… chegou o N, desceu do carro e foi falar com a gente. Ele estava uma gracinha de piratinha, uma calça branca e uma blusa amarela, tava demais!

Não sei quem falou que não precisava dar beijinho em mim e ele disse: –Eu to apaixonado por ela.

Eu sei que apaixonado é meio difícil, mas ele tava afim de mim, dando em cima.

Depois, outro dia, na terceira festa, disse que eu tava linda. Estávamos na frente da casa e N virou para o amigo dele e disse olhando para mim, que era por essa menina que eu tava apaixonado. Eu como sempre imbecil, fiquei quieta. Depois ele foi conversar comigo e me dar um piratinha que tinha na carteira, eu não aceitei, tava abobada. Não aconteceu nada porque eu sou uma idiota. A festa foi legal, mas poderia ter sido muito mais legal.

O N mexeu comigo, é gostoso a gente ficar afim de alguém, ainda mais quando essa pessoa tá afim da gente….

Férias de janeiro, na praia  – Gisa Luiza – 16 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Depois de 35 anos o mundo não parece que evoluiu muito na questão do racismo.

Me lembrei de um carnaval na década de 80 na minha cidade em um clube que pulávamos (falávamos pular carnaval).

O tal clube tinha o melhor e mais famoso carnaval da cidade, pelo menos para a classe média e alta.

Éramos adolescentes, eu e meus amigos, nos divertíamos muito com aquela festa tão esperada. Em uma das noites, estávamos esperando mais duas amigas, que mesmo não sendo sócias, naquele dia iriam ao baile acompanhadas do pai de uma delas que era radialista e tinha entrada livre. Porém, uma delas foi barrada e não pôde entrar. O motivo? A cor da sua pele.

O pai foi chamado de lado pelo porteiro e informado que só poderia entrar com sua filha, a moça branca, a outra não. Regras do clube.

Ele foi embora com as duas para outro clube (sem regras racistas) da cidade, onde ambas puderam entrar e se divertir.

Nós, os amigos que estávamos no Clube (racista) do carnaval mais famoso da cidade, só soubemos no dia seguinte do ocorrido… o mundo era outro sem celular.

Ficamos todos indignados, mas nada fizemos. Talvez reflexo de uma juventude que ainda vivia sob o medo da ditadura, mesmo que na sombra. Que cresceu em escolas de freiras. Que era reprimida em seu questionar. Tenho vergonha de nada ter feito.

Depois de mais de trinta anos, a população negra ainda enfrenta no seu dia a dia preconceitos em várias esferas. O racismo ainda é tão enraizado, que muitas vezes passa despercebido e visto como algo normal. Não é normal. É inaceitával.

Hoje minha indignação não me permite a omissão.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Pandemia que agonia. As vezes durmo como uma pedra, mas na maioria desses dias não tem sido assim. Insônia, pesadelos, sonhos esquisitos.

Dinossauro saindo pela janela de um hotel e eu de fora olhando aquela cena surreal. Ontem, o sonho foi com elefante cinza no meio da cidade, a cidade era o Rio de Janeiro, o elevante ficou meu amigo, e eu pensava que quando era criança queria ter tanto um elefante…

Essa noite, sonhei com crianças levando outra no carrinho para passear, eu pensava se deveria segui-las para garantir proteção, mas pensava, precisam crescer… mas isso me angustiava, sentia medo que algo acontecesse com elas.

Nos sonhos, eu penso. Lembro meus pensamentos, como também lembro o que pensei em vários momentos da minha vida. Não lembro tudo, mas lembro muito, muito mesmo, do que penso e do que aconteceu na realidade.

Memória de elefante? Para muitas coisas sim, até dos dinossauros da minha vida. Serei eu também um dinossauro? Para muitas coisas sim. E as crianças? As crianças estão em mim. Dentro, a menina que fui e ainda vive. Fora, as que convivem comigo.

E eu aqui querendo decifrar meus sonhos e pesadelos….. pesadelo mesmo é essa pandemia.

20 de maio – Gisa Luiza – 51 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

O grupo estava lá, eu te amo pra cá, eu te amo pra lá e te amo pra galera geral. Amo vocês diziam todos no face, no insta, na live…

Parou. Ninguém ama assim. Chega dessa demagogia de tanto eu te amo raso.

