Oito meses…levantei para ir ao banheiro e senti a bolsa rompendo. Gelei…Tinha receio que
algo acontecesse, ainda me recuperava de um câncer. Medo de te perder, mas ao mesmo
tempo uma certeza absurda de te encontrar, pois nos meus sonhos você já estava lá.

Avisei a médica e segui para o hospital. Quando entrei, as pernas bambearam, me colocaram
numa maca e vi muito sangue escorrer. Um enfermeiro gritou: “ ruptura de placenta, cirurgia
de emergência!” Olhou para mim e ordenou: “fique de lado, não se mexa, por nada”.
Falei com você: “logo eu vou te ver, meu anjo”.

A médica chegou e avisou que você precisaria nascer chorando, isso demonstraria que os
pulmões estariam preservados. Dentro do meu interior me comuniquei com você e pedi:
“Grita, filha!”E você nasceu gritando.

E a partir daquele momento iniciei minha jornada como mãe canguru, por quarenta dias na uti
neonatal.

Ficávamos em silêncio, junto às outras mães e seus bebês na mesma situação, por doze horas
seguidas, ao som de músicas tranquilas que o hospital disponibilizava para nos relaxar.

Cada manhã, bem cedo, todas as mães já estavam a espera para se higienizar e iniciar a
jornada, mas cada atraso em nos chamar era motivo de angústia…pois sempre que um bebê
prematuro morria, demoravam para permitir a entrada. Nos fitávamos apreensivas, e uma dor
horrível, de gelar os ossos, quando uma mãe era chamada em particular. Ao mesmo tempo,
um alívio no peito, quando não era o nosso nome.

E assim seguimos…Até aquela música tocar, a nossa música, certeza que era nossa!
“Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar”( é isso aí, Seu Jorge).

Passei a cantar para você, todos os dias, até o instante em que te vi abrir os olhinhos pela
primeira vez, após 15 dias do seu nascimento. Nossa! Meu Deus, que emoção! Ver teus olhos
me fitando, me acalmando, me encantando.

Mais 25 dias de UTI, até o momento em que ouvi que podíamos ir para casa.

Ouvi isso no dia em que percebi que minhas forças tinham acabado, pois eu não suportava
mais dormir longe de você, queria dormir com você nos meus braços.

Íamos para casa…

Lembra o que eu te disse naquele dia?

“ Meu amor, nós vamos para casa. E essa história é nossa, uma história de duas mulheres
fortes e é uma honra estar ao teu lado”.

Siomara Carlson – Bela Urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

Todas as vezes que visito praia, entro no mar para me despedir e agradecer com muita emoção a dádiva de ter estado ali e vivido aqueles momentos, se eu passar um mês na praia eu faço esse ritual todos os dias ao ir embora, tenho medo de acontecer alguma coisa e eu ter deixado de agradecer e mais importante: de me despedir.
Quando eu morrer quero ser cremada e que joguem minhas cinzas no mar.

Eu me sinto em um paraíso quando tenho contato com o mar, qualquer tipo de incômodo que eu tenha eu trato de resolver rapidamente, a coceira que me dá o contato com a areia eu resolvo levando água da torneira em uma garrafa PET, quando vou a uma praia que tem chuveiro ou torneira eu adoro, me lavo e já estou pronta para passar mais algumas horas de felicidade olhando o mar, brincando na água com minhas filhas, tomando uma cerveja, deitada na areia, olhando o horizonte, cochilando ouvindo o barulho do mar, tirando fotos, catando conchinhas com a Luisa, sentindo aquela brisa gostosa, apreciando o nascer ou o pôr do sol, fazer uma caminhada em alguma trilha, inventando mil praias para visitar com meu marido,  visitar as pedras, conversar com as pessoas ao redor, aquelas conversas de férias, leves e divertidas, comer em um restaurante em frente ao mar, puro deleite, o estado supremo do prazer terreno para mim é estar no mar, vivenciá-lo em riqueza de detalhes.

Quando ficar mais velha quero morar perto do mar ou ao menos passar alguns meses perto dele.
Tenho um pensamento recorrente: será que eu amo o mar assim apenas porque não vou frequentemente? Será que se eu morasse em uma cidade de praia eu iria com frequência a praia? Será que perderia esse meu amor e entusiasmo pelo mar? Talvez algum dia eu tenha respostas para minhas perguntas, no momento, eu como uma romântica que gosta de dizer que não é romântica, fico no conforto e no encanto de suspirar pela próxima vez que vou pisar na areia e me encontrar com meu amado mar.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

A educação pragmática, em nossa atualidade, escolhe e define modelos estruturantes e hegemônicos de como devem ser os vencedores. Logo, aquele que não vencer se torna um perdedor. Ao vencedor são dados os estímulos, incentivos e premiações possíveis. A todo momento, meninos são educados para a conquista, para alcançar a vitória e o sucesso. Na trajetória de vida, os meninos são cobrados por uma performance cada vez mais massacrante. Massacrasse os sentimentos e a possibilidade de falhar. É imposto a impossibilidade de sentimentos ou emoções que possam formar lá na frente, uma personalidade para o carrinho, para o cuidado ou para o altruísmo. A educação infantil de meninos passa a ser um laboratório de homens que irão governar e liderar a sociedade com base nos resultados positivos. Mesmo que isso lhes custe dor, frustração ou traumas, as recompensas sociais, financeiras e sexuais irão cobrir este deserto. Meninos não são educados para expressar com liberdade seus sentimentos. A ideia de autonomia ou liberdade rompe as correntes do patriarcado. Mas esse mesmo menino, não saberia mais se libertar das correntes, pois como está muito acostumado a usar esta corrente, nem vislumbra a leveza da liberdade. Pelo contrário, a liberdade é estranha e tudo que é estranho causa medo. O medo se combate com agressividade. O medo é a base de toda e qualquer violência. Meninos são educados para esconder a possibilidade de sentir medo. Medo ao medo. Como resposta direta ao medo, para escondê-lo, se usa da agressividade. Um comportamento tipicamente masculinizado. A verdadeira educação para os meninos deveria ser feita dentro de um processo de libertação dos rótulos e padrões que associam força, virilidade e poder ao masculino. Na verdade, a educação de meninos deveria ser centrada na formação de um indivíduo pertencente a uma comunidade de múltiplas escolhas, de diferentes matizes e de uma diversidade cultural. É isto que representa a nossa humanidade. Esse valor humano está na nossa capacidade de aceitar as diferenças como uma evolução. O projeto patriarcal é solidificado na mesmidade. Tudo tem que ser o mesmo. Igual. Não há o campo da alteridade. O projeto patriarcal é totalitário porque afirma como referência de valor o absoluto, o eterno e o universal. A educação de meninos precisa compreender as várias formas da existência humana na atualidade. Em muitas escolas ainda temos um modelo medieval de educação. Um mestre e seus discípulos. Cada um hoje, pode compartilhar seus conhecimentos. Nesta era tecnológica, onde basta dizer, ei quantos presidentes governaram o Brasil, e já temos uma resposta, é necessário criar novos acessos para romper o isolamento social. Estes sim, são os espaços onde os lobos são formados. Lobos que não se juntam para a defesa. Mas para o ataque. Para responder com força e crueldade qualquer possibilidade de mudança. Agindo com violência mesmo isolados, mas tendo apoio e aplausos de outros lobos.

Uma educação voltada para os meninos e equidade de gênero, deveria ser desenvolvida por uma razão, não pelos instintos. Mas esta razão seria o cuidado com as emoções porque a espécie humana é obrigada a extrair de si mesma pouco a pouco, com suas próprias forças, todas as qualidades naturais que pertencem à humanidade. E eu acredito, que se é possível ensinar a ler e escrever, é possível também ensinar o respeito, o amor e a qualidade humana mais importante: a EMPATIA. Uma geração educa a outra. 

Sergio Barbosa – Belo Urbano. Professor de Filosofia. Co fundador da Campanha Laco Branco. Gestor de projetos voltados para homens autores de violência contra a mulher. Pai de três pessoas maravilhosas. Adora plantas e verde.

Há momentos em que, num compasso mais lento do meu caminhar, me pego olhando para os lados e a procura.

Eu procuro amor.

Amor nos olhos das pessoas.

Amor nos gestos, nos toques.

Amor nos abraços.

Amor nos sorrisos.

Me surpreendo ao querer ouvir o Amor nas palavras das pessoas.

Na delicadeza das palavras docemente escolhidas e pronunciadas.

O amor que nos faz e nos leva além. Nos dá segurança e suporte.

Nos permite criar raízes ao passo que nos mantém livres, nos transporta.

Há quem não acredite. Quem duvide.

Quanto a mim, sou movida por Amor.

Quero ser Amor por onde eu for.

E transbordar.

Amor.

Angela Oliveira – Bela Urbana, campinense de criação, Psicóloga, mãe de Angelina e Lavínia, uma curiosa em constante aprendizado, evolução, que arrisca algumas linhas para falar da vida, para falar de amor. Amante de leitura, música, boas conversas e café.

Foi no caixa do banco que o vi pela primeira vez. Eu bancária, ele cliente. Bem vestido, muito bonito e sorridente.

Sempre com elogios e brincadeiras. Eu apenas sorria mas desconfiava do assédio, até porque ele movimentava muito dinheiro e eu caixa de banco.

Um dia me deu um cheque para depósito e o preenchimento do valor era um convite para um chopp após o expediente. Fiquei muito surpresa e aceitei de pronto…

Poucos restaurantes próximos e ele escolheu o mais sofisticado e me levou para a parte de cima, mais reservada. Ali teve início uma torta história de amor.

Eram sempre almoços intermináveis ou happy hours, esquecíamos de tudo. Ele um cara culto, falando poesia, cantando bossa nova. Era pura diversão.

Dele sabia que morava no Rio e trabalhava em Niterói, sócio de uma Empresa de seguranca. Eu, morava com uma colega de trabalho e tinha uma vida bem animada. Todos os finais de semana ia pra Búzios onde alugava casa com amigos.

Os nossos encontros eram em motéis e eu não estava muito interessada em mudar nada.

Em um final de semana eu em Búzios, na praia, recebo sua visita inesperada. Sábado de manhã, ele de roupa social, sapatos em plena geriba me procurando, detalhe, não lhe dei endereçoo. Entendi como uma prova de paixão. Fomos pra casa, nos misturamos entre areia, sal, suor e tesão. Almoçamos e ele foi embora. Simples assim. Eu apaixonada, me sentindo especial.

O tempo foi mostrando o quanto era sedutor. Rosas, livros, discos. Me enchia de mimos e de paixão. Até que um dia ele me comunica que vivia uma história verdadeira e por força das circunstâncias, estava prestes a se casar. Sábado seguinte.

Me senti rejeitada, tola, ingênua. Passei o dia inteiro chorando. Ele se casou com namorada da vida toda, filha do dono da empresa. Ele manteria a sua posição social e seguia a vida.

Como pouco tínhamos, pouco ficou. Levei bastante tempo para me reerguer, mas tinha Búzios , era só agito, foi mais fácil seguir o caminho.

Estranhei quando se passaram um, dois, três meses e nunca mais o vi. A conta permanecia lá e eu achava que ele sempre iria entrar pela porta com aquele lindo sorriso que já tanto me fazia falta.

O reencontro se deu em uma rua próxima ao banco e veio junto um grande susto. Ele com o rosto deformado. Me contou que sofrera um grave acidente e ficara um mês em coma. E tinha mais uma novidade, iria ser papai. A vida seguiu, ele não fazia mais parte de mim.

Casei, tive filhos, me separei, casei de novo, filho de novo. Divórcio de novo. Agora sozinha vida reconstruída, bela casa em um lindo lugar um pouco distante do centro urbano. Em algum momento entrei no Facebook para acompanhar a vida da filha que se mudara para a Europa. E assim foi.

Em uma noite recebi uma solicitação de amizade e lá estava ele. JP, trinta anos depois. Morava na França e estava vindo ao Brasil em breve, queria me ver. Comecamos a trocar e-mails infinitos, divertidos. Toda noite era a hora de ficar no computador e esquecer da vida. Meus filhos desconfiaram dessa mudanca, mas ficaram felizes em me ver mantendo amizade com alguém, já que vivia exclusivamente para eles.

JP me chamava atenção para minha escrita, falou que eu escrevia bem e que deveria me empenhar nisso. Eu estava satisfeita, escrevia pra mim. Procurei saber mais de sua vida e soube que já se casara nove vezes, sim, nove vezes. Fazia doutorado na França, já morava há quase dez anos e se aposentara por invalidez após um acidente doméstico. Tinha pouco e vivia bem, diferente do menino rico que conheci.

Fomos nos contactando até o nosso possível encontro que se deu três meses após nosso primeiro contato. Veio a minha casa. Rosto envelhecido e ainda muito bonito. Chegou me chamou no portão e quando entrou eu fui rápido para abraçá-lo, ele estranho, frio, sem jeito não correspondeu. Essa atitude me colocou os pés no chão, era o que tinha.

Saímos para almocar na praia e retornamos a casa. Ali a seu lado não sabia mais quem ele era. Meus filhos tinham saído e ofereci que ficasse, tinha quarto sobrando. E assim foi. Eu realmente esperava uma explosão no reencontro: beijos calientes, transas saudosas. Nada disso. Estranho, foi dormir. Cada um no seu quarto e mais tarde ele bate a minha porta, diz não ter sono, se pode ficar. Puxou uma cadeira, colocou ao lado da cama e ficou fazendo carinho em meus cabelos e eu dormi.

Já não sabia mais quem ele era. Foi embora, disse que voltaria. Eu realmente achava que tinha algo a mais. Depois percebi que talvez estivesse velha na visão dele. Ele acabara de se separar de uma mulher da idade de minha filha. Era isso. Já não interessava mais.

Continuamos nos falando até uns dias antes do seu retorno a França. Eu Andava as voltas com crises de pânico, ansiedade que me assolavam em plena menopausa. Mesmo assim enfrentei ônibus, barca, ônibus de novo e fui ao Rio encontrá-lo.

Casa bonita, bela cozinha e ele fazendo um ótimo Jantar para me receber. Tarde da noite e a cena se repetiu; eu deitada no sofá, ele puxou uma cadeira e fez carinho nos meus cabelos. Dormimos lado a lado, eu com vontade de socar ele… o que era aquilo?

Pela manhã, outro cenário, nos deitamos lado a Lldo num quarto escritório e ali o seduzi. Foi intenso, inesquecivel enquanto era ali. Resolvi voltar pra casa, ele se ofereceu para me levar e ficou, um, dois, três dias. No terceiro dia eu me preparando para dormir pedi um beijo de boa noite, apaixonada que estava, meio carente. Ele se levantou, surtou, disse tinha feito tudo por mim e ia embora porque eu estava cobrando algo a ele.

