Tenho lido muito sobre o amor e sobre as declarações tipo eu te amo, desculpem-me mas pra mim é difícil EUTEAMO, tem gente que diz com a banalidade de quem diz “como vai” e na verdade só quer dizer “oi” sem saber como você vai de verdade. Pra mim EUTEAMO é sagrado, intenso, avassalador!

Quando falo de não se banalizar o “EUTEAMO”, penso e lembro o quanto meu amor, esse sentimento tão humano é imperfeito, é egoísta e necessita de reciprocidade! Necessito que me respeite e me preserve como ser, como pessoa, como indivíduo singular, pra não cair nas relações abusivas tão nocivas. Preciso que tenhamos admiração um pelo outro, admirar e ser admirado faz parte deste amor terreno, não dá pra amar alguém que desprezamos pois cairíamos num processo doentio e insalubre. Preciso olhar para o outro e perceber que faz o seu melhor, não poupa esforços pra cuidar de nossa relação, e que quando falha, logo busca sanar isso pois preservar o que temos é mais importante que vencer ou deixar de dar o braço a torcer. Preciso egoisticamente que você possa ser pleno na minha ausência, pois parte da sua beleza é não precisar de minha pessoa, e que compreenda que não preciso da sua pessoa pra existir, mas que escolhemos partilhar este amor e nossa existência; seja como casal, família ou amizade.

Que te ofereço a melhor pessoa que consigo ser e recebo isso de volta de você. Que nossas diferenças não nos aniquilam, que quando pensamos diferentes isso representa nossas opiniões, gostos e preferências, nunca são questões morais ou valores que ameacem nossa integridade e sobrevivência. Que estar junto é bom, mas, estar separado é apenas uma questão de geografia, nunca algo que enfraqueça a relação, e que, o reencontro, mesmo que demore muito tempo, faz com que pareça que foi ontem que pudemos sentar, rir e abraçar. Que este afeto não dependa do contato físico e sim do contato da alma.

Pensei isso, e muitas coisas mais, pensei que te quero, quero vocês, as pessoas especiais as quais reservo o meu EUTEAMO, te quero e só posso desejar que seja recíproco. Ainda sou muito terrena pra amar incondicionalmente…quem sabe um dia chego lá.

Thelma Carlsen Fontefria – Bela Urbana, 50 anos, psicóloga, mãe de Isabella 20 anos, 2 cães, 1 gata, 1 afilhada 21 anos, 2 gerbils netos, mora em Santos, tentando manter a sanidade neste tempos de um Brasil tão distópico.

O grupo estava lá, eu te amo pra cá, eu te amo pra lá e te amo pra galera geral. Amo vocês diziam todos no face, no insta, na live…

Parou. Ninguém ama assim. Chega dessa demagogia de tanto eu te amo raso.

Algumas palavras precisam e devem ser preservadas. Elas não podem cair na banalidade, na marginalidade. Não podem cair na vala comum.

O coleguinha falou eu te amo e você sem graça devolveu, eu também. NÃO faça isso. Amor é outra coisa.

Se quiser saber se ama alguém, pense por quem você daria a sua vida? Por quem você emprestaria a barriga para gerar um filho? Por quem você doaria um rim? Por quem você rasparia o cabelo para ficar igual? Por quem você adiaria um projeto por escolha própria? Por quem você deixaria o último pedaço do seu prato preferido? Por quem seus olhos brilhariam em qualquer pequena conquista? Por quem seu coração pularia de alegria ao ver?

Por quem?

Amamos várias coisas, amamos várias pessoas durante nossa vida. Amamos muitas para sempre, mas definitivamente não amamos todo mundo. Podemos gostar e gostar muito. Podemos sentir um enorme bem querer por várias pessoas que fizeram e fazem parte da nossa vida. Desejar coisas boas, ou mesmo querer fazer mais coisas juntos, mas amor, amor mesmo é outra coisa e não pode jamais ser vulgarizado.