Algumas palavras precisam e devem ser preservadas. Elas não podem cair na banalidade, na marginalidade. Não podem cair na vala comum.

O coleguinha falou eu te amo e você sem graça devolveu, eu também. NÃO faça isso. Amor é outra coisa.

Se quiser saber se ama alguém, pense por quem você daria a sua vida? Por quem você emprestaria a barriga para gerar um filho? Por quem você doaria um rim? Por quem você rasparia o cabelo para ficar igual? Por quem você adiaria um projeto por escolha própria? Por quem você deixaria o último pedaço do seu prato preferido? Por quem seus olhos brilhariam em qualquer pequena conquista? Por quem seu coração pularia de alegria ao ver?

Por quem?

Amamos várias coisas, amamos várias pessoas durante nossa vida. Amamos muitas para sempre, mas definitivamente não amamos todo mundo. Podemos gostar e gostar muito. Podemos sentir um enorme bem querer por várias pessoas que fizeram e fazem parte da nossa vida. Desejar coisas boas, ou mesmo querer fazer mais coisas juntos, mas amor, amor mesmo é outra coisa e não pode jamais ser vulgarizado.

Quem te ama fala inclusive o que você tem medo de ver e ouvir. Quem te ama te coloca para frente e para pensar.

Esse “eu te amo” de todo mundo para todo mundo não me convence. Não entro nessa. Faço questão de preservar meu eu te amo para quem de fato eu ame.

Me desculpem, mas eu não amo todos vocês.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Olá Consulentes, aqui estou eu na pandemia do Brasil. Isolada como uma ilha no meio do mar. Você segue assim também?

Meu conselho de hoje vai para quem deseja tudo perfeito e se desespera por tudo que saia da sua imagem de perfeição.

Está desesperada porque não vai ao salão de beleza fazer as unhas? Me poupe, a vida é muito maior do que unhas bem pintadas. Pode ser legal pintá-las. Um vemelhão, azul, preto, a cor que sua alma desejar… mas desesperar, jamais. Tolice.

Pinte as unhas com o esmalte que tiver em casa. Brinque, se conheça, descubra uma nova habilidade ou de risada da falta dela. Se não tiver, não pinte e pinte os sete. Na parede, na cama, no chuveiro, na cozinha. Vale tudo para reconhecer que a vida é tão grande e bonita que mesmo só, somos TODOS UM.

Não entendeu o conselho? Vou no bê-á-bá. A vida é muito mais perfeita que uma unha bem feita.

Até a próxima 😉

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida
por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica,
é sabida e é loira. Seu slogan é:
” Madame Zoraide sabe tudo”. Atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

Se deparar com o silêncio é enlouquecedor. O apartamento era chique, tudo milimetricamente no lugar.

Nos últimos dias ela estava só. Ninguém podia entrar. Dispensou a empregada doméstica e o personal trainer, a contragosto, mas no condomínio o pedido foi explícito: Liberem seus funcionários pelo bem de todos, precisamos controlar as entradas, temos 06 casos suspeitos aqui.

Solidão pesa, ainda mais para quem se engana. A filha mora em Brasília com o marido, se falam bem pouco. O ex casou faz 10 anos com uma jovenzinha, como ela diz, e até hoje não conversam.

Solidão pesa. Você tem que se olhar, quando tudo que te sobra é você mesmo. Sentir isso era uma facada no peito. Não tinha amigos para ligar, sempre implicava com todos. Era chata. Impecavelmente chata.

As pessoas se afastam de quem só enxerga problemas, só critica.

Sandra, esse era seu nome, mas ela nem se lembrava. A vida inteira foi Sazinhah, que ela escrevia com o H no final desde menina. Achava chique como os copos de cristais que ganhou no casamento há 35 anos e que continuam intactos, sem uso.

Sua vida foi cuidar da casa, mas sempre com ajuda de empregada doméstica. Cada ano uma. Ninguém durou muito ali. Ela implicava. Não era rica, mas tinha uma boa condição. Classe média-alta, casou bem. Fez um acordo no divórcio de uma boa pensão, afinal, ele tinha condição.

