Se livrando do emaranhado.

Do karma.

Williams Delabona – Belo urbano, artista plástico, empresário, se divide em suas múltiplas atividades, administrar a escola Criativa www.escolacriativa.com e seu trabalho como artista plástico www.williamsdelabona.com . Gosta de animais, vive perto da natureza e acredita que tudo está interligado, o micro e o macro universo. Sua paixão? Tem várias, mas viajar está entre as primeiras.

Sou cartunista, mas não leio o futuro nas cartas. Desenho o presente com lápis e humor.

Minha formação acadêmica é em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda e já trabalhei na área. Depois, aliando o mundo business e o meu conhecimento fluente em alguns idiomas, passei a dar aulas. Também trabalho com construção civil, junto com a família.

Porém, a minha grande paixão é a arte! Já sofri muito pela falta de tempo de produzir o que minha mente criativa pedia. Cores, tintas, lápis, papéis, dá até água na boca de pensar.

Juntando a arte com a veia de humor, que sempre esteve presente em mim, nasceu a cartunista. Há alguns anos tomei coragem e inscrevi uma ou duas caricaturas em salões de humor, que foram selecionadas e eu passei a amar esse novo mundo que se abria. Com o passar do tempo, o vício foi dominando e, charges, cartuns, até tirinhas foram surgindo. O Brasil é uma terra rica em matéria-prima para essa arte, seja pela homenagem às nossas
grandes figuras ou pela crítica à política do momento. E tem o mundo.

Nunca pensei ser a ‘mulher cartunista’, mas, aos poucos, acabei me tornando uma ativista cultural também. Fui percebendo a pouca representatividade feminina na área e procurei entender os motivos para isso, visto que o mundo do cartum é uma bolha masculina. Os grandes chargistas são majoritariamente homens – procure “cartunistas do Brasil” no Google – e nem mesmo eles parecem perceber esse círculo fechado em que vivem.

Sabemos que, há muitos séculos, existe um trabalho por parte de sociedades, principalmente as religiosas, para destruir a relevância do papel da mulher. O sexo frágil, a bela, que deve ser também recatada e do lar. No seu papel de procriadora, ela acabou sendo dominada e o seu
conhecimento ancestral foi chamado de bruxaria e queimado nas fogueiras da inquisição e outras semelhantes.

Quando surgiu o movimento feminista, toda a luta foi desmerecida. O que se buscava era a igualdade de direitos, como poder votar, trabalhar, ter direito à herança, sair à rua desacompanhada e sem ouvir bobagens. Mas denunciar o machismo é coisa de “histérica”, ela é feia, tem sovaco cabeludo, não gosta de homem, mal-amada, não conseguiu segurar marido,
a lista é longa… O humor que ela desenha é, também, desmerecido como arte inferior.

Uma vez, em uma feira de quadrinho, na Alemanha, Maurício de Sousa foi indagado sobre a falta de mulheres quadrinistas em sua comitiva. Ele respondeu que, no Brasil, “Mulher ainda não tem essa liberdade sem vergonha que homem tem, de trabalhar até tarde, tem que cuidar
da casa, dos filhos, quadrinho exige muito tempo de dedicação”.

A mulher, como protagonista de seus próprios desenhos de humor precisava ser resgatada e furar a bolha.

Na procura por essas cartunistas, salões de humor, exclusivos para mulheres, surgiram, como é o caso do “Batom, Lápis & TPM”, que acontece todo mês de março, em Piracicaba e que reúne artistas, que, mesmo espalhadas pelo mundo, são muitas e seus desenhos e mensagens são
impressionantes. Sororidade passou a ser um lema. Esse ano, 2021, houve a tentativa da secretaria de cultura de Piracicaba de cancelar o Salão. Quando tomei conhecimento de que não haveria uma edição inédita, entendi que era a hora de mobilizar os cartunistas e passei a enviar mensagens e e-mails mundo afora e, assim, conseguimos reverter a situação. Preciso dizer que também recebi algumas reações estranhas, de negação, como se o salão fosse realmente algo inferior e que não merecia atenção, por parte de pessoas que eu admiro. Não guardo rancores, mas guardo nomes…

Trata-se de um precedente perigoso. O primeiro corte é nas mulheres. Era preciso agir para que não houvesse corte (ou censura) a outras exposições de humor. O Salão de Humor de Piracicaba tem uma longa tradição de resistência política. Nasceu no auge da ditadura militar no Brasil e está em sua 48ª edição, em 2021. Todos os anos o Salão Batom, Lápis & TPM, abre a temporada, em março. Em seguida, sai o regulamento e as inscrições para o salão principal, que acontece em março. Muitas atividades são levadas às escolas da cidade, e existe o salãozinho, para crianças. Quem sabe o que mais pode ser cortado, alegando custos e organização, mas sabe-se que é política. E parece que a atual política é tendenciosa à censura do humor questionador.

