi assédio, assédio baixo, de alguém com um caráter bem duvidoso.

Digo que é duvidoso por várias questões. A primeira é que não teve nenhum respeito por mim (ninguém deve chegar pelado e com convidados pelados na casa de ninguém),  não dei nenhuma liberdade para receber esse tipo de vídeo. Segundo, pela sua própria mulher. Sim, o sujeito é casado! Será que ela sabe que ele fica de madrugada assediando outras mulheres?

Soube no domingo que já abordou outras amigas que temos em comum, sempre com uma conotação sexual. A história vem de longe!

Quantas de nós nos calamos perante esses assédios para não nos expormos? Quantas vezes nos calamos por medo de sermos julgadas? Quantas vezes já ouvimos as vítimas serem culpabilizadas? Quantas de nós achamos melhor deixar para lá, porque no fundo, nós mulheres de 50 anos crescemos em uma sociedade machista, onde quem determina o querer e o poder é o homem, e quando relativizamos isso, não percebemos o quanto esse tipo de comportamento se fortifica?

Eu não vou me calar!  Hoje em dia sou muito mais consciente dessas agressões em forma de assédios. Não aceito ficar quieta. Respondi para o sujeito que não pedi para receber aquilo, que não queria receber vídeo dele gozando (ele queria ainda me mandar outro), que não acho nada legal ele ser casado e na calada da noite abordar mulheres mostrando seu “pau”, e, ainda por cima, queria saber minha opinião sobre o digníssimo membro; não dei nenhuma opinião para ele, mas agora darei uma opinião, não sobre o membro, mas sobre saúde.

Acredito que seria interessante procurar um psiquiatra ou psicólogo, nitidamente é alguém que precisa de ajuda.

A minha denúncia hoje é em forma de texto, contando o que aconteceu comigo para incentivar que mais mulheres também falem se sofrerem qualquer tipo de assédio. Não podemos mais aceitar o que não queremos, pedimos e desejamos.

Não podemos mais nos calar. Assédio é crime!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

As vezes preciso estar só. Para acalmar a mente. Para prestar atenção na minha respiração. Para desacelerar meus pensamentos. Para ouvir música e escrever.

Às vezes preciso ficar só para olhar o horizonte à frente. Deixar a lâmpada acesa ou mesmo beber água saboreando devagar.

Preciso. Às vezes preciso muito. Como nesse exato momento.

Fecho meus olhos, meus lábios sorriem e eu escuto “eu tô voltando pra casa outra vez”, mas eu tô em casa e gosto muito.

Giza Luiza – 52 anos – dia 29 de agosto

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Giza Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza




VÉSPERA DE NATAL. Último dia do trampo, entrei às 11h30 e saí às 18h, fiquei no caixa, depois do expediente o pessoal do “calçados” se reuniu para tomarmos champagne (bom!). Clima de despedida, vou sentir saudades do pessoal (“foi bom estar com vocês, brincar com vocês…”), foi bom mesmo, muito bom!

O “R” me ligou da sua cidade, desejando Feliz Natal, eu simplesmente adorei!. L me ligou em seguida desejando Feliz Natal, gostei muito! (é bom demais saber que lembram da gente).

Ceia na casa de uma tia, ela e família, os outros tios, primos, avós, tias-avós, amigos, namorados. M estava muito chata, acho que não tem jeito, ela é desagradável, que pena!. Pai (de bode).

NATAL – não gosto do que as pessoas te transformaram.

24 de dezembro – Gisa Luiza – 20 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Sempre penso: “Será que existe o outro lado?”. Me pergunto isso desde pequena, desde aquela aula de religião que a freira nos levou para a capela e nos mostrou onde Deus estava.

Conheci Deus através do olhar dela. Era pequeno e estava preso em uma caixa quadrada no altar. Eu tinha 7 anos e olhava aquela caixa com temor. Vai que Deus fugisse dali? Melhor Deus preso ali dentro e seguro… Mas como ele podia nos ver estando preso e fechado? Será que estava esmagado? Será que sentia dor? Será que Deus soltava pum?

Até os dias de hoje, 55 anos depois, algumas dessas perguntas me perseguem. Sou católica, mas não praticante. Minha filha casou na igreja, me lembro tão bem do dia. Ela linda, entrando na Igreja com o pai. Eu no altar e Deus também, na sua caixinha. Eu olhava de canto de olho para Deus para ter certeza que estava ali. Eu rezava para ele estar de bom-humor nesse dia e abençoar os noivos. Porque cá entre nós, viver apertado tira o bom-humor.

O susto do cigarro foi uns meses antes desse dia. Parei. Larguei. Deixei na memória, mas fujo dela o tempo todo, porque se pensar, tenho vontade de me entregar ao vício. Mas sei, como sei, que esse vício pode me matar mais rápido que a genética determina, resisto, mas não é fácil! “Só por hoje”, penso.

Quando olho para os lados e alguém está fumando, sinto vontade de acender um, de me entregar àquela sensação que nem sei descrever. Sinto até inveja do fumante, me vem a lembrança que sentia ao tragar, como um arrepio na alma, mas na hora a memória me leva para Deus na sua caixinha e penso que Ele deve estar muito apertado vivendo naquele cubículo e, por isso, precisa também nos causar o mesmo incômodo que sente. Será que Deus é sádico?

Sou uma idosa, já consigo ter direito a ser atendida prioritariamente nas filas especiais, há outras vantagens também de ter mais de 60 anos (tenho 62), mas não me sinto diferente em nada do que era quando tinha 52, 42, 32… Sou a mesma e não sou velha! Gosto do que querem que as idosas não gostem, mas eu ainda gosto. Se sempre vou gostar, não sei. Deus deve saber.

Hoje, no banco de trás do carro, quando o motorista parou naquele demorado farol, olhei para o lado. Por que olhei? Tinha um homem tomando banho na praça, usando a pia pública, pia de lavar as mãos, e ele tomando banho de caneca. Usava shorts, passava algum sabão… Olhei demoradamente aquela cena, era como um ímã, mas era um tapa na cara. Deus de novo me fazendo me sentir incomodada, eu no ar-condicionado, voltando do salão de beleza, que fiquei 4 horas, fazendo as unhas das mãos, dos pés, tingindo o cabelo, hidratando, lavando, escovando, tomando chá e café… 4 horas, e alguém se banhando no meio da rua… Ah, Deus, saia dessa caixinha, saia desse aperto logo e para com essa coisa sádica de me fazer sofrer pelo incômodo do banho do mendigo, pelo cigarro que renuncio.

Queria ter a indiferença de alguns que conheço… isso seria tão mais fácil! Se eu te soltar da caixinha, podemos fazer um trato? E essa freira que me apresentou você, onde será que está? Do outro lado? Melhor mesmo eu continuar longe do cigarro!

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography


A criança briga no andar de baixo

Você está no seu sofá

comendo pipoca

no ar condicionado

vendo a nova série

A mata pega fogo

mas você já fechou a janela

Na sua sala o cheiro do queimado não chega

Você come pipoca

Você vê o filme

A briga de trânsito na rua perto não te interfere

Não sente que o problema é seu

Da uma espiada rápida pelo insta

a piada racista, gordofóbica, machista…

Tanto faz, não é com você.

Na sua sala tá tudo bem

Melhor rir e compartilhar

Que dia é hoje?

Dia de ninguém estragar o seu dia

Dia de pipoca

Na sala

Tanto faz a bomba que cai

Tanto faz a floresta que queima

Tanto faz a criança que chora

Tanto faz a loucura alheia

Tanto faz a falta de grana do vizinho

Meritocracia afinal!

No final

tanto… mas tanto faz

O que importa mesmo é a pipoca no sofá.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography

Outro dia a CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz – fez manutenção no meu bairro e precisou desligar a energia. No comunicado enviado, o prazo para esse desligamento era das 13h30 às 17h30, porém dizia que poderiam ocorrer atrasos.

Apesar de ter recebido a comunicação impressa uns dia antes, me esqueci completamente e também não avisei meus filhos. Todos ficaram irritados, mas eu fui calma e ajudei a achar saídas. O meu filho mais velho, que tinha programado para fazer uma entrevista on-line para uma trabalho da faculdade, ficou tenso, porque já estava marcado com o profissional e precisava gravar, como somente o laptop tinha um pouco de bateria, disse para ele falar a verdade e marcar para outro dia. Deu certo.

Bom, a falta de energia foi até 20h30, três horas a mais que o programado e tudo foi descarregando…. Nos vimos sem nada de conexões, sem computadores, sem celulares, sem TV, sem luz. Começou a dar uma certa angústia. Ficamos no escuro, acendemos uma vela, resolvi esperar e ficar quieta. Os filhos perguntavam: – Quando vai voltar? Como se eu tivesse a resposta para tudo. Aliás, por que será que os filhos sempre acham que as mães sabem tudo?

Resolvi ir para a varanda, peguei meu violão, que não pegava há muito tempo. Fiquei com ele, tocando, brincando, tirando um sonzinho, enquanto sentia o vento gostoso dar uma aliviada no dia que tinha sido tão quente, olhando o entardecer até escurecer.

Continuei na varanda, no escuro, com o violão… Foi bom, comecei a prestar atenção no que estava sentindo. Estava gostando daquele momento diferente, bem diferente do meu dia a dia. Exerci a paciência. Apreciei a natureza mais do que o meu habitual, senti o vento e me deliciei com isso. Nem as horas eu sabia… não tenho aqui nenhum relógio de ponteiros.

Por fim, percebi que estava gostando daquilo, mas queria muito compartilhar o que estava sentindo naquele momento nas minhas redes sociais. Uma certa ansiedade me batia por querer comunicar e uma certa agonia de não ter como fazê-lo.

LARANJA: Sinal de alerta

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography

Vamos começar a publicar uma série de textos sobre os impactos dos apps na nossa vida diária.

Os autores são de gerações diferentes, o que enriquece muito essa roda de conversas e reflexões. Para essa jornada de textos, convidei alguns adolescentes e adultos bem jovens que vão debutar com seus textos e reflexões aqui no Belas Urbanas.

Será que todas as gerações são hoje impactadas da mesma forma? Qual é a dificuldade de quem nasceu em um mundo analógico se adaptar para esse mundo tão digital? Será que existe? Será que depende da idade que tínhamos quando começou essa transição? E para as gerações mais novas que não conheceram o mundo sem a internet e esses Apps, será que existem questionamentos do que faz bem ou mal? Como se comportam? Existe um mundo mais virtual ou real? Existe um App dos sonhos?

Enfim, a ideia é refletirmos através de várias visões sobre nosso comportamento na sociedade e como nossas atitudes na vida, seja virtual ou real, podem de fato serem construtivas ou destrutivas.

Se todos queremos harmonia, paz, amor e prosperidade; o caminho é olharmos para os temas que nos levam para perto ou longe desses desejos.

Participe, seja comentando, seja compartilhando, e se quiser nos contar a sua visão, entre em contato pelo e-mail: comercial@belasurbanas.com.br.

Agora, vamos aos textos, nas telas.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

Foto Adriana: @gilguzzo_photography


Tu

Tu

Absurdo

Obscuro

Tu

O não

O tchau

O fim

Tu

3 vezes passou

Tu

Adeus

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