Em primeiro lugar a conexão, algo que gostamos juntos, um interesse dividido, uma opinião parecida ou algo que achamos engraçado, por vezes até o que é completamente oposto, algo que eu ame e a pessoa odeie e assim ficamos ali naquela defesa de gostos e desgostos, na verdade o encanto aí é a conversa, o argumento.

Me encanta também o riso em meio ao desespero, e que nas situações mais absurdas ainda encontra um motivo para uma piadinha mesmo que leve, só para descontrair o ambiente, sem mal gosto, sem ser indecente. O bom gosto me encanta, não falo de roupa e nem de estilo, falo do bom gosto da alma, do jeito de ser, sabe aquela pessoa que tem um argumento excelente para te colocar no seu lugar durante uma discussão mas não o usa apenas por tem um espírito elevado, uma classe emocional altíssima, ou seja, daquelas pessoas que não gostam de magoar ninguém gratuitamente, isso me encanta, é lindo demais ver essa evolução de caráter acontecendo. Me encanta pessoas humildes, que não tem necessidade de fazer marketing pessoal com frequência, há pessoas que tem qualidades que falam por elas próprias e basta, todos podem reconhecer essas qualidades mesmo sem a pessoa falar nada sobre si, isso me encanta, me encanta um aperto de mão firme e quem gosta de ajudar, quem tem consciência do outro, abre a porta do elevador e oferece passagem, tem gestos gentis, também me encanta aqueles que se atrevem a ser eles mesmos sem culpa, mesmo que não agrade a muitos, contradição? Não sei, mas me encanta, talvez por eu ser alguém que tem muito medo de magoar as pessoas e muitas vezes tenha que me magoar para proteger alguém…não sei. O encanto de alguém para mim está em seu jeito peculiar, o jeito que se comporta nas redes sociais, a maneira como cuida as palavras escritas e faladas, que goste de ler livros, isso me encanta, as pessoas que gostam de livrarias sempre chamam minha atenção, os que amam viajar e explorar comidas diferentes, os que amam as plantas, os que leem rótulos de alimentos, os que falam de comidas e de dietas. As pessoas de riso fácil e descomplicadas, aquelas que dizem quando não gostaram de algo e dizem também quando gostaram, as que não se importam em elogiar e desculpam-se quando erram, aquelas que sabem olhar nos olhos e ouvir com cuidado e atenção, sem julgamentos.

E você? O que te encanta em alguém?

Eu gosto muito de gente…

De conhecer gente, de conversar com as pessoas,  de ajudá-las, de ouvi-las e de estar junto. Mas o que mais me encanta mesmo são as “gentes crianças”.

Me encanta poder colaborar com o desenvolvimento delas. Me encanta a pureza. Me encanta a alegria. A energia que vem delas me encanta.

Fazendo as contas são mais de 40 anos junto a elas…. Me encantando a cada dia. São filhos, alunos, sobrinhos, primos e netos. Crianças.

Me encanta saber que em algum lugar vou encontrar com elas. Mesmo que eu não as conheça,  me encantam.

Me encantam quando nossos olhos se cruzam de dentro do carro,
no ônibus, na rua. Me encanta o abraço quando chego ao trabalho. Me encanta receber a florzinha colhida na calçada. Me encanta o desenho caricaturado, sem perna, nem braço…E sou eu!

Me encanta a espontaneidade ao dizer que me amam ou que me acham linda. Para elas eu sou a princesa do castelo.
Me encantam quando após um limite ou uma bronca, elas vem com o sorriso do agradecimento.

Criança sabe, sem saber falar. Criança sente, sem saber dizer. Criança sofre sem demonstrar. 
Quando estou com elas, não há problemas, nem medos. Há vida, latente…. Há vida fresca e pronta para vibrar. Há energia no ar. Há brilho no olhar. 

O que me encanta também é a criança que existe dentro de cada ser humano.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 54 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Como és tu?
Tu és o significado exato do admirável
És a plenitude que canta e encanta teu regozijo sem fim
Tu és caminho, és vida em mim
És sabedoria, és guarida
És fortaleza de se ter em mãos o amanhecer
És riqueza de se enxergar, por ti, o alvorecer
És o olhar que busca o céu aberto
Para que fique perto do esplendor divino,
Sem dúvida, ínsito, implantado na sociedade
Difusa, confusa, malfazeja
Sem ponto de partida ou chegada
Tu és a pessoa amada que o mundo todo almeja
Tu és sonho, és leveza
És referencial do que é certo
És alguém que se queira por perto,
Pois teu mundo é vitalício
Nada teu é fictício
Tu és crença, és poesia
Sinfonia, maestria
Concretude e talento.
És menestrel do tempo,
E do amor atemporal.

Solange Cristina Marchioni – Bela Urbana, especialista em língua portuguesa, neurolinguista, revisora, musicista e poetisa. Entende que a vida é desafiadora e surpreendente… que a dor vem de cenas urbanas tristes, como moradores de rua, crianças e animais abandonados. Acredita que a esperança e o amor vêm junto para resgatar tanta dor. A poesia fala por ela e fica muito feliz se, com os poemas, puder tocar os corações endurecidos.
Poesia do livro: Prosas, Sonhos e Rosas

Outro dia me perguntaram: O que faz um professor se sentir valorizado?

Perguntinha estranha essa, né?

Pensei por segundos… eu poderia responder melhores salários, melhores condições de trabalho, mais segurança, apoio da família, e blá blá blá que no fundo não é nada blá blá blá.

Ferrou… afinal de contas, tudo o que eu disser poderá ser entendido de forma rasa e poderá ser compartilhado de maneira inadequada.

Mais alguns segundos e me arrisquei a responder:

No meu caso, me sinto valorizada quando revejo um ex-aluno e nesse encontro há respeito, há amor, há memórias, há relatos do que juntos fizemos!

Tem risadas, tem conquistas, tem desafios, tem perdas, mas não há desistências.

Tem hoje quem nos tornamos!

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 

Trilhas para aprendizagem são apresentadas de muitas formas e, isto causa grandes mudanças durante a caminhada, entre as causas pessoais e sociais tanto do educando quanto do educador.

 O espaço em que trabalhamos com educação deve ser considerado um templo de oração, e não um campo de concentração como temos visto já há algum tempo, nos transformando em agitadores de causas próprias e não comunicadores envolvidos com o outro que é o educando em questão.

Para o contato social dentro de um encontro aluno e professor, o valor da vivência prática e diária intenciona e proporciona trilhas variadas e isto só depende da cond (i) (u) ção em que percorremos a trilha. Por isso, todo o processo de uma Educação onde os interessados Educadores conhecem pensamentos Holísticos e, se estende aos confins configurados gerados pelo hábil Pensamento Antroposófico faz-se questionar, o quanto si mesmo se dá em interesse pelas suas vivências diante de si e do outro.

Toda dificuldade encontrada durante o processo de conhecimento do ser humano sabemos ser um quebra cabeça, que pode trilhar por variadas vertentes de acesso ao seu “EU” diante do outro que se espelha e, que nem se percebe espelhado.

O inimigo dentro do convívio educador e o educando pode estar em qualquer estação trilhada, e podemos chamá-lo narcisicamente de “Eg’ódio” um vírus que destrói os trilhos e corrói as plantas de nossos pés, num impedimento viral sem toques de afeto, sem harmonia, sem interesse, sem cuidados, mas, com tamanha obesidade virtual onde a Gula faz neste século XXI a maior das profecias:

“O TER VAI ETERNIZAR O SILÊNCIO DA ESSÊNCIA DE NOSSO SER”.

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Outubro chegou e com ele a oportunidade de aquecer o mercado.

Tem Dia das Crianças! Dia dos Professores!

Dia de comprar e dar presentes.

Tem semana do saco cheio!

Vamos viajar? Que tal?

E tem mais, daqui a pouco dezembro… melhor dar aquele jeito no visual.

“Bora” para academia, alimentação saudável, regime, tratamentos estéticos.

Ah, como outubro é uma oportunidade de fazer acontecer.

