O inverno chegou e veio em todo seu esplendor, não é? Que tal aproveitar esse friozinho ( puro eufemismo, claro) e reunir os amigos, juntar uns cobertores e preparar uns caldinhos para se aquecer e jogar um pouco de conversa fora?

Estamos vivendo em um tempo de muita informação, correrias sem fim, relacionamentos líquidos e virtuais, mas muito pouca interação verdadeira. É claro que o dia a dia acaba nos levando a escolhas cada vez mais práticas e rápidas, mas que tal tirar um tempinho para resgatar as relações ao redor da mesa e levar de brinde mais saúde física e mental?

Minha proposta? Invista nas sopas, caldos ou cremes (os nomes são apenas variações gastronômicas para as texturas, ok?); eles aquecem, dão uma sensação de conforto e, com os ingredientes certos, ainda podem proporcionar uma melhoria no sistema imunológico, reduzindo a incidência de doenças associadas ao inverno. Ah! E se você convidar os amigos para dividir essa experiência, ainda tem o conforto emocional, a alegria da partilha…que também ajuda a prevenir muitas doenças. ”Pessoas felizes são mais saudáveis”!

Sem ideias do que fazer? Abuse das especiarias! Cardamomo, gengibre, anis estrelado, canela, páprica, açafrão… Todas têm propriedades anti-inflamatórias e são termogênicas, o que vai ajudar a te aquecer…

Não conhece algumas delas? Vá a uma casa de produtos naturais ou na sessão de temperos do supermercado e se divirta. Experimente, ouse, saia da caixinha!

Sabores são muitos! Mandioquinha com açafrão, abóbora com gengibre, beterraba com cenoura e cardamomo, feijão com páprica…e mais um monte de combinações a sua escolha. Todos deliciosos, quentinhos e, com as companhias certas, uma experiência única e renovadora.

E aí? Que tal tentar esse encontro no aconchego de casa? Eu garanto que é demais!

Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Na vida, na arte, nos relacionamos e até na cozinha mudar é preciso. Mas falar é fácil, né? Difícil é fazer…

Existe em nós um paradoxo: ao mesmo tempo em que ansiamos pelo novo (a tal mudança), nos agarramos com unhas e dentes ao conhecido. O conhecido é nosso lugar de conforto, onde mesmo com sofrimento e desconforto, sabemos (ou achamos) os resultados. O novo…ah, o novo traz milhões de possibilidades, mas nem sempre a que esperamos… Difícil, não? NÃO! Nem tanto. Precisamos apenas desconstruir nossas percepções e começar a encarar a vida e tudo que ela nos oferece como oportunidades… de crescer, de aprender, de transformar… as vezes dói, mas sempre é enriquecedor ao final.

Mas o que isso te a ver com gastronomia? Afinal, essa parte do blog fala sobre isso, né?

Eu aprendi, dentro da minha cozinha, que mesmo que a gente ache que está no controle, algo sempre pode “dar errado”… e isso foi no meio de uma aula de gastronomia que eu estava ministrando.

Receita testada, todos os ingredientes certos e… a lentilha cozinhou demais! Deu errado, vocês poderiam pensar… mas, não! Foi ótimo! Me deu a chance de mostrar que tudo tem jeito se você estiver preparada e mantiver o foco. E fizemos o melhor hambúrguer de lentilha até então preparado!

Então, quando você estiver com pena de si mesma e pensando o que deu errado. Imagine que nada! O errado é só a vida te levando para um lugar melhor e testando o quanto você está preparada.