Hoje o incomodo foi enorme quando o som alto do vizinho chegou aos seus ouvidos, a música falava rezadeira…. ela se irritou, como sempre aliás. Ligou na portaria para pedir para abaixarem. O som vinha do vizinho, que ela nem sabia quem era. Evitava entrar no elevador com outras pessoas, odiava sentir outros perfumes além do dela. Era chata até o infinito.

A música não parava e se repetia. A portaria retornou e disse que ninguém atendia. Ela poderia bater no vizinho e pedir para abaixar, mas só de pensar sua mão gelava.

Engoliu seco, e foi deixando aquele som diferente entrar na sua mente, no seu corpo. Foi até o espelho, olhou uma mulher com a expressão dura, parada, pensou: deve ser o botox.., os vários preenchimentos. Nunca tinha percebido sua falta de expressão. Doeu, assim como doeu olhar para a cristaleira com aqueles copos de cristais esperando a melhor ocasião. Esperando há 35 anos!

Foi para a varanda, a música que falava benzedeira não parava. De irritada começou a se movimentar, olhava para as áreas do condomínio, todas vazias. Super irritada, começou a se soltar e a dançar. Devo estar louca, pensou. Jogou as almofadas no chão. Foi fazendo um striptease até ficar nua. Nua e só.

Nua e com os cristais. Nua dançando ao som do vizinho. Resolveu beber, por sorte tinha um vinho bom. Presente da dermatologista pelo aniversário, afinal, gastou um bom dinheiro com ela. Não gostou, nunca gostava de nada. Chata.

Nua, abriu o vinho, fez uso da taça de cristal, até que enfim, a ocasião. Dançou na varanda, nua, com o copo na mão ao som do vizinho. Bebeu a garrafa inteira.

Lembrou-se de quando era uma criança e de tudo que NÃO vivera até ali. Lembrou a pandemia. Lembrou da dor da solidão. Dançou até o último gole e jurou que se saísse viva daquilo, mudaria tudo, começaria convidando os vizinhos para um vinho e decidiu que todos os dias da sua vida usaria seu jogo de copos de cristal, até para beber água. 

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

Foto: @gilguzzo @ofotografico

Era uma noite fria. Ela estava a pé, caminhando naquele gelo pelas ruas. Só. Estava só. Precisava estar para chorar… de medo, de saudade de algo que já foi e não volta mais. O frio até que acalmava, eram duas dores que competiam e ela nem conseguia saber qual doía mais, se era o frio na pele ou o quente da alma que ardia e expulsava lágrimas incessantes de seus olhos.

Paixão cruel, já cantaram isso. Que paixão era aquela? Invenção? Carência? Demência? Definitivamente era ela em mais uma de suas crises de “mulheres que amam demais”, mas desta vez era DEMAIS mesmo.

Não ouvia a irmã, não ouvia a prima, a amiga. Fugiu da terapia porque não queria saber porquê era assim. Queria as rosas roubadas da músicas, queria a paixão do filme, queria o amor do príncipe dos contos da infância.

Não queria duvidar do que sentia. Não queria pensar que de novo, dessa vez, era só sua ilusão. Queria ter mesmo alguém para amar. Amar o bafo, o peido, a dor na perna, o momento da diarreia, o chulé. Sabia que se amasse isso, de fato, o amor era verdadeiro, vindo das entranhas.

O gelo no rosto, a rua escura, o meio da noite, o choro que foi secando ao pensar nessas entranhas que as pessoas produzem. Seu semblante foi mudando, o choro secou, o frio a fez tremer, mas de dentro o calor que antes a amedrontava como se tudo fosse o FIM, a fez forte, a fez rir, fez cara de nojo pensando na diarreia do outro, no vomito no chão da última bebedeira. Não queria limpar nada daquilo, nem ontem e nem nunca. O medo virou nojo e o nojo a fez  ver que o real nem sempre cheira bem.

Paixão nenhuma resiste a um peido bem fedido, a um bafo sem cura. Ela respirou fundo, gargalhou e foi para casa dormir quentinha no seu edredom.

A paixão? Ficou para a próxima… ou melhor para o próximo.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico

É preciso se cuidar, mas é preciso ir ao supermercado, é preciso fazer o almoço, é preciso fazer o jantar, é preciso trabalhar. Trabalhar na demanda um, na demanda dois e na demanda três, a demanda quatro pode esperar um pouco.

É preciso se cuidar, mas é preciso cuidar dos filhos, acompanhar no dentista, no médico, nos exames, na reunião da escola, na escolha da roupa para a festa. É preciso se cuidar, mas é preciso pagar o INSS, mesmo sabendo que se um dia se aposentar a aposentadoria não deixará você tranquilo financeiramente.

É preciso se cuidar, mas também é preciso pagar o plano de saúde, o plano odontológico, ir na consulta, fazer exames e quanto mais velhos ficamos, mais exames fazemos, aliás é preciso agendar os exames.

Também é preciso pagar a vacina do cachorro, a consulta no veterinário, a conta de luz, condomínio, água, seguros, é preciso lavar a louça, lavar a roupa, guardar a roupa e as vezes passar, é preciso limpar a casa, molhar as plantas, tirar os lixos, separar o reciclável. É preciso levar o cachorro passear, mas é preciso se cuidar.

É preciso pagar o transporte escolar, a escola particular, a faculdade particular. É preciso arrumar as fechaduras que quebram, é preciso chamar o técnico para ver o que quebrou, é preciso cobrar quem não te entrega o serviço combinado, é preciso ligar no banco quando te cobram indevidamente alguma tarifa. É preciso resolver burocracia diárias de um sistema que te manda o tempo todo se cuidar, como se a culpa de tudo isso se resumisse a não se cuidar.

É preciso ser criativo e “antenado”, e é preciso inovar para ter espaço de trabalho, para ser ouvido, é preciso fazer cursos, palestras e ouvir muitas bobagens para em algum momento salvar alguma coisa que de fato tenha valor e não a certeza da perda inútil de tempo.

É preciso estar elegante, ter roupas que te vistam bem, sapatos em bom estado, se possível confortáveis, sapato apertado é para pagar penitência e depois haja tempo para cuidar e recuperar os pés. Ah, é preciso cuidar dos pés de galinha com os “mega” tratamentos estéticos revolucionários, e é claro, é preciso pagar os “mega” tratamentos.

É preciso cortar os cabelos, de vez em quando fazer as unhas, talvez isso seja entendido como se cuidar… não sei se concordo, é chato ficar um tempão no salão de beleza. Também é preciso pagar o que se faz por lá.

É preciso se cuidar, mas é preciso dar atenção a quem você ama, ligar, conversar, se encontrar pessoalmente. Isso eu entendo, que além de cuidar do outro é se cuidar também.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico

E farto me sinto, quando o abuso rouba sonhos,
impossibilita salvar vidas, e
determina pobreza.

E farto me sinto, quando a irresponsabilidade vira de lama,
mancha de óleo,
ou queda de prédio.

E farto me sinto, quando o desmatamento é lucrativo,
há extração ilegal de madeiras, e
a floresta queima.

E tem mais, farto me sinto, quando há auxílio moradia,
verba de gabinete, salário extra, auxílio saúde, carros oficiais,
e condições especiais de aposentadoria.

Farto da demência coletiva de mentes manipuladas.
Farto da hipocrisia dos abusadores profetas.
Farto me sinto, de discursos de ódio e da violência diária.
Engulo, mas não digiro.

Farto, quase enfarto.
Farto, quase parto.
Farto, não me calo, falo, mas me sinto só.

Se farto você não está,
só me resta pensar que a fartura é para você!

Adriana e Claudia Chebabi Andrade – Belas Urbanas, irmãs. Publicitária e pedagoga. Leão e touro. Morena e loira (hoje já estão quase iguais). Mães. A mais velha e a caçula. Acreditam que todos tem direito a comida, diversão e arte, como já disse os Titãs.

Nossas perspectivas nem sempre são atingidas

Os fatos ficam relativos com o passar do tempo

O que era, não é, e não sei como será.

Se seu quarto parece cada dia menor e a bagunça interna continua,

talvez seja sua personalidade estampada ali

Se as cartas dizem o que você queria, quer, e não pode fazer

Não sei dizer nada para confortar você

Nem a mim

Vontades são prisioneiras de ideias

E ideologias sufocam as verdades

Que perdem sua força no meio de mentiras.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico