Sim, eu cheguei aos 40!
Ops, eu já passei dos 40, faz tempo.
Se eu tenho medo de envelhecer? Acho que não. Pelo menos, por enquanto.
Gosto de lembrar o Niemeyer. Ele viveu até 102, sempre produtivo.
Eu ainda quero muitas coisas, tenho muitos planos pra depois da aposentadoria definitiva.
Sobretudo, quero muito ter e conversar com amigos que pensem como eu. Nem sempre igual, cada dia de uma maneira, sempre buscando mais da vida.
Tenho tantos planos de viagem pelo mundo.
Penso que a gente só pode se dar por realizado e satisfeito no momento final…
Nessa era de internet temos acesso a tantas coisas. Não transpareço, mas sou uma mulher rebelde, eternamente insatisfeita, que não tem vergonha de tratar de assunto nenhum e que fala o que pensa.
Meu objetivo ao escrever é desabafar e encontrar pessoas que se identifiquem com meus pensamentos, questionem, contrariem, acrescentem, ou que de alguma forma se sintam tocados por eles.
Acho que escrever sobre fatos da família é minha obrigação. Isto porque sinto falta de informações dos meus antepassados que não se preocuparam em deixar suas memórias. E quando a gente é jovem, e os tem ainda em vida, não dá a devida importância para o que eles falam ou contam. Hoje eu sinto que deveria ter anotado ou gravado, principalmente, os relatos de meu pai sobre suas experiências jovens e de tantos momentos de sua vida. Na verdade eu guardei na mente muitas coisas. Muitas vezes, até ficamos enjoados e sem paciência de ouvir os mais velhos. Hoje lamento isso. Daí minha preocupação de escrever um
pouco pra deixar registrado.
Eu sou aquariana e, como tal, não me conformo com o comum, a rotina e o marasmo. Não consigo permanecer em estado de torpor só pra manter aparências, sou de tomar decisões às vezes um pouco fora do comum. Pra isso, a pessoa tem que ter coragem. E coragem é o que não me falta, também, teimosia e persistência pra conseguir o que devo seguir e realizar.
Escrever pra desabafar sobre momentos de satisfação e de insatisfação. De raiva e de alegria.
As condições e sentimentos vão se revezando. Importante é seguir e encontrar saídas, para tornar a vida mais feliz.
Agora, que passei dos 60, não sinto nada de diferente. Imaginava ser muito ruim, sorte que me enganei.

Minha conclusão é que a herança genética e a ginástica desde os tempos de colégio me ajudaram. Boa alimentação e cuidados com excessos também ajudam muito.
Essa coisa de parecer ter ou não ter a idade dos documentos é outro ponto muito relativo.
Depende mesmo de quem está nos vendo e avaliando.
Certamente, os mais jovens vão te achar muito velha ou envelhecida.
Os colegas contemporâneos vão te olhar e achar que você está conservada, entretanto muitos, no fundo, vão pensar “nossa como ela está envelhecida”.
Alguns, hipócritas, vão até declarar: – “Puxa, como você está jovem”, simplesmente, para te agradar ou demonstrar simpatia.
Nunca saberemos o que realmente pensam.
Lembro que achava que minha mãe já era velha quando completou 40 e 50. E ela sempre foi linda com uma pele incrível até sua morte prematura. Coisa muito difícil na vida da nossa família..
Naquela época, eu achava que faltava tanto para chegar lá aos 50. Engano meu, passou rapidinho, muito mais do que a gente aos 20 pode considerar.
Agora meu filho tem 44 e minha filha 41… São minhas crianças ainda.
É mesmo muito engraçada essa noção de idade e de tempo de vida.
Sempre achei importante o que a gente pensa de si mesma. Sua autoimagem é o que vale para sentir o prazer de viver, sem se importar quanto tempo de vida você já viveu. Não pensar em quanto falta pra você partir. Não que nunca tenha me passado isso pela mente, já fiz cálculos
se ainda viveria o dobro e não gostei muito de começar a fazer essas contas. Não vale a pena, porque não sabemos nem se amanhã ainda estaremos nesta realidade.
Suas experiências, principalmente, as boas são o que vale. O que queremos lembrar e passar para frente. Coisas negativas a gente esquece, apaga e joga fora.
A gente tem espelho e vai vendo as transformações acontecendo. Vai se acostumando ao rosto e ao corpo. Tudo depende de como você se preparou para esse terceiro tempo da vida.
Cada um tem um olhar de si, dependendo das expectativas que tem e, também, pela importância dada à própria aparência ao longo da existência. Muitos vivem procurando os cirurgiões plásticos, treinamentos físicos ou esteticistas pra tentar disfarçar pontos mais ou menos desgastados da pele ou do corpo. Outras, menos preocupadas com a aparência, assumiram suas idades de forma serena, parecendo ser mais felizes consigo mesmas. Praticam ginástica e se cuidam em nome da boa saúde.
Alguns homens, meus conhecidos, parecem ser menos preocupados com a própria aparência.
Aparentemente, não se importam com seus abdomens altos, ou com seus cabelos brancos, suas peles enrugadas. Parece que eles não se veem como envelhecidos em comparação com as mulheres que conheço, e que também já passaram dos 60. Claro que há muitas exceções, estou apenas fazendo uma generalização.
Proponho a discussão e os comentários a esse respeito.

