Mutante

Você sabe que é arte de verdade quando a mesma, a cada dia fica diferente, você à vê de outra maneira, de outro jeito, de outro ângulo, te diz coisas novas o tempo todo.

A verdadeira arte não envelhece, ela muda a cada sol, a cada luz, a cada momento. Você a enxerga sempre com outros olhos, é aí que mora a mágica da criação.

“Nada muda, apenas se modifica mesmo sem se modificar”

É preciso se atentar aos milhares de detalhes que a vida e a arte te oferecem o tempo todo, porque as duas andam juntas, lado a lado, uma não fica sem a outra, nunca!

“Seu olhar faz parte da minha arte”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Poderia eu escrever sobre hoje, ontem ou há quase 60 anos, daria na mesma.

Continuo sendo aquela criança que gosta de brincar, correr, rir, xingar, amar, brigar, descobrir, desenhar, pintar, criar…

A mesma que adora refrigerantes e chocolate, claro, hoje com um pouco de álcool.

Não mudei muito, apenas continuo um adolescente, mas experiente em algumas poucas coisas, lógico, porque as que não sabemos e nunca fizemos são as melhores a se fazer.

Enfim, nesse tempo que não existe, continuo procurando aquilo que não conheço, arriscando nelas, as novidades, pelo menos para essa criança, porque tempo e espaço não existem mesmo, são apenas ilusão de um ser humano que infelizmente foi predestinado a acreditar em começo, meio e fim….que bobagem isso.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Combinei com minha amiga que escreverá a história da minha vida como artista, mas como começar?

 Qual trecho seria interessante pra esse começo além do nascimento?

 Começar é igual uma tela em branco, sempre difícil e assustadora para muitos, ou uma fantástica aventura, um desafio, uma nova possibilidade para tantos outros. Pra mim por exemplo…

 Adoro essas novas possibilidades e desafios, elas me aguardam na minha intensa vontade de começar algo novo, diferente sempre, repleto de incertezas, tensões, frio na espinha, pensamentos, criação, …e aqui vamos nós nesse mais novo desafio, contar a história da minha vida enquanto vivo, ao menos por aqui.

 “Pinceladas de uma vida”

 Auto biografia de Mauro Soares, apenas um simples artista.

 Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Suaves esferas a suspirar

Flutuam sobre gases

Perfumes e venenos

Dos poros a jorrar

 

Sem tensão, sem pressão

Fluindo sem sessar

Bem e mal, não importa

Movimentam sem julgar

 

Mas, a leveza nos escapa

Como rocha a pesar

Moldam com dureza

O massisso condenar

 

Não fosse esse hábito

De a tudo estancar

De reprimir e simular

Livre seria nosso respirar

 

Williams Delabona – Belo urbano, artista plástico, empresário, se divide em suas múltiplas atividades, administrar a escola Criativa www.escolacriativa.com e seu trabalho como artista plástico www.williamsdelabona.com . Gosta de animais, vive perto da natureza e acredita que tudo está interligado, o micro e o macro universo. Sua paixão? Tem várias, mas viajar está entre as primeiras.

Quadro – @williamsdelabonart

 

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-

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Algumas pessoas têm um olhar atento aos acontecimentos e ao jeito de viver dos cidadãos da sua cidade. Homens e mulheres que têm hábito de perceber o que está além do senso comum, o que ninguém vê ou o que não se ouve em se ouvindo. João é uma dessas pessoas capazes de descobrir e revelar coisas incríveis e que vão pra debaixo do tapete em grandes cidades.

