Próximo beijo será pra “ele”. Ele que um dia neguei muitos beijos. Ele que mesmo depois de anos de casados gostava de longos beijos.

Dizia que “o beijo aquece o amor que esta esfriando”. Por cinco anos ficamos ausentes um do outro, partiu e acreditando ser o fim buscou uma outra boca.

Fiquei sozinha gostando da pausa, da frieza, correndo na labuta, numa luta por viver… cinco anos … De vez em quando sonhos com beijos, beijos roubados, beijos consentidos… mas sonhados, não vivenciados. Vem a saudade, da boca de hálito puro, mesmo na manhã ainda no leito.

Vem a lembrança dos beijinhos terminados em mordidinhas nos lábios que pareciam esticar como chicletes numa provocação para outros beijos. A saudade daqueles beijos, foi chegando, se instalando, se firmando e agora?

Bora correr atrás daquela boca que depois de uma boa conversa diz também sentir saudades da minha. Confessa que enquanto outra boca beijava era a minha que ansiava… Bora buscar sua boca em minha boca e nunca mais desgrudar!

O próximo beijo, será pra ele, pois nunca foi de mais ninguém!

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, 52 anos, divorciada, mãe de duas filhas, uma de 25 e outra de 17, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana.

 

O próximo beijo

que eu vou dar

para quem será?

Em quem quero dar?

Será um beijo na boca?

No rosto?

Na testa?

Quem será que vai ganhar?

Ou será que eu que ganharei?

de onde menos espero…

de alguém que se atreva

a me dar um beijo de cinema

ou não, talvez seja, um beijo na mão

Beijo na mão, não rola não

Mas que beijo é esse que está por vir?

Darei?

Sim, darei um próximo beijo e outros

Agora eu vou

E o beijo é virtual, escrito

Beijo que fica no imaginário

Mas beijo é sempre beijo

então, beijo

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

Uma São Paulo apaixonada é ainda mais surreal.

Dia desses, na Av. Paulista, tava despedindo do gatinho carioca – ali na entrada do metrô Consolação. Um dia de sol bem gostoso. Com sorvete e calorzinho favorável. A despedida já tinha virado um amasso-espetacular-de-dar-inveja e eu já tinha perdido um pouco da noção do tempo e do bom senso.

Mas eis que, então, somos interrompidos:

– Ei, oi…

De primeira, de segunda, de terceira, ignoramos – um monte de gente ali, oai. Pense na força de um sonho corinthiano e na sinceridade de um desejo flamenguista de que – PORFAVORDEUS – não fosse com a gente. Afinal, naquele dia já tinha parado pra ouvir ONG pedindo o dinheiro que não tenho e descolado uma moeda pra um artesão que queria me vender um chaveiro gigante de fita cassete. Mas o “eioioi” foi chegando perto e ficando insistente. Virou “EI, VOCÊS”. Então, só sobrava nóis memo.

Aí já era. Abre o olho, desmancha o abraço, enxuga a boca, volta pra Terra – contrariada – e tenta achar da onde vem. Ao nosso lado, uma jovem senhora, toda desconsertada, diz:

– Então, sabe, é… será que cêis podiam descer e falar com o funcionário do metrô pra ele inverter o sentido da escada rolante? Porque eu preciso. Porque eu não consigo, sabe? Porque eles fazem, se pedir. Porque o elevador tá com cheiro de xixi.

Ainda sob efeito daqueles beijo que minha nossa, faço pausa de dois segundos só pra entender a situação, sem deixar de pensar MANO, SÉRIÃO? Já o boy, aposto ter sentido algo como um PORRÃ inconsolável.

Claro que a gente foi. Se pegar bonito, em público, não isenta ninguém de ser prestativo e solidário. Pedimos. E ouvimos do funcionário que tinha elevador. E explicamos que ela não queria pegar o elevador porque tava fedido. E contamos pra ela que o funcionário não quis inverter, mas que na outra entrada – logo à frente -, a escada tava descendo. E ficamos observando até ter certeza de que ela achou e entrou. E rimos tentando entender POR QUE CARALEOS – naquele lugar mega movimentado, de uma das maiores avenidas de sp -, ela foi pedir justo pra gente.

A senhorinha deve ter sacado que, em terra de autômatos, ser humano que beija na boca pode ser um bicho um pouco mais generoso.

