De todas as brincadeiras, a que eu mais gostava, era jogar futebol com o João (meu primo) e Pepe ( meu irmão), apesar de eu quase nunca fazer um gol.

Gostava também de montar quartinhos para minhas bonecas com minha amiga Luisa (do Condomínio), montávamos nos nossos armários. Eu gostava de brincar de caça tesouro e polícia e ladrão com as pessoas do condomínio.

Eu gostava de arrumar minhas bonecas, fazer escolinhas, gostava de cortar o cabelo delas, inclusive eu queria ter um menino (boneco), então, cortei o cabelo de uma, improvisei roupas de menino e dei o nome de Lucas.

Gostava de brincar na casa da minha Vó com a Ju e o Fê (meus primos), de boneca, de esconde-esconde, etc., na escola eu brincava muito no parquinho e de bola.

Quando tinha sete anos, ganhei uma máquina que filmava e tirava foto do meu padrinho. Eu amava ela, filmava tudo, levava para a escola, eu a tenho até hoje, mas está sem pilha.

Junto com a Luisa também fazíamos desfile de roupas esquisitas, eu ia na casa dela, pegávamos roupas da mãe e do pai dela e ficávamos desfilando… já aqui em casa, pegávamos perucas e fantasias para brincar.

Essas são as brincadeiras que estão na minha memória, quando eu lembro delas, sinto alegria e saudades. E com você, quais as brincadeiras estão na sua memória?

Carol Chebabi – Bela Urbana, 15 anos, estudante, taurina, caçula da família, gosta de desenhar, pintar, criar e cozinhar, especialmente bolos e doces.

A criança que ficou em mim às vezes sente um cheiro qualquer e é remetida a um dia lá atrás quando a fruta era escassa, só aos domingos e era tão especial, uma maçã, como as dos contos de fadas, só que não fazia dormir, a alegria já começava no olfato, cheirava, comia, era maçã Argentina, grandona, comia tudo, com casca e tudo, tinha dó de jogar a semente fora, a criança que ficou em mim quer chorar quando minhas
filhas não querem comer fruta.
A criança que ficou em mim se maravilha com tantos livros a disposição para leitura, eram tão poucos os que ela conseguia ler e lia tudo avidamente, ainda hoje se emociona em uma biblioteca e não sabe a razão mas não se esquece daquela criança que foi, a criança que ficou em mim se lambuza de chocolate e doces e guloseimas e lembra que ficava feliz em comer bolo de banana e vitamina de abacate, e que a mãe fazia doce de banana com as bananas já por estragar, era tão bom.
A criança que ficou em mim chora a falta do pai que não a abraçava, ele não sabia, hoje ela sabe e mesmo assim como essa criança ainda sente falta daquele abraço que podia ter acontecido, a criança que ficou e mim sente falta do olhar do pai falando com ela e olhando para ela com atenção.
A criança que ficou em mim sabe que precisa abraçar essa sua criança que habita nela para ser uma adulta amorosa com as crianças dela, ela luta para amar suavemente, para deixar o rancor, a raiva contida e os julgamentos e seguir mais leve.
A criança que ficou em mim ama comer a comida da mãe dela e sabe, ah como ela sabe o valor disso, hoje ela é grata e aprecia todo carinho envolvido em fazer e oferecer uma refeição a um filho, a criança que ficou em mim sabe que já está tudo bem, que seus pais fizeram o melhor que podiam com as ferramentas que tinham quando ela era criança, que há que se desfazer do peso desnecessário ao caminhar pela vida e isso é escolha. Mas porque será que ainda dói?
A criança que há em mim se equivoca e se atropela ao educar suas crianças, entende agora que as respostas não são óbvias e o caminho por vezes é sinuoso mas ela ama ver como tudo o que viveu serviu para fazê-la enxergar tudo o que pode ser evitado na educação de suas filhas, talvez não consiga, mas tenta, faz o que pode, assim como seus pais também faziam, há evolução, o caminho vai melhorando. Ela agradece a criança que ficou nela e a ama assim como ela é: uma criança cheia de birras, resmungona, engraçada, desesperada, mas que acha a vida linda mesmo com seus gigantes desafios e tormentas. Ela agradece a vida e a alegria de ter chegado a esse momento de entendimento.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Ele trata todos bem.