– Se bobear São Paulo te engole e você deixa passar um monte de coisas legais. Foi com essa frase que ele começou a contar a epopéia da sua terça sem lei. Terça-feira é o dia da sua folga, é o dia de sair pelas ruas meio sem rumo, meio sem lei e viver a cidade. É o dia em que tudo pode acontecer, inclusive tomar o ônibus errado, coisa que ele fazia com certa freqüência. Sua intenção era ir até a Paulista, conhecer a nova Livraria Cultura no Conjunto Nacional. Errou e foi parar no centro da cidade. Antes de chegar à Praça do Correio, ponto final do ônibus, resolveu descer na Praça Marechal Deodoro e pegar o metrô. Com poucas estações e uma baldeação no meio do caminho estaria na estação Consolação, ao lado da livraria. Pelos seus cálculos o trajeto todo levaria uns 23 minutos. Foi pensando nisso que desceu as escadas da estação e teve a primeira surpresa do dia. Na verdade não era surpresa coisa nenhuma. Ele saía de casa procurando coisas novas e diferentes. Não precisou de muito esforço. Bastou olhar pra frente. Na parede que engolia a escada rolante lotada de gente apressada, um quadro pendurado sorria para os olhares perdidos. Aquele quadro era como um anfitrião que recebe alguém em casa dizendo olá, bom dia, seja bem-vindo e esse alguém nem olha pra ele ou pede licença pra entrar. Ou seja, o quadro estava lá na escada de acesso à estação e ninguém dava a mínima importância para ele. Aquilo chamou a atenção de João de um modo diferente do habitual. Ao chegar ao piso inferior pegou a escada no sentido contrário voltando para a rua. Queria descer de novo e olhar com mais atenção aquele quadro. Fez esse caminho três vezes. Ao chegar na bilheteria não se conteve. Perguntou ao bilheteiro se ele sabia de quem era o quadro. O funcionário do metrô disse que não se lembrava não.

– Tá cheio de quadro dele espalhado pela estação. Lá embaixo tem uma plaquinha com o nome dele.

João saiu da bilheteria disposto a ver os outros quadros e a tal da plaquinha com o nome do pintor. Antes mesmo de passar pela catraca, atraído pela luz da tarde que invadia um grande jardim interno no meio da estação, percebeu a existência de um outro quadro, gigantesco, reinando absoluto na solidão do jardim espremido no subsolo da cidade. Ficou parado alguns instantes. Chegou a duvidar se era aquele buraco no teto da estação e que dava pra rua, que iluminava as plantas do jardim e os homens retratados no quadro, ou se eram ambos que, por absoluta necessidade de sobrevivência, subiam aos céus da cidade espalhando o verde e a humanidade perdida no concreto. Aproximou-se da mureta e, olhando para baixo, logo viu que poderia descobrir novos ângulos. Passou correndo pela catraca e começou a descer mais um lance de escadas. Agora, na sua frente, um outro quadro o impressionou ainda mais. Declaração do Homem e do Cidadão, esse era o seu nome estampado bem no centro, ladeado pela imagem de inúmeros homens e mulheres do povo. Gente igual a milhares de cidadãos que descem todos os dias as escadas e que talvez nunca tenham se dado ao trabalho de olhar para o seu próprio espelho. Porque era isso que aquele quadro era: um grande espelho pra todo mundo que descia as escadas. Foi invadido por um misto de encantamento e felicidade. Sentia-se sozinho e feliz. Era como se estivesse funcionando numa velocidade muito abaixo do normal e como se o som do ambiente tivesse sido simplesmente cortado, igual a aquelas cenas de filme americano quando se aproxima o momento do clímax final. Aquela fração de segundo antes do tiro fatal no bandido ou do beijo que arrebata uma grande paixão. Tudo fica em silêncio e em câmera lenta até que o som do tiro ou o lábio da amada trazem tudo de volta ao normal.

No caso do nosso João, que não é astro do cinema americano, esse estado de entorpecimento pela descoberta de uma estação repleta de obras de arte, só foi rompido pelo barulho do trem chegando à plataforma. Ficou parado um pouco mais, até se desembaraçar daquele monte de gente que se atropelava pra entrar e sair do trem. Andou uns dois metros e chegou ao quadro que tinha a tal da plaquinha. Lá estava o nome dele: Gontran Guanaes Netto. Esforçou-se em suas lembranças, mas de fato não lembrava daquele pintor, se quer o conhecia. E olha que ele era um cara ligado em tudo. Não se preocupou com isso, sabia que iria atrás de mais informações sobre ele. Resolveu absorver um pouco mais daqueles quadros. Subiu novamente as escadas, mas desta vez não optou pela rolante, preferiu a boa e velha escada de pedra. Parou no meio e ficou repetindo pra si mesmo, várias vezes: declaração do homem e do cidadão. Olhou no relógio, estava quase uma hora dentro da estação. Desceu os degraus e foi saborear novamente aquele quadro no meio do jardim. Ali embaixo, bem ao lado da plataforma e olhando pra cima, percebeu o quanto era pequeno diante do mundo e da arte. Soube também o quanto era bom ser sensível ao novo, ao surpreendente.

– Não via a hora de contar isso a vocês.

Leandro, Rogério e Zé, amigos inseparáveis daquela mesa de bar, compartilhavam daquela emoção. Era como se tivessem – entre um copo ou outro de cerveja ou entre uma garfada no macarrão com molho de miúdos de frango que um dos amigos tanto adorava , vivendo com ele cada minuto daquela tarde de terça-feira. Para criar um suspense pediu um minuto para ir ao banheiro, mas antes de ir disse: – E a maior de todas vocês ainda não sabem. Já volto.

Rogério foi logo dizendo:

– Quando o cara quer, faz arte faz em qualquer lugar. É só querer.

– É meu amigo, o cara do metrô que autorizou isso deve ser uma pessoa muito sensível à causa artística. Completou Leandro.

Zé, que aparentemente era o mais racional de todos, pediu mais uma cerveja pro Luxemburgo – era assim que eles chamavam o garçom que os conhecia de longa data. E Ficou pensando:

– Amanhã mesmo vou lá ver essa exposição permanente. Tem coisas que a gente não vê em nenhum lugar do mundo.

Encheu o copo dos quatro enquanto João se ajeitava na cadeira. O gran finale daquele dia, disse ele, foi um funcionário do metrô que aproximou-se, dizendo:

– O senhor gostou dos quadros?

João estranhou a abordagem súbita, mas respondeu afirmativamente.

– É que tô prestando atenção e vi que o senhor tá aqui há um tempão….olha, eu conheci esse pintor pessoalmente. Eu trabalho nessa estação há muito tempo e lembro quando ele tava pintando os quadros aqui. Ele pintou também lá na estação Itaquera, mas o que eu quero contar é outra coisa. Lembro como se fosse hoje. Era um domingo. O Corinthians jogou no Pacaembu e o Palmeiras no Palestra Itália. Depois do jogo se encontraram aqui, os torcedores. Foi pancada pra todo lado e eu me escondi dentro da bilheteria. Quebraram quase tudo, mas ninguém tocou nos quadros e nas coisas do pintor. Tava tudo aí: pincel, tinta, um monte de coisas. Não sei como chegaram a esse acordo no meio daquela confusão, mas achei aquilo uma coisa bonita. A briga foi e é abominável, mas pouparam o trabalho do seu Gontran. Era como se a obra de arte sobrevivesse a fúria dos homens. Olha, se um dia eu encontrar de novo com ele, vou perguntar se ele é corinthiano ou palmeirense. Talvez nem goste de futebol, não é mesmo? Bom, o senhor me dê licença que vou indo.

Deu um gole na cerveja antes de descrever seus minutos finais na estação. Nem precisava, estavam todos satisfeitos com a história. Antes, contudo, optou novamente pelo suspense, só que em vez de ir ao banheiro, resolveu contar tudo que já tinha descoberto sobre o tal pintor. Disse que naquele dia mesmo, abortou a idéia de ir à livraria e voltou pra casa, vasculhou na Internet e achou tudo sobre ele, inclusive o seu site.

– Gontran Guanaes Netto nasceu em 1933, em Vera Cruz, no interior de São Paulo. É filho de uma família de trabalhadores rurais e teve pouca escolarização formal. Suas pinturas são de homens simples, de gente do povo, do campo. De gente daqui e de todos os lugares. É um pintor que revela a existência de milhões de cidadãos que existem sem existir.

João se encheu de orgulho ao encerrar a breve biografia desse artista.

– Hoje Gontran mora em Itapecerica da Serra, cercado pela natureza, corre 10 quilômetros todas as manhãs e se dedica à pintura 12 horas por dia.

O motivo do orgulho? A relação entre a arte e a corrida. João é apaixonado por arte e adora corrida. Esporte que pratica com freqüência e que apresentou a Zé, hoje seu parceiro de pistas.

– Ô João, um dia desses a gente podia fazer uma visita pra esse pintor. A gente vai correndo lá do limão até Itapecerica.

Os quatro caíram na gargalhada. Beberam mais um pouco, falaram de política, discutiram futebol, pediram outra torrada de alho. No fim da noite, na porta do bar, onde sempre gastavam mais alguns minutos, João disse que a coisa mais louca que aconteceu com ele naquele dia deu-se um pouco antes de ir embora.

Um novo trem chegou à plataforma e novamente se viu envolvido naquela confusão de gente, só que dessa vez não ficou sozinho após a dispersão. Um casal de cegos estava ao seu lado, vagando como ele pelo espaço vazio com a saída do trem, à procura de um caminho. Era como se o casal procurasse sentir o lugar de um jeito diferente. Em vez da pressa, a sensação. Pra ele, aquele homem e aquela mulher também podiam sentir aqueles quadros como ele sentia.

– Eles podiam ver sem enxergar o que muitos enxergam sem ver.

– Bonito isso. Disparou Leandro, enquanto Rogério deu o toque final

– Ihhhhh….tá ficando piegas João. Vamos embora.

Mais uma vez caíram no riso. No caminho pra casa, sentia-se feliz por ter compartilhado com os amigos a sua experiência com os quadros e a história daquele pintor. Gontran Guanaes Netto foi mais um artista que descobriu graças a uma coisa especial chamada arte no metrô. Um projeto que ele conhece desde 1978, quando tudo começou na Sé, e que já o fez percorrer diversas estações em busca de painéis, quadros e as esculturas.

Na manhã seguinte, desejou contar pra todo mundo:

– Olha, tem uma exposição permanente muito boa lá na estação Marechal…vai lá ver.

No fundo, sabia que não iria fazer isso. Cada qual deve descobrir o jeito de olhar e perceber a sua cidade. Arte tem dessas coisas. Viver de olhos abertos também.

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Gil Guzzo – é autor, ator e diretor. Em teatro, participou de diversos festivais, entre eles, o Theater der Welt na Alemanha. Como diretor, foi premiado com o espetáculo Viandeiros, no 7º Fetacam. Vencedor do prêmio para produção de curta metragem do edital da Cinemateca Catarinense, por dois anos consecutivos (2011 e 2012), com os filmes Água Mornas e Taí…ó. Uma aventura na Lagoa, respectivamente. Em 15 anos como profissional, atuou em 16 peças, 3 longas-metragens, 6 novelas e mais de 70 filmes publicitários. Em 2014 finalizou seu quinto texto teatral e o primeiro livro de contos. É fundador e diretor artístico do Teatro do Desequilíbrio – Núcleo de Pesquisa e Produção Teatral Contemporânea e é Coordenador de Produção Cultural e Design do Senac Santa Catarina. E o melhor de tudo: é o pai da Bia e do Antônio.

 

 

 

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Pelo menos duas vezes na semana costumo passear com meu cachorro pelo bairro e eu não consigo me lembrar, até hoje, uma vez em que eu não tenha me sentido intimidada ou até mesmo agredida por palavras, olhares ou gestos de algum homem.

Sou casada e me mudei algumas vezes de cidade para ficar mais próxima do meu marido e não foram poucas as vezes em que eu tive que escutar, inclusive da minha família, que a vida era assim mesmo, a mulher tinha que acompanhar o marido e que eu nem podia imaginar a possibilidade de deixá-lo vivendo sozinho, pois casamento onde a mulher não cuida do marido, não dá certo. Em meu ciclo de amizades, tanto homens como mulheres vivem reproduzindo discursos machistas, que de alguma maneira desequilibram o gênero, diminuem a mulher, baseados em uma cultura de preconceito e desigualdade. “Nossa, mas você trabalha até tarde, quem faz a janta pra vocês?” , ” Você vai viajar e vai largar o seu marido sozinho uma semana, é muito tempo”, “Não adianta, você fez uma escolha. Agora terá que pensar na sua família e não mais na sua profissão.” E além disso tudo, imaginem o que falaram quando eu resolvi que não colocaria o sobrenome do meu marido ao final do meu nome quando nos casamos…

Todos esses exemplos podem até ser pequenos se comparados a casos de violência contra a mulher, casos explícitos de desigualdade de gênero, ofensivos, esmagadores, silenciosos e dolorosos, mas não deixam de ser casos que muitas mulheres já vivenciaram ou vivenciarão pelo menos alguma vez na vida.