Há 3 anos, eu fiz a curadoria da exposição “Humorosas”, que reuniu 20 artistas. A ideia original foi do amigo artista, o Robinson, para expor as mulheres artistas que fazem humor. Foi um sucesso, a abertura foi no MACC, Museu de Arte Contemporânea de Campinas, depois passou
por mais 3 locais, antes de encerrar. Estamos programando uma nova edição de Humorosas para logo, pois temos um problema recorrente. Hoje, nas páginas das redes sociais, que anunciam festivais de humor, pouquíssimas mulheres são mencionadas. Quando uma de nós levanta a questão, denunciando o clube masculino, a recepção é sempre fria e negado o machismo. Acabo de ver um cartaz com “cartunistas do Brasil”, com umas 100 fotografias. Não cheguei a ver 3 mulheres entre os grandes.

O trabalho de charges, cartuns e caricaturas que realizo, estão muito ligados a essas situações, de sexismo e política, basicamente. Recebo prêmios e críticas pelo meu trabalho. Prêmios no Salão Internacional de Piracicaba e, ano passado, 2020, o “Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado”, junto com 110 cartunistas (6 mulheres), por uma charge continuada, em apoio a
um cartunista, ameaçado pela Lei de Segurança Nacional. Críticas vem nas formas mais variadas. Tem gente que acha que eu não devo criticar o governo, que acha que estou torcendo contra. Tem gente que pergunta se eu não tenho medo. Medo do quê, amigo?

Enquanto conto os números de mortos na pandemia, a cada charge ou texto que publico, nunca terei medo de expor as mazelas e irresponsabilidades de um governo genocida. Não é um prazer desenhar o terror que estamos vivendo e ainda tentar agregar humor. Para mim, é um dever. Estamos em março de 2021 e nadando a braçadas para os 300 mil mortos pela Covid-19.

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.


Ela nos faz companhia quando não temos mais ninguém
e também é essencial a uma reunião de pessoas
ela reflete o que sentimos
ou pode fazer a gente mudar de sentimento na sua presença
podemos sentir que ela representa exatamente o que gostaríamos de dizer ao mundo
ou ela pode abrir nossos olhos para como outras pessoas, muito diferentes da gente, se sentem
pode ser só um acompanhamento
ou o prato principal
nos faz bem, como a arte faz
traz esperança, prazer, empolgação, conforto, tranquilidade, euforia, segurança
ou aborrece
revolta, denuncia, critica, sugere, ofende, se posiciona
você pode discordar, mas não pode negar que alguma coisa você sentiu
ela nunca falha
eu só sei que afeta
afeta a todos nós
não tem como escapar
tem que ter feito pensar, sobre qualquer coisa
de algum jeito, ela toca
incomoda, traz reflexão, memórias, questionamentos, inquietação, me arrisco até a sugerir, mudança de estado de espírito
não sei
Só não diga que saiu
a mesma pessoa que entrou.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

VIVER

Gosto muito de viver!

Gosto de gente!
Gosto de crianças e de cuidar delas.
Gosto de plantas, das coloridas (de apreciar, não sei cuidar).

Gosto da arte: da dança, da música.
Talento para a arte? Só gosto de ver o dos outros.

Gosto do colorido do mundo.
Do mar e de amar. 
Amo muito VIVER.

Gosto de criar e inventar. Escrever o que sinto….

Gosto do barulho das crianças, 
Gosto de abraçar e beijar as pessoas.

Gosto de uma boa risada. Rir de mim e dos meus erros…
Rir de mim mesma principalmente, é uma delícia!

Gosto de dormir mas agradeço o acordar diário. 

Gosto de reunir amigos e rir de bobagens. 
Gosto da casa cheia e também do eu comigo mesma. 

Gosto de viajar. Para perto e para longe.

Gosto de tudo que é amargo menos dos amargos da vida.

Gosto de café. Do cheiro e do sabor. Sem ele fico doente, carente.

Gosto de sonhar sonhos loucos e comemorar quando dão certo….
Guardo comigo os não realizados pois sei que qualquer hora eles viram realidade. 

