Fui buscar na origem da palavra… e me deparei com: cuidar – “prestar atenção”

Mais do que nunca precisamos prestar atenção!

Nas nossas atitudes,

No outro,

Na vida,

Em nós!

Prestar atenção!

Prestar atenção nas nossas palavras,

Nas nossas atitudes,

Em quem está ao lado,

Em quem perdeu queridos e precisa de atenção. 

Prestar atenção no alimento e quem sofre pela falta dele.

Prestar atenção nos médicos e nos professores. 

Nos cientistas e nos governantes. 

É realmente a hora de prestar atenção. 

Hora de  CUIDAR.

Hora de olhar e ver. 

Agir ao invés de paralisar. 

Cuidar por dentro e cuidar por fora.

Prestar atenção

CUIDAR. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, 54 anos, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

Era leve

e para ser leve não precisava ser breve.

Era quente, pegava fogo, ardente

e para ser fogo não precisava ser doente.

Era cheio de preliminares

começando pelo bom dia!

E tinha cheiro de rosa atrevida…

aquele cheiro de dedos entrelaçados e das bocas lambidas.

Era flor

esculpida nos detalhes minúsculos das verdades diárias.

Flor de livres gestos, admiração e cuidado,

aquele cuidado noturno de desejar bons sonhos

e poder recordar da leveza das palavras.

Não era tudo ou nada…

Não era sal e nem dor.

E tinha aquele gosto de saudade boa…

porque era amor.

Siomara Carlson – Bela urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si

Olá, se você caiu aqui nesse texto saiba que essa é uma declaração de um amor torto.

Sabe aquele encontro que você pensa, “puxa, se eu não tivesse vindo parar aqui… nunca teria acontecido?” Nossa história é uma dessas, você já imaginou ver seu marido te avaliando em um trabalho de faculdade? Bom eu não, fui pega de surpresa pelo destino que colocou ele bem ali, entre os professores que me avaliariam em mais um trabalho semestral… Fico brava até hoje com a bendita pergunta: “por que preto esse logo?” (PORQUE, SIM MEU ANJO, reclame com o GUI!).

Seis meses depois, veja bem quem o destino resolveu por toda quinta feira na minha vida?

Ele mesmo, professor Euclides, o Crido (como outras pessoas o chamavam).

Ele era lindinho com seus três pares de botas, calça era verde escuro ou um tipo de tom terroso não identificado, as camisetas sempre lisas e os mesmos óculos de sempre. Eita homem de sorriso bonito! (sim meu caro leitor, reparei em todas as combinações possíveis de vestuário, e nas aulas também antes que pergunte!).

O melhor professor que já tive, e nem era por conta do meu crush por aquele homem!

Fui uma daquelas alunas pentelhas, que perguntam, interagem e se incomodam com o fato de outros alunos não conseguem ver a importância daquela matéria. Às quintas fazia questão de ir a mais arrumada possível, após as aulas ficávamos conversando sobre a vida, verdade e universo.

Era curiosa, afinal como um homem daqueles não tinha uma aliança no dedo? Podia ser meu… (pensei diversas vezes), cuidado com o que você joga para o universo!

As coisas mudaram bastante não é? Aos poucos não entendia o motivo de me sentir atraída por você, meu mundo virou de cabeça pra baixo ao perceber o estranho interesse por aquele homem, afinal eu não podia me interessar por você, professor-aluna, homem solteiro- mulher comprometida.

Foi então que tudo mudou, muito obrigada pelo melhor conselho de toda minha vida, abriu meus olhos, me fez entender que a vida que tinha anteriormente não poderia continuar existindo. Conversas e mais conversas e um pedido inusitado para almoçar acontece, o nosso dia 23 acontece.