Flailda Brito Garboggini – Bela Urbana, Pós graduada em marketing, Doutora em comunicação e semiótica. Dois filhos e quatro netos. Formada em piano clássico. Hobbies música, cinema, fotografia e vídeo. Nascida em São Paulo. 4 anos como aluna, 35 anos como professora de Publicidade na PUC Campinas. É aquariana (ao pé da letra).

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Esta historinha aconteceu comigo em janeiro de 2017. Eu tenho 46 anos de idade.

EU: por favor, quero ver alguns biquínis

VENDEDORA: (mostrando alguns maiôs) ESTES SÃO LINDOS

EU: (insistindo) PREFIRO BIQUÍNIS

VENDEDORA: eu mostrei os maiôs por que eles definem o corpo.

EU: (vendo a moça pegar apenas biquínis pretos) NÃO TEM COLORIDO? GOSTO DE ESTAMPADOS

VENDEDORA: é que preto emagrece, né?

EU: não vou comer os biquínis, vou usá-los na praia, na piscina.

VENDEDORA:  (ofendida) a maioria prefere preto e maiô.

Tempos atrás vi uma reportagem que falava sobre a pressão que as mulheres britânicas dizem sentir para serem perfeitas em tudo. Imediatamente passei a analisar a minha vida buscando pelas mesmas pressões, profissional perfeita, corpo perfeito, amiga perfeita, filha perfeita, e sei lá mais quantas (im)possibilidades de perfeição.

Confesso que de início achei que não sofria pressão nenhuma. Mas, pensando melhor…

O que quero analisar aqui com você é a perfeição da imperfeição. Pois não é que para ser uma mulher gorda também há padrões!?

Veja amiga, a vendedora da minha história:

  • Pensa que eu quero “corrigir” meu corpo com um maiô;
  • Pensa que eu quero “corrigir meu peso com um biquíni preto;
  • Pensa que eu sou infeliz por ser gorda.
  • Pensa que eu tenho vergonha do meu corpo.
  • Pensa que mulheres gordas são mulheres infelizes que fingem ser alegrinhas;
  • Pensa que mulheres gordas querem, desesperadamente, emagrecer.
  • Pensa que eu devo ser grata a ela por me ajudar a “corrigir” meu corpo.

Não sei dizer a vocês quantas vezes em um único dia eu escuto falas que me cobram para ser um modelo de mulher gorda. Mas acreditem em mim, são várias vezes. Quando digo que não gosto de doces e de chocolate me olham com desconfiança, quando uma mulher magra diz o mesmo ela ouve: por isso você é magra!

Se eu como uma maça, escuto: isso mesmo! Saúde é tudo!

Se a maça esta na mão da moça magra: por isso você é magra!

Poderia escrever mais de cem frases do meu cotidiano, mas o que quero ressaltar é que a pressão pela imperfeição perfeita é sutil e pesada. Ela não para, não tem horário e vem das mais diferentes pessoas. Cansa? Sim, podem apostar. Irrita, entristece, magoa… surpreende.

E se há pressão por causa do corpo, com a mesma intensidade há pressão por um modelo de comportamento de mulher gorda. Muito já se falou sobre isso: pessoas gordas têm que ser alegres, bonachonas, preguiçosas e gulosas. Mais, pessoas gordas precisam ser doentes.

Pois bem, eu sou uma mulher gorda e não sou exatamente a alegria do lugar!

Pois bem, eu sou uma mulher gorda e não tenho nenhum índice de diabetes, colesterol, triglicérides ou pressão alterados.

Parece ser difícil acreditar que eu goste de mim, do meu corpo, da minha imagem. Desconfio que o problema é que para a magreza ser sinônimo de alegria e saúde eu preciso assumir o papel de triste e doente. Desculpas, seja feliz consigo mesma tanto quanto eu sou comigo.

E se você quiser saber como esta pressão pela maneira perfeita de ser imperfeita acontece é só compartilhar este texto e acompanhar os comentários. Com certeza aparecerão os “vigilantes da normalidade” com seus discursos de: ok, você não é assim, mas sobrepeso é doença. Ou: você não é doente agora, mas no seu futuro será.

Alguns talvez até comentem: belo texto, parabéns pela sua atitude! Como se fosse necessário coragem para gostar de mim mesma.

Eu seguirei minha vida sendo quem sou e gostando de mim. Espero que você siga a sua pensando melhor nos comentários que faz para as pessoas que convivem com você.

De uma coisa eu tenho certeza, nem todo mundo aguenta esta pressão. Pense nisso.

14570348_1456367081089994_3046299689890768592_n foto Luciana Cury

Luciana Cury – Bela Urbana, trabalha com educação publica a muito tempo e continua apaixonada pelo que faz. Gosta de gastos, dias chuvosos e de sentir frio.