… chegou o N, desceu do carro e foi falar com a gente. Ele estava uma gracinha de piratinha, uma calça branca e uma blusa amarela, tava demais!

Não sei quem falou que não precisava dar beijinho em mim e ele disse: –Eu to apaixonado por ela.

Eu sei que apaixonado é meio difícil, mas ele tava afim de mim, dando em cima.

Depois, outro dia, na terceira festa, disse que eu tava linda. Estávamos na frente da casa e N virou para o amigo dele e disse olhando para mim, que era por essa menina que eu tava apaixonado. Eu como sempre imbecil, fiquei quieta. Depois ele foi conversar comigo e me dar um piratinha que tinha na carteira, eu não aceitei, tava abobada. Não aconteceu nada porque eu sou uma idiota. A festa foi legal, mas poderia ter sido muito mais legal.

O N mexeu comigo, é gostoso a gente ficar afim de alguém, ainda mais quando essa pessoa tá afim da gente….

Férias de janeiro, na praia  – Gisa Luiza – 16 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Eu queria ser capaz de entender tudo

Aquilo que cabe nesse momento

Quanto mais tempo estudando o espaço, melhor

O fato é que sabia do percurso entre nós

Que São Paulo é bem mais perto que a tua ilha

Noções de espaço eu tenho

E o fuso, todavia, menos concreto que o tempo de vida

É só pular da janela para encurtar todo esse tempo, entre nós

Para diminuir a estrada, tentei te ligar

Não consegui

O interurbano não é caro.

A crise ta feia…

Além de não poder falar. Nem sentir. Nem tocar.

Fernando Farah – Belo Urbano, graduado em Direito e Antropologia. Advogado apaixonado por todas as artes!

Eu e ele

Eu sou lua e ele é terra

Eu gosto de sal e ele de açúcar

Eu sinto o frio e ele calor

Eu gosto de comer vegetais e ele de comer animais

Ele metódico, eu livre

Ele é touro e eu áries

Ele mais preocupado com finanças, eu menos….diria…bem menos

Eu emoção, ele razão

Eu riso solto e ele preso

Ele exatas e eu humanas

Eu verão, ele inverno

Eu praia e ele montanha

Eu bagunça e ele organização 

Desafiamos todas as probabilidade e expecativas, dos inimigos  claro,  de que não daria certo…

Aqui estamos! 41 anos juntos

Uma vida vivida em companhia do diferente

Desafio? 

Aceitação?

Tolerância? 

Não, amor. Pra mim, o verdadeiro. 

Prova de que Amar só se define com veracidade quando para isso temos que: somar, respeitar e aceitar. 

Sorte?

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 54 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “


Dizem que sou a deusa da beleza, pois tenho garra e firmeza!

Dizem que sou  musa inspiradora, pois também sou conquistadora e co-criadora!

Dizem que sou Rainha, porque tenho qualidades que são só minhas!

Meu nome é MULHER! Sou ousada e atrevida;

 me abro para as infinitas possibilidades. E trago à terra- Vida!

Gero em meu ventre a semente masculina que pode originar: João ou Valentina.

Uso minha criatividade para solucionar problemas ou criar maiores e melhores oportunidades!

Para alguns sou uma bruxa, para outros: fada!

Uns me pintam como santa, outros me chamam de safada.

E sou tudo isto e muito mais

Meu universo é pleno, ilimitado e revela que eu sou capaz!

Sou feita de Amor, Bravura, Coragem , Sagacidade, Ternura;

Força, Vontade, Criatividade e cumplicidade e  por que não também

Um pouco de loucura.

Meu nome é MULHER e não lhe dou permissão para fazer comigo o que bem quer.

Minha alma feminina lhe fascina!  Por que?

SOU DONA DA MINHA PRÓPRIA SINA!

Luciani Brazolim – Bela Urbana, Assistente Social, Contadora de Histórias – Pós graduada pela UNIVIDA, terapeuta de Barras de Access, Facelift, Reiki, MTVSS, com certificado Internacional. Ama a natureza, curte sua beleza e  vive na certeza de que cada ser que vive e respira na terra merece  apreço, respeito e consideração. Escritora por vocação /intuição e o que mais é possível?

De repente…

Tudo parou..

Parou o barulho das crianças e seus burburinhos.

Os beijos e os abraços…

As chegadas e as partidas. 

Tudo parou. 

Guardaram-se os planos e os sonhos. 

A Vida da escola congelou. 

Pararam as festas, a música alegre, a decoração. 

O colorido descoloriu.

A tinta secou.

A brincadeira foi embora com as crianças. 

Também foi embora a alegria.

Não há conte outra vez, nem o silencio do sono e o tilintar dos talheres na hora da refeição.

Tudo paralisou. 

De repente.

Tudo fechou. 

Fecharam as portas, os portões e os armários.

Materiais guardados, livros empoeirados e  parque desmontado. 

A balança parou. 

De repente…  

A balança não balança mais…

O telefone não toca.

A campainha ficou muda…

O movimento é só o das folhas e das árvores que insistem em se mostrar…

A escola parou…. 

Mas o *Coração* não parou. 

Continuou pulsando em cada peito.

Em cada criança e em cada educador.

Ele esta vivo em cada canto da escola.

Afinal ela é o CORAÇÃO. 

E por isso…

Continua a vida.

A espera do que virá. 

A espera de tudo, de volta outra vez…..

NO CORAÇÃO DE MARIA. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social,
” Coração de Maria“



A…  (m)…e (ntar) é um alimento…

Um toque sem armamento…

Um forte gesto sem argumentos.

No próximo (10/05) domingo é o

Dia das Mães.

Então: sem armamentos e argumentos vamos confiar no #ficaemcasa, para continuar a ter esse “necessário” alimento. Faz muita falta… Só sabe quem não tem… E principalmente quem a perdeu para o Covid-19.

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Caro mensageiro Covid 19 qual é a sua mensagem?
Sei que és apenas um mensageiro com a missão de me despertar.
Tu tens sacudido minhas estruturas e revirado a minha casa de pernas para o ar. No entanto, tal desconcerto me parece uma oportunidade ímpar para me reinventar.
Iniciaste em mim um árduo trabalho, como o da ostra quando é invadida pelo grão de areia. No entanto, tudo vale a pena, pois o processo, em seu final, resulta em uma linda pérola.
Me rendo aos teus ensinamentos caro mestre, pois sei que estás a trabalhar em mim, a melhor versão de mim mesma.
Assim como a tempestade passa e deixa como herança um lindo amanhecer; tu também passarás…
Estou ansiosa…. Será que terei o privilégio de ver também o arco-íris?
Espero que sim. Desejo enxergar a vida com a sua grandeza e diversidade.
Neste momento sinto o teu convite para que meu olhar se volte para a mãe Terra com suas necessidades. E também para a oportunidade maravilhosa de que, em meio a dor, possa encontrar um verdadeiro amigo.
Tu estás a oferecer mais uma chance de salvar toda a raça humana de seu desamor, e assim fazer o caminho de volta a fonte de amor que a originou.
Gosto muito da frase da escritora Gabriela Mistral que diz: Procurei Deus e não encontrei, procurei o próximo e nos encontramos os três.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Bela Urbana. Psicologa clinica. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o Mar.

No meio de uma pandemia, um adeus. Dolorido, chorado, de coração quebrado.

Minha Nina. Minha doce cachorrinha de quase 17 anos, uma idosa, um serzinho do bem, da paz, dorminhoca, já com dificuldade de se levantar, um pouco de falta de equilíbrio, um olho já com catarata. Um amor incondicional.  Humilde em seus pedidos . Companheira. Precisava de ajuda e de cuidados. Me ensinou tanto!  Deixou tanto em mim e levou grande parte do meu coração. 

Sou enfermeira aposentada, durante toda minha vida profissional trabalhei em hospital. Cuidando.  Ajudando.

O que não costumo comentar,  é que incontáveis vezes sofri, chorei escondido, orei em silêncio por aqueles que de mim precisavam.

Estudei quando não sabia,  corri atrás dos médicos para me ajudar nas soluções. Ensinei o quanto pude tudo que aprendi.

Mas havia conhecimento. Ações. 

Hoje não. Hoje penso nos meus colegas de profissão e rezo para que se faça a luz. 

Não há conhecimento suficiente para se enfrentar essa batalha com um mínimo de segurança na tomada de decisões.  

Angústia. Esse sentimento tão difícil fazendo parte de cada minuto no dia a dia dos profissionais da saúde.  Não há como não dizer: “Meu Deus!”

Respirar, aliviar, como? 

Há tantas “Ninas” todos os dias nos hospitais.  Devem existir tantos corações quebrados!  Mas com voz suave, riso esboçado e mãos carinhosas.

Meu Deus!  

Ruth Leekning – Bela Urbana, enfermeira alegremente aposentada, apaixonada por sons e sensações que dão paz e que ama cozinhar.  Acredita que amor e física quântica combinados são a resposta para a vida plena. Louca pela Nina  (na foto, já com 15 anos)

“O mundo vai girando cada vez mais veloz,
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós,
Um pouco mais de paciência”
Lenine

Vivemos na era da ansiedade crônica, tempos frenéticos, movimento acelerado, avalanche de informações e de ações.

Perdemos a barreira entre o profissional e o pessoal, entre horário de trabalho e horário de ócio, entre público e privado.

Perdemos a noção de que vivemos em um organismo vivo, com recursos limitados, que não comporta a satisfação dos desejos por consumo e experiências, que criamos a cada dia.

A Terra pede resguardo. Repouso. Pausa. Cura.

Estamos vivendo um momento ímpar. 2020 ficará para a história como o tempo em que a Terra parou. E nós, como habitantes desse tempo e espaço, o que faremos com essa pausa?

Tenho achado louvável e admirável os esforços de tantas pessoas e instituições, oferecendo atividades, propostas, cursos, livros, filmes, meditações, guias e dicas de como lidar com o “confinamento”. Se te ajudam, ótimo!

Mas me fica a impressão de uma nova avalanche, da continuidade da sensação de não estar dando conta de tantas coisas disponíveis, de estar aquém, por não conseguir acompanhar tudo.

“Dentro de nós existe um universo.
Fora de nós existe apenas um mundo” – Prashant Iyengar

Dentro de nós temos as respostas para as nossas angústias, medos, dúvidas e aflições.

O mundo que vemos fora é reflexo do mundo que cultivamos dentro. Nosso olhar determina a qualidade da nossa experiência.

Isso não é teoria, não é auto ajuda, mas precisamos experimentar por nós mesmos, para perceber sua validade.

O silêncio ensina, a pausa revigora, tempo de qualidade cura.

Que possamos aproveitar esse tempo para nos cuidarmos e cuidarmos uns dos outros.

Que tenhamos fé na potência criativa, viva em cada um de nós, para encontrar soluções para todas as adversidades que iremos enfrentar.

Que lembremos a todo momento que a realidade é co-construída por todos nós, que a natureza segue farta e abundante, nos permitindo re-criar formas mais saudáveis e felizes de ser e conviver.

Etienne Janiake – Bela Urbana, psicóloga, professora de Yoga e meditação, mãe, se encanta pelo florescimento humano e pelo cultivo de relações mais lúcidas e compassivas. Nas horas vagas adora dançar e desenhar mandalas.

Hoje eu acordei sentindo que tudo está diferente e ao mesmo tempo fazem quase três semanas que estamos na mesma situação, entocados em casa.
Enquanto estou fazendo meu café, escuto pessoas gritando na rua. Achei que era briga de casal, uma mulher e um homem. Curiosa, abri a janela para descobrir de onde estava vindo essa comoção toda. Em uma casa na minha rua, uma mulher jovem na janela gritava para um homem jovem na rua. Os dois expressando um amor eterno e a saudade apertando o coração. Eles moram no mesmo bairro mas já fazem semanas que não se abraçam e para poder matar um pouquinho dessa saudade ele resolveu declarar um poema de amor para sua namorada, sem se importar com quem pudesse ouvir. Quando ele terminou a rua toda bateu palmas e ele agradeceu como se fosse um ator terminando a cena final de uma apresentação no teatro, depois de mais algumas promessas de amor para sua amada na janela, ele foi para casa, ela ficou na janela até ele virar a esquina e sumir de vista. 

Todos voltaram a fazer o que estavam fazendo. Imaginei o quanto deve ser difícil para uma paixão nova ter que esperar para poder se abraçar de novo. Não sou jovenzinha mas me lembro muito bem como é.
Moro na Inglaterra há 15 anos e tenho família aqui, na Itália e no Brasil. 
Converso por WhatsApp com várias pessoas quase todos os dias. Estranho pensar que antes do Covid-19 eu não falava nem com metade dessas pessoas, família e amigos, nem mesmo uma vez por ano. E agora faço e recebo chamadas de pessoas queridas que estavam perdidas no meu passado. 
Uma grande preocupação é com a família na Itália, minha tia-avó de 94 anos, a última de uma geração na minha família materna que passou por situações muito piores do que a que estamos passando agora. Ela sobreviveu guerras, a rua onde ela morava foi destruída por bombas, perdeu amigos nesse dia, passou fome, frio e terror, mas não perdeu seu coração e nem a vontade de viver. Ontem conversamos e ela me disse que ficar em casa com a família não parece ser esse horror que os jovens estão dizendo ser. Ela está aproveitando esse tempo, onde os netos não tem escolha mas ficar em casa com ela. Eu me senti tão pequena e boba, mas ela abriu meus olhos. Como eu admiro essa mulher! 
Fico imaginando como vai ser quando isso acabar. Será que todas as pessoas que conheço vão estar aqui? Será que meu trabalho vai estar lá? Quando saio para uma caminhada curta pelo bairro e cruzamos caminho com alguém pela calçada eu notei que se são adultos ou jovens as pessoas te olham feio. Aquela sensação que você desagradou alguém simplesmente por ter se atrevido a levar a cachorro para um rolezinho no quarteirão. Agora se são idosos, eles te olham e sorriem e perguntam se está tudo bem.
Não posso prever o futuro, mas posso imaginar que não vai ser como antes. Abraços apertados só para quem vive na mesma casa que você. Aperto de mão vai sair de moda. Sorriso amarelo e espaço pessoal de dois metros será a norma. A não ser que você use transporte público, daí não tem jeito. 
Adaptar e continuar como se tudo que mudou impactou para o bem. 
Bom, não sei, mas espero estar aqui para descobrir. 

Ana Carolina Beresford – Bela Urbana, trabalha numa caridade que ajuda pessoas com deficiências físicas e mentais a locomoverem-se, sente muito orgulho do seu trabalho. Adora animais e viajar sempre que pode.