Crido querido (pra mim meu XUXU, sempre!), sei que você é o escritor dessa família, mas tomei a liberdade de te dizer o quanto você importante pra mim. Feliz dois anos meu benzinho! Obrigada por me encorajar, por crescer ao meu lado, por ter acreditado, sonhado, e realizado esse amor junto comigo, por todo seu carinho, respeito e parceria. Por formar nossa família (você, eu, Nico e Olivia), e ser exatamente assim, desse jeitinho, imperfeito, incongruente e doce.

Feliz dia 23 de maio, dia do nosso amor.

Com todo amor do mundo,
Ana.

Ana Luíza Machado – Bela Urbana. Designer de formação, criativa na alma, guiada pela alegria, cidadã de mundo bonito.

O amor por cachorros me acompanha desde sempre. SÓ NÃO SEI se foi por influência paterna ou por minha própria natureza.

Inesquecível a história do cão que após ser levado para morar em uma chácara, voltou sozinho após dias andando e raspou a porta do apartamento de meu pai para reencontrá-lo.

Quanto desafio para um ser que costumamos chamar de irracional.

Mas o que será que é ser racional? Sinto na irracionalidade de um cão uma profunda razão.

SÓ SEI que na racionalidade do ser humano, muitas vezes existe uma falta de noção.

Cachorro gosta de amor e carinho. Não entende nada essas coisas de tendência em tentar humanizá-lo com nomes de gente e produtos similares aos dos seres racionais. A linha é imensa pois cada dia o mercado pet lança um produto diferente: cerveja, gelatina, bolo de caneca, brownie, sorvete, bolos e velas de aniversário, fantasias…e por aí vai.

NÃO SEI se essa crítica mais filosófica do que construtiva nos leva a algum lugar, mas SEI que para o cão, o que interessa é a troca de carinho. No mais ele não entende nada de toda essa humanização.

Parando para refletir sobre os relaciomentos de… não tão antigamente… e toda essa modernidade tecnológica como app’s para tudo com direito aos relacionamentos virtuais e imaginários, é fácil dizer o que SEI:

Todo esse mercado pet, que também sou consumista, é simplesmente o espelho da carência da humanidade por calor humano e contato presencial, sincero, simples e puro.

É na tentativa de humanização de seus novos “filhos” que muitos afagam sua carência por afeto e liberam a ocitocina*, que traz bem estar e aconchego.

Somos racionais e os pets irracionais? Há quem hoje em dia já discorde dessa afirmação. NÃO SEI se isso pode ser considerado agora liberdade de expressão. Talvez, contudo, entretanto…

“SÓ SEI QUE NADA SEI” **

  • Algumas formas de aumentar a ocitocina naturalmente:
    Contato físico. O contato físico na forma de abraços, massagem, cafuné e carinhos estimulam a produção de ocitocina, e é uma das causas do bem estar quando é realizado.
    Adotar um animal de estimação.

** Frase que Sócrates nunca disse segundo a História da Filosofia.

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

Chamego eu gosto
Chamego me faz bem
Chamego no rosto
Chamego na alma
Chamego que nunca desdém
Chamego me amansa
Chamego me faz sorrir
Chamego me faz curtir
Chamego na hora de partir
Chamego só pra sentir
Chamego de surpresa
Chamego debaixo da mesa
Chamego na hora que convém
Chamego também na hora incerta
Chamego debaixo da coberta

Sentir-se amada
Sentir-se querida
Sentir-se afagada
Sentir-se empoderada

Sorrisos se encontram
Mãos só transpiram
Coração acelera
Pensamentos
Coisas da vida
Quero mais
Chamego

Angela Carolina Pace – Bela Urbana, publicitária, mãe, apaixonada por Direito. Tem como hobby e necessidade estudar as Leis. Sonha que um dia as Leis realmente sejam iguais para todos.

“A liberdade termina onde começa a liberdade do outro.”

Há controvérsias sobre essa falácia popular. Eu, particularmente e sem querer que minha opinião seja a certa, penso que o ditado diz tudo.

A começar por nosso dia a dia. Há liberdade sem limites em nossa convivência em sociedade? Não. Para isso existem as leis e regras.

Há liberdade sem limites em nossas ações e falas? Supostamente sim, porém há consequências e punições caso atinjam o outro. Então nossa liberdade acaba onde começa a (vida) do outro.

Liberdade temos para decidir nossos caminhos. O livre arbítrio. Depende…. Se não envolver ninguém, sim.

Mesmo assim a liberdade de escolha perpassa por outras liberdades. Quando escolhemos cuidar de nós mesmos, é porque queremos viver mais. E não sozinhos. Nos cuidamos (segundo a psicologia) também para o outro.

Vejo muita gente que acha que pode ser totalmente livre e para mim, essa tal liberdade sem limites não existe.

Eu resolvi casar, escolhi uma companhia para minha vida e nunca fui totalmente livre. Primeiro porque tenho o meu companheiro para  decisões e depois porque escolhi ter filhos. Que mãe é livre após “padecer” no Paraíso?

Livres somos para fazer o bem ao outro. Livres somos para escolher entre o bem e o mal. Ah sim….essa liberdade temos integralmente!

As coisas mudam se colocarmos em primeiro lugar o amor ao próximo. Esse amor nos dará a plenitude, a felicidade.  A liberdade sem limites que tanto queremos ficará substituída por esse amor.

Portanto, amor e liberdade andam juntos.

Quando usamos a jargão  “somos livres” não podemos esquecer que essa liberdade tem limite. O limite é o  nosso amor ao próximo. Isso envolve respeito, escuta, silêncio, carinho e atitudes.


Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria“

As crianças estão morrendo de vontade de ter um cachorro aqui. Mas olha a responsa! A gente ama mas precisamos pensar muito.

Os alemães tem uma adoração imensa por estes bichinhos, que estão em toda a parte.

Apesar da adoração, ter um cachorro, na Alemanha, pode custar caro. O preço de um labrador pode chegar a 1.500 euros.

Fora isso, a lei obriga o proprietário a pagar imposto pela posse. A taxa (varia de cidade para cidade), fica entre 60 e 160 euros por ano para o primeiro cão e, de regra, aumenta para cada cachorro adicional, e os cães de combate, pitbull e etc., pagam em média 700 euros.

Já para os donos de cães treinados (guias para cegos, salva-vidas e dos usados em terapias) há redução no imposto.

O dono tem que tirar uma “carteira de cachorro” demonstrando que foi aprovado para ter o animal. Além de alimentá-lo e dar carinho, o cão não pode ficar mais de 3 horas sozinho, e caso esteja latindo muito por estar só, os vizinhos podem ligar para que que venham resgatá-lo e o dono paga uma multa!

E agora? Ter ou não ter?

Esses bichinhos tão vivendo melhor que eu.

Silvia Lima – Bela Urbana, publicitária, leonina, mãe do Gabriel e Lucas. Atua na área de moda internacional com foco em sustentabilidade. Mora em Stuttgart, adora uma viagem, só ou bem acompanhada, regada a muito vinho. Acredita no casamento, desde que não seja sempre com o mesmo marido, já que está no terceiro, que foi coletando mundo afora! É uma das sócias da Kbsa Inovação Responsável, que ajuda empresas de moda brasileiras a atuarem no mercado internacional por meio da sustentabilidade. www.kbsa.com.br

 

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Olá consulentes. Cá estou eu aqui de novo.

A pergunta que mais escuto quando me procuram é: Vai dar certo?

Eu sempre respondo: – Está dando.

As pessoas me olham com aquela cara de “como assim?” e antes que o consulente fale algo eu já explico.

O certo é uma estrada. As vezes reta, as vezes torta, as vezes com pedras, outras asfaltadas. As vezes com flores e frutos, em outros momentos árida. Na próxima curva pode ter um muro, na outra esquina pode chover. Você ainda pode dar de cara com um um ser estranho e assustador ou pode encontrar algo que você precise cuidar. Em algum momento ou mais de um, alguém despertará seu melhor. Em um trecho você terá companhia, em outros estará só. Nessa estrada ouvirá música, mas não em todo o caminho, em alguns ouvirá barulho e em outros silêncio. Encontrará, insetos, doces, água, comida, carros, carinho, raiva, sono, a falta dele, encontrará tudo, mas só verá se de fato olhar e sentir.

Então, quando a pergunta “vai dar certo?” vier. Pense. O certo é tudo isso e é incerto também. Afinal, o caminho é esse. O seu caminho.

Somente um conselho, um único e precioso conselho. Sapatos confortáveis para caminhar.

Até a próxima. Logo, logo tem mais.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

O dia das mães foi ontem, o dia de comemorá-lo, mas mãe, uma vez mãe, é mãe em tempo integral.

Tem gente que diz que mulher é frágil, mas que mãe é muito forte. Não concordo exatamente com isso, mulheres são fortes e também são frágeis e mães são fortes sim, muito fortes quando ser MÃE está na sua essência. Ter filhos é fácil, mas ser mãe não é só ter.

Hoje, pós dia das mães, meu dia começou com um imprevisto. A escola da minha filha me ligou porque ela estava com muita dor de ouvido. Eu estava indo para uma consulta médica agendada há mais de dois meses. A médica em questão, tem a agenda lotada, difícil conseguir consulta a curto prazo, mas é claro que desmarquei e fui com minha filha para o pronto socorro. Ficamos praticamente a manhã toda e saímos de lá para a farmácia comprar remédios, aliás, uma observação, como os remédios em nosso país são caros.  Conclusão, uma otite que já sendo tratada pela mãe.

Outro dia uma amiga me disse: – Adriana os filhos são da mãe.

Nunca tinha ouvido aquilo, mas faz sentido, os filhos são da mãe na maioria dos casos, conheço algumas exceções, mas na maioria, os filhos são da mãe mesmo. É a mãe o porto seguro, emocional e muitas vezes o financeiro. Tenho três filhos, descobri o que é ser mãe com o primeiro, que hoje tem 19 anos. Filho não tem manual de instrução e mesmo no terceiro, no meu caso, na terceira, cada um é um, e com cada um, aprendo e ensino sempre algo novo.

Ser mãe de bebê para mim é o mais fácil, uma outra vez uma prima me disse: – Se fossem sempre bebês eu teria uns dez.

Uau, dez eu acho muito, mas bebês são fáceis de cuidar, o trabalho basicamente é físico. A medida que os filhos crescem, outras e outras questões vão surgindo e nem sempre tudo é tranquilo, quase nunca é, mas como mãe, vamos descobrindo caminhos, nos informando, conversando com outras mães, buscando ajuda de profissionais. Enfim, toda mãe só quer mesmo ver ser filho bem e feliz.

É simples na verdade, mas chegar nessa simplicidade é que não é nada simples… ou talvez seja, nós mães que talvez sejamos mais complicadas do que deveríamos ser, talvez nossa lente de proteger os filhos seja de aumento.

Hoje só sei de fato uma coisa, que só sabemos o que fazer em uma determinada situação quando a vivemos. O resto é especulação. Então, se alguém falar: “se fosse…”, “se tivesse…”, eu faria de tal jeito. Esqueça, isso não existe.

Com meus filhos o meu SER HUMANO é mais forte, é crítico, aprende, ensina, perde a paciência, chora, ri, aplaude, não desiste, luta, briga, incentiva, se diverte, ama, com todas as dores e as delícias.

Depois que me tornei mãe tenho a clara sensação que um filho é a grande chance de sermos seres humanos melhores. Agradeço muito as minhas três grandes chances, espero estar fazendo certinho a lição de casa.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas nesse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Atualmente temos visto crianças de primeiro ano chegando à escola e segundo alguns olhares e falas, parecem descumprir as normas que a sociedade impõe. Normalmente ao invés de encarar a situação, por não estarmos preparados para lidar com a diversidade acabamos por ignorância evitando o assunto ou procurando aos pais um pouco receosos de suas reações, para que eles fiquem a par do que está acontecendo com seu filho ou filha que beijou o amiguinho ou amiguinha.

Felizmente quem tem nos ensinado a lidar com essa diversidade são os próprios pequenos.

Toda vez que esse tema surge na escola me vem na lembrança uma passagem que ocorreu há alguns anos. Chegou à escola onde fui coordenadora, na classe de primeiro ano, o aluno que chamarei de Pequeno E. Pois o pequeno E chegou, pobre, negro, franzino, com cílios alongadissimos ornamentando os olhos negros grandes e brilhantes. Pezinhos sujos em suas sandálias encardidas; quarto filho de uma família de oito filhos que dividiam o mesmo colchão, casa que tinha como fogão tijolos no chão. Pequeno E apesar de toda adversidade mantinha sempre um olhar que sorria. Hipótese de escrita inicial era pré-silábica e em um mês escrita alfabética, em três meses lendo e escrevendo tudo. Passeava pelo intervalo e recreio com livrinhos de histórias evangélicos e lia para todos que passavam; merendeiras, inspetores, professores e direção.

Todos se encantavam com o progresso e desempenho do pequeno E. Em todas as áreas se destacava; era convidado para todas as peças de teatro e, sem surpresa alguma, era sempre o personagem principal. Decorava suas falas e a de seus amigos também e, por vezes, sussurrava as falas para seus colegas que houvessem esquecido o que dizer na tentativa de fazer com que recobrassem o texto. Brilhou no primeiro ano e era o melhor aluno da classe, sua professora K, o amava e se orgulhava de tê-lo em sua turma. Seus colegas de classe o respeitavam e era querido por todos. No recreio quando algum aluno de outra classe dizia que ele parecia menininha brincando, lá vinham seus colegas de classe; colocavam as mãos em seus ombros o apoiando e tiravam-no de perto do agressor, cuidando, protegendo-o. Mesmo não estando frio, eventualmente vinha com um cachecol rosa ou roxo que circundava seu pescoço e, de vez em quando, jogava as pontas por cima dos ombros.

No ano seguinte estaria no segundo ano, seria um sucesso!.. Será? Não, não foi! O pequeno E desapareceu! Não entrou mais em cena! Não tinha mais voz! A professora A.L, do segundo ano, após ser questionada sobre a causa do pequeno E, que era ótimo aluno, não ter mais o mesmo desempenho e ser solicitado a ela que deveria observar o que estava acontecendo, disse que sabia exatamente o motivo. Segundo ela, E era insuportável, só ele queria falar e fazer as coisas, que ela se irritava com o fato dele andar rebolando, falar e querer só brincar com as meninas; que ela o havia colocado no lugar dele. Tivemos uma conversa com a professora, que ao invés de fortalecer esse pequeno quase o destruiu. Mudamos o pequeno E de classe, pois ela não merecia aquela joia. No mesmo dia, fui informada que Pequeno E estava chorando na hora do recreio e que por mais que se perguntasse não queria contar. Chamei-o até minha sala e comecei a conversar com ele que em lágrimas me disse:

– Sabe o que é? As pessoas querem que eu fale e ande de outro jeito, que eu seja diferente, mas eu só sei ser assim!!

Tentei conter as lagrimas que brotaram em meus olhos, o nó que se formou em minha garganta e abracei-o. A partir daquele dia decidi nunca mais permitir que ninguém fosse insensível a ponto de esquecer que não podemos forçar alguém a ser o que não é e, obviamente, a respeitar a diversidade. Antes dele sair lhe disse:

– Seja você meu querido! Não se esforce para provar nada a ninguém. Todos nessa escola te amam e te ajudarão a ser forte para quando sair daqui! Quando precisar me procure. Maria Teresa Cruz de Moraes.

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, 52 anos, divorciada, mãe de duas filhas, uma de 25 e outra de 17, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana rs.