Quem te ama fala inclusive o que você tem medo de ver e ouvir. Quem te ama te coloca para frente e para pensar.

Esse “eu te amo” de todo mundo para todo mundo não me convence. Não entro nessa. Faço questão de preservar meu eu te amo para quem de fato eu ame.

Me desculpem, mas eu não amo todos vocês.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Vivo duas vidas
Cinco vidas
Oito se precisar
Nenhuma vida
sabe da outra
E vez ou outra
Tento eu disfarçar
E fingem acreditar

Uma no bar
Outra no mar
No labor ou casa,
Liceu ou praça
Material ou virtual
Cada vida me traz
Um prazer especial

Cada uma das vidas
me completa de certo
Não se harmonizam
Cada uma das vidas
Me conforta o peito
Mas não completam

Deveria assumir uma
Eu sei, mas tenho medo
Pois uma apenas é finita
Sendo assim incompleta
Teria eu de ser adulto cedo?

E viver a incompletude
Sem culpar ninguém
Ou cobrar de alguém
Que por mim, mude?

Deveria eu aprender
Que sofrer é crucial
Para poder crescer?

Deveria eu experimentar
Viver como os outros, amar?

E deixar de autosabotar?

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Me encanta quando uma mãe faz um post no face assim: pode soltar suas cabras que meu carneiro é educado para respeitar sua filha…

Me encanta quando acho no banheiro um bilhete da minha filha que diz: Mãe, comprei este bombom pra você com o troco do meu almoço. Te amo….

Me encanta quando uma mulher pergunta: porque ter um sapo ao invés de um cachorro se ele não te protege e te defende? E aí a criança responde: Não tenho amizades por interesse….

Me encanta quando encontro em minhas fotos antigas o meu pai fazendo a barba no irmão dele que já está bem velhinho e não consegue mais….

Me encanta quando tenho pelo menos um grupo de whatsapp onde TODOS podem opinar livremente, inclusive sobre assuntos de política….

Me encanta quando toda a quinta e domingo à noitinha, ainda consigo fazer nosso “momento família” e perceber o verdadeiro valor do que mais me importa…


Me encanta começar o dia vendo o nascer do sol e viver intensamente como se fosse meu último dia…
…e terminar vendo o pôr do sol, grata por ter recebido mais um chance de amar e ser amado! 


Obrigada pela oportunidade de pensar nisso, avaliar e mais uma vez, agradecer a Deus por tudo!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

E se me cansar do reacionário?
Cansar do somelie de esquerda?
Cansar do santo religioso?
Cansar do ateu convicto?
Que que tem?

E se me cansar do ódio?
Cansar do que fala e não faz?
Cansar do que faz errado e ri?
Cansar do que ri de tudo?
Que que tem?

Cansar do que diz que é?
Do falso amigo?
Do falso parente?
Do falso profeta?
Que que há?

Deixa eu me cansar!
Deixa eu viver!
Viver a loucura do óbvio,
O incerto, o correto,
O indecoroso respeito,
O impiedoso silêncio,
O afrontozo pensar,
O proibido amar!
Que que tem?
Que que há?

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

AMOR É:

Um olhar sem cobrança… um ouvir sem explicação… um cheirar sem medidas…

Um comer sem necessitar… um caminhar sem rumo… um pegar sem apertar… um sentir sem a presença… uma transparência sem espelhar…

AMAR É:

Deixar o prazer do amor acontecer e viver!


Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

A vida vale a pena quando é vivida com paixão; do contrário, não é vivida, é passada. Só entendo o valor de algo quando percebo a dor de perder esse algo. Isso me dá propósito! A intensidade de me apaixonar, viver a paixão, perder a paixão e sofrer faz com que me sinta em movimento! Sim, a dor me dá o valor exato da paixão. Eu gosto de pensar que não existe erro no amor, nem “relacionamentos que não dão certo”, e sim partilhas cíclicas. Sinto uma atração; a atração vira uma paixão; eu me entrego a ela; e a vivo intensamente, com todos seus sacrifícios e todos seus prazeres! Com o tempo, a paixão abranda e é preciso reinventá-la, revigorá-la, adicionar acessórios, fantasiá-la… Mesmo assim, pode ser que ela esfrie completamente e aquilo que antes me fazia vivo, agora me mata, aos poucos. “―Amar não dá certo, sempre acaba em dor! Não quero jamais isso outra vez.” NÃO! QUERO SIM! Mais uma, mais duas, mais três, mais quantas paixões me forem possíveis! Amar dá super-certo! Às vezes acaba e é só. Cada vez que acaba, dói; cada vez que dói, eu cresço e acrescento mais um pedaço de vida bem aproveitado na minha história; enriqueço de verdade meu currículo de “ser-humano” porque aprendo novas formas de ver o mundo, experimento novas emoções, descubro coisas sobre mim que não fazia ideia ter, nem ser, testo meus limites e aprimoro minhas habilidades. Viver uma vida bem vivida é isso! É conhecer muitas pessoas diferentes, é enxergar muitas verdades diferentes, é sentir muitas emoções diferentes, é experimentar muitas coisas diferentes, é passar por diversas dificuldades diferentes, é cair várias vezes, é levantar tantas outras… E o mais legal é que tudo isso pode ser vivido com várias pessoas ou com uma única pessoa, a vida toda! Só não dá para viver tudo isso sozinho, fechado e “seguro” em meu mundo, sem alguém para compartilhar, me provocar, me estimular, me testar, me segurar, me empurrar, me abandonar e me adotar… Apaixone-se! Ame! Perca! Sofra! Reinvente-se! Apaixone-se novamente! E mais uma vez! E outra! E outra… VIVA A VIDA!


Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, maluco com CRM, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Outro dia a vida me trouxe de volta uma pessoa que foi muito próxima há alguns anos, conversamos, tímidos, desajeitados e constrangidos inicialmente, ao evoluir a conversa fomos nos reconhecendo e o conforto da amizade antiga voltou um pouquinho; tínhamos nossos compromissos, o encontro não durou mais que dez minutos, voltei para meus pensamentos com pedaços de lembranças da vida que eu tinha quando ele fez parte dela, naquela época tivemos um breve romance, eu era muito jovem, curti uma dor de cotovelo danada pois ele era apaixonado por outra pessoa e de repente ela também se viu apaixonada por ele, ou seja, eu conhecia os dois, tive que ver os pombinhos sempre juntos, frequentávamos o mesmo grupo de amigos, foi triste, sentia uma dor física mesmo no peito, parecia que o coração iria sangrar, eu chorei muito por isso, sentia tudo com tal intensidade, com tal paixão que achei que fosse morrer de amor; o tempo passou, eu aprendi tanto com esse episódio, eu me prendi aquela máxima de que se existe amor por alguém e se ele é real, é preciso deixar a pessoa livre para que ela escolha o que o coração dela pedir, sem tragédia, simples assim, a fila anda, como dizem, minha fala interior me dizia isso, uma maneira que encontrei para amenizar minha perda, minha dor, obviamente ele já estava com ela e era livre para fazer o que bem entendesse, nunca tivemos um relacionamento de verdade, foi apenas o inicio de algo que nunca começou, mas naqueles breves encontros eu me sentia bem, me identificava com ele e o mais triste talvez não tenha sido perder o futuro namoro que nunca veio, e sim a conexão que eu sentia com ele; eu tinha plena consciência que nossa recente amizade não iria evoluir, eu segui minha vida e passei a prestar mais atenção às conexões, aos encontros que tinham potencial de se transformar em uma amizade verdadeira pois entendi que eles poderiam ser muitos breves.

