Irão nos interceptar, estudar e captar nosso silêncio.
Serão estrategicamente contraditórios para nós derrotar.
Mudarão suas táticas para nos confundir, cooptar.
Sem perceber, saberemos ser flexíveis, surpreendentes,
Alterando nossa rota, sempre opostas as rotas deles.

Onde não estão, estaremos.
Onde estiverem, estaremos.
Onde são queridos, seremos amados.
Onde são temidos, seremos força.
Onde são confusos, somos simples e óbvios.
Onde são óbvios, seremos poesia.

Eles serão ardilosos e nós seremos nós:
Seremos jovens e rápidos, espertos e sorridentes.
Seremos o que nos caberá ser a cada momento,
Pragmáticos no agir, firmes no querer.
Sangraremos, cairemos e sofreremos na alma,
Mas não em vão, se o fizermos por nós,
nosso bem, o bem de todos.
Pois faremos.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Sonho sonhado, vivido, compartilhado.

Sonhei então que entrava num prédio, subia as escadas, entrava num elevador daqueles antigos, todo de madeira escura, lindo.

Saia dele e entrava na redação de um jornal, mesas também de madeira escura, muitos papéis em cima, textos escritos nas máquinas de escrever antigas, pesadas e lindas, desenhos e mais desenhos pendurados, caricaturas, artes, charges, imagens do cotidiano saídas das cabeças incríveis de cartunistas famosos Glauco, Caruso, Quino, sim Quino.

Era uma mistura de Folha de São Paulo, Estadão e Correio Popular, aquele mesmo, famoso e antigo jornal da minha cidade natal, Campinas.

Jornal este muito conhecido e respeitado na região onde hoje, acabado, arrasado, desrespeitado, humilhado por muitos que vejo dizendo: “está quebrado coitado, esse já era, acabaram os jornais, hoje é só internet e olhe lá”!

E me vem aquele cheiro de papel, de tinta de impressão, de sorrisos, risadas na redação, brincadeiras mil, de gente de peso, artistas, jornalistas, repórteres, escritores, a mulher do café, a faxineira que lá trabalhava alegre, feliz ao meio de toda aquela gente maravilhosa e linda, e me vem as lágrimas agora me escorrendo pelo rosto enquanto escrevo, me vem a tristeza da alma.
Um jornal, uma época inesquecível, onde todos os dias se reuniam amigos sinceros, jornalistas, fotógrafos, publicitários que também andavam por lá, os tais vendedores de espaço, contatos, um corre corre danado, louco atrás de matérias e notícias quentes do dia…
Tudo isso se foi, acabou!
O tempo passou, levou e deixou em nossa memória.
Me vejo chegando nesse sonho de novo no jornal, na redação, cumprimento feliz um amigo cartunista, olho para o lado e pendurada num móvel junto de tantos outros desenhos lá estava eu, desenhado em minha visita anterior, minha caricatura, estampada num trabalho que ficará para sempre, enquanto o papel existir, enquanto o jornal não acabar, enquanto a janela não quebrar e o vento entrar e levar tudo para os ares, para o passado que vejo hoje distante, quase esquecido…
O tempo que leva tudo, que acaba com tudo, mas que não apaga da nossa triste e feliz memória.
Saudades restaram, apenas elas…

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

A VIDA É SIMPLES E O UNIVERSO SEMPRE CONSPIRA A NOSSO FAVOR

Por isso é importante permitir que a vida possa seguir seu próprio rumo.

O que tem que acontecer, acontece.

O que não tem que ser, nunca se concretiza.

Insistir demais em algo que nunca se desenrola, impede que nosso real caminho nos seja concedido.

É importante sabermos viver em comunidade. É necessário aprender a acolher e compreender as necessidades do próximo.

Mas o crescimento e o desenvolvimento da alma são processos solitários.

É absolutamente inócuo tentar realizar esse processo pelo outro, por mais próximo e querido que este lhe seja.

O grande segredo da vida é saber abrir mão e deixar partir.

E então estaremos prontos para amar e receber as bênçãos que essa vida nos preparou.

Há uma canção de um recente desenho infantil que traduz perfeitamente todo esse caminhar.

Que as crianças dessa geração incorporem esse modo de viver a vida!