Foi a minha hora de surtar. Ele havia comentado a respeito de sequelas do acidente. Tomava remédios, não bebia.
Eu presenciei o descompasso e aceitei. É isso. Vá, boa noite, boa viagem. Antes de ir ele me disse que não se via morando ali naquela casa, naquele lugar, com aquela vida. Talvez tivesse lido os meus pensamentos.

JP voltou e era o mesmo de trinta anos atrás, agora com sequelas. E a vida seguiu.

Viajei, conheci outros paises, morei em outros lugares, mas nunca perdemos contato. Numa dessas viagens, me chamou para conhecer Toulouse onde morava e passar uma semana com ele. Gostei do convite pois nada conhecia da França. Lá fui eu. Ele morava num quarto e sala num ótimo lugar. Foi me buscar no aeroporto e foi muito afetuoso. Preparou o jantar, comprou cerveja para mim, me deu seu quarto para dormir.

Passeamos bastante, me levou a lugares incriveis. Nossa relação agora era de amigos. Não mais romances. Em um desses passeios, na volta deixamos o carro longe e eu reclamei que iríamos andar muito. Ele surtou de novo, começou a falar alto dizendo que tinha me levado a ótimos lugares e eu só reclamava. Eu tentava entender aonde tinha errado e me desculpava o tempo todo. Me dei conta que estava pelas belas ruas de uma linda cidade francesa discutindo nem sabia por que. Estava triste. Nada entendi.

Quis ir embora na hora, faltavam dois dias ainda. Ele pegou a bike e seguiu caminho de casa, eu resolvi sentar em uma linda praça e olhar a vida. Nada me importava, ninguém iria tirar a minha paz. Ali fiquei, comprei uma cerveja sentei num banco e só. Pensei, tenho apenas a mala no apartamento. Na bolsa dinheiro e documentos, dane-se vou dormir em qualquer lugar.

Vinte minutos depois, volta ele de bike: – Senta aqui mulher. Não, obrigada. Vamos embora! Me esforçei para ser adulta, sentei na bike e fui. Voltei para o apartamento que tinha arrumado, cuidado para nós e dormi.

No dia seguinte resolvi andar sozinha pela cidade enfrentar o medo de não falar francês e consegui, comprar presente para a neta, trocar dinheiro, livre. Voltei para o apartamento e nada tinha acontecido. O meu louco, amado e velho amigo ali estava de camiseta velha e cueca velha, detalhe, comprei uma cueca nova e lhe dei de presente.

Dia seguinte me levou ao aeroporto nos despedimos em um forte abraço. Hoje falamos pouco, mas temos muito amor um pelo outro. Ele se tornou um velho príncipe solitário e eu continuo aquela menina do caixa do banco esperando receber outro convite em um cheque!

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

Ao entrar numa sala de aula o aluno/professor é apresentado a vários universos ao mesmo tempo, são histórias, vivências e experiências de vida que se cruzam entre si. No meio de tudo isso há a personalidade de cada indivíduo que é expressa no comportamento dentro daquela coletividade.

Quando comecei a dar aula eu já conhecia “As cinco linguagens do amor” descritas pelo autor Gary Chapman. Comecei a observar o jeito de cada aluno e como ele demonstrava amor e também se sentia amado.

De acordo com o autor as cinco linguagens do amor são: Palavras de afirmação; Tempo de qualidade; Presente; Toque físico e Atos de serviço. Todos nós temos um pouco de cada linguagem, mas sempre tem a linguagem que se destaca, é aquela que está mais presente na nossa comunicação.

Minha linguagem de amor que fala mais alto é “presente” e eu preciso descrever como reflito sobre minha linguagem de amor em sala de aula. Eu expresso amor dando presente, por isso eu presenteava os alunos aniversariantes com um mimo, era algo simples e padronizado, como uma borracha colorida ou um lápis mais descolado. Essa era minha maneira de dizer “você é importante pra mim”.

Quando eu tinha uns 5 anos de idade e era aluna do período pré-escolar, eu levava flores que pegava no caminho e dava para a professora como se fosse a maior declaração de amor.

Sinto-me amada quando ganho um presente e durante a jornada de docente eu fui muito presenteada, ganhei vários mimos, como bilhetes/desenhos/canecas/livros. Cada mimo diz para mim até hoje que sou amada.

Em 2014 eu ganhei uma joia! Naquela época eu era professora de uma escola da periferia na zona sul de São Paulo. A minha joia foi recortada de uma revista e eu fui presenteada porque ao ganhar o aluno me disse que se ele tivesse dinheiro de verdade ele me daria uma joia de verdade. Eu agradeci e me emocionei porque a maior verdade para mim foi sentir o carinho daquele gesto, pois aquele aluno me comunicou seu amor da forma mais verdadeira.

Miriam Camelo de Assis – Bela Urbana, alguém sendo constantemente reformada pelas palavras. Formada em administração e letras. É professora de língua portuguesa por profissão e paixão. Ama artesanato e uma boa conversa.

As vezes parto dos jardins de Rosa, minha bisavó de vó e mãe, e de um amor que a gente hoje teima em ver apenas em livro bom… Ela, em sua forçosa pena de freira, cumpria a tradição sem vocação, vendo o mundo revezar da janela do convento. Mas era feita de flor e força, e reagiu no dia em que lhe brotou o amor, quando o velho jardineiro de sempre deu ao sobrinho, jardineiro de nunca, a missão de “educar” os jardins… E através da moldura de pedra, a Rosa viva e o jovem jardineiro substituto viram nascer o amor à primeira vista, e vencer a deserdação, as incertezas e o próprio tempo. Vó Delfina nasceu dessa luta… Gosto muito dessa parte do caminho que chega até aqui… Orgulho-me dessa coragem, sorrindo ao imaginar que um pouco dela ainda corre, quase nada diluída, nas minhas veias de admiração pela minha avó e por minha mãe.

As vezes tropeço na fila de pretendentes de meu bisavô de vô e mãe, no tempo em que se ia aos tabloides do Porto atrás de nova chance de matrimônio. Mas que tipo de amor pode nascer daí? – você se pergunta… O mais puro de toda a minha certeza. Na fileira de candidatas a bisavó, minha futura avó Delfina, única e ímpar, tentava a sorte. Muitas vidas a levaram até ali, algumas que os segredos já não contam mais, mas que muitos fados saberiam cantar em sua própria voz (e como eu gostaria de ouvir!). Esperava sua vez… Na outra ponta do acaso, um dos filhos de meu bisavô Cardoso resolveu ser mais. Pugilista desconstruído à mágoas, basquetebolista de rala-coco, nadador d’ouro e ourives de prata, jamais soube que era a minha pessoa favorita nesse mundo, mas encontrou ali, naquela fila de mãe postiça, a dona de seu coração e do que mais pudesse querer. Seu Cardoso, como o tempo tratou de cunhar, foi de Dona Delfina até o fim. E eu sempre acho esse um começo muito lindo de compartilhar. Portugal ficou no mar quando veio o Brasil, e o amor absolvido deu alguns filhos incontestáveis. E há, ainda, nessas vírgulas de conto de fadas, um bocado de começos e amores viscerais…

As vezes entro um pouco mais à frente no tempo, quando “o sol” ainda era rua e mãe do último, primeiro e eterno Milheiro brasileiro. Reza a lenda que ela, “o sol” da rua do sol, irmã de meu avô de mãe, e mãe de meu Dindinho-vô, era a personificação da beleza. E entra aqui, nesse outro começo, como primeira musa do meu belo Dindinho, sopro de amor em seu lar de tantas privações. Cresceu (ele) fugindo da fome nas macieiras dos vizinhos, onde também se escondia da falta de amor de seu pai. Aprendeu a machucar, mas o que soube mesmo fazer, desse esconderijo em diante, foi ensinar o valor da luta e do cuidar. A falta de comida e de amor o levou a ter sempre maçãs em casa, e a amar demais… E como amou!.. A segunda musa, essa proibida, já apareceu em outro começo.. Em outra de suas escapadas do pai, encontrou no lar de seu tio (meu avô Cardoso, irmão de sua mãe), refúgio, sem imaginar que acharia mais do que procurava. A terceira paixão da família irrompe aí.. Avassaladora, instintiva, recíproca, desenfreada, incontrolável, corroendo limites, diluindo diferenças de idade, e acontecendo à flor da pele em outros novos esconderijos. Uma Tia, que é também minha avó Delfina, e seu sobrinho, meu Dindinho também, impulsionados a amantes de uma forma que eu jamais conseguiria julgar. Nem preciso. Primeiro nos segredos de Portugal.. E depois, ante a saudade de alguns poucos anos de afastados, veio ao Brasil ter com seus tios, o sobrinho que era mais.. Minha mãe nasce por aí, nesses tempos de glória e mais luta, para ser mais uma de suas musas descendentes, e meus tios, poucos anos depois, completam o ninho. No mesmo lar uma mãe, dois pais, dois tios, filhos, primos e irmãos, e um segredo que jamais poderia superar o amor. Não superou.

As vezes acabo começando pelo fim, que é também começo, quando eu já estava aqui de prova, de feto e de fato, de afeto e artefato, neto de meus avós de mãe, e crescendo nessa deliciosa família sem par. E eu fui neto mesmo de verdade, até quando de mentira, indo pra lá e pra cá entre Santa Teresa e Ipanema, céu e céu, entre amores e elos que nenhuma desconfiança poderia alcançar. Me esbaldei! Até meus 16 anos foi desse jeito: o vô era o Cardoso, e eu tinha algo que ninguém mais tinha – um Dindinho que era tipo segundo vô. Aí o primeiro se foi, e o segundo virou primeiro, até que deixou de ser, também, depois, nesse balé de cuca-maluca. O teste pra desenrolar terminou de confundir, e a verdade da vez é que minha mãe não é mais filha do Dindinho de novo, que é pai dos meus tios realmente, que não são filhos do Cardoso por enquanto, que pode ser o pai da minha mãe com certeza.. E é, também, meu avô, novamente, e pai, também, dos meus tios, sem duvida, e avô dos meus primos além, e eternas saudades enfim, enquanto o Dindinho, que então se apaga, foi e é, também, tudo isso, e muito isso, e muito mais, e de novo, e em dobro, e pra sempre, sempre. Foi mesmo filho do sol.. E hoje somos todos saudades raiadas.

O fato é que nunca sei mesmo onde tudo começa na história da gente, mas me aplaca pensar que posso ir por aí, por qualquer desses muitos começos, que terei sempre um grande amor pra contar e explicar a nossa familia. Nasceu e cresceu em amores reais, que de tão ternos e eternos, seguem vivos na gente, entre a gente e da gente, com cada um que partiu sendo, pra sempre, parte de nós. A missão agora é seguir, começando, todo dia de novo, e juntos.

Obrigado por tudo, Dindinho-vô.

Bernardo Fernandes – Belo Urbano. Um gêmio canceriano, e um ingênuo de 35 anos, nesse contínuo processo insano de se descobrir. Achou na Comunicação uma paixão e uma labuta, e vive nessa luta de existir além do resistir, fazendo diferente e diferença… Ser feliz de propósito, sabe? Sem se distrair desse propósito. E vai assim, escrevendo o que a alma escolhe dizer, tocando o que a viola resolve contar, fazendo festas com cachorros e amigos perdidos, e brincando de volei, de pique, e de ser feliz na aventura da sua viagem. Vai uma carona?

Provavelmente não existo mais em seus pensamentos, não importa, quanto a mim:
ainda penso em você.

Na cerveja, na saudade daquele olhar cheio de enigmas que busco encontrar, no
sorriso furtivo que me recordo em todos os detalhes.

No jeito tímido, nas piadas bobas.

Sei, é adolescente, chega a ser ridículo, mas: ainda penso em você.

Na promessa velada do tudo que nunca chegou a ser, do universo paralelo que
tínhamos ou não, era tudo mentira? Era intenso para você como era para mim? Não
sei. No vínculo permeado de silêncio que nos olhos abrigavam um todo, um mundo, a
beleza daqueles momentos fortuitos. A poeira do tempo guardou tudo em segredo.

Sei que ainda penso em você. Em dias quietos e contemplativos, nas sextas-feiras,
ainda penso em você. Saudades infinitas, doloridas, daquelas que apertam o peito.

Ainda penso em você e dói, mas também é bom pois sei que assim de alguma
maneira você mora em mim.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

 Para chegar lá, preciso situar um pouco a história.

 Sou filha de imigrantes portugueses e credito a isso, o meu pé fora de casa, da cidade, do país, nômade que continuo sendo.

 Assim criei os meus para que voassem tão logo pudessem.

 E eles foram saindo aos poucos, os três.

Quando ainda éramos os quatro, depois de casamentos desfeitos, ficamos fora apenas três anos.

Por fim, aluguei a casa e fui atrás de um deles, a filha do meio que se mudou pra Londres, fiquei pouco menos de um mês e senti o gosto da liberdade, num país estranho, outra língua, outra cultura. Pensava em voltar rápido, o problema era o meu inglês quase inexistente. Então a volta foi direto para uma aula particular de inglês e reaprender aquela língua já esquecida com o tempo. A coragem e a determinação eram bem maiores que esse pequeno obstáculo.

Agora a cena era, dois anos depois, a filha casada. Dinheiro juntado para alugar um quarto. Lembro bem da sensação ao chegar a cidade próxima a Londres e falar pra mim, é aqui que quero morar.

Uma semana era o meu prazo para estar junto a filha e arranjar um quarto para passar os próximos três meses, a esperança era conseguir trabalho que me mantivesse por mais tempo. Nunca deixo de sonhar.

Tudo muito caro e com a ajuda da filha, negociamos um quarto mínimo numa casa onde moravam dois Albanezes e uma Jamaicana com um filho de três anos.

Me esperavam, uma cama de solteiro com um colchão afundando, uma cômoda e uma cadeira. O quarto era colado ao banheiro que servia a todos. Sem problemas, na casa os banhos eram semanais para minha alegria, porque duravam horas, eu no meu tradicional banho diário feliz. Os quartos em cima, cozinha e sala vazia embaixo. Choquei. O dono era um Nigeriano que alugava a casa. E realugava os quartos, disse que ia trazer uma mesa e umas cadeiras. Nunca vi.

A cidade ficava duas paradas de trem da cidade da filha, o local era mais bonito que o da filha. A proposta era caminhar cedo, banho, trem para a casa da filha. Arrumar, fazer comida e quando ela voltasse, dar um oi e partir para casa dormir. Final de semana era pegar o trem e em vinte minutos estar no centro de Londres, andar a toa nas feiras, comer nas barracas, viver. Estava feliz. É preciso muito desprendimento e determinação para pisar nesse caminho, mas essa era eu, sou eu.