Ao longo dos anos sinto que aquele intenso sentimento mesmo tão efêmero me transformou, e sou grata por isso, apesar do amargo da perda me deixou uma ternura tão grande pois amei, eu ainda não tinha sentido nada parecido, confesso que depois durante meu percurso pela vida me apaixonei muitas outras vezes mas aquele encontro me alertou para as conexões, para estar atenta, para não deixar de aproveitar nem que fosse uma horinha de conversa com aquela pessoa especial, mesmo que não fosse com intenção amorosa, apenas sentir e aproveitar a presença de um ser humano que se aproxima de nossa alma, nem todos tem esse poder, nem todos tem esse toque mágico e nem sempre a vida nos presenteia com esse tipo de sentimento, é preciso saboreá-lo, usufrui-lo antes que se desvaneça como fumaça na correria do dia a dia, na viagem que nos leva para outros lugares, nas mudanças inevitáveis, nas mortes prematuras, nas desavenças repentinas, nas palavras mal pensadas e proferidas no impulso.

Amo as conexões, os encontros, e aqui cito Rubem Alves: “Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro”.

Tenho tanto carinho pelas pessoas especiais que passaram por minha vida e que no momento não fazem mais parte dela, queria que o mundo mantivesse perto de mim todos com quem amo estar e conversar e trocar energias boas, esse contato me traz um pouco mais de sentido para vida, há dias que buscar o sentido é como encontrar uma agulha no palheiro, mas esses encontros me dão a certeza que a vida também é boa, amorosa, pode ser leve e que ali com aquela pessoa posso ter um colo, um aconchego, muitas risadas e falar do tudo e do nada, não serei julgada, serei aceita tal qual como sou, nada mais, nem menos, isso é conexão, isso é amor, seja ele em formato de homem ou mulher, quer seja um amor romântico ou uma amizade, é como nos sentimos na nossa casa, conexão verdadeira é quando um rosto inchado de chorar, um nariz escorrendo, um coque mal feito, maquiagem borrada, quando você fala demais e possui alguns quilos extras não te fazem mais feia, na verdade, só significa que você é humano e é isso que nos conecta com outro ser humano, nosso eu real, quando as máscaras estão caídas ou guardadas nos esconderijos e ainda assim aquele alguém especial nos ama.

Agradeço a todos meus encontros especiais, aos meus amados amigos e companheiros de alma que eu ganhei de presente no trajeto, por momentos ou por anos,  mesmo longe estão presentes em tudo que há de mais belo em mim, tudo que me fez chegar até esse momento, preciso de vocês como uma flor precisa de água.


Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

Me move o céu. Me move o mar. Me move amar.

Me move o sol, move o acordar, move o pensar.

O outro me move, sofre e me envolve.

O universo move e me faz movimento. 

Me move a dinâmica do viver. As alegrias e as tristeza de SER.

Minha alma move. 

O coração bate e o metabolismo acelera. E eu me movo…As vezes rápido ou devagar mas o mover é certo.  O ritmo é incerto. 

As crianças me movem e envolvem. Elas são alegria desejos e movimento. 

Me movo de novo. Por algo novo!

Ao acordar me movo e acordo com o movimento do pensar, pensando no sonho da noite e no sonho do dia. 

E assim em movimentos a vida vai vivendo. Vai sendo. Vai realizando. Vai passando…

E o movimento recomeça.

O que me move?

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“

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Poderia eu escrever sobre hoje, ontem ou há quase 60 anos, daria na mesma.

Continuo sendo aquela criança que gosta de brincar, correr, rir, xingar, amar, brigar, descobrir, desenhar, pintar, criar…

A mesma que adora refrigerantes e chocolate, claro, hoje com um pouco de álcool.

Não mudei muito, apenas continuo um adolescente, mas experiente em algumas poucas coisas, lógico, porque as que não sabemos e nunca fizemos são as melhores a se fazer.

Enfim, nesse tempo que não existe, continuo procurando aquilo que não conheço, arriscando nelas, as novidades, pelo menos para essa criança, porque tempo e espaço não existem mesmo, são apenas ilusão de um ser humano que infelizmente foi predestinado a acreditar em começo, meio e fim….que bobagem isso.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares