“OOOhhhh, ele usa um brinco de argola!”

A primeira vez em que vi uma pessoa preta, devia ter uns seis anos. Isso aconteceu em um restaurante de Helsinque, a capital da Finlândia. 

Como nasci e cresci em uma cidade pequena do país, nunca tinha visto alguém nem levemente morena. Olhos castanhos então, eram algo muito estranho.

Naquele restaurante de Helsinque, do que mais lembro é da reação da minha mãe, de olhos arregalados e falando baixinho, sobre aquele homem negro. Só que, maravilhada, os seus comentários eram sobre o exotismo do que ele estava usando: Um brinco de argola grande na orelha. Não lembro de mais nada sobre ele, de suas roupas, se falava alguma língua desconhecida, com quem estava, nada. Mas passei a associar pessoas que tinham a pele de cor tão diferente da minha com o exótico e maravilhoso.

Quando nos mudamos para o Brasil, pouco tempo depois, vivi em cidades pequenas, onde frequentava a mesma escola que as outras crianças, de todas as cores e classes sociais e brincava com elas. Era com a filha da costureira que aprendi as cantigas de roda, com a filha da lavadeira que brincava de pega-pega e com todas as outras crianças que brincava de esconde-esconde na praça da igreja. Nunca passou pela minha cabeça ou de sua mãe, criticar essas amizades por qualquer motivo.

Já adolescente, morando em uma cidade grande, descobri o preconceito. Primeiro contra mim mesma, por ser alienígena. Não havia muita tolerância ou acolhimento naqueles bons anos 70, numa Campinas provinciana. Mas tinha muita xenofobia e megalomania. Já na escola, só tinha branco. Até os funcionários. E assuntos polêmicos, como divórcio, aborto e racismo eram abordados raramente em alguma aula da área de humanas. À típica pergunta: “Você é racista?”, ela respondia que não, mas ninguém acreditava, o que, por sua vez, fazia com que ela passasse a ter dúvidas sobre suas afirmações. “Você tem amigos negros?” Não, mas qual era a minha oportunidade de encontrar negros para ter amizade?  Tolerava as piadinhas racistas, assim como as misóginas e outras preconceituosas, apenas para não ser a chata da turma, mas na verdade, nunca consegui ver graça nelas. Com o tempo, passou a contestar cada piada ridícula com outra pior, sobre alguma coisa muito sem graça. 

A pior que aconteceu, nos anos 1990, foi ir a uma festa da prima do marido, onde um dos convidados era negro e a tia dizer: “Desculpem, não tive como evitar.” Ao que eu respondi: “Desculpo não, tia! É um absurdo imaginar que a presença do colega de sua filha possa ser ofensiva!” Naquela época ela não entendeu, racismo ainda não era crime, mas eu queimei de raiva por dentro. Se eu teria amigos negros???

Eu tenho AMIGOS e nem mesmo sei a cor deles!

A maioria dos racistas brasileiros sofreria racismo na Europa, Estados Unidos e Japão! Nós somos um país de miscigenados e amo essa mistura maravilhosa que faz a pele mais morena ou não.

Passados os anos 70, 80, 90 e chegados os anos 2000, 2010, 2020. Hoje já não me calo mais, mas, por outro lado, não me isenoa também. Hoje Racismo É Crime e eu luto com meus papéis, desenhos e textos. Luto com as armas que tenho e não estou sozinha. Será que eu me considero racista? 

Eu, definitivamente, sou ANTIRRACISTA!

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.




De todas as brincadeiras, a que eu mais gostava, era jogar futebol com o João (meu primo) e Pepe ( meu irmão), apesar de eu quase nunca fazer um gol.

Gostava também de montar quartinhos para minhas bonecas com minha amiga Luisa (do Condomínio), montávamos nos nossos armários. Eu gostava de brincar de caça tesouro e polícia e ladrão com as pessoas do condomínio.

Eu gostava de arrumar minhas bonecas, fazer escolinhas, gostava de cortar o cabelo delas, inclusive eu queria ter um menino (boneco), então, cortei o cabelo de uma, improvisei roupas de menino e dei o nome de Lucas.

Gostava de brincar na casa da minha Vó com a Ju e o Fê (meus primos), de boneca, de esconde-esconde, etc., na escola eu brincava muito no parquinho e de bola.

Quando tinha sete anos, ganhei uma máquina que filmava e tirava foto do meu padrinho. Eu amava ela, filmava tudo, levava para a escola, eu a tenho até hoje, mas está sem pilha.

Junto com a Luisa também fazíamos desfile de roupas esquisitas, eu ia na casa dela, pegávamos roupas da mãe e do pai dela e ficávamos desfilando… já aqui em casa, pegávamos perucas e fantasias para brincar.

Essas são as brincadeiras que estão na minha memória, quando eu lembro delas, sinto alegria e saudades. E com você, quais as brincadeiras estão na sua memória?

Carol Chebabi – Bela Urbana, 15 anos, estudante, taurina, caçula da família, gosta de desenhar, pintar, criar e cozinhar, especialmente bolos e doces.

Aos finais de semana, os primos e amigos se reuniam!
Tinha rua, clube, quintal.
Havia piscina, bola, bicicleta.
Bolinha de gude, pipa, carrinho de rolimã.
Tinha amarelinha, corda, queimada.
Pega-pega e tantas outras brincadeiras de rua.

Tinha STOP, dança e música.
Havia teatro e apresentações.
Festa do pijama, dança das cadeiras e mais tarde, dança da vassoura.
Tinha dia que havia 5 MARIAS.
E outros, quem reinava era o bambolê.
Com a corda ou com a bola, as possibilidades eram inúmeras.
Tantas coisas que ali havia.

Criatividade, indagações, boas conversas.
Relações eram estabelecidas e reestabelecidas.
Tínhamos ideias e projetos e depois, novos projetos de novo!
Construíamos estratégias, fazíamos planos.
Havia necessidade de elaborar argumentos.
De buscar consensos e aprender a ceder e de se posicionar.

Convivência ali havia.
Resistência ali havia.
Liberdade ali havia.

Cada criança era uma potência!

Estamos na Semana Mundial do Brincar e disseminar o BRINCAR como um valor a ser cultuado é a uma oportunidade de contribuir para que tenhamos adultos mais saudáveis.
E você, qual a brincadeira que está presente em sua memória?

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 

Diário de uma pandemia
20/3/2020
8:30
É primavera.
Há uma semana declarou-se a crise COVID 19. Sentimentos e pensamentos poderiam ser resumidos nesta semana. Ação e o coração sofrendo. Ainda trabalhamos, damos serviços mínimos, porque o governo não nos colocou na lista de empresas que precisam fechar. Mas a pressão imposta pelo sistema de saúde é para fechar.

ficaemcasa.

Minha situação mental é estressante, ainda que ativa, adrenalina para administrar esse momento. Mas também muito sobrecarregada pelo de risco para nossa saúde, nossa economia necessária para nos dar suporte e os conflitos sofridos em nossas relações de trabalho.
É como ter sofrido um choque frontal entre dois trens: a equipe de direção e a de gestão decidimos o quê precisava ser feito e as necessidades individuais da maioria dos trabalhadores.
Esse confronto foi inevitável porque qualquer decisão tomada envolvia risco ou conflito em uma área ou outra.
Agora não sabemos se tomamos a decisão certa … Tudo será esclarecido em alguns meses e, honestamente, minha visão é de uma incerteza avassaladora.
Lidamos com muitos lutos de relance, aqueles que são realmente tristes pelas as pessoas que estão caindo com o COVID. De longe, este é o mais importante de todos e o que mais nos preocupa.
Mas há outros lutos que estamos vivendo e que devemos administrar em uma marcha forçada: o luto pela perda da normalidade, por não poder encontrar pessoas queridas, familiares, amigos, colegas que nos apreciam em vários campos. O luto por ter de interromper a atividade que, em alguns casos, é a nossa motivação e nos ativa todos os dias, o luto por sacrificar as férias para poder ter o meu tempo livre neste momento difícil.
Isolamento versus ter que trabalhar em tempos de isolamento.
E acima de tudo, o medo, a COVID, o sofrimento ou o sofrimento das pessoas que amamos, até o medo da morte.
E medo de fazer coisas erradas de um lado ou do outro.

E esperamos, todos os dias, as demonstrações de solidariedade, resiliência e respostas à emergência, ações de pessoas exemplares que aplaudimos desde nossas janelas todos os dias, e pessoas que não recebem esse aplauso explícito, mas que também nos dão suporte – muito obrigada! – reconhecimento a todas elas por favor.
Esta é uma reflexão resumida do que experimentamos atualmente. Existem muitas nuances, emoções opostas e o melhor e o pior de cada um de nós vieram à luz.
Proponho que nos reconheçamos nesse melhor e pior, que aceitemos diferenças em todas as áreas e que apostemos no exercício de nos colocar no lugar dos outros, agora é hora de nos encontrarmos novamente em espaços de solidariedade e cooperação que salve a todos nós com soluções coletivas que não deixem ninguém para trás.

Nati Yesares – Bela Urbana, vive em Barcelona, é formada em ciências ambientais e atualmente é chefe da área ambiental em Solidança, empresa dedicada a economia social. É motivada por tudo que ajude a construir uma sociedade sustentável e justa para todos.

Tradução Gisela Chebabi Abramides

Ele morreu ontem. Não chegou aos 60. Morreu com 55 anos. Era jovem na sua essência. Cheio de planos. Cheio de sonhos. É certo que, como qualquer artista, sentia o mundo mais colorido e também mais dolorido. Se existia uma pessoa que tinha borogodó, essa pessoa era ele. Dividia opiniões, mas isso não foi motivo para impedi-lo de chegar a todos os lugares que quis ir. E foi, e onde foi conseguiu aplausos. Seu talento não era só nato, era também fruto de um esforço de quem sempre quis fazer o melhor.

Foi ator, foi cantor, foi produtor, foi diretor, foi autor de músicas lindas e de textos sensacionais. Alguém plural, mas, ao mesmo tempo, tão singular que se tornou raro.

Na vida pessoal era o que podemos chamar de gente; aquela expressão que diz “gente como a gente” era bem ele. Real. Tinha medos, tomava remédio, cuidava da família, que incluía o gato Mica, as filhas, a mulher e até a ex-mulher. Gostava de ter amigos em volta de uma boa mesa, principalmente no seu sítio. A vida era vivida em festa, e quando a festa acabava, ficava quieto, fugindo dos medos das perguntas que não sabia responder.

Foi-se de repente, bestamente. Morte besta para morrer. Um susto. Mas como poderia ser diferente para alguém que sempre foi fora da curva da estrada convencional. Muitas homenagens, muito choro, muito inconformismo até de seus desafetos como Antônio, ou Tony, como era conhecido.

Amigo de velhos tempos, amigo de muitos anos, amigo que tentava sempre estar onde ele estava, mas era só mais um que tentava e não emplacava. Mais um invejoso. Mais um sanguessuga. Mais um que não suportava ver seu olhar brilhar. Tony até tentou se conter, não transparecer, mas inveja legítima não se aguenta e um dia explode. Jogou a amizade para o fundo do poço com palavras perversas, mostrando toda sua raiva e
inveja latente, à flor da pele. Foi tão feio que foi assim até o fim.

Quando soube da notícia se fez de chocado. Chorou. Bebeu. Vomitou e escreveu publicamente sobre a dor da falta daquela amizade. Pareceu sincero. Recebeu muitos pêsames. Apareceu como nunca nas redes sociais. Afinal, a dor comove. Ele conseguiu os aplausos que sempre quis, nunca nenhum de seus posts alcançou e foi curtido por tantos.

Conseguiu ser o seu melhor, um grande oportunista.

A família, que sabia de tudo, calou-se. Nem uma palavra, nada.

Afinal, vampiro de morto, morto está.


Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 
Foto: @gilguzzo @ofotografico
 

Vamos amigos, colecionar amigos, com sorrisos nas dores do dia-a-dia.

Com harmonia, paz e poesia é que se faz um dia a frente, que lá atrás deveria.

Alegria, alegria!

Apesar do mal, ser bom a toda gente, sem olhar a quem.

Ser sorriso por todo o sempre, tudo que é ruim está fora do trem.

Amém, além!

Me preocupar com todos sem o troco vir a mim.

Quem ajuda a quem se ajuda, ajuda a si.

Gentileza em gentileza com certeza faz um mundo feliz,

Bis, Bis.

Se me sobra pra beber, me sobra pra ceder

A quem na mesa do bar ou em qualquer lugar for e precisar.

Quem sabe alguém possa perder assim sua dor e se alegrar.

Amor, Amor

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Com tanto vídeo, fotos e poema sobre o dia da mulher fica impossível não estar com o coração inchado de orgulho…

Na verdade, só me resta falar de como desejo que seja meu dia internacional da mulher!

Quero acordar mais cedo, me olhar no espelho e dizer: Tenho orgulho de você, do que se tornou, do que já realizou e pode realizar ainda hoje.

Depois, abrir a porta da minha sala e dar de cara com minha jaboticabeira, com minhas plantas, temperos e meu sol, sim, meu sol… tenho um sol adesivado no meu muro…ele ilumina minha alma!

Depois, sentada, faço minha meditação (com certeza pensarei em todas as mulheres e claro…você estará neste pensamento comigo), olho para o céu e vejo mais algumas horas que eu tenho a chance de me melhorar, de perdoar,  ter paciência e de ajudar alguém.

Mas passa 20 minutos e começa a correria.

Fazer café do marido, lanche das crianças, cuidar da casa, marcar médicos, pegar resultados de exames, ir no mercado, fazer bolos pra fora…. e assim o dia já passou e a noite, se eu não forçar para ficarmos juntos, cada um vai pro seu lado….mas eu não deixo!

Pelo menos uma horinha junto tem que ter….e o dia termina…você enfim toma banho, pensa em tudo do dia seguinte e dorme!

Mas reparem….tudo o que foi bom no meu dia dependeu exclusivamente de mim. Então, faça o seu Dia das Mulheres melhor do que todos, tirando um tempinho pra fazer o que gosta, isso, faz muita diferença!

Se quiser tomar um café comigo me liga que eu topo!

Roberta Corsi – Bela Urbana, coordenadora do Movimento Gentileza Sim que tem como objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva, para conhecer o movimento acesse https://www.facebook.com/movimentogentilezasim 

 

SOL

Por mais que tente mais ser feliz,

Mais feliz sempre está

Por mais que deixem ficar,

Assim sozinha não pode estar!

Assim só não pode suportar!

A sua droga que mais depende, é

Apoio e luz

Clareia quem está junto

e necessita da força; de quem está junto

Sempre assim leve e

Totalmente sem compromisso,

(e hora)

Com o modo de ser

Ser assim livre; para todos mostrar que

Falsos são os olhos, daqueles

que a verdade pensam dizer.

Verdade é o momento

Defeitos nas entrelinhas!

Rir é a hora; para a morena da praia

No verão

Assim junto de; ela vai

Vai

Ao mar ver o Atol

É um SOL!

Jeff Keese – Belo Urbano, é arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo. É doce e firme. Criativo. Não não se cala quando vê algo errado e cozinha uma pasta com um molho apimentado como ninguém 🙂 

PS.: A poesia SOL foi feita para a amiga Adriana Chebabi em 1987.

Escrever sobre o que se quer não é tarefa fácil, faz pensar nos meus sonhos e trazê-los para um lugar mais concreto, faz pensar também no meu dia a dia,  o que me incomoda e quero mudar, o que preciso consertar, onde preciso estar mais. Me faz pensar também nas minhas relações, com quem preciso estar mais, ser mais presente, saber falar com os amigos, mas saber ouvir também, compartilhar a vida com quem nos ama, nos faz feliz, nos impulsiona pra frente. Tudo isso é a grande reflexão desse ano, onde pensei em janeiro e tentarei trazer isso tudo para o concreto.

29 de janeiro – Gisa Luiza – 43 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

 

Nesses últimos dias do ano fiz algo bem diferente, resolvi apostar na loteria. Estava no Shopping com meus filhos e fui pra lotérica, minha filha estranhou. Sim, é de estranhar mesmo, porque eu nunca aposto ou jogo em nada.

Enquanto estávamos na fila conversamos sobre o valor do prêmio, eu disse que se ganhasse iria gastar com compromissos, meu filho me interrompeu na hora e disse, não, se você ganhar nós vamos viajar todos juntos, você vai ficar com uma reserva e vai ficar mais tranquila.

Eu sorri e disse, você está certo, não posso achar que vim aqui só pra trabalhar. A vida não é só trabalho. Ela é trabalho sim, mas é diversão também. Ela é construir, mas é também descansar. A vida é hoje, não da pra deixar todos os sonhos para amanhã. Bom senso sempre, mas bom senso não quer dizer se privar de tudo que você gosta no presente, esperando um futuro que nunca chega.

Esse ano foi um ano conturbado, um ano em geral difícil em vários aspectos para a maioria das pessoas aqui no Brasil, eu estou nessa maioria. Mas por mais difícil que seja um ano, ele não se faz somente de problemas. Se faz de aprendizados, se faz de persistência, de faz de generosidade, se faz de mãos dadas. Você já pensou em quantas mãos você segurou esse ano? Já pensou em todos que abraçou durante o ano? Já pensou se você mais agradeceu ou se lamentou?

Estou pensando no que não fiz e queria ter feito. Estou pensando nos imprevistos que me tiraram o sono. Estou pensando nas pessoas que estiveram do meu lado, muitas dessas pessoas já estão por muito tempo. Estou pensando se fui generosa e ajudei como fui ajudada. Estou pensando o quanto cresci e quanto ainda tenho para crescer.

Estou pensando nos caminhos que andei, nas paisagens que apreciei, nas fotos que tirei, nas músicas que ouvi, nos pratos que comi, nos livros que li, filmes que assisti. Nos beijos que dei, nas risadas que dei e junto com quem, gargalhadas e nos choros também.

Penso que o tempo vai passando e vamos tendo cada vez mais claro e certo o que fato importa. Importa ter saúde antes de tudo.

Então, minha grande reflexão desse ano é viver um dia de cada vez, sem fazer planos para um futuro tão distante. VIVER sem radicalismos, um pouco da cigarra e um pouco da formiga.

Então, vamos em frente, de cara limpa e coração aberto para 2018.

PS.: Não ganhei na loteria…mas aprendi a lição do ano. E você qual foi sua lição desse ano?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).