Gosto do simples e do chique. Gosto do bonito e do singelo. 

Gosto de falar. As vezes falo sozinha…

Gosto de filosofia e psicologia mas não sei matemática. 

Gosto de gostar de tudo que é viver. Vivo minha felicidade diária.

Amo o meu passado que só me trouxe alegrias do hoje. 

Do futuro? Também já gosto porque vou morar nele. Surpresas virão e eu vou gostar! 

Gosto do gosto de viver. Dá gosto. 

O que eu não gosto?
Não importa porque se eu não gosto…Não entra no poema.

O que importa mesmo é gostar e amar o VIVER.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“.

Somos nós dentro do nosso trabalho, a melhor parte dele.

….

A ideia, a mensagem, a imagem, a pincelada, tudo dentro de um trabalho de arte “é o artista em si”. Essa é a mágica, o poder da reprodução pela arte.

Seja ela qual for, pintura, poesia, literatura, música, interpretação, enfim em todas elas o que está ali é o artista, é inegável, e precisa estar.

Todo artista é um carente no mundo e precisa se reproduzir mil vezes, precisa estar em mil lugares e situações, precisa participar da sua alma quando você vê, lê ou ouve alguma boa arte.

A verdadeira arte, aquela que o artista está encrustrado nela é a que te emociona, é a que te faz chorar.

E faz porque você sente a alma dele ali exposta e anexada. Basta percebê-la com sensibilidade, com o coração aberto.

A arte é a que conversa com você, o artista está nela, falando e participando, se apaixonando por você e vice-versa.

A arte verdadeira é aquela repleta do artista vivo, é lá onde mora sua alma, pra sempre.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Não existe arte sem total liberdade!

Sempre fiz muitos desenhos e pinturas eróticas, e até os meus 40 anos de vida eu achava que poderia ousar até chegar na beira do precipício, e se passasse dele cairia no pornográfico, o que eu evitava.

Uma burrice!!!

Foi quando ganhei um livro de uma amiga da maior editora de arte do mundo chamada Taschen.

Era um livro lindo, de capa dura prata que dentro continha fotos incríveis, com layouts, cores e luzes fantásticas. E era de fotos pornográficas!

Foi então que percebi minha ignorância! Arte não pode ter censura nem limites! Tudo pode ser arte, desde que bem feito!

Este livro virou minha Bíblia das artes.

E vejo em nossos dias vídeos de gente criticando algumas mostras onde estão expostas pinturas e desenhos pornográficos.

Hoje mesmo vi um desses vídeos onde um vereador estarrecido criticava e dizia: “que absurdo, isto não é arte”! E pela voz percebi a figura daquele cidadão careta, ignorante e retrógrado.

Como alguém pode se dar ao luxo de dizer o que é ou não arte?!?

Vou precisar de vários textos pra falar sobre essa HIPOCRISIA DO SER HUMANO. Onde tudo pode desde que seja feito entre 4 paredes. Um absurdo!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Mutante

Você sabe que é arte de verdade quando a mesma, a cada dia fica diferente, você à vê de outra maneira, de outro jeito, de outro ângulo, te diz coisas novas o tempo todo.

A verdadeira arte não envelhece, ela muda a cada sol, a cada luz, a cada momento. Você a enxerga sempre com outros olhos, é aí que mora a mágica da criação.

“Nada muda, apenas se modifica mesmo sem se modificar”

É preciso se atentar aos milhares de detalhes que a vida e a arte te oferecem o tempo todo, porque as duas andam juntas, lado a lado, uma não fica sem a outra, nunca!

“Seu olhar faz parte da minha arte”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Poderia eu escrever sobre hoje, ontem ou há quase 60 anos, daria na mesma.

Continuo sendo aquela criança que gosta de brincar, correr, rir, xingar, amar, brigar, descobrir, desenhar, pintar, criar…

A mesma que adora refrigerantes e chocolate, claro, hoje com um pouco de álcool.

Não mudei muito, apenas continuo um adolescente, mas experiente em algumas poucas coisas, lógico, porque as que não sabemos e nunca fizemos são as melhores a se fazer.

Enfim, nesse tempo que não existe, continuo procurando aquilo que não conheço, arriscando nelas, as novidades, pelo menos para essa criança, porque tempo e espaço não existem mesmo, são apenas ilusão de um ser humano que infelizmente foi predestinado a acreditar em começo, meio e fim….que bobagem isso.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares