Navegue-me.

Nem todos meus mares são bravios.

Veleje-me.

Não receie as minhas ventanias.

Mergulhe sem medo,

Nem todas minhas águas são frias.

Não tema minhas tempestades,

Pois sou também mar manso,

Baía.

Descubra-me.

Meu mundo, tão novo

Guarda velhos segredos,

Águas amigas, inspiração.

Sim, há em mim oceanos infindos,

Mergulhos, os mais lindos,

Mistérios e imensidão…

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

*esta poesia foi selecionada para o Prêmio São Francisco Xavier de Literatura e será publicada na Antologia SFX 2017

 

 

 

Saudade passa?

Não, não passa, engana-se que crê que já a viu passar, algum dia, em algum lugar.

Saudade é para sempre, conforme-se.

Pelo menos as saudades das grandes. Estas são definitivas.

Acomodam-se, é verdade, ou melhor, arrancham-se, sem a menor cerimônia, e ficam ali, sem data de partida, despachadas, mas com um olhar insistente,  que a tudo observa.

Sentinelas atentas ao menor  movimento do coração.

Há dias em que parecem mais luminosas, mais leves, como manhãs de verão, e até as achamos belas.

Há dias em que são mais macias, como travesseiros de plumas, e nelas nos recostamos, em busca de algum aconchego, de algum descanso, mansidão.

Há dias, porém, que são como tempestade, vento forte, violenta inundação.

É fato: saudades são como seres mutantes, imprevisíveis.

Ora amigas serenas, ora impiedosas, brutalmente insensíveis,

ansioso turbilhão.

Convém, sim, acalmá-las.

O tempo, normalmente, é bom nisso.

Uma vez sossegadas, as saudades nos devolvem os momentos,

abraçam-nos com lembranças, enxugam-nos os olhos e nos sorriem.

Sim, saudades às vezes sorriem.

Um sorriso silencioso, complacente,

desses que só a Alma enxerga,

só a Alma compreende.

 

 

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

O mais difícil dos perdões é aquele que temos que dar a nós mesmos.

Temos a inglória capacidade de saber a profundidade da maior parte dos nossos erros. São imperdoáveis os muros que erguemos quando tudo devia ser liberdade, igualmente imperdoáveis são os silêncios que calam as nossas verdades, nossos sonhos jogados ao chão.

É imperdoável não querer ser feliz.

E é terrivelmente imperdoável deixar que nossos medos nos tranquem o coração. Ainda assim, mesmo julgando-nos imperdoáveis, nós merecemos nosso próprio perdão.

Perdoar, recomeçar, deixar a vida e o amor se darem as mãos. Perdoando-nos, nos damos uma nova chance e reabraçamos nossa imensidão.

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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A pétala que cai da flor não se despede

apenas se desprende,

não salta, somente se solta

como o sorriso manso de quem parte

sabendo que não haverá volta.

E assim tão solta, e sem culpa,

a pétala, livre, rodopia,

E cai leve, enquanto gira

Sobre o remanso de um rio.

Cai

e a queda rumo à agua é macia,

enquanto cai, se delicia

e abraça o vento

e perfuma o dia,

enlaça o ar.

Primeiro, o desprendimento

E depois o deslizar….

A pétala precisa cair

para poder flutuar.

 

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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O futuro é o passado detrás pra frente? Ou o passado é o futuro ao contrário?

Para o futuro, será que há um atalho?

Para o ontem, haverá uma ponte?

O tempo de Einstein não é o meu tempo. O relativo e o real se embaralham e me atrapalham o pensamento.

E se o tempo é só mesmo ilusão, o que faço das horas que me cansam o coração?

E o que faço da espera que me apressa a saudade, e me demora a solidão?

Se não há um tempo de verdade, quem me dá explicação?

Se ontem, o amanhã e o agora são uma coisa somente, então alguém me responda:

– É o meu relógio que mente?

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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Hoje calcei a manhã e saí caminhando pela primavera…

Fui prosear com o sol.

Contei, quase em segredo,

Que nem sempre meu pensamento é flor.

Mas eu bem queria que fosse.

Eu bem devia ser cor o tempo inteiro.

Não que eu não goste dos cinzas,

Adoro nuvens de chuva.

Cheiro de chão molhado é poesia das boas.

E a manhã que sorri depois do aguaceiro

É sempre mais colorida,

Mais gostosa de calçar.

Isso de envelhecer rejuvenesce o entendimento das coisas.

Faz querer voltar à infância num voo esticado de garça

E reencontrar meus divertimentos.

É que a alegria verdadeira mora mesmo é nas crianças,

E só passa férias nos adultos.

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

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Quando as impossibilidades se somam,

Eu me faço possível.

Quando os medos abraçam,

Eu beijo a coragem.

Quando a insônia assusta a noite,

Decido ser manhã.

Quando tudo perde o rumo,

Meu pensamento é norte.

Se o vento é forte,

Eu viro vela.

Quando os invernos invadem a alma,

Meu olhar se primavera.

E quando tudo é sal,

Sorrio mel.

E se tudo vai ao chão,

eu me desdobro céu.

Os degraus mais intrigantes

Eu os subo de salto alto.

Quando não há mais espaço,

Eu crio em mim um mundo à parte.

Sinto muito, meus caros,

Mas desistir não combina

Com a cor do meu esmalte.

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?

 

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Não se apegue a paredes.

Não há garantias de que o que hoje lhe pertence

será seu para sempre.

Não se apegue a construções, nem móveis, nem muros.

Apegue-se a histórias.

As casas, as paredes, um dia nós as perdemos.

As coisas mudam, ou somos nós que mudamos,

e tudo  de algum modo se desfaz com o passar dos anos.

Já as histórias são suas para sempre,

e ninguém pode levá-las… exceto talvez a memória.

Sim, talvez o tempo faça com que você se esqueça delas,

caso ele as queira tomar de volta.

Mas, uma vez esquecidas,

histórias não fazem a menor falta.

20160614_141612 (1) Alda

Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?