Esses dias uma colega postou no facebook que um menino da escola de sua filha, que tem 5 anos, a havia ameaçado de apanhar porque ela era menina e então a pequena respondeu, eu sou menina mas eu sou forte, pode vir que eu sei me defender! Então a mãe escreveu: pais, ensinem seus filhos a respeitarem o próximo e ensinem suas filhas a serem empoderadas! Eu fiquei pensando sobre essa palavra PODER e o quanto ela exerce domínio sobre as relações. Sou bailarina e professora de dança e a minha profissão me faz refletir todos os dias sobre questões sócio -culturais. A dança me fez enfrentar muitos preconceitos e me ensina cada vez mais sobre a igualdade, sobre não precisar ter mais poder sobre alguém para ser respeitada, sobre não precisar me vestir dessa ou daquela maneira para caminhar em público sem me sentir intimidada, sobre não julgar o diferente, sobre não precisar abafar sentimentos, sensações e desejos para atender às necessidades de um outro alguém, sobre ser livre, sobre movimento, fluxo, sobre o feminino, o masculino, o homem, a mulher, o ser humano, o corpo! Não gosto de radicalismo, mas acho que o grito da mulher precisa ser ouvido, é uma inquietude que nos acompanha de geração em geração e mesmo que hoje haja mais espaço para nos manifestarmos sinto que ainda tememos a fala, a escrita, a expressão… Ainda há repressão, ainda há preconceito, ainda há muito o que dizer.

Se eu pudesse dançar esse texto eu acho que eu me despiria e ficaria girando de olhos abertos para o mundo, na esperança de que alguém pudesse compreender a magnitude de um ser sem impregnações, sem casca, sem sexo, livre e igual a todos os outros: humano!

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Bruna Bellinazzi Peres – bailarina, formada em Dança, mestre em Artes Cênicas e doutoranda na mesma área, realiza pesquisas sobre processos de criação em dança. Atua também como professora de ballet clássico e dança contemporânea para crianças e adultos.

 

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Na novela a trama é fictícia

Na panela a comida cozinha

A comida está cara, cada vez mais

Na novela quem vencerá? O bom?

É isso que queremos ver, o bom, na novela e na panela (na vida real)

Novelaço? Nem tanto, mas garante diversão

Que falta, quando a comida é cara, quando a saúde é paga, quando a educação de boa qualidade é paga e é muito cara.

As panelas deveriam ser fartas

Os sabores deveriam ser diversos

O tempero deveria ser saudável

Mas nessa panela “rola”

Pouca comida, tempero artificial e

a falta de novos sabores que nunca serão comidos

Porque comida vai sendo a panela que vai ficando velha, oca e sem brilho

A novela consola, a esperança que o bem vencerá no final, é real nesse fictício.

Citando os Titãs “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro, diversão e arte”

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.  Gosta de novelas e panelas fartas. 🙂

A dica da estação é o Parque Ibirapuera, que além de ser um dos locais mais agradáveis da capital paulista, reúne um bom exemplo das opções culturais em artes visuais na cidade de São Paulo. Criado como um presente para a capital paulista no seu quarto centenário em 1954, o conjunto de prédios e marquise projetados por Oscar Niemeyer, e os jardins projetados por Roberto Burle Marx, trazem dentro deste espaço ótimas opções de contato com as artes.
Até 06 de dezembro a 31ª Bienal Internacional de artes de São Paulo, apresenta uma seleção de artistas de várias nacionalidades, e só pela sua importância se torna um programa obrigatório, mas cuidado vá com calma, porque não dá para ver tudo de uma vez só.

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MAC no Parque Ibirapuera

Já o novo MAC Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, que ocupa o edifício do antigo DETRAN, está repleto de mostras, e uma instalação imperdível do artista Henrique de Oliveira. Além disso, é obrigatória a visita ao terraço, que se torna atualmente uma das mais belas vistas da cidade.

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Instalação Henrique de Oliveira

A OCA apresenta por sua vez uma bela exposição em comemoração aos 60 anos de criação do próprio parque Ibirapuera, e outras mostras, que valem o passeio por este edifício tão singular e característico.
Na outra extremidade da marquise o museu Afro abre suas portas para uma infinidade de referencias fundamental para formação do nosso povo.

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A OCA no Parque Ibirapuera

Por fim, um simples passeio, ou sentar na grama numa bela sombra já valem o passeio pelo parque, que pode ter seu momento de contemplação absoluta numa visita ao jardim do pavilhão japonês.
Depois de um a tarde cheia de opções, sentar a beira do lago e ver a dança da fonte luminosa do lago do parque vale para fechar o dia com um cenário perfeito e no mínimo romântico.

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Jeff Keese é arquiteto, produtor de exposições de arte, e durante 7 anos foi consultor do mapa das artes de São Paulo.