– Mas bom, agora deixa pra lá. Acho que ajudamos alguém. Onde a gente tava mesmo?

Segue o amasso.

Camila Santos – Bela Urbana, formada em Psicologia, já foi cantora e professora de inglês. Já morou por três meses na Inglaterra e por três anos em Ilhabela. Entre uma ilha e outra, também passou um tempo como tripulante de um navio. De volta a São Paulo, escreve e dança forró para viver.

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Ela tem 12 anos… mudou-se há pouco para a cidade junto com a família, mãe, duas irmãs e uma agregada, nos idos dos anos 70. Era a mais nova delas, e entrando na adolescência, já tinha seus sonhos bem infantis de romances, mas brincar era mais legal! As irmãs já estavam na idade de trazer amigos, e sempre algum lhe despertava a infantil atenção.

Um belo dia, um deles rouba-lhe um selinho no portão. Aquelas brincadeiras bobas de virar a cara na hora do beijinho no rosto de despedida… ela surpresa, pergunta: ‘O que é isso?!” E ele responde: ‘Um beijo’, faz carinha de inocente e vai embora com o amigo dando-lhe uma bronca: ‘Ela é uma criança!!!’.

Ela se casa, tem dois filhos lindos, dos quais se orgulha. Eles crescem, ela decide sonhar novos sonhos, estudar, buscar uma profissão e nela se realizar. Estranhamente foi duramente cobrada por isso, e acabou por custar-lhe o casamento.

Ele tem 17 anos. É convidado por amigos a conhecer umas meninas novas na cidade. Uma delas lhe agrada, mas justamente essa namora seu amigo. Ela tem uma irmã mais nova bem bonitinha. Mas é muito nova, uma criança!

Um dia, ao despedir-se, rouba-lhe um beijo no portão. E ao ver a surpresa dela perguntando ‘O que é isso?’, ele marotamente responde: ‘Um beijo!’. E vai embora, levando bronca do seu amigo: ‘Ela é uma criança!’.

Ele aparece tempos depois com uma namorada. Terminam… ele some, a namorada fica na ‘família’ por um bom tempo. Ela aparece com outro namorado. Que fica na ‘família’ por um bom tempo também. Aquela roda-viva da adolescência! E o contato se perde entre estudos, trabalhos e casamentos…

Ele se muda para a praia para estudar, junto com um amigo, depois de um tempo volta, se casa, tem duas filhas lindas. A trabalho, muda-se para outras cidades, conhece outras culturas, faz muitos amigos. O que ele mais tem, são amigos! E amigos são o que valem naquele momento, anos depois, em que se descobre que o casamento não está mais funcionando… e que vale a pena tentar ser feliz!

Ela tem 48 anos. Um dia, recém saída de um relacionamento, ela está no facebook, e uma foto chama a atenção na página de uma amiga, aquela que era namorada daquele menino do beijo roubado… rsrs. Naquela época do ano em que todo mundo põe foto com carinha de criança, ela vê uma e pensa ‘conheço esse menino!’. Adicionam-se e começam a descobrir que tem muito em comum, além da lembrança de um beijo roubado no portão.

Mas moram longe! Mas o que é longe em tempos de internet banda-larga, celular e vôos baratos que podem ser comprados com milhas? Encontram-se um dia m que ele visitava parentes na cidade, apenas para lembrar dos bons tempos e contar que rumos haviam tomado. Incrível como é possível resumir a vida em poucas horas de conversa… falaram de seus pais e de seus filhos, de suas carreiras, suas viagens e suas vidas. E descobrem muitas afinidades.

A vida segue em conversas por chat, como foi o seu dia, como está a sua vida. Até que um dia, em função daquela carreira que ela teimou em perseguir, foi convidada a palestrar na empresa dele. Ele, muito gentil, a ciceroneou pela cidade, e riram muito lembrando de um beijo roubado no portão, entre outras coisas, como fotos comprometedoras, amigos eternamente zoados, etc.. Dali saíram com a sensação de que nunca é tarde! Pra ser feliz, pra se apaixonar, pra se dar uma chance!

Passam um bom tempo em namoro por chat, vídeo, e ponte aérea. Passam por cirurgias, doenças, e outras pequenas crises. Mas permanecem firmes, com a certeza que a vida lhes sorriu com algo especial, quando por volta dos 50 anos, nenhum dos dois esperava mais por isso.

Enfim, ele consegue uma transferência de volta à cidade natal, onde tudo começou. E a vida os tem brindado continuamente com novas oportunidades de serem felizes juntos! E a sensação boa de que estão só começando…

Quem disse que nostalgia e tecnologia não são aliadas?

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Tove Dahlström – Belas Urbana, é mãe, avó, namorada, ex-mulher, ex-namorada, sogra, e administradora de empresas que atua como coordenadora de marketing numa empresa de embalagens. Finlandesa, morando no Brasil desde criança, é uma menina Dahlström… o que dispensa maiores explicações. Na profissão, tem paixão pelo mundo das embalagens e dos cosméticos, e além da curiosidade sobre mercado, tendencias de consumo, etc., enfrenta os desafios mais clichês do mundo corporativo, mas só quem está passando entende.

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Ela andava pelas ruas. Era madrugada, estava só.

A noite tinha sido uma sucessão de desencontros. Primeiro com os amigos, o que ela entendeu não foi o que eles entenderam e ela foi parar em outro bar com o mesmo nome.

Gente estranha tinha por lá. Esperou, tomou uma cerveja, nada de chegarem, olhou o relógio, nada ainda, mais uma cerveja. Como era fraca para bebidas, já no final da segunda estava meio zonza, resolveu ir para a terceira, começou a rir de tudo que observava por ali.

Chegou um carinha na sua mesa, com uma dessas cantadas baratas e abobadas, mas como ela estava só, aceitou a cantada e que ele sentasse na mesa. Falaram do Japão, nenhum era japonês e o lugar mais distante que ela conhecia era bem perto, mas atrevida que era, não se fez de rogada e do Japão falava sem parar e ria, porque quem bebe um pouco além da conta ri.

Lembrou da turma de amigos que nunca chegava. Pensou no celular, mas como de costume, sem bateria. Xingou as velhas gerações por não ter comprado aquele carregador que pode carregar em qualquer lugar, mas sabe como é, grana curta.

O carinha que só falava do Japão lá estava a falar sem parar e aquilo parecia uma boca nervosa que precisa ser calada e acalmada, sem pensar lasco-lhe um beijo. Há dois anos atrás ela jamais faria aquilo, mas agora, as águas rolaram e era só um beijo em uma noite de verão, em um alguém, sabe-se lá quem.

Ele ficou boquiaberto e ela foi embora, deixando a mesa e a conta para ele. Foi embora a pé, rodando aqueles bares, sem celular, cabeça acelerada, fala lenta.

Pensava nele, tinha saudades dele, do beijo dele. Não, não era do carinha de cinco minutos atrás não, aquilo era nada, era do outro, do antigo, do que grudava na sua pele, mas que estava longe, do que tinha a melhor pegada, pele a pele.

E esses amigos onde estão? Cabeça ia, vinha, voltava e vinha risadas, ânsia de vômito. Ela era fraca para beber, ficava engraçada, mas assim na madrugada, sozinha na multidão com quem podia compartilhar?

Podia passar uma cantada e usar o celular de alguém, mas não adiantaria porque não sabia decor nenhum número. Eram quase três horas da manhã, resolveu andar e ir para a praça perto da faculdade, não tinha combinado de dormir na casa de ninguém, e não queria voltar para a casa da mãe porque garantiu que dormiria na casa das amigas.

Então, foi para a praça esperar o nascer do sol, a vista era linda. Já tinha feio aquilo uma vez com ele, ele de novo nos seus pensamentos, ela ria e tinha vontade de dançar, mas melhor não, estava zonza mas não totalmente sem juízo, dançar na rua, era um sonho de infância, mas sem companhia não teria graça.

Na praça, sentou no mirante. Ela, o céu e um celular que tocou. Sim, tocou um celular que estava perto, ninguém ali, só ela, o céu e o celular.

Não atendeu. Tocou de novo. Atendeu. Alô, não, não é ela. Não, não é ela que está falando. O quê? Como assim? Não, não sou. Ah, por favor, não sou, ligue depois.

Desligou, esperou e o sol começou a clarear o dia, assim como o mente clareava para seu estado normal.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