Sempre alegre,

Sempre de bem.

Mesmo solitário,

Segue solidário.

Esse é o Zé.

Que não tem nada de mané.

Pensa, com a nega se casar,

Não para dominar.

Mas família fazer.

Tenta ser justo,

Preza pela verdade.

Junta os amigos

Na humildade.

Com dignidade.

Escreve uns lances,

Pinta umas cores,

Faz um som

E espanta as dores.

Espalha sorriso.

Mesmo com um passado triste.

Com uma mãe doente,

Com um pai velho,

Um irmão distante.

O Zé segue enfrente, doce.

Trata bem as mulheres,

Cumprimenta os camaradas,

Respeita a criançada,

É solicito como velhos.

Grita pelo time, futebol.

Ama sua gente.

Gosta de ser bom,

De graça assim por ser.

Nunca reclama e acredita

Que o amanhã pode melhorar.

Mas tem que se cuidar…

Pois sabe que tem gente

Que não gosta dele,

Que tem medo dele,

Que tem inveja dele,

Que acha ele meio viado.

Se isso ofensa fosse…

Boca mole,

Vida dura.

Água fria,

Um balde de amargura?

E o Zé segue, na sua.

Segue e acredita na bondade,

Convicto, firme assim.

Do ser humano que vê,

Algo de bom pode vir.

O Zé é homem forte. Espero assim.

Mas tantos outros Zés,

Se perdem nas agruras.

Das calunias alheias, no dia-a-dia.

Que vagam pelas ruas.

Escolhem a carranca à alegria.

Mais um Zé amargo, triste,

que larga seus ideais, se um dia teve.

Deixando pela eternidade

um mundo mais cinza. É escolha?

De Zé para Zé contagia, escolha!

Somos apenas o Zé que queremos ser.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto abertura: Pierrick VAN-TROOST

Toda vez que essa palavra vem à tona a maioria das pessoas pensa em uma pessoa vazia, sem expressão, deitada na cama. Não que não seja assim. É, também.

Há dias que o cansaço consome de uma maneira tão cruel que levantar da cama para escovar os dentes é uma batalha contra você mesmo. O Brasil é o quinto país com mais pessoas depressivas no mundo.

Todo dia esbarramos em alguém que sofre dessa tristeza profunda, medo, angústia e ansiedade. E o mais assustador é que normalmente todos esses sentimentos aparecem camuflados.

As pessoas riem, abraçam, tiram selfie e no primeiro momento de solidão se sentem vazias, a vontade de chorar sem saber o porquê é inevitável.

Aquela vontade de comer descontroladamente e logo depois o sentimento de culpa por estar engordando demais. Em seguida a falta de paciência.

Não há vontade de explicar, não há vontade de fazer ninguém entender.

A depressão está tão presente em sua vida que acham impossível ninguém notar.

Gritam por socorro em silêncio. Eles não querem sermão do tipo que “Você só esta assim porque não vai na igreja”, “Se procurasse um serviço ou um curso ia ocupar a mente”, “Depressão não é doença”.

Gente por favor, parem!

Todos os dias alguém acorda com uma vontade imensa de tirar a própria vida a fim de não sentir mais dor. Por vezes até as palavras clichês enfatizam ainda mais a dor “Boa Sorte”, “Uma hora vai dar certo”, “Acredita que você consegue”.

Parece frases de apoio e são, porém para um depressivo soam como uma facada no peito, uma sensação de que a felicidade depende só dele, a sensação de estar sozinho e para trás. Só fazem causar dor.

Por favor peço que não desistam de alguém que tem sido rude nos últimos tempos, alguém que está sem paciência, alguém que sofre de ansiedade. Não é frescura. Depressão é o último estágio de dor humana.

Sejamos mais maleáveis na hora de lidar com outro que sofre em silêncio e usa o sorriso como escudo mas está pensando em suicídio.

Ame, mime, cuide. Sem esperar retorno. Salve uma vida hoje com uma visita surpresa, uma comidinha preferida, um livro de superação, uma carta, um abraço longo, um carinho.

Estamos rodeados de pessoas adoecidas pela tristeza esbanjando alegria. Paciência e fraternidade com aqueles que estão chorando e sorrindo sentados na beira do precipício.

Analgésicos não aliviam a dor da alma.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Bolei esta alegre sina,

que nos infla e desatina,

a dor que não arde de Camões,

dor de cócegas, risos e paz

que se faz em nossos corações.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Nada se constrói,  tudo se copia

Sete mil anos de vida tem o natal, sabia…

No solstício de inverno, o dia não amanhecia

E a noite prevalecia

Festas, fartura e alegria

Comemorando a luz, a benevolência e a sabedoria

Viva Mitra, um deus nascia

Mas, há pouco mais de dois mil anos, era Jesus quem nascia

Será que a história alguém de fato, no futuro, saberia

Então, na dúvida,  “se copia”

Da vida Jesus e dos homens nasce a história

Mas, são as mãos dos homens que a escrevem, segundo seus interesses e perspectivas

Mas, que mal teria

Se a data que o maior de todos os homens nasceu, ninguém sabia

Ter em sua história

A imperfeição das mãos do homem que ela escreveria

O pricipal da história é o pecado e o sacrifício que nos salvaria

Pois, sua honra e sua glória, ninguém mudaria

E sua linda história se perpetuaria

Faça então o seu o Natal com sabedoria

E comemore não aquele que seria

Não aquele que queria

Não aquele que morreria

Comemore aquele que RENASCE todo dia

E que nos mostra que sem ele,  cada um de nós, nada seria

FELIZ NATAL

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

Quem mais poderia ser

Que tais linhas há de tecer

Em meio ao conturbado dia

Que ainda presa pela harmonia

Que encanta a todos com alegria

E tenta de tudo rir e torcer

Que melhor possa ser o próximo amanhecer

Sem métrica

Sem estética

Só com a boa intenção

Uma rima, um sorriso

Um coração

Como uma oração

Como o saltimbanco e sua canção

Como um amador

No anseio de ser professor

Da arte de articular

Prosa para comunicar

Nada que o devaneio

Que o inútil anseio

Podia vir a passar

E tempo gastar

Sem mais esperar

A hora de se despedir

Ir para casa e enfim dormir

 

Sonhar, sonhar, sonhar

Ao amanhecer acordar

Tudo recomeçar

Criar, criar e recriar

A mesma rotina de enrolar

Até a hora chegar

De novamente se despedir

Ira para casa e enfim dormir

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

 

Um poema de amor

É algo pelo qual não se da mais valor

Pois nele não há mais a emoção e a surpresa

Há apenas um amor sem calor

Os poemas não tem mais esse ardor

Não existe alegria ou emoção

Sumiu a felicidade e da vida o tesão

Coisas ditas são esquecidas em um instante

Coisas paradas e vazias

Que se esquecem

 

Essa é a morte da poesia…

 

A morte da vida e de sua alegria

Instantes que se passam e se esquecem

Pois ninguém mais deles quer lembrar

Emoções e decepções não são mais vividas

Onde esta a alegria e o amor?

Onde foi parar?

Em meio a essa escuridão e terror?

Não se pode mais acreditar em nada que se lê

Pois não existe força ou poder pelo qual se escrever

Nada mais durou

Nada mais o é

I

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

O amor não morreu

Só não se aguenta mais em pé

Tem dias que não queremos que acabem. Dias que sorrimos à toa, a tudo. Dias assim são especiais.  Ah, se as pessoas soubessem o que torna um dia especial estariam mais abertas para as pequenas coisas que nos atropelam na rotina. No bom senso da razão achariam piegas, mas querem saber? Que se dane, é piegas, sim, e ela, a moça chamada Juli, sabia e adorou.

O dia já começou com alterações, ela não gostava, metódica, qualquer mudança na agenda a incomodava. É óbvio que se irritou primeiro, ficou mal-humorada, mas foi só abrir seu e-mail que foi atropelada por uma surpresa, lá estava o motivo do seu sorriso do dia inteiro.

Sabe aquela sensação de flutuar, em que os olhos brilham muito? Sabe aquela vontade de continuar a conversa, mas com calma, sem pressa, saboreando? Então… mas ali, naquele momento, não dava, então preferiu só curtir aquela sensação de quero mais, bem devagarinho, como aquele doce que você tanto deseja, como o mais gostoso dos pastéis – aquele que vende na feira.

Juli perdeu a hora do almoço, não sentiu fome, aquela sensação a libertava e preenchia. Lidou com os afazeres do trabalho, como sempre fazia. Não foi definitivamente o dia mais produtivo, não foi rápida, nem queria. Guardou só para ela aquela sensação de uma forma pensadamente egoísta, apesar de nada ser egoísta, ela era de dividir tudo, comida, dinheiro, roupas, joias, bolsas, sapatos, palavras, mas nesse dia não, guardou aquilo só para si, a sete chaves no seu coração.

Coração que pulava e pulsava cheio de vida e de vontades. Aquela sensação era só dela, não queria compartilhar e ser julgada, talvez condenada. Chega, a vida já é dura na rotina, nas asperezas das dificuldades e problemas. Receber e sentir aquilo àquela altura era um presente maravilhoso.

Mesmo sabendo que ia passar porque é efêmera essa sensação, naquele momento, fazia a vida ser claramente entendida, aquilo era o verdadeiro sentido de tudo e estava ali, naquele sentimento, sem palavras para explicar.

Piegas? Não importa, ela estava feliz.

Comeu bem mais tarde, um lanchinho no jantar, ouviu sua música do momento preferida, mandou – sem culpa e “numa boa” – um que se dane para um cliente chato do seu trabalho e no mais desejou amor para todos, até para os desafetos.

Com todo seu coração, desejou só amor para todos, porque nesse dia de sorrisos ela amava, a sensação, apesar de conhecida, era novamente nova e era tão grande e boa que podia acolher e abraçar o mundo.

Foi dormir com esse sorriso e pensou: “Ainda sou uma garotinha”, como diz a música, mesmo faltando só um mês para sua aposentadoria.

Não fez planos, dormiu feliz, dormiu bem.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

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Hoje calcei a manhã e saí caminhando pela primavera…

Fui prosear com o sol.

Contei, quase em segredo,

Que nem sempre meu pensamento é flor.

Mas eu bem queria que fosse.

Eu bem devia ser cor o tempo inteiro.

Não que eu não goste dos cinzas,

Adoro nuvens de chuva.

Cheiro de chão molhado é poesia das boas.

E a manhã que sorri depois do aguaceiro

É sempre mais colorida,

Mais gostosa de calçar.

Isso de envelhecer rejuvenesce o entendimento das coisas.

Faz querer voltar à infância num voo esticado de garça

E reencontrar meus divertimentos.

É que a alegria verdadeira mora mesmo é nas crianças,

E só passa férias nos adultos.

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Alda Nilma de Miranda – Bela Urbana, publicitária, autora da coleção infantil “Tem planta que virou bicho!” e mais 03 livros saindo do forno. Gosta de tudo que envolve tinta e papel: ler, desenhar e escrever, mas o que gosta mesmo é de inventar motivos para reunir gente querida. Afinal, tem coisa melhor que usar o tempo para estar com os amigos?