A dor profunda dá-nos a compreensão, por difíceis caminhos percorridos, do crescimento paulatino.
Se há a lágrima que cai, há o sorriso que consola.
Se há a chuva que molha o caminho, há o sol para secá-lo e dar-lhe vida.
Se há trovões estrondosos, há o silêncio da mata para acalmar os ânimos.
Se há desavença entre os homens, há o amor para fortalecer a união e compreensão entre eles.
Se há a escuridão da noite, há nela também o brilho das estrelas para acalentar a inspiração do poeta.
Mas, se há sempre o bem e o mal, alegria e tristeza e tantos contrastes na atmosfera planetária, há claro, a unificação e um só caminho para que tais contrastes aproximem-se de uma meta a ser alcançada: a luz eterna.
Contrastes em uma só reta de amor.

Solange Cristina Marchioni – Bela Urbana, especialista em língua portuguesa, neurolinguista, revisora, musicista e poetisa. Entende que a vida é desafiadora e surpreendente… que a dor vem de cenas urbanas tristes, como moradores de rua, crianças e animais abandonados. Acredita que a esperança e o amor vêm junto para resgatar tanta dor. A poesia fala por ela e fica muito feliz se, com os poemas, puder tocar os corações endurecidos.

Poesia do livro: Prosas, Sonhos e Rosas

 

QUINTO CAPÍTULO

Que respeito tinha essa senhora pelo mundo ao seu redor! Porque será que os seus filhos a tratavam tão severamente, e tão desrespeitosamente? Ela possuía um olhar escuro, mas muito doce, as mãos senis, mas a sua gesticulação atrevidamente italiana, as pernas finas com a doença Erisipela, mas estava com suaves meias finas, de nylon! Ela tinha classe! Como ter diante de mim, uma senhora que apesar de chorosa, era muito direta e franca. Em nenhum momento ela se aquietou, e a cada pedágio ou cidade transposta era para ela um delírio! Ah! E quando chegamos a Campinas/SP/Brasil, a cidade em que viveu e teve que vender a casa construída a duras penas com o marido, já falecido e depois de sua partida, e é claro que foi o alcoolismo também, que deixou de herança na família, ela teve que dividir a casa com os filhos briguentos e insanos. Que dor em suas palavras, mas que CORAGEM ao contar o seu RESPEITO pela vida! E após tudo isso ela foi morar em Indaiatuba/SP/Brasil, cidade pequena vizinha de Campinas, onde a bicicleta contou-me ela é ainda o transporte que mais a favorece em seu crescimento. A senhora viúva ao meu lado ainda teria que pegar um outro ônibus, para chegar em sua casa.

SEXTO CAPÍTULO

Perguntei então: Quem iria apanhá-la na Estação Rodoviária quando chegarmos lá? Ela respondeu: Será o meu filho, o mais novinho, ele também bebe bastante, também é alcoólatra, dele o que é bom é mesmo a sua mulher, um amor de pessoa e ela nem é minha parente!Eu gosto muito dela, ela me respeita e me defende, nela eu posso confiar, sempre! Em seguida disso, lá estava CAMPINAS estampada em nossos olhos, nos dizendo… Sejam bem vindos! Para mim comentei: O IMPORTANTE É CHEGAR!

E ela rindo completou: CHEGAR E BEM VIVOS!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

foto: Adriana Chebabi

Um soldado
só é soldado quando luta.
Antes disso,
ele é só um menino,
sem andar,
sem falar,
uma criança que brinca de adulto.
Quando batalha
as pessoas o veem como um homem.
Vejam lá!
Vejam como ele é belo em seu caminhar!
As mães ficam com medo por ele,
mas elas tem muito orgulho.
Elas veem seu bebê
agora como um homem.
O que elas não veem é seu olhar
terror durante a guerra.
Os sons estranhos e distantes.
Explosões, tiros e mortes.
Mortes dele,
só um menino.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

Essa semana aconteceu algo que me fez pensar sobre ser professor… me deparei com uma foto com algumas professoras que me deram aula na adolescência, alguns daqueles rostos me causaram tristes lembranças… professor deveria ser aquele que acolhe e ensina seus alunos a lutarem em meio a suas dificuldades. Eu era essa aluna com dificuldades de aprendizagem, mas nem sempre no meu caminho escolar encontrei professores com essas preocupações. Infelizmente foram professores que se alegravam em trabalhar com alunos ditos inteligentes, aqueles que nem precisam do professor para aprender. Então questiono, qual a importância desse professor? Professor deveria se alegrar em ensinar independente a quem! Como um médico que cura o doente… mas estar nas mãos de um professor que não se sensibiliza com a necessidade de seu aluno é doloroso, causa danos e muitas vezes podem ser permanentes. Um professor deve sempre ser lembrado que terá em mãos seres humanos em formação, daí tamanha responsabilidade dessa profissão, que é linda!
Mas nesse mesmo caminho tortuoso apareceram outros professores maravilhosos que me entenderam e me levaram a escolher ser professora, e de forma inconsciente naquele momento ( mas consciente mais tarde), escolhi essa profissão exatamente para levar o meu olhar e minha sofrida experiência, para ajudar aqueles pequenos que encontrei em meu caminho com dificuldades muito parecidas com as que tive.
O magistério foi uma escolha que mudou minha vida escolar, me reaprendi, tive professores de olhares sensíveis que me ensinaram a superar-me e a mudar a minha história. Me superei quando fui fazer pedagogia na Unicamp, encontrei novos desafios e novos professores mas nesse momento eu já era outra pessoa, bem mais forte e acreditando em mim, isso era o fruto dos professores competentes que encontrei nessa caminhada!
Quando me tornei professora, já muito diferente e mais madura daquela adolescente que deixou para trás aqueles professores opressores, voltei para trabalhar na mesma escola da adolescência, nesse momento me redefini enquanto pessoa, pois encontrei um novo lugar, de olhar sensível ao aluno e pude colocar o meu amor ali!
O olhar sensível do professor é uma das ferramentas mais importantes para exercer essa profissão. É esse olhar que percebe a dificuldade, que busca caminhos para instrumentalizar o aluno, para que ele possa se superar.
Enfim, esse emaranhado de sentimentos me fez constatar algo que já sabia, o quanto o professor é importante na vida de seus alunos, e quanto ser sensível às dificuldades deles é urgente!
Veja bem, após 30 anos, ao ver a foto com algumas pessoas q me ignoraram nas minhas necessidades (sim é forte dizer isso, mas é verdadeiramente doído) senti indignação!!!!
E então me lembrei de uma reportagem que dizia que somente 2,4% dos jovens hoje escolhem ser professor, eu reflito, diante dos diversos motivos óbvios (falta de reconhecimento, salários baixos, condições de trabalho ruins etc) para os jovens não escolherem essa profissão, também devemos incluir a possível experiência de se depararem com a falta de sensibilidade de alguns professores que não deveriam estar onde estão! Essa falta de identificação com esse profissional também afasta os jovens dessa escolha.
No meu caso consegui usar a experiência negativa para buscar uma mudança para melhor, mas imagino que muitos que desistiram de seus sonhos tenham tido professores insensíveis que colaboraram com o fracasso escolar!

Viviani Raimundo Viégas Barreira –  Bela Urbana, psicopedagoga. Muitos alunos passaram em seu caminho, foram 20 anos de magistério e mais alguns de professora de seus filhos. Sempre teve como objetivo encorajar na dificuldade., buscou ao longo da trajetória o olhar sensível. Hoje é mãe em tempo integral de João Vitor e Milena, continua se sensibilizando e encorajando-os a enfrentarem os obstáculos.

 

Com um passo,

seu passo

passou meu passo.

Com o passo pra trás,

apertei o passo.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

Olá consulentes. Cá estou eu aqui de novo.

A pergunta que mais escuto quando me procuram é: Vai dar certo?

Eu sempre respondo: – Está dando.

As pessoas me olham com aquela cara de “como assim?” e antes que o consulente fale algo eu já explico.

O certo é uma estrada. As vezes reta, as vezes torta, as vezes com pedras, outras asfaltadas. As vezes com flores e frutos, em outros momentos árida. Na próxima curva pode ter um muro, na outra esquina pode chover. Você ainda pode dar de cara com um um ser estranho e assustador ou pode encontrar algo que você precise cuidar. Em algum momento ou mais de um, alguém despertará seu melhor. Em um trecho você terá companhia, em outros estará só. Nessa estrada ouvirá música, mas não em todo o caminho, em alguns ouvirá barulho e em outros silêncio. Encontrará, insetos, doces, água, comida, carros, carinho, raiva, sono, a falta dele, encontrará tudo, mas só verá se de fato olhar e sentir.

Então, quando a pergunta “vai dar certo?” vier. Pense. O certo é tudo isso e é incerto também. Afinal, o caminho é esse. O seu caminho.

Somente um conselho, um único e precioso conselho. Sapatos confortáveis para caminhar.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

Conversando e contando como a vida estava, ouvi de uma amiga muito querida, em um café da manhã, depois de muito tempo sem vê-la, que ela estava bem hoje, mas ficou um tempinho sem capacidade de sonhar. Essa frase me acertou um soco no estômago, na face e na alma.

Era a frase que eu procurava para definir o tempo em que me encontro. A incapacidade de sonhar é tão escasso, tão medíocre em nossos pensamentos que te engole como um rolo compressor. E o mais surpreendente que não nos atemos e nem percebemos quando essa falta de sonhos se instala. E pensar que sempre fui feita de sonhos, concretizei quase todos. Me perguntei nessa mesma manhã o porque dessa falta… acredito pela mesma força que nos impulsiona a seguir sonhando. Nossos pais, amigos e quem quer que se condicionem a um padrão, nos consomem com suas palavras nada animadoras. Você comenta: quero viajar para Austrália, conhecer o Japão por exemplo e você tem quase sempre como resposta: com que dinheiro? Ou até sonhos profissionais, obter um equipamento novo, um curso e lá vem de novo, como você vai conseguir? Até quando seguimos as regras e padrões dos outros?  Crescemos e amadurecemos, mas esses malditos padrões nos perseguem.

Aí o tempo passa e nos enchemos de vídeos positivos, frases de efeito para poder sobreviver e resgatar a capacidade de sonhar. Deixar a onda passar… depois de um tubo daqueles. Precisamos caminhar, mas  como o bom Chapeleiro de Alice, já estamos em tempo de perdoar e esquecer ou esquecer e perdoar e seguir em frente. Nos sentimos tantas vezes reféns de outrem ou de circunstâncias. Seguimos em frente… e fico com uma frase mais pertinente e que bem dizia a minha mãe: Somos sozinhos querida, somos sozinhos!

E somos, e por muitos anos essa frase parecia solitária, pobre e sem valor no meu inconsciente, até que fez todo sentido, finalmente, somos sozinhos sim, não depositemos nossos sonhos nas palavras de outros, sigamos em frente contando conosco, com nossa força de sonhar. Não há poder maior.

Macarena Lobos –  Bela Urbana, formada em comunicação social,  fotógrafa há mais de 20 anos, já clicou muitas personalidades, assim como grandes eventos, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas, segue seu site: www.macarenalobosfotografia.com, hoje seu foco está voltado para a arquitetura, você pode conhecer mais no site: www.arquiteturaemfoto.com.br. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frete. Uma grande paixão é sua filha. 

 Foto: Marcarena Lobos

 

 

Talvez seja Deus

Talvez seja eu

Talvez seja o que eu veja

Talvez eu não sei
Ou talvez sei

Talvez eu passe por aí
Talvez você passe por aqui

O talvez é tão certo quando é incerto

Que aqui ninguém entenda
Nem veja
Nem saiba
Nem eu
Nem Deus
Talvez… 

Que tal dessa vez?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Que chuva é essa? Esqueci esses óculos, ah, minha mãe vai me dar a maior bronca. Sim, ela sempre me dá essa bronca, mesmo com essa minha idade nada infantil. Eu sei, isso é coisa infantil e irresponsável esquecer os óculos para dirigir, ainda mais sendo míope, mas está tudo sob controle, eu juro, juro, mas Deus por favor, me proteja e me faça chegar logo. Podia ao menos ter um posto por aqui, um posto e paro.

Ah, quero chorar, mas se chorar a vista embaça mais. Vista embaçada só gosto quando tomo vinho. Sim, vinho com você, isso sim é uma delícia. Mas vinho e depois dirigir não. Vinho, dirigir sem óculos e com chuva, nunca. Hoje, só a chuva e sem óculos, isso aqui ta perigoso. Meu Deus, não me deixa na mão. Eu sei que você sempre olha com carinho para mim, sei que me da esses sustos, esses “presta atenção”, mas sei que me olha com doçura que cuida bem de mim. É,  sei que somos parceiros, somos amigos.

Desligo a música, não consigo dirigir com música e chuva, ainda mais essa chuva. E você onde está agora? Se eu te contar que to nessa fria, vai brigar comigo, mais bronca não. Não quero bronca, quero outra coisa.

Talvez isso seja a liberdade do caminho? Só eu para pensar nisso agora, me lembrei de uma outra estrada, me lembrei de um outro óculos que tinha, aros pretos e eu com cara de professora, cara de inteligente, servia bem para algumas reuniões que eu queria me esconder atrás daqueles óculos para aquele chato do Luizão não me incomodar com suas cantadas baratas, como era chato aquele cara. Mas onde estará Luizão? Só rindo pra eu pensar nisso, Deus me livre sempre do Luizão, o sem noção, aquele que só olhava para meus peitos em todas as reuniões. Cada vez eu aparecia mais feia e me escondia nessas reuniões, literalmente me enfeiava. Isso não é liberdade do caminho? Graças a Deus ele foi mandado embora e mudou para bem longe, ufa. É Deus, por essas e por outras sei que somos parceiros.

Agora a chuva, chove, chega, chove, chega. Preciso mesmo achar meus óculos e essa meu Deus, fica só entre eu e você.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

 

 

 

 

 

Você quem, talvez se pergunte. Não importa. Não é essa a pergunta. O que importa a pessoa? Não importa quem é você. Nunca importou e não será agora que deveria importar. O que importa não é a pessoa, mas a própria procura em si. A busca. É na busca que se aprende, em que se luta, que se corre e enfrenta o estiver na sua frente. A força estará no fim ou no processo que leva ao fim? Eu não sei e nunca soube. Mas eu continuo procurando mesmo assim. Algumas vezes até mesmo encontro. Esta nos olhos amarelos do velho no ponto de ônibus. No balão da criança de colo, ou no sorriso do bêbado. Eu vejo você lá. Mas quando isso acontece quase nunca me vê e isso me causa dor. Porque se não me viu, é porque ainda não era a hora. Eu deixo e então irá embora. Minha busca então continua, como se não tivesse parado. Minhas lutas e minhas forças estão a todo o momento prestes a se esgotar, mas se sentir que devo parar, eu continuo. Por qual razão continuar? A luta vale a pena ou estou apenas destinado ao fracasso? Eu não sei, talvez eu nunca nem saiba. Mas devo continuar tentando. Porque se eu cair, se eu desistir, se eu perder, de nada me adiantara ter sequer tentado um dia.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).