Como não falar sobre ontem?

Preciso falar. Falar sobre pessoas, ansiedade, humanidade, medo, morte, religião, sobre dezembro.

Talvez desta vez não saiba ao certo por onde começar, sei que penso em tudo junto e que as lágrimas não param de escorrer.

Ontem aconteceu essa tragédia na Catedral na cidade de Campinas, minha cidade. Eu questiono, você deve questionar também: Por quê?

Sem resposta, só podemos nos colocar no lugar das pessoas e sentir o medo e a dor que sentiram e que seus familiares sentem agora.  Dor que devia existir nesse homem que causou tudo. Dor na família dele agora e talvez até antes, porque talvez as pessoas deem sinais de que as coisas não andam bem, mas até que ponto esse não tudo bem é tão ruim assim?

Quanto mais penso, penso que as pessoas, muitas mesmo, estão enlouquecendo lentamente.  A ansiedade e a depressão são irmãs gêmeas, vivem grudadas. Primeiro vem a ansiedade e depois quando ela fica por um certo tempo, vem a depressão.

Dias desses, eu estava refletindo sobre dezembro e como esse mês me deixa ansiosa, me dei conta disso.  Tenho vontade de fazer tantas coisas, programas natalinos e nunca consigo. Faz anos que nunca consigo, acho que nunca consegui da forma que tenho em mente e que considero o ideal. Talvez seja porque o mês é tão corrido e sempre surgem trabalhos urgentes, que não sobra tempo para dar um tempo.

O tempo de apreciar coisas que só temos nessa época, como os corais natalinos, visitar a casa do Papai Noel com as crianças, estar com os amigos sem pressa e a obrigação de estar por ter que confraternizar o ano, viver mais o amor com calma no dia a dia etc. Falta tempo para fazer com calma as compras natalinas, sempre me vejo comprando os presentes na última hora, no stress, preocupada para não esquecer ninguém, sem relaxar e curtir esse momento.

O fato de ser o último mês do ano, automaticamente nos faz fazer um balanço do ano e da vida, e quanto mais velhos vamos ficando, mais esses balanços nos balançam, para cima e para baixo, mas alguns não aguentam e adoecem.

Esse ano, colocou os instintos mais baixos para fora do armário. Não vou discutir politica, mas as eleições foram o estopim para isso, quem passou e soube dialogar, passou brilhantemente essa etapa. Sinto uma tristeza de ter visto tantas pessoas tão intolerantes, tão cheias da verdade absoluta e querendo impor de forma tão radical seu ponto de vista. Ignorância que não leva nada de bom para lugar nenhum. Diálogo é o caminho. Diálogo quando as pessoas tem um objetivo em comum, mas muitos não perceberam isso e infelizmente se fecharam, excluindo, deletando, bloqueando.

Vejo um sociedade doente, que está contaminando todos. Precisamos de ajuda e precisamos ajudar. Precisa existir essa troca e isso é amor. O amor precisa sobressair e sair com força dos armários.

Não importa a religião, importa estender a mão, importa o abraço, o beijo, o carinho.

As vezes o grito de socorro não sai da garganta, as vezes o sorriso disfarça a dor. Difícil perceber o outro se estamos todos correndo. Difícil perceber o outro na sua tristeza, ansiedade, depressão e até na perda da sanidade mental.

Podemos ser melhores, podemos ser AMOR.

 

“Paz na terra e aos Homens”.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

 

 

 

 

 

Toda vez que essa palavra vem à tona a maioria das pessoas pensa em uma pessoa vazia, sem expressão, deitada na cama. Não que não seja assim. É, também.

Há dias que o cansaço consome de uma maneira tão cruel que levantar da cama para escovar os dentes é uma batalha contra você mesmo. O Brasil é o quinto país com mais pessoas depressivas no mundo.

Todo dia esbarramos em alguém que sofre dessa tristeza profunda, medo, angústia e ansiedade. E o mais assustador é que normalmente todos esses sentimentos aparecem camuflados.

As pessoas riem, abraçam, tiram selfie e no primeiro momento de solidão se sentem vazias, a vontade de chorar sem saber o porquê é inevitável.

Aquela vontade de comer descontroladamente e logo depois o sentimento de culpa por estar engordando demais. Em seguida a falta de paciência.

Não há vontade de explicar, não há vontade de fazer ninguém entender.

A depressão está tão presente em sua vida que acham impossível ninguém notar.

Gritam por socorro em silêncio. Eles não querem sermão do tipo que “Você só esta assim porque não vai na igreja”, “Se procurasse um serviço ou um curso ia ocupar a mente”, “Depressão não é doença”.

Gente por favor, parem!

Todos os dias alguém acorda com uma vontade imensa de tirar a própria vida a fim de não sentir mais dor. Por vezes até as palavras clichês enfatizam ainda mais a dor “Boa Sorte”, “Uma hora vai dar certo”, “Acredita que você consegue”.

Parece frases de apoio e são, porém para um depressivo soam como uma facada no peito, uma sensação de que a felicidade depende só dele, a sensação de estar sozinho e para trás. Só fazem causar dor.

Por favor peço que não desistam de alguém que tem sido rude nos últimos tempos, alguém que está sem paciência, alguém que sofre de ansiedade. Não é frescura. Depressão é o último estágio de dor humana.

Sejamos mais maleáveis na hora de lidar com outro que sofre em silêncio e usa o sorriso como escudo mas está pensando em suicídio.

Ame, mime, cuide. Sem esperar retorno. Salve uma vida hoje com uma visita surpresa, uma comidinha preferida, um livro de superação, uma carta, um abraço longo, um carinho.

Estamos rodeados de pessoas adoecidas pela tristeza esbanjando alegria. Paciência e fraternidade com aqueles que estão chorando e sorrindo sentados na beira do precipício.

Analgésicos não aliviam a dor da alma.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Conter a intensidade pode causar danos físicos e psicológicos.

Pode ser tão difícil quanto resolver uma fórmula matemática.

É não viver nas extremidades.

É espremer o coração levemente para não despedaçar e sangrar.

Cris Saad – Bela Urbana, professora universitária, publicitária, fã do vento, da lua e do acaso. Apaixonada por música e dança, enfim apaixonada pela liberdade, pela loucura do movimento e o gozo do encontro.

Olá consulentes.

Outro dia uma consulente me perguntou o que devia fazer com seu cabelo. Ela queria cortar, mudar, dizia que não aguentava mais, mas no dia que decidiu cortar, se olhou e achou seu cabelo lindo e por dias seguidos o cabelo reviveu, estava bonito, mas a vontade ainda batia no seu coração e ela não sabia o que fazer, porque gostava do que estava vendo.

Cara consulente isso parece simples, mas não é, e vou explicar o porquê. Tudo que está prestes a “deixar de ser” percebe e como um último suspiro junta todas suas forças e se revigora, o cabelo e qualquer coisa que tenha vida. Existe relatos de pessoas que estão terminais e dão uma melhora incrível como se estivessem curadas, mas em pouco tempo se vão, vamos dizer que é o último suspiro. Essa melhora é inconsciente para nossa consciência atual, mas ela existe, é uma conexão entre nossas mentes e na verdade entre tudo que está vivo. Esse vivo pode ser nós mesmos divididos em partes, como no caso aqui, o cabelo.

Deu para entender?

Esquece a ansiedade, esquece as modas, esquece os outros, esquece o tempo. Pensa se gosta do que vê no espelho. Perceba o que sente nesse dia. Então, se o cabelo acordar bonito, segue com ele, senão passa a tesoura, ou melhor, deixe alguém passar  e alguém que passe bem, afinal, a mudança sempre deve ser para melhor, esse é o foco.

Ah, se não ficar bom? Muda de novo.

Então o conselho de hoje  é UM DIA DE CADA VEZ, mas sempre com suspiros.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

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“É de conhecimento comum que em 1970 mudou-se para o Brasil uma família, vinda de um país distante, ao norte do mundo, a Finlândia.”

O primogênito da família, cruzar a linha do Equador contava 17 anos.

Mas voltemos mais um pouco no tempo para o final da década de 50.

Considerado hiperativo por alguns, o comportamento do menino foi extremamente mal compreendido.

Ainda no berço, embora não permanecesse nele por muito tempo, conseguia montar e desmontar qualquer item ao seu alcance, incluindo o berço. Nenhum quebra-cabeça era difícil para ele e um cubo de Rubik (cubo mágico) era resolvido antes de você conseguir dizer “oi”. Detestava limites e entendia o funcionamento de qualquer mecanismo, o que lhe facilitava a fuga.

Objetos que, por ventura, passassem por ele, eram imediatamente dissecados e em seguida remontados com uma tecnologia mais avançada. Disso resultava que um carrinho de brinquedo, aparentemente despedaçado poderia ser apenas o estágio inicial de uma câmera fotográfica digital e de um rádio desmontado surgia o protótipo do forno microondas.

Só dava descanso aos pais enquanto dormia. Isso acontecia umas duas horas por noite e nunca de dia… Afinal, se há tanto para descobrir, por que perder tempo?

Um pouco mais tarde, na década de 70, seu quarto foi por ele transformado em laboratório fotográfico e o porão da casa em boate com som de alta tecnologia.

Autodidata, em tenra idade já falava fluentemente pelo menos três línguas e, além de escrever manuais de eletrônica, montou uma estação de rádio-transmissão capaz de alcançar as mais longínquas regiões do mundo. Também sabia explicar toda a lei de Murphy, pela ótica da física, ou seja, o motivo pelo qual a fatia de pão sempre cai com a manteiga para baixo.

Apesar dessa genialidade a família sentiu a necessidade de um ensino formal. De modo que ele, com toda a paciência que não lhe foi dada, precisava prestar atenção em horas e horas de aulas… Enfim, formou-se…

A nova geração de crianças da família puxou da geração que a antecedeu a genialidade, força e determinação, a capacidade de se interessar pelo funcionamento de objetos (como agulhas de toca-discos e outros artigos com mecanismo), mesmo que isso custasse a vida do objeto em questão e claro, foram também mal compreendidos. É pena que ainda se confunda curiosidade com bisbilhotice e busca de conhecimento com hiperatividade, traquinagem e teimosia.

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Synnöve Dahlström Hilkner Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

 

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esperando Godô
espero no sofá
espero sentada
espero de chinelos
espero ouvindo o Gil
espero ao lado do telefone
de pijama
escrevendo
espero sonhando
espero com preguiça.

esperando Godô
olho o relógio sem ponteiros
e vejo as horas no digital.

esperando Godô,
meu coração bate mais rápido
bate mais forte
reparo nos enfeites da sala
nos desenhos dos quadros
nos óculos na mesa
e na minha vontade
de telefonar
só pra parar de esperar Godô

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas os contos e poesias. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos.