Ao ter mamas as mulheres desde muito jovens começam a experimentar sentimentos conflitantes ao vê-las se desenvolvendo, nas adolescentes a mãe observa se está crescendo, o pediatra verifica, ou seja, é uma expectativa em torno do primeiro sutiã, logo a menina percebe que não é assim tão agradável usá-lo mas ainda assim se sente bem pois afinal de contas é assim que acontece para todas, se sente normal, então tudo bem; a jovem se sente autoconsciente de suas formas, quando põe camiseta branca a mãe logo diz: – filha, está sem sutiã? Uma peça de roupa a mais para levar para trocar após o banho, ai meu Deus!

Crescemos e nossas mamas são objetos de desejo, de prazer, flertamos com a vontade de ter contato íntimo com o namorado de deixá-lo acariciar nossas mamas, porém na cabeça vem todas as recomendações das nossas mães e hesitamos até deixar que alguém nos toque intimamente em um lugar tão nosso, tão protegido, tão cheio de tabu, outra vez o conflito: pode ser bom e pode ser ruim, a expectativa do prazer e o receio de fazer algo proibido, já sabemos que o corpo é nosso mas a contradição é que ao mesmo tempo que as mamas são das mulheres elas pertencem a outros: à mãe que quer cuidar da filha, não quer a filha magoada e nem mal falada, ao namorado, marido que quer o toque, quer dar vazão ao desejo, ao filho quando ela amamenta, a mulher por sua vez quando deseja o toque do namorado em suas mamas pensa: será que é o momento? Será que posso confiar meu corpo a essa pessoa? Sente culpa pois a mãe se preocupa.

Assim as mamas seguem com as mulheres nessa relação de prazer, dor, delícia, partilha e conflito por toda a vida. Vem a descoberta do prazer sexual, vem exames ginecológicos, mamografias, vem amamentação, vem menopausa e as vezes vem o impronunciável, aquele que muitas pessoas até falam baixinho ao mencioná-lo, vem o câncer, vem a retirada da mama ou vem a cura, a relação das mulheres com as mamas é intensa, amorosa, dolorosa, prazerosa e impacta nossas vidas de variadas maneiras, o corpo feminino é também embelezado pelas mamas, elas tem função também estética: mamas pequenas, redondas, caídas, grandes, enfim, variados modelos, aspectos e tamanhos.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

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Olá, meu nome é Alessandra, tenho 29 anos. Aos 26, descobri que estava com câncer de mama. Apesar do que a maioria acha (inclusive eu achava), que você ser diagnosticado com câncer é o fim dos mundos, só tristeza e sofrimento, não foi bem assim. Pra mim as coisas foram acontecendo bem naturalmente, sem maiores traumas. Inclusive a temida perda dos cabelos. Eu até que estava bem empolgada em usar meus lenços novos que havia ganhado. Mas após 7 meses de tratamento, quando vi que finalmente meus cabelos estavam crescendo, e dessa vez seria pra ficar, a minha emoção foi inevitável. Eu sabia que agora eles iam crescer por igual, e não precisaria mais raspar. E bateu aquela emoção: será que vai nascer igual antes? Será que vai ser crespo, liso, branco? E desde que tive que raspar o cabelo um texto veio na minha cabeça. E nesse dia de felicidade, resolvi usá-lo pra prestar a homenagem.

“Oh Cabelo, Cabelo meu

Tão belo, tão poderoso, tão eu
Rebelde às vezes, às vezes dócil
Crespo, liso, ondulado, pixaim
Jeitoso assim, de qualquer jeito
Solto, preso, molhado, cheiroso, brilhante e macio
Cabelo meu
Tão belo, tão poderoso, retrato fiel de quem sou eu
Comprido como deve ser
Curto se ficar melhor
Da cor que nasceu
Da cor que eu quis
Cabelo, de fio a fio, em cada olhar eu vejo um elogio
Oh cabelo, cabelo meu
Se você não fosse meu, eu não seria tão… eu”

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Alessandra Cristina Barreira – nasceu em 27/01/86 em Campinas/SP, é formada pela UFSCar em ciência da computação e trabalha hoje como consultora em uma consultoria de informática.