Os relacionamentos por whatsapp são muito comuns nos dias de hoje. Se por um lado o aplicativo une e agiliza a comunicação, por outro pode tornar até um casamento sem a relação “face to face”.

Me lembro de uma amiga cujo marido falava tudo por mensagens. Mas quando chegava em casa, não dava nem um beijo sequer. Boa noite então, seria gentileza demais. Ele ia direto para o banheiro e se dirigia de costas para a esposa apenas para perguntar: – O que tem de janta?

Celular no criado mudo não parava de “apitar”. Cunhada, irmãos… mesmo tendo passado o dia todo juntos, invadiam a privacidade do casal.

Acontecia sempre naquele mesmo horário. Então jantavam separados, pois ele sempre estava ocupado respondendo mensagens de whatsapp ou falando ao celular.

Na hora de dormir, ele queria sexo. Mas não havia troca. O sexo para ela era a continuidade de uma relação, caso contrário, se tornava obrigação. Pra que fingir? Melhor fugir.

Relação afundando, mas o whatsapp continuava lá. Ativo, funcionando.

Ele nunca lhe pediu desculpas por nada, afinal, tinham jurado ao pé do altar que o casamento seria pra sempre.

Triste contradição: ela terminou o casamento e o mandou embora de casa por mensagem… de whatsapp.

Ele não pediu para ela reconsiderar. Não tentou dialogar. Sua única tentativa foi mandar uma mensagem a ela agendando terapia de casais…por whatsapp.

Tarde demais.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

O beijo surgiu
Num dia de frio
Dia norte e sul
Anil, azul, a mil
Carinho de céu
A dois em um
Um, dois, fugiu

Nosso encontro
Nasceu inusitado
Cresceu remediando
Trajetos errados
Seja eterno
Enquanto dure
Mais que o tempo
De uma vida
Ao teu lado!


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


O próximo beijo que eu vou dar
Quantos próximos beijos estão por vir…
O beijo de amor… O de afeto… O de gratidão… O de compaixão…
Aquele cheio de ternura… O da despedida, mas também o da chegada.
Beijos que selam a amizade… Que encerram ciclos. Beijos apaixonados, mas alguns meio aflitos.
Todos fundamentais, mas sugiro um diferente, simbólico, porém de grande valor… Um beijo no espelho! Isso mesmo… beije aquele que está refletido ali. E siga confiante, pronto pra quantos outros beijos quiser dar e receber!

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Desde muito pequena sempre fui chamada de beijoqueira. Passava batom pra beijar o espelho e o vidro do box do  banheiro vaporizado. Meu pai não gostava muito de beijo mas eu insistia e ele acabava cedendo dizendo:  – Essa menina é beijoqueira.

Penso que o beijo é uma demonstração de afeto muito pura, que vem do coração, por isso quando fui questionada para quem iria o próximo beijo, no mesmo instante pensei nas crianças.

São elas que dão os beijos mais puros, afetivos e despretensiosos. Elas aprendem desde um aninho o que é um beijo estalando a boquinha e mandando beijinhos pondo a mão na boca.

Quando chego na creche onde trabalho, lá estão elas, esperando o meu olhar, o meu carinho e o meu beijo. Um amor incondicional, sem esperar algo em troca, sem preconceito. Um amor puro. Um beijo puro. simplesmente um beijo.

É pra elas que vai o meu próximo beijo, e o outro, e o outro também. Sempre que existir uma criança é pra ela o meu beijo.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 53 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Próximo beijo será pra “ele”. Ele que um dia neguei muitos beijos. Ele que mesmo depois de anos de casados gostava de longos beijos.

Dizia que “o beijo aquece o amor que esta esfriando”. Por cinco anos ficamos ausentes um do outro, partiu e acreditando ser o fim buscou uma outra boca.

Fiquei sozinha gostando da pausa, da frieza, correndo na labuta, numa luta por viver… cinco anos … De vez em quando sonhos com beijos, beijos roubados, beijos consentidos… mas sonhados, não vivenciados. Vem a saudade, da boca de hálito puro, mesmo na manhã ainda no leito.

Vem a lembrança dos beijinhos terminados em mordidinhas nos lábios que pareciam esticar como chicletes numa provocação para outros beijos. A saudade daqueles beijos, foi chegando, se instalando, se firmando e agora?

Bora correr atrás daquela boca que depois de uma boa conversa diz também sentir saudades da minha. Confessa que enquanto outra boca beijava era a minha que ansiava… Bora buscar sua boca em minha boca e nunca mais desgrudar!

O próximo beijo, será pra ele, pois nunca foi de mais ninguém!

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, 52 anos, divorciada, mãe de duas filhas, uma de 25 e outra de 17, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana.

 

Sempre é para ela. E creio que será assim “até que a morte nos separe” e cá entre nós, espero que esse dia demore muito. Sabe paixão? Pois é, dizem que a paixão acaba logo e depois, aí sim, vem o verdadeiro amor, mas no meu caso, sinto que essa paixão vai longe. Não é que já não haja amor – sim, existe muito amor há tempos, mas com ela, eu vivo as loucuras de um eterno apaixonado. Seja pelo jeito cativante dela, seja pela sua alegria, sua espontaneidade e porque não, pelos seus beijos carinhosos.  Por ela, eu literalmente perco a razão, abro mão de dormir mais cedo, faço coisas que não gosto e outras tantas que adoro fazer só ao lado dela. Ela rouba o meu estoque de beijos. Ela me faz ter vontade de beijar, até porque, as amarguras da vida, vão lentamente, nos fazendo beijar cada vez menos – ainda bem que ela está aqui pra me ajudar a trazer à tona o melhor de mim. Obrigado filha. O próximo beijo sempre é, e sempre será pra você. “Beija eu.”

Vinícius Eugenio – Belo Urbano46 anos, publicitário, redator, atua com criação há mais de 25 anos, mas sem dúvida, a sua melhor criação, feita em dupla com a Leila, foi a Valentina. Espirituoso, prático e pragmático, gosta tudo de preto no branco, até por isso, é corintiano razoavelmente apaixonado. Saudosista confesso, colecionador de objetos antigos e admirador nato de Fuscas antigos. 

Ah tô eu aqui 40 anos, solteira novamente… pós separação de um ano de namoro… e de quem será o próximo beijo? Ah… ainda não sei…. mas vai pra aquele que me oferecer um universo diferente que eu possa desfrutar e me encantar… pra ser um beijo gostoso onde a gente tenta descobrir mais ainda sobre o outro e onde a gente se entrega um pouquinho também…

Tomara que seja aquele beijo gostoso em que a gente fica sem chão, nem que seja por um segundo, aquele beijo em que os dois navegam no mesmo ritmo tentando desvendar com a língua o universo do outro.  Aquele beijo em que o corpo todo amolece e faz a gente ter vontade de não parar mais de beijar.

Tô ansiosa por esse próximo beijo… rs… e olha,  não sei mesmo de quem será porque tem alguns pretendentes em vista rs …  hoje, eu solteira.. .com 40 anos! Feliz!

Que venha o próximo beijo e com ele todo um universo!

Luciana Spina – Bela Urbana, formada em publicidade. Trabalhou em agências mas a vontade de ter a própria marca de roupas falou mais alto, deixou a propaganda e virou estilista e criou a marca Lucybravinha. Atualmente faz as próprias roupas com modelagem e estampas exclusivas. Expõe na feira do Centro de Convivência de Campinas aos sábados e domingos e também atende no ateliê no bairro Guanabara. Solteira, mãe de uma menina de 7 anos. Campineira, escorpiana , rock’n roll, romântica e sonhadora. 

O próximo beijo

que eu vou dar

para quem será?

Em quem quero dar?

Será um beijo na boca?

No rosto?

Na testa?

Quem será que vai ganhar?

Ou será que eu que ganharei?

de onde menos espero…

de alguém que se atreva

a me dar um beijo de cinema

ou não, talvez seja, um beijo na mão

Beijo na mão, não rola não

Mas que beijo é esse que está por vir?

Darei?

Sim, darei um próximo beijo e outros

Agora eu vou

E o beijo é virtual, escrito

Beijo que fica no imaginário

Mas beijo é sempre beijo

então, beijo

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

Uma São Paulo apaixonada é ainda mais surreal.

Dia desses, na Av. Paulista, tava despedindo do gatinho carioca – ali na entrada do metrô Consolação. Um dia de sol bem gostoso. Com sorvete e calorzinho favorável. A despedida já tinha virado um amasso-espetacular-de-dar-inveja e eu já tinha perdido um pouco da noção do tempo e do bom senso.

Mas eis que, então, somos interrompidos:

– Ei, oi…

De primeira, de segunda, de terceira, ignoramos – um monte de gente ali, oai. Pense na força de um sonho corinthiano e na sinceridade de um desejo flamenguista de que – PORFAVORDEUS – não fosse com a gente. Afinal, naquele dia já tinha parado pra ouvir ONG pedindo o dinheiro que não tenho e descolado uma moeda pra um artesão que queria me vender um chaveiro gigante de fita cassete. Mas o “eioioi” foi chegando perto e ficando insistente. Virou “EI, VOCÊS”. Então, só sobrava nóis memo.

Aí já era. Abre o olho, desmancha o abraço, enxuga a boca, volta pra Terra – contrariada – e tenta achar da onde vem. Ao nosso lado, uma jovem senhora, toda desconsertada, diz:

– Então, sabe, é… será que cêis podiam descer e falar com o funcionário do metrô pra ele inverter o sentido da escada rolante? Porque eu preciso. Porque eu não consigo, sabe? Porque eles fazem, se pedir. Porque o elevador tá com cheiro de xixi.

Ainda sob efeito daqueles beijo que minha nossa, faço pausa de dois segundos só pra entender a situação, sem deixar de pensar MANO, SÉRIÃO? Já o boy, aposto ter sentido algo como um PORRÃ inconsolável.

Claro que a gente foi. Se pegar bonito, em público, não isenta ninguém de ser prestativo e solidário. Pedimos. E ouvimos do funcionário que tinha elevador. E explicamos que ela não queria pegar o elevador porque tava fedido. E contamos pra ela que o funcionário não quis inverter, mas que na outra entrada – logo à frente -, a escada tava descendo. E ficamos observando até ter certeza de que ela achou e entrou. E rimos tentando entender POR QUE CARALEOS – naquele lugar mega movimentado, de uma das maiores avenidas de sp -, ela foi pedir justo pra gente.

A senhorinha deve ter sacado que, em terra de autômatos, ser humano que beija na boca pode ser um bicho um pouco mais generoso.

– Mas bom, agora deixa pra lá. Acho que ajudamos alguém. Onde a gente tava mesmo?

Segue o amasso.

Camila Santos – Bela Urbana, formada em Psicologia, já foi cantora e professora de inglês. Já morou por três meses na Inglaterra e por três anos em Ilhabela. Entre uma ilha e outra, também passou um tempo como tripulante de um navio. De volta a São Paulo, escreve e dança forró para viver.

Ela olhou para ele e sorriu… Um sorriso muito mais de súplica do que de felicidade. Era como se ele lhe sugasse o ar e toda a sua vida dependesse daquele instante, daquele sorriso.

Ele mais uma vez não correspondeu. A indiferença não atendeu à súplica dela e lhe causou infelicidade. Era como se para ele estar ali fosse um sacrifício.

Ela pensou em cada palavra que falou, ele não ouviu nenhuma delas.

Ela se irritou, gesticulou, chorou. Ele seguiu indiferente.

Até que num ímpeto desesperado, ela foi beijá-lo e ele lhe deu a face.

Magoada, ela levantou do banco e virou de costas. Ele, seguro de si, lhe deu literalmente as costas e embarcou no primeiro ônibus que partiu.

E eu fiquei ali no meu lugar, vendo essa cena toda e com vontade de me aproximar e dizer àquela moça: hei, relaxa, sei que agora dói, mas tudo passa. E de abordar aquele rapaz e “praguejar”: hei, não relaxa, sei que agora você se sente por cima, mas tudo passa.

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!