Enfim, oportunidades mil de gastar e completar aquele vaziozinho que mora dentro da gente!

Aposto que você vai negar!

Ah, relaxa vai!                                                                                               

Compre se quiser e se não quiser não compre.

Faça o que quiser ou não faça nada.

Eu que não vou dar lição de moral nenhuma.

Nada de conselhos, nada de reflexão, nada a dizer!

Acho tudo isso uma chatice…

No final das contas, não sou eu que vou te livrar de ser o que querem que você seja.

Claudia Chebabi Andrade – Bela Urbana, pedagoga, bacharel em direito, especialista e psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre 

Desde os primórdios da humanidade que jovens e crianças observam os mais velhos realizarem suas tarefas. Desde então, brincam, imitando tais tarefas, seja de caça, coleta, agricultura, escrita, artesanato, manufatura, indústria, comercio, serviços, tecnologia, computação, astrofísica. Jovens mimetizam, imitam, se divertem, aprendem. Ao lado, sempre alguém, munido de algum conhecimento sorri lembrando de seu saudoso passado e os incentiva.

Esses jovens passam adiante, conforme a idade avança, o que aprenderam brincando, debatendo, perguntando e refletindo em suas praticas. Esses jovens fazem sua parte no mundo e tocam a bola do futuro aos mais novos.

Sempre foi assim, então para que romantizar a função do professor, se ele é, na realidade, mais um dentro desse ciclo milenar de passagem de bastão? Para que ele sinta-se um herói mal compreendido e mal remunerado? Para que ele seja reconhecido com tapa nas costas? Para que seja consolado pelas suas condições de trabalho precárias, burocratizantes e desmotivadoras?

Ser professor é navegar num mar bipolar do humor. Uma alegria infinita quando deparamos com alunos que sonham, uma ponta de tristeza quando nos deparamos com o mercado que se tornou esse processo natural do ser humano que é ensinar. Uma alegria de aprender a cada dia com quem menos se espera, uma tristeza ao penhorar horas a fio em preparo, pesquisa, processos administrativos e formação. Alegria de enxergar a olhos nus o futuro, tristeza de saber que, dali a dias, terá de pagar uma conta que talvez não caiba no orçamento.

Não basta elogiar, há de se brigar para que não o professor, mas a educação seja tomada como base de uma nação próspera, para além do lucro que gera sob a despesa que exige.

O saldo é positivo. Poucas profissões permitem sonhar tanto quanto a de ensinar. Sonhar junto, em coletivo com os jovens, que imitam, brincam, sonham, crescem e levam adiante o que aprenderam, ensinando. É assim, a forma de tornar-se sutilmente eterno, anonimamente eterno, amorosamente eterno, apesar de tudo. Sigamos em frente!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


Sempre #naforma elas estão… E sempre #emforma estarão.                  

E nunca #seformatarão aos insensíveis olhos e mãos dos marceneiros e, dos temperos das cozinheiras de plantão!                                                               

Observar relatos sobre crianças é muito comum, mas, observar tratos para crianças não é curtido como um barato. Principalmente aquelas que são avaliadas como não sendo de fino trato, e essas precisam estar sendo observadas com mais afeto, com mais percepção, mais toque tateado, mais empatia e menos julgamento sem poesia.                                     Todos os movimentos teóricos para exercer a educação das crianças têm validade e, é bom pensar nisso. Porém, TUDO em nossa vida tem VALIDADE!                                                                                                 

Um conto vivenciado por mim e pela minha filha Juliana pré-adolescente há alguns anos: Estávamos eu e ela dentro de um ônibus e comodamente sentadas num banco alto e, ela na janela… Ao que olhando para fora, vimos dois meninos de mais ou menos 07 anos de idade, ao lado de um adolescente que fumava um cigarro. Eis que num repente, o adolescente oferece um cigarro para cada um dos meninos, que aceitaram sem pestanejar! E eu, como Educadora nem raciocinei dizendo para a minha filha:

– Que horror eles estão fumando!

Ao que Juliana minha filha respondeu:            

– Ah, Mãe… Eles são “MENINOS de RUA”   

Eu respondi para espanto dela: 

– São realmente MENINOS de RUA Juliana minha filha, mas, são ME… NI… NOS! Ora… Ora!                                                                                                       

Já se faz tempo que ouvir as crianças perdeu-se na MAJESTADE do canto, do SABIÁ!

É preciso prestar a devida atenção, nos intensos buraquinhos teclados…   No TOQUE SILENCIOSO das emoções!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

Ainda bem que existe criança na vida da gente, nas nossas casas, no  mundo!

– Deus, você sabe das coisas!

Imaginemos: Só adultos habitando o planeta? Todos formatados de realidade. Faltando a inocência, a pureza e a alegria de quem ainda não conhece a realidade da vida? Um mundo sem parque de diversão, sem palhaço, sem papai Noel. Sem fadas e duendes?
E sem aquela alegria, que só existe onde tem criança ?
O que seria da gente sem bebezinhos  nascendo…emocionando… nos apaixonando?
O que seria do adulto que não vira criança e da casa sem festa? 

Mas em sua sabedoria infinita, Deus nos fez criança um dia… 
Para que o mundo pudesse ser melhor e colorido. Para que pudéssemos crescer aos poucos e evoluir, mudando também as pessoas ao nosso redor.
Ainda bem que tem criança no mundo…. Para que possamos deixar para o mundo um futuro melhor. 

Uma homenagem ao meu neto Leonardo que mudou nossa rotina e trouxe muito mais colorido para nossas vidas.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 54 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

A criança que ficou em mim às vezes sente um cheiro qualquer e é remetida a um dia lá atrás quando a fruta era escassa, só aos domingos e era tão especial, uma maçã, como as dos contos de fadas, só que não fazia dormir, a alegria já começava no olfato, cheirava, comia, era maçã Argentina, grandona, comia tudo, com casca e tudo, tinha dó de jogar a semente fora, a criança que ficou em mim quer chorar quando minhas
filhas não querem comer fruta.
A criança que ficou em mim se maravilha com tantos livros a disposição para leitura, eram tão poucos os que ela conseguia ler e lia tudo avidamente, ainda hoje se emociona em uma biblioteca e não sabe a razão mas não se esquece daquela criança que foi, a criança que ficou em mim se lambuza de chocolate e doces e guloseimas e lembra que ficava feliz em comer bolo de banana e vitamina de abacate, e que a mãe fazia doce de banana com as bananas já por estragar, era tão bom.
A criança que ficou em mim chora a falta do pai que não a abraçava, ele não sabia, hoje ela sabe e mesmo assim como essa criança ainda sente falta daquele abraço que podia ter acontecido, a criança que ficou e mim sente falta do olhar do pai falando com ela e olhando para ela com atenção.
A criança que ficou em mim sabe que precisa abraçar essa sua criança que habita nela para ser uma adulta amorosa com as crianças dela, ela luta para amar suavemente, para deixar o rancor, a raiva contida e os julgamentos e seguir mais leve.
A criança que ficou em mim ama comer a comida da mãe dela e sabe, ah como ela sabe o valor disso, hoje ela é grata e aprecia todo carinho envolvido em fazer e oferecer uma refeição a um filho, a criança que ficou em mim sabe que já está tudo bem, que seus pais fizeram o melhor que podiam com as ferramentas que tinham quando ela era criança, que há que se desfazer do peso desnecessário ao caminhar pela vida e isso é escolha. Mas porque será que ainda dói?
A criança que há em mim se equivoca e se atropela ao educar suas crianças, entende agora que as respostas não são óbvias e o caminho por vezes é sinuoso mas ela ama ver como tudo o que viveu serviu para fazê-la enxergar tudo o que pode ser evitado na educação de suas filhas, talvez não consiga, mas tenta, faz o que pode, assim como seus pais também faziam, há evolução, o caminho vai melhorando. Ela agradece a criança que ficou nela e a ama assim como ela é: uma criança cheia de birras, resmungona, engraçada, desesperada, mas que acha a vida linda mesmo com seus gigantes desafios e tormentas. Ela agradece a vida e a alegria de ter chegado a esse momento de entendimento.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.