Let it go, let it go (Deixe ir, deixe ir)
Can’t hold it back anymore (
Não posso mais segurá-lo)
Let it go, let it go
(Deixe ir, deixe ir)
Turn my back and slam the door
(Viro as costas e bato a porta)
And here I stand
(E aqui estou)
And here I’ll stay
(E aqui vou ficar)
Let it go, let it go
(Deixe ir, deixe ir)
The cold never bothered me anyway
(O frio nunca me incomodou de fato)
It’s funny how some distance
(É engraçado como uma certa distância)
Makes everything seem small
(Faz tudo parecer pequeno)
And the fears that once controlled me (E os medos que uma vez me controlaram)Can’t get to me at all (Não podem mais me atingir)
Up here in the cold thin air I finally can breathe
(Aqui em cima no ar frio e fino eu finalmente posso respirar)
I know I left a life behind (Eu sei que deixei uma vida para trás)
But I’m too relieved to grieve
(Mas estou muito aliviada para me afligir) 

Noemia Watanabe – Bela Urbana, mãe da Larissa e química por formação. Há tempos não trabalha mais com química e hoje começa aos poucos se encantar com a alquimia da culinária. Dedica-se às relações comerciais em meios empresariais, mas sonha um dia atuar diretamente com público. Não é escritora nem filósofa. Apenas gosta de contemplar os surpreendentes caminhos da vida.

(Só leia esse texto se você for vítima da sociedade padronizada ou já tiverem te mandado sentar como Mocinha)

Estou farta, arrotando pelos cantos. Vítima da sociedade. 
Por quanto tempo mais terei que aguentar o dedo do jovem branco apontando pro meu cabelo afro? Quantas vezes vou ter que ouvir que eu ”não sou tão negra assim”? Quantas lojas eu vou ter que entrar para ser tratada como cliente e não como funcionária?
Estou farta! E não é pouco. Arrotando pelos cantos.
Cansada de ouvir que eu tenho que me desdobrar ao quintos pois sou mãe solteira. Tendo que conviver com a opinião de quem não me sustenta, dizendo que a responsabilidade da mãe é maior do que a do pai (oi?).
Por quantas vezes mais vou ter que me calar pra não ofender o outro? Quantas vezes vou ter que engolir seco a cantada de quem esta ali só para comer sexualmente o outro como um predador?
Quantas vezes vou ter que ouvir da mídia, do homem e da sociedade que meu quadril largo é ótimo pra procriar mas não constituir família?
Quantas vezes mais vou ter que ouvir do policial e do confidente qual era roupa que eu estava usando quando fui estuprada?
Até quando vou ter que aguentar ouvir que apanhei do namorado por que ele perdeu o controle e se exaltou, mas não foi por querer?
Por quanto tempo vou ter que levar meu filho no colo em pé no transporte pra não ser hostilizada por quem trabalhou o dia inteiro e está sentado no banco prioritário?
Quantas vezes vão me mandar sentar igual mocinha e ter a força de um bruto?
Quantos ‘Nãos’ eu vou ter que ouvir nas entrevistas de emprego por ter tatuagem, por ter filho, por ser solteira, por ser gorda, por ser mulher?
Tá doendo?
Em mim não dói nada. Não mais!
A sociedade me deixou assim, o soco na face me deixou assim. Aquele grupo de brancos me chamando de macaca, aqueles homens que eu atendia no restaurante insinuando sexo oral, aquele cara que me forçou pra ir além, aquela mulher que me olhou da cabeça aos pés e disse que eu não tinha o perfil, aquela empresa que preferiu um homem ou uma mulher sem filhos, aquela revista que disse que o manequim tinha que ser 38, aquele fora da família do namorado branco, aquela pessoa que eu achei que estava tendo um papo legal e logo já me mandou fotos obscenas, me deixaram assim.
Eu sou a Gi, eu sou a Mãe do Noah, eu sou aquela que escreve legal e os amigos gostam.
Eu sou a estatística, eu sou o vácuo, o grito abafado da dor, o sorriso amarelo, o “está tudo bem” disfarçado.
Eu sou mulher, eu sou filha, sou mãe, sou preta, sou gorda, sou tatuada, sou gente e não me calo.
Porque estou farta.
Farta e arrotando pelos cantos.
Digerindo o teu ódio e vomitando poder pra quem quiser ver.
Mandando nudes da alma pra quem pedir.
Essa sou eu.
Só mais um número na multidão.
Farta de toda pressão que aos poucos está me mutilando.
Farta e arrotando pelos cantos.

