Quando criança sempre fui magro, os amigos daquela época podem confirmar, morava na Aeronáutica em Santana, São Paulo, chegava a escola e todos os dias tinha futebol ou algum tipo de brincadeira, até esconde esconde com bola, foi uma infância maravilhosa. Eu não era magro, eu era muito magro.
Na adolescência mudamos para uma casa, mudei de escola e não tinha amigos, a casa era muito boa, mas ficava em uma rua íngreme, sem a segurança que existia na anterior. Tinha poucos amigos e quando voltava do colégio ficava na maior parte do tempo na TV, sempre comendo alguma coisa.
Por um tempo treinei handebol no Banespa, mas naquele momento a obesidade já demonstrava seus primeiros sinais.
Quando completei 18 anos, perdi meu pai e tive uma fase difícil em minha vida, havia acabado de entrar em engenharia e não consegui suportar o trote da Mauá Engenharia, nunca falei nesse assunto, grande parte em decorrência da obesidade.
Passados mais alguns anos me casei e retornei aos estudos, trabalhei em uma construtora por um longo período, me formei em administração, fiz estágio na Sabesp, passei no concurso da Sabesp e arrumei um emprego na Abril, decidi pela Abril.
Na árvore fiz muitos amigos, sofri preconceito devido ao estágio avançado de obesidade, mas sempre procurei ajudar as pessoas e fazer novas amizades. Muitos amigos sempre me incentivaram pela redução bariátrica, mas eu sempre protelava. Depois de 20 anos de empresa sofri meu primeiro acidente rompendo o quadríceps da perna direita, com 216 kilos. Fiquei 43 dias internado. Retornei ao trabalho após 4 meses com 202 kilos. Cinco meses depois nova queda dentro da empresa e 40% de rompimento do joelho esquerdo, porém após essa queda já não conseguia subir escadas escadas e convivia com fortes remédios para para suportar as dores. Almoçava dentro do carro, pois o refeitório tinha escadas e na Van que levava ao Shopping eu não conseguia subir.
Somente no dia 30/12 o joelho esquerdo rompeu totalmente e fui novamente operado, mais 35 dias de internação. Nesse momento aceitei que não poderia mais ser obeso mórbido e providenciei todo o processo da cirurgia bariatrica, realizada em Abril de 2017. Já perdi 59.1 kilos. Porém minha recuperação do joelho esquerdo e do fortalecimento das pernas vem apresentando problemas. Hoje existe um risco de romper novamente o quadriceps esquerdo. Tive condromalacea e o joelho já saiu 9 vezes do lugar. Decidi fazer um tratamento no centro de reabilitação do Sírio Libanês, tenho que agarrar essa chance e evitar esse rompimento, caso ele ocorra não poderei mais andar.

Estou contando tudo isso para que meus amigos vejam os perigos da obesidade e evitem a todo custo que isso ocorra em suas vidas, de seus familiares e de seus filhos.

Por recomendação médica não posso subir nenhum degrau, devo andar somente com muletas e fazer o tratamento de fortalecimento com urgência.

CUIDEM DE SEUS FILHOS!!!

EVITEM A OBESIDADE !!!

Ainda nesse mês completo 52 anos de vida!

Silvio Lavras – Belo Urbano, administrador de empresas, trabalha na Editora Abril há 22 anos (mas por causa da obesidade está há um ano afastado do trabalho), palmeirense, adora viajar. Antes da redução bariatrica gostava de pizzas e churrascos, hoje se alimenta de tudo, porém em quantidade mínima. Casado há 31 anos com Claudia Lavras, não tem filhos.

Fiz a mamografia e já senti que a médica ficou encafifada. Uma semana depois, recebo o laudo sugerindo uma mamotomia (que é um exame que parece uma punção). Fiz este também, com muito medo e ainda ouvindo da enfermeira insensível que seria muito difícil fazê-lo em mim porque eu tinha uma mama muito pequena. Até hoje sinto orgulho de mim por ter conseguido, naquele momento tão adverso responder ironicamente: “Sinto muito por ter mamas tão pequenas, eu te garanto que eu também adoraria que elas fossem maiores!!”
Quando recebi o laudo, mais um baque: “CARCINOMA DUCTAL IN SITU”.

Achei que aquilo era meu atestado de morte!! Senti muito medo, chorei muito, mas também fui valente o quanto pude. Tive todo apoio e amor que eu precisei. Ao levar o exame para a mastologista, ouvi que eu tinha dado uma sorte imensa, que era só retirar aquele pedaço da minha mama e que, caso não descobrissem mais nada no pós-operatório, eu “só” teria que fazer radioterapia e tomar um medicamento por 5 anos.

Naquela hora, tudo era assustador! Como assim retirar um pedaço da mama? Como assim radioterapia?? Como assim um remédio com mil efeitos colaterais por 5 anos? Hoje, consigo pensar que passei por tudo isso de uma forma tranquila. Operei na quinta e na segunda estava trabalhando como se nada tivesse acontecido. Fiz as 30 sessões de radioterapia e há 6 meses estou tomando o remédio que não me trouxe quase nenhum dos muitos efeitos colaterais ameaçados na bula. Agora estou em acompanhamento, fazendo os exames de rotina pra garantir que continuo bem!! O que eu consigo pensar de tudo isso é o seguinte: Não achei justo eu ter esta doença, mas seria justo com alguém?? Claro que não!! Agradeço todos os dias por ter descoberto tudo em momento tão precoce. É muito assustador passar por isso, mas hoje as possibilidades de cura são muito, muito grandes!!

O amor recebido nesta hora também faz toda a diferença!!

Por isso, meninas de 40, façam o exame, ele pode sim salvar sua vida!!

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Nadia Vilela – Bela Urbana, fonoaudióloga que fala pelos cotovelos, mas aprendeu também a ouvir!!! Mãe de dois adolescentes lindos por dentro e por fora. Tem sempre um sorriso sobrando no rosto e a certeza de que não veio pro mundo a passeio!