Assim que fui apresentada aos outros moradores da casa, um homem me chamou atenção nos seus 1.90m boa aparência. Dividia o quarto com o sobrinho de vinte e poucos anos. Expliquei que falava pouco inglês e estava estudando. Eles falavam um inglês sofrível e Albanes, que eu nunca iria aprender.

Na primeira manha após a mudança, eu na janela da cozinha, vi o Albanez velho de nome Fred, passar e fixar seu olhar nos meu. Nós mulheres, sabemos identificar olhares e esse foi bem significativo. Mas estranhei um pouco já que ele aparentava uns cinco anos mais novo que eu. Eu chegando na casa dos 60, cabelos naturalmente brancos e ele com seus 54 talvez. Hora, hora, hora, me senti uma gata….

Vida seguindo, num bom domingo, pós passeios, almoço e a volta pra casa. Ninguém na casa. Desci pra sala vazia, coloquei música no ipad e sentei no chão. Tinha um jardim abandonado por trás de belas portas de vidro me dando a sensação de amplidão após a saída do minúsculo quarto. Claro que já me imaginava limpando e cuidando daquele lugar acabado para pelo menos ter para onde olhar.

Ali sentei e me esqueci. Eis que surge o Fred com roupas nos braços e percebi no canto da sala um varal de pé onde ele foi calmamente pendurando as roupas. Do jeito estava, do jeito fiquei. Ele usava uma bermuda azul clara e uma camiseta branca suja. Iria vê-lo nesses trajes, todo tempo que passei ali.

Se aproximou, dei um leve sorriso e ele me perguntou de onde eu vinha e fui contando um pouco do que sabia me expressar em inglês. Por fim, resolvi mostrar fotos dos filhos e da praia de onde eu vinha. Senti que ele se aproximou demais, mais do que eu gostaria. Ao fundo um sambinha e ele me pega pelos bracos todo desajeitado, me chamando pra dancar….oi…..

Aonde foi que eu atropelei o enredo…

No no no just a moment…..sorry …..e por ai vai…

Nessa hora do chega pra lá e chega pra cá, senti o cheiro azedo de suor e pouco banho de sua camiseta branca suja. Bateu feio.

Subiu,  eu continuei ouvindo música, sentada no chão e tola, me dando conta que já tinha construído um castelo e colocado o Albanes num cercadinho. Qual nada, tolinha…

E segue o caminho. Rotina, trem, compras, lojas de caridade, descobertas no lugar, aprendizados. Pouco via o cheiroso, mas notei que nossas rotinas eram parecidas, ele saia muito cedo pra trabalhar, eu pra caminhar, mesmo no inverno, 3 graus e eu lá. Não conseguia parar. No retorno a casa por volta das seis horas da tarde, já o encontrava no seu shortinho azul preparando o jantar na pequena cozinha.

Cruzamos várias vezes a escada dias após aquele domingo e ele sequer me comprimentava. Não entendi nada. Mais uma semana e mais um domingo, só ele e eu na casa. Ele entrou na sala, eu no lugar escolhido, no meu pouco inglês, resolvi perguntar porque ele não me comprimentava. Não respondeu, envolvido numa mudança interminável para o andar de cima.

Nesse dia eu tinha almoçado com minha filha e genro e tomado umas duas taças de vinho, suficiente para me animar e aturar a camiseta suja e resolvi oferecer ajuda, até hoje duvido de tamanha estupidez. Um armário numa escada em caracol, essa a insanidade. Devo isso ao teor alcoólico. Por fim, armário no corredor, e ele veio buscar outras coisas, nos esbarramos nos últimos degraus da escada estreita. SUFICIENTE. Ai foi cena piegas de filme americano, tiramos as roupas e saímos derrubando tudo. O cenário foi minha cama molenga, tudo rápido, suado, fedido e muito doido. Contando com o detalhe do rapaz ser bem bem dotado para meu desespero e eu na seca há tempos, literalmente vi estrelas…

Durou, dois minutos ou menos. Sorte minha o banheiro colado ao quarto e eu banho imediato.

Banho tomado, quarto trancado e a realidade bateu forte porque o álcool já tinha saído do sangue. Que merda é essa?! Acabei de chegar, vou embora em dois meses, esse Albanez ou vai me matar transando ou vai me matar, matando.

Aos poucos fui sabendo que morava há dez anos em Londres era motorista de ônibus.

Nunca casou, suficiente para mim. Claro que eu já achava que ia ficar ali e viver um romance, carinho, fazer comida, lavar a roupa, bem necessário, passear sair pra beber, tudo o que a gente vive sonhando. Mas não foi bem por aí, o cara era estranho e estranho ficou. Depois desse atropelamento inicial na escada o cara voltou a não me cumprimentar aí fiquei muito puta e resolvi nem olhar para a cara dele e evitar passar por ele. Mas ele era MAIS esquisito ainda e esperava eu sair do quarto e ficava me olhando. Claro que eu achei que ele ia me matar.

Ele era meio responsável por coisas da casa e a praga do roteador caquético dava ruim volta e meia e claro que a Lady aqui, tinha que pedir ajuda do estranho. Numa dessas ajudas foi o aquecedor do quarto, ele entrou, porta aberta, mexeu, tenho certeza que não fez nada, fingiu. Frio ,gelado. Lá fui eu bater na porta do quarto dele e pedir ajuda de novo, aí ele consertou de verdade. Só que a proximidade da cama nos tirou qualquer dúvida e lá fomos nós para mais um round, claro que eu perdia sempre, nenhum beijo, nenhum nada, só põe tira e tchau. Porra caí de novo, mas já estava até gostando da histórinha na minha cabeça. Odiava, queria matar, depois ria e fugia dele. Num outro domingo, era único dia de folga dele,  não o vi em momento algum, saí voltei, fiz a vida e fui dormir, lá pelas tantas escuto batidas na porta, acordei assustada e abri devagar e aquele 1m90 de um homem bêbado veio caindo por cima de mim. Imagina o esforço que fiz para colocar esse idiota sentado na cama e tentar expulsá-lo do quarto…. out out out, tanto gritei empurrei que coloquei o idiota para fora .

Pensava comigo FUDEU, dois meses ainda aqui com esse encosto. Claro que continuou tudo como antes. Perdi aos poucos ILUSÕES e o pouco tesão. Resolvi ir vivendo, realmente não consegui trabalho e comecei a preparar a saída. Mas resolvi dar uma sacaneada no Abanês. Malas prontas, viajaria na manhã seguinte. Desci e fui à cozinha e resolvi chamá-lo para me despedir, ele subiu ao quarto. Fred I’m going to Brazil tomorrow Morning. What… ele achando que aquilo era tudo. Claro que demos a última péssima rápida suada  e eu senti um gostinho bom de Vai se Fuder Fred…

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

 

Sendo a linguagem a capacidade de comunicarmos nossos estados emocionais e a maneira como percebemos e vivenciamos a realidade, quando mencionamos a questão da linguagem do amor estamos nos referindo a forma como o casal se interage entre si, lembrando que tal linguagem não se restringe somente a questão dos relacionamentos afetivos eróticos.

Tal proposta encontra-se no belo livro As cinco linguagens do Amor, de Gary Chapman. Nele encontramos descrito as cinco linguagens que são: palavras de afirmação, formas de servir, qualidade do tempo, toque físico, dar presentes.

No tocante a linguagem palavras de afirmação, temos uma forma de comunicação onde o amado profere não somente palavras e frases concernentes a aparencia física da pessoa, como também, principalmente a algo que ela faz, reforçando e ajundando-a a se perceber no seu funcionamento. “Voce esta de parabéns pela maneira como lidou com esta situação, tenho muito orgulho de Ti”, por exemplo.

Na linguagem que se caracteriza como modo de servir, estamos no terrritório do fazer, propriamente dito, como por exemplo, arrumar algo na casa, no sentido do conserto, lavar uma louça, dentre outros afazares.

No modo dar presente, como o termo sugere, não se limita a questão do valor, mas sim da postura que denota um se lembrar da pessoa e presenteá-la, expressando sua ternura e afeto.

No tocante ao toque físico, estamos perante a alguém que se sente amada e valorizada com beijos, abraços, que se sente acolhida quando caminham de mãos juntas, por exemplo.

Quando mencionamos sobre qualidade do tempo, estamos diante de alguém que prima pela qualidade em que se passa com o companheiro/a quando estão juntos, prestando atenção no movimento do parceiro/a como subsídio ao diálogo.

Assim, conhecer a linguagem do Amor, que se da pelo autoconhecimento e pelo conhecimento do outro, na vivência e no diálogo, não somente facilita a interação, como também propicia o surgimento de novas experiências, mais gratificantes e enriquecedoras.

Quando a pessoa não se percebe na sua linguagem e por extensão a linguagem do companheiro, a maneira como manifesta a sua queixa, pode ser indicativo do que lhe apraz.

Isto fica evidente quando o companheiro/a queixa-se da falta de amor do parceiro/a quando este lhe da presentes ao invés de lhe abraçar e beijar como desejaria.

Em suma, ter conhecimento das cinco linguagens e exercitá-las, além da que lhe é predominante, não somente facilita as relações, como também fortalece a pessoa internamente ao deixá-la mais flexível.

José Eduardo Bertazzoli – Belo Urbano. Psicólogo Clínico, especialista em Dependência Química e Psicopatologia, atualmente trabalhando no Centro de Atenção Psicossocial, CAPS Álcool e Droga Reviver, do Serviço de Saúde Mental Dr. Cândido Ferreira. Amante de leitura, mitologia, poesia e esporte.. acredita na realização do potencial humano.