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Desde criança sempre fui fanzão de Jesus, meus pais muito católicos nos obrigavam a ir na igreja, porém eu achava enfadonho e falso todo aquele mise-en-scène dos padres, sentia fazendo mímicas que vinham sendo repetidas através dos séculos.

O tempo passou mas nem por isso deixei de ser fanzão de Jesus, a vida me ajudou, e mesmo sendo eu um Artista de Teatro consegui juntar o “Sagrado dinheirinho” para conhecer a terra de meu Ídolo. Passei uns cinco meses sem dormir direito, só vendo fotos, lendo matérias sobre quem já havia viajado a Israel, tinha medo e curiosidade ao mesmo tempo, mas todo mundo falava nas matérias que Israel é um país extremamente seguro, eu acreditei e lá fui conhecer a terra de Jesus.

Chegando lá entendi porque Israel é seguro, levei uma GERAL e fui sabatinado na imigração de maneira incisiva, eles encasquetaram porque eu estava lá sozinho (alias não estava, estava com DEUS) e fizeram um milhão de perguntas, mais de um policial da imigração o fizera, e para piorar tudo o que eu falava só poderia ser comprovado com os documentos que estavam na minha mala, que detalhe, não estava comigo porque a esteira é depois da Imigração, na volta fui entender porque eles pegaram no meu pé, eu ao tempo todo no meu parco e porque não dizer “POOR” english dizia que estava lá pra conhecer os SANTOS CAMINHOS DE JESUS, repeti isso várias vezes, e depois descobri que embora lá seja um pais que recebe turistas Judeus, Católicos e Muçulmanos, os Judeus que são maioria, não são AFEITOS com quem é fanzão de Jesus como eu, isso senti na viagem toda. Mas lá estávamos Eu, Jesus e DEUS, na terra do Pai, do Filho e do Fã.

Gente no ótimo português: é de Passar mal !!! A minha visão de Deus e Jesus não é a da igreja católica que tanto me traumatizara, mas de um cara que veio ao mundo pra ensinar, tudo dentro de uma simplicidade muito grande, fui a todos os locais que Jesus passara, e os que mais me chamavam atenção e me fazia sentir meu Ídolo eram os mais simples, outra coisa que me chocou era que você chegava a locais como Nazaré e via uma cidade moderníssima e do lado a parte antiga do tempo de Jesus, todas elas eram assim, sempre o lado INTERNET, e o lado deserto de rípio, aliás me choquei com o deserto que não é formado de areia, que era assim que eu imaginava Jesus andando por ele.

Três foram os melhores momentos, quando fui a Cafarnaum, Jerusalém e Belém. Jerusalém é a consagração da viagem, é muito LOUCO aquelas muralhas gigantescas, portões gigantes, gente de TODO MUNDO, e vielas, becos sem fim, da a sensação que você não vai sair dali nunca, de tanta rua pequenina. Sem mapa ninguém anda lá não, até de GPS me perdi, mas algo estava errado… uma curiosidade, o Google MAPS não acha Belém de jeito nenhum, apelei para o WAZE, que detalhe é de ISRAEL, porém quando você cria a rota, aparece em VERMELHO, esse local é de RISCO, meu amigo me deu medo e não entendia porque, porém ao me dirigir pra lá entendi, não há sinalização de Jerusalém para Belém, e quando você chega em Belém o WAZE começa e manda sinais em vermelho dizendo que lá é uma zona de risco, para completar você começa a ver soldados armados até os dentes e com cara de poucos amigos, mas eu estava lá, lá onde meu Ídolo nascera, mas algo estava errado….

Continuei minha viagem programada pra dez dias, é obrigatório ir ao mar morto, lá você vê em todos lugares, beba muita água e não afunde a cabeça na água … fiz tudo ao contrário, sou teimoso, e confesso que me arrependi de ter afundado a cabeça, imaginem a ardência da água do mar vezes 100 nos olhos, mas fiquei por ali aguentando na raça pra não passar vergonha de ser teimoso. Uma coisa que também me chamou a atenção, eu estava sem agencia sem guia, loquei um carro criei meu roteiro e fiz tudo por mim, eu ia a locais e ficava por horas me deleitando com o espaço, sentindo emoções e via aqueles montes de pessoas com guias passando segundos, nos locais a quilômetros deles e eu tive a honra de ser visto dentro do palácio de Herodes, isso mesmo, os turistas guiados a uns 100 metros do palácio e eu lá com meu carrinho do lado e dando uns “Rolês” dentro do palácio. Uma curiosidade as agencias dizem que em dez dias em Israel você não conhece nada, eu resolvi tudo em quatro dias, essa é a vantagem de você ter um carro é escolher o que vai fazer.

Tel Aviv é sem graça, me senti em Copacabana, tudo infinitamente caro e você só vê a modernidade de Israel lá, existe Haifa a parte antiga, mas não se compara com as cidades menores, não era isso que eu procurava, eu estava lá pelo meu amigo Jesus. Eis que chega o grande dia a ida a Cafarnaum, algo me dizia que lá seria especial, e foi, é a menor cidade que se pode associar a Jesus, é uma gracinha e o mais legal esta na frente do mar da Galiléia. Quando sentei embaixo de umas árvores em formato de círculo e olhei pra casa de Pedro e o mar da Galiléia, veio o sentido da viagem, senti um calor no corpo e na alma, uma vontade de sorrir e chorar ao mesmo tempo e me senti abraçado pelo meu ídolo amigo e irmão Jesus, chorei meu povo feito menino !!! Era Jesus do jeito que eu sempre pensei, simples, pequenino, humilde como Cafarnaum, ali tinha valido a viagem e entendi o que estava “ERRADO” em Belém e em Jerusalém, os Judeus após a vida e morte de Jesus não queriam perpetuar a história dele, muito fora destruído, até a própria Jerusalém, na gruta da natividade você é tratado com truculência e não pode meditar no que seria o local do nascimento de Jesus, e quando se fica diante dele você tem certeza que não é lá, Jesus não era o comércio de souvenirs, não era a pompa das igrejas, Jesus era o homem que andava no deserto e que nada tinha além das vestes e da humildade.

Depois de Cafarnaum entendi o porque de tantas perguntas na imigração. Porém, em todo os lugares que você vá, é muito bem tratado pelos Judeus que são educadíssimos e falam muito bem inglês, só eu quem não. É maravilhoso ir a Israel mas fiquem bem longes da parte GLAMOUR TURISTICO , lá o meu amigo e Ídolo não está.

Hugo Vidal – Belo Urbano, é jornalista, ator e diretor há 29 anos, gosta muito de descobrir novas paisagens rodando com sua moto, aliás uma de suas paixões é o motociclimo. 

“Não deixe alguém ferir duas vezes seu coração”.
Deixe sim
Duas
Três
Quantas vezes forem necessárias
Pois, o carma é de quem fere
A paz é de quem suporta
E quem suporta
Se torna forte
E faz do seu coração
Uma oração
Que acalenta a alma
E diz que amou
Até onde o coração suportou
E perceberá
Que, de tão forte que ele se tornou
Ele novamente se apaixonará
Por outro coração
Tão forte como ele
E, então
Entenderá
Que o sofrimento
Era, de fato
Aprendizagem

Jorge Luis de Souza – Belo Urbano, artista plástico, pedagogo e empresário. Como todo bom leonino é muito dedicado a tudo que faz. Não resiste a um chocolate. Ama escrever e ama sua família.

A morte dói. Dói para quem fica. Dói quando vem inesperada. Dói quando é esperada também. Dói em qualquer idade.

A morte é um soco na alma de quem fica. É ruína. É um presta atenção, uma reflexão de quem fica sobre quem vai. Não importa mais para quem vai quando já foi.

O tal do “nunca mais” é tempo demais. A certeza da eternidade da alma que vai, não temos. Podemos ter fé, crença, certeza não.

Certeza temos do que fica por aqui. A alma que vai, deixa. Deixa sua história, seus pensamentos, legados. Deixa saudades, alegrias, tristezas, ensinamentos, lamentos, raiva, amor, amizade. Continua viva na lembrança de quem a conheceu.

Quando pensamos na morte, pensamos na vida, na nossa vida e aí vem todos esses questionamentos. Quem é você para cada vida que convive? Para algumas vidas está entre os personagens principais. Para outros pode ser um personagem menor. Em outros casos pode ainda ter aquela participação especial. Para bilhões de vidas, um nada.

Vem a tona a questão: Será que exerço o meu melhor papel em cada vida que convivo? Não importa o tamanho, a questão é: exerço esse papel com a minha coerência ou sou um blefe de mim mesmo?

Não escolhemos o papel, mas escolhemos como vivê-lo. Como aqui estamos falando da vida de verdade, estamos falando de nós mesmos. Vivo como quero? Faço o que acredito?

Muitas pessoas passam pela nossa vida das mais diversas formas. Nunca seremos iguais para todos, e acredite, tem que ser assim.

Alguns vão te amar, te admirar, vão querer ser como você, alguns vão gostar da sua companhia, outros vão estar loucos para te ver longe, te chamarão de pedante, te acharão engraçado, falso, depressivo, coração mole, firme, trabalhador, sonhador, chato, alegre.

A única coisa que importa é ser quem se quer ser. A tal da coerência com você mesmo. Se o outro vai entender não é certeza, mas as chances para isso são muito maiores e consequentemente as relações são verdadeiras e intensas.

Pessoas blefe não vivem bem e não sobrevivem por muito tempo na memória de ninguém.

Já que a vida é finita, como você escolhe viver os seus papéis?

Eu escolho as ruínas da minha memória. Eu escolho ser de verdade.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

FOTO – @gilguzzo do arcervo do O FOTOGRAFICO  www.ofotografico.com.br © Gil Guzzo – Proibida qualquer tipo de reprodução das imagens sem autorização. Imagens protegidas pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610 de 19/02/19

 

 

Conversando e contando como a vida estava, ouvi de uma amiga muito querida, em um café da manhã, depois de muito tempo sem vê-la, que ela estava bem hoje, mas ficou um tempinho sem capacidade de sonhar. Essa frase me acertou um soco no estômago, na face e na alma.

Era a frase que eu procurava para definir o tempo em que me encontro. A incapacidade de sonhar é tão escasso, tão medíocre em nossos pensamentos que te engole como um rolo compressor. E o mais surpreendente que não nos atemos e nem percebemos quando essa falta de sonhos se instala. E pensar que sempre fui feita de sonhos, concretizei quase todos. Me perguntei nessa mesma manhã o porque dessa falta… acredito pela mesma força que nos impulsiona a seguir sonhando. Nossos pais, amigos e quem quer que se condicionem a um padrão, nos consomem com suas palavras nada animadoras. Você comenta: quero viajar para Austrália, conhecer o Japão por exemplo e você tem quase sempre como resposta: com que dinheiro? Ou até sonhos profissionais, obter um equipamento novo, um curso e lá vem de novo, como você vai conseguir? Até quando seguimos as regras e padrões dos outros?  Crescemos e amadurecemos, mas esses malditos padrões nos perseguem.

Aí o tempo passa e nos enchemos de vídeos positivos, frases de efeito para poder sobreviver e resgatar a capacidade de sonhar. Deixar a onda passar… depois de um tubo daqueles. Precisamos caminhar, mas  como o bom Chapeleiro de Alice, já estamos em tempo de perdoar e esquecer ou esquecer e perdoar e seguir em frente. Nos sentimos tantas vezes reféns de outrem ou de circunstâncias. Seguimos em frente… e fico com uma frase mais pertinente e que bem dizia a minha mãe: Somos sozinhos querida, somos sozinhos!

E somos, e por muitos anos essa frase parecia solitária, pobre e sem valor no meu inconsciente, até que fez todo sentido, finalmente, somos sozinhos sim, não depositemos nossos sonhos nas palavras de outros, sigamos em frente contando conosco, com nossa força de sonhar. Não há poder maior.

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social,  fotógrafa há mais de 20 anos, já clicou muitas personalidades, assim como grandes eventos, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas, segue seu site: www.macarenalobosfotografia.com, hoje seu foco está voltado para a arquitetura, você pode conhecer mais no site: www.arquiteturaemfoto.com.br. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha. 

 Foto: Marcarena Lobos

 

 

Não, este texto nada tem a ver com a história original de Lewis Carroll ou com o filme que ela originou. Neste caso, Alice sou eu, é você, somos todas nós, mulheres modernas e sonhadoras que tentam enlouquecidamente sair do País das Maravilhas e voltar para a tão almejada liberdade.

Liberdade? Cortem a cabeça de quem sonhou… De quem deu uma de chapeleiro maluco e que em um delírio alucinante ousou quebrar os padrões durante um chá das cinco…

Como Alice pensa em desafiar a Rainha Vermelha, suas ordens e seu reino? Como tenta fugir da estética perfeita, do amor de conto de fadas, do sucesso profissional? Cortem-lhe a cabeça!

E no tique taque alucinado do relógio do coelho branco, que teima em estar atrasado, a Alice moderna corre, sofre de crise de ansiedade, stress e perde a calma. Opa, alguém chama a lagarta que com sua sapiência e seu narguilê tranquilizante pode ter a resposta mais astuta por meio de suas charadas… ou não… eita paisinho confuso esse.

Alice dorme menina, acorda mulher… Seguindo as maluquices de um mundo moderno, que não começa com o cair na toca do coelho, comer bolos mágicos para aumentar ou diminuir de tamanho. Por mais que a vida às vezes careça dessa magia para nos adaptarmos na sociedade e nas loucuras do dia-a-dia.

Quem nunca se sentiu fora dos padrões da “normalidade”, como se tivesse crescido exageradamente de tamanho ou precisasse diminuir radicalmente para passar pela porta e seguir o curso da vida? Só não pode errar na medida, senão… Cortem-lhe a cabeça…. A insanidade desse meu país, dessa minha visão através do espelho, é tanta que busco insistentemente o sorriso do gato sem corpo que aparece do nada para me fazer graça, rodopiando a cabeça no ar.

Alice quer tanto a liberdade, a leveza da borboleta, a risada desmantelada do Chapeleiro, a graça das flores que falam, que pinta a si mesma e a esse País das Maravilhas como se fosse um retrato. Uma mistura frenética de tintas e sua imagem assim se reflete: em uma projeção de história infantil que em que por um breve momento a mágica se faz e em que se é feliz completamente… por um breve momento… como num sonho… como numa viagem…

De repente, a efemeridade do conto aparece e a tinta do quadro vira um borrão no espelho… esse é o reflexo da alma de Alice… uma mistura densa, complexa de cores e texturas… de repente… antes do grito final de “cortem-lhe a cabeça”, Alice perdeu o chão, perdeu a mão, perdeu o traço, perdeu os laços e o caminho de volta para casa.

Alice quer voar nesse mundo entre o real e o fantástico. Mas como sair da gaiola mesmo que a porta esteja aberta? Alice quer voltar para casa, mas sua casa se tornou aquele País das Maravilhas que ela criou para se satisfazer, momentaneamente. É tudo urgente, tudo para ontem, está sempre tarde. Tique taque, corre o coelho atrasado… Tique taque, Alice o segue. Tique e taque, marcham apressados os guardas cartas de baralho… É tanta insanidade, que tudo roda, nauseia, dá vertigem. Viva o complexo de Alice que eu inventei, viva o País das Maravilhas que eu criei e desejei.

Como diria uma grande amiga e voz da consciência: “Menos, menina. Bem menos. Limpe o espelho e encare-se. Quando você não intervir mais na imagem e na paisagem refletidas, você saberá o real significado de ser livre”. Seria a lagarta falando comigo?

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Olá consulentes, como estamos em junho, mês dos namorados, mês das festas juninas e mês do Santo Antônio, santo casamenteiro, vamos falar desse assunto.

Primeiro, por favor, parem de fazer promessas para Santo Antônio te dar um amor. O santo não aguenta mais, está com a agenda de pedidos lotada para os próximos 88 anos, ou seja, nem que ele queira terá tempo para resolver o seu problema. Esquece o santo e vai por por conta própria.

Vou contar um segredinho aqui, se você quer encontrar a solução, siga em frente porque atrás tem gente. Gente que já passou. Então, siga em frente, escolha um caminho, tire os óculos escuros e abra o coração.

Vá a uma dessas festas juninas e procure a fogueira, sim fique perto da fogueira, está frio e lá você se sentirá mais quente. O fogo aquece a pele e a alma, mas não se empolgue tanto a ponto de querer ficar pulando a fogueira, isso é bobagem, letra de música, afinal quem brinca com fogo se queima e queimaduras ardem, incomodam e deixam marcas.

Então, vamos lá, lição de hoje: Esqueça o santo, abra os olhos e coração e se aqueça com o fogo, mas tenha juízo.

Depois você me conta se deu certo.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