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Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos. Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante EnRaizAr que fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Quando pensamos em reunião de família, àquele almoço gostoso de domingo ou as festas de final de ano o que nos vêm à cabeça é a vó, a mãe ou qualquer mulher que cozinhe bem…Porque, mesmo que inconscientemente, o universo da cozinha caseira é algo ligado ao feminino. Já quando pensamos no nosso restaurante predileto ou em alta gastronomia lembramos do Chef ( quase sempre no masculino) ….um ser quase mítico que transforma “comida” em experiência, sabor em prazer…Rsrs.
Você se lembra do nome de uma Chef mulher? E homem? Mesmo que não lembre do nome, tenho certeza que vem muitas imagens de grandes mestres ( homens) na cozinha.
Será que eles realmente cozinham melhor? Fico aqui me questionando…Ou o mundo realmente é 100% machista como querem me fazer acreditar as feministas de plantão?  Eu tenho minha cozinha profissional para comandar, muitos me chamam de Chef de cozinha e pensando essa questão acho que o que ocorre de verdade é que cozinhamos tão bem ou tão mal quanto eles…
O que ocorre , no meu ponto de vista, é que temos objetivos e posturas diferentes quando entramos no mundo da cozinha profissional. O homem tem um espírito competitivo e um foco no marketing pessoal muito maior do que a mulher e isso o faz buscar muito mais os holofotes.
Não posso falar por todas as mulheres, mas o que sinto e o que busco quando entro na minha cozinha não é a auto promoção, pouco me importa se sou Chef ou cozinheira (aliás, Chef é cargo. Todo Chef é um cozinheiro em primeiro lugar) o que busco é a excelência dos ingredientes, o melhor preparo, os sabores e a satisfação do meu cliente.
Não preciso ser a primeira do mundo, sair em capa de revista…e acho, que como eu, a maioria das mulheres quando entra no mundo da cozinha está muito mais focada na comida em si do que na imagem e talvez por isso não sejamos tão reconhecidas publicamente…
Machismo ou foco?! Não sei…
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Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Como curar dores de amores mal vividos, não correspondidos ou incompreendidos? Será que é possível?

Pensando sobre amores, dores e comidas a primeira coisa que me veio à cabeça foram imagens das “mocinhas” da telona afogando suas mágoas num delicioso pote de sorvete…será?! Me lembro também, de quando era adolescente (faz só um tempinho, hein?! Rsrs) e que sempre pensava: “se algum dia eu tiver uma desilusão, resolvo com sorvete “… nunca tirei a prova.

Hoje, na idade adulta, já tendo passado por milhares de desilusões fui levada novamente a pensar sobre isso. Será que existe algum tipo de comida que preencha àquele vazio deixado pela pessoa amada? Que transforme desilusão em alegria? Que nos dê um conforto num momento de dor?

Realmente não tenho a resposta para isso. O que acho, é que uma comidinha gostosa, preparada com carinho, sempre vai trazer , se não alegria, pelo menos prazer. Um pote de pipocas, para quem gosta, pode ser um momento de esquecimento ou um encontro consigo.

O importante é se permitir desfrutar dos pequenos prazeres. E aí, pensando nas minhas próprias desilusões, me veio uma saudade imensa daquilo que não volta mais. O que eu faço com essa saudade? Tem dias que faço graça, tem dias que faço caipirinha…hoje, fiz brigadeiro! Gourmet! Rsrsrsrs

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Adriana Rebouças – Bela Urbana, formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Adolescência é um período de descobertas, experiências e muitas expectativas, né? A minha não foi diferente. E pensando naquela época me lembrei de um episódio que poderia ter mudado o que faço hoje.

Eu devia ter uns 17 anos mais ou menos . Minha mãe e minha irmã iam viajar e eu ia ficar por minha conta. Coisa que eu adorava! Bom, eu estava namorando um cara mais velho e logo pensei em algo para impressioná-lo.

Pedi para minha mãe se podia fazer um almoço para ele e ela não só concordou, como comprou os ingredientes.

O cardápio: estrogonofe ( de carne) com arroz e batatas fritas.

Chegado o dia comecei a trabalhar bem cedo…separa ingredientes, pica, põe na panela, mas como era mesmo? Tempera a carne com limão, mas esse tem que ficar especial, mais um pouquinho de limão para ficar melhor.

Tudo lindo, eu linda (era o que eu achava aos 17 anos…rs), a mesa posta, até um vinho arrumei. O gato chega (era assim que chamávamos) eu faço seu prato e ansiosa espero a primeira garfada. Percebo um certo desconforto em suas feições, mas acho que é meu nervosismo, afinal não tinha como dar errado.

Me armo de meu melhor sorriso e pergunto: e aí, como está? Ele mal consegue respirar, mas gentilmente me responde: – É tá bom. Nesse momento me lembro de meu próprio prato e coloco uma porção generosa na boca, hummmm….ecaaaa! Só tem gosto de limão! Começamos a rir e resolvemos sair para comer um delicioso pastel feito pelo japonês da esquina.

O almoço foi um fiasco total e o namoro não ficou atrás, mas por incrível que pareça, apesar da primeira incursão na cozinha ter dado nisso, hoje cozinho profissionalmente. Os talentos nem sempre aparecem na hora que precisamos, mas muita vontade e estudo nos fazem capazes de tudo. Nunca desistam no primeiro tropeço, vocês podem se surpreender com o que são capazes de realizar.

Agora faço comida saudável!!! rs.

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Adriana Rebouças – Formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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Quantas vezes não planejamos algo e quando vemos algo inesperado acontece e ficamos sem saber o que fazer? Pois é, na cozinha não é diferente… Já imaginou planejar uma festa, ou mesmo uma reunião de amigos e descobrir que um deles (ou vários) não comem carne nem nada com leite ou derivados?

A primeira vez que isso me aconteceu, confesso que entrei em pânico. Hoje, por ironia do destino, comando uma cozinha vegetariana/vegana e descobri que podemos fazer maravilhas se deixarmos nossos preconceitos de lado e estivermos abertos ao novo.

E para você aqui vão algumas dicas:

Experimente fazer uma canjica usando leite de coco, ou servir uma bruschetta com tomates e manjericão ( pão normalmente não vai leite…rs).

Esfriou? Faça um caldo de abóbora com gengibre. Fica uma delícia! Abuse das ervas, dos temperos e especiarias.

Não tenha medo de ousar e descubra um novo universo de sabores ! Que tal experimentar?!

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Adriana Rebouças – Formada em Publicidade. Cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão. Sócia do restaurante chama EnRaizAr e fica dentro de um espaço de yoga e terapias que se chama Manipura em São José do Campos – SP.

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11275551_430592013780111_670030433_n foto doce Adri rebouças

Adoro cozinhar, tanto quanto adoro comer e sempre tive uma questão a rondar minha mente: o que é comida boa?

Como publicitária que sou,  comecei a procurar informações sobre o assunto e encontrei várias justificativas: comida boa é comida farta, comida boa é aquela feita com bons ingredientes o Chef tem que conhecer técnicas etc e tal…

Concordei com cada uma das justificativas, mas nenhuma  me satisfazia por completo, até que um dia… num evento cujo o foco era a harmonização de vinhos e gastronomia eu tive uma experiência que abriu meus horizontes. Uma das participantes me chamou e quando cheguei perto para atendê-la ela começou a dizer que me adorava e começou a me abraçar chorando e quando eu me mostrei perdida com a situação, ela virou para mim e disse: eu precisava te agradecer pois a sua comida é a melhor que eu já experimentei, pois lembra a da minha avó… e isso se repetiu em algumas outras ocasiões com variações do tipo: minha infância, mãe, uma ocasião  especial…  eu cheguei a conclusão de que comida boa é aquela que alimenta não só a fome, mas sim aquela que nos traz emoções, memórias afetivas.

Hoje, sempre que vou pensar num cardápio, penso antes na história daquela comida, nas tradições envolvidas, no que posso oferecer de memoria a respeito daquilo.  Quer fazer um jantar, um café ou qualquer encontro gastronômico de sucesso?

Procure na sua própria historia o que lhe traz boas memórias e apresente aos seus amigos. Você vai ver o sucesso que isso faz.

Bom apetite!

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Adriana Rebouças – Formada em Publicidade, cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão.

 

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Não sei vocês, mas eu muitas vezes desisto de reunir os amigos em casa e desfrutar de ótimos momentos, por todo o trabalho que isso pode dar. Além do mais, o que acaba acontecendo é que todo mundo se diverte e eu acabo ficando toda atarantada à beira do fogão. Nem consigo aproveitar a companhia dos amigos. Mas existe um modo mais descomplicado e criativo pra fazer uma bela reunião e não precisar ficar cuidando das panelas durante o evento.

Quer uma dica? Reinvente suas receitas para o formato de finger food (comidinhas para ser apreciadas com as mãos) e adapte-as de forma que possam ser servidas em temperatura ambiente. Assim você prepara tudo antes, monta em aparadores e, como cada um se serve, você fica a vontade pra curtir seus amigos.

Difícil imaginar? Então, vamos adaptar um cardápio com inspiração Mineira. Sim, Mineira! Aquela comida que se serve fervendo. Faça uma versão do famoso escondidinho de carne seca, transformando-o numa deliciosa salada de batatas com um punhado de carne seca desfiada servida por cima. E a carne de porco? Bom, é simples…faça uma polenta mais firme e corte com um cortador de aro redondo. Faça um pernil desfiado e coloque em cima da base de polenta. E pra finalizar, coloque um pouco de cebolas caramelizadas por cima. De sobremesa, um belo romeu e julieta que pode ser servido num copo ou no palito. Seus amigos vão adorar e vc pode participar sem stress. Bom apetite a todos!

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Adriana Rebouças – Formada em Publicidade, cursou gastronomia no IGA – São José dos Campos Publicitária de formação e Chef por paixão.

 

“A penicilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes.” Alexander Fleming (1881-1955)

 

O vinho é um presente dos deuses. Assim acreditavam os povos antigos, a ponto dele ser citado em muitas tradições mitológicas e também nos livros sagrados das principais religiões. A Bíblia não apenas faz menção ao vinho (mais de 200 vezes) como também atribui ao patriarca Noé a sua descoberta (e também o primeiro pileque). Porém, há um vinho que foi presente especial: o Vinho do Porto.

Pouco conhecido dos brasileiros, o Vinho do Porto é produzido na região demarcada mais antiga do mundo: o vale do Rio Douro (decretada pelo Marquês de Pombal em 1756). O Rio Douro nasce na Espanha e cruza a região norte de Portugal até desaguar no Atlântico, onde se encontram as cidades do Porto (de onde o vinho herdou o nome) e Vila Nova de Gaia. O duro trabalho dos portugueses nessas encostas de xisto e granito, de solo pobre e árido, onde as videiras são cultivadas em socalcos (degraus), transformou uma região improvável para o cultivo em uma paisagem reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

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Mas por que o Vinho do Porto é tão especial? Ele é um vinho “fortificado” (assim como o Jerez), ou seja, durante o processo de fermentação, é adicionada uma quantidade de aguardente vínica (feita de uva), que interrompe a fermentação, retendo a parte do açúcar da fruta que ainda não foi transformada em álcool. O resultado é uma bebida equilibrada que combina a doçura natural da uva e a força do álcool. Ele se distingue dos vinhos tradicionais pela diversidade e persistência de aromas e sabores, pelo teor alcoólico mais elevado (entre 19° e 22°), pelas diferentes graduações de doçura e pela variedade de cores.

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Depois de produzido, o Vinho do Porto passa por um processo de envelhecimento, e os tipos mais comuns de vinho são:

  • Ruby – vinho elaborado com uvas tintas (o nome é uma referência à sua cor) que, mesmo envelhecendo durante dois a três anos em tonéis de madeira, ainda mantém muitas de suas características originais; encorpado e frutado, é um vinho jovem, com sabor puxando para ameixas e frutas silvestres;
  • Tawny – elaborado com as mesmas uvas do Ruby, ele também fica envelhecendo de dois a três anos em tonéis de madeira; a diferença é que, posteriormente, ele é transferido para barricas de carvalho, onde fica envelhecendo por mais alguns anos; o contato prolongado com a madeira faz com que sua cor vá clareando e adquirindo variados tons de âmbar (por isso o nome Tawny, que significa “aloirado”); tem sabor mais amadurecido e elegante, puxando para amêndoas e outras frutas secas.

Estes vinhos podem ser encontrados numa faixa de preço a partir de R$ 60, aumentando nos casos dos tipos mais sofisticados (Reserva, Colheita, Vintage, etc.). Existem ainda os Vinhos do Porto branco e rose, mas esses são menos consumidos.

Um Vinho do Porto (apenas “Porto” para os íntimos) deve ser servido numa taça de tamanho médio, tipo tulipa (evite aqueles cálices minúsculos que não permitem desfrutar todos os aromas e sabores do vinho), e a temperatura ideal é em torno de 14°C. O Porto harmoniza com diversos pratos, mas tradicionalmente é servido acompanhando queijos, como um vinho de sobremesa ou combinando com chocolates. Os Vinhos do Porto branco-seco, rose e até um Ruby podem ser servidos também como aperitivo. Mas, sem dúvida, toda a exuberância deste vinho só é conhecida quando, ao final de um jantar especial, apreciamos calmamente um maravilhoso Tawny.

O Porto também tem diversas aplicações culinárias, devido aos seus fortes sabores frutados e doçura. É, por exemplo, uma boa adição nos molhos de carnes assadas, mas é nas sobremesas que sua participação é mais marcante – experimente colocar uma dose na calda de ameixa ou de frutas vermelhas de um manjar branco. O truque é não exagerar. Ah, e um segredo de família: a Dona Flor (tia querida e cozinheira de mão cheia) põe sempre uma dose de Vinho do Porto no popular brigadeiro, o que o deixa mais aveludado.

O Vinho do Porto é a bebida perfeita para um momento romântico. Certamente alguém vai perguntar: “Mais que o Champagne?” O Champagne é uma bebida maravilhosa, que inspira festa, excitação, arrebatamento, êxtase (nada de errado com isso). Já um Porto induz tranquilidade, cumplicidade, aconchego, um gesto de carinho, uma carícia. Mas é apenas uma opinião, e se você discordar, brindemos a isso. Com um Porto, é claro.

O Porto está associado a muitas tradições, talvez por influência dos britânicos, os primeiros e ainda principais importadores da bebida (várias das atuais Caves de Vinho do Porto são de origem inglesa). Uma dessas tradições reza que a garrafa deve ser passada de mão em mão, para que cada um se sirva, sempre pela esquerda (“Port never goes to right”, isto é, “o Porto nunca vai para a direita”). A razão viria do tempo dos duelos, para que a mão direita estivesse livre no caso de um eventual ataque. Mas os portugueses preferem a versão de que o lado esquerdo é o do coração e, por isso, o Porto é servido sempre pela esquerda e tomado com a mão esquerda.

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Uma outra tradição é que o Porto é a única bebida com a qual se pode fazer o “Loyal Toast”, o brinde à Rainha da Inglaterra. Por isso é que recomendo ter sempre um bom Porto à mão, afinal, a próxima vez que baterem à porta, pode ser a Rainha Elizabeth que resolveu “dar uma passadinha lá em casa”. Ou, mais importante, pode ser simplesmente alguém que amamos.

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FERNANDO FERNANDES, economista, executivo da área de Recursos Humanos, e um mero apreciador das coisas simples da vida: uma boa comida, um bom vinho, uma boa leitura e, principalmente, as boas companhias.

Ainda considerado como um produto de luxo, e não um complemento à alimentação como em vários países europeus, assistimos um aumento gradual do consumo de vinho em nosso país, principalmente entre as classes média e alta. O brasileiro incorporou o vinho em seus programas e entender de vinho passou então a ser uma obrigação.

Chique é provar o vinho seguindo o ritual de agitá-lo, dar uma paradinha, olhar com carinho, sentir o buquet para então finalmente experimentá-lo. Após um silêncio de alguns segundos para reflexão,  momento de expectativa para os garçons,  faz-se então uma cara de quem entende do assunto e comenta-se algo, geralmente evasivo. Com um sorriso aliviado, o vinho é então servido pelo garçom.

Eu adoro este ritual mas assistir pode ser engraçado pois alguns sabem bem o que estão fazendo, outros, simplesmente seguem o fluxo!

O que está por trás deste produto tão sedutor?

Vejo o vinho como uma combinação de três indicadores:

  • Propriedades básicas do vinho: como tipo de uva, assemblagem, região produtora, teor alcoólico, modo de engarrafamento, safra, etc…
  • Fatores externos: como armazenagem, agitação, temperatura de consumo, pratos que acompanham, etc….
  • Consumidor: que tem gostos específicos, memórias gastronômicas e ligações emocionais.

Enfim, a experiência de cada garrafa depende da combinação destes indicadores, suportando o clichê “cada garrafa traz uma experiência única”, e pode ser apreciada usando os cinco sentidos, as vezes o sexto também!

E qual é o vinho perfeito? Para mim o terceiro indicador fala bem alto.

Aqui na Europa a oferta de vinhos é indescritível, além dos custos serem muito menores que no Brasil, podemos escolher vinhos maravilhosos em supermercados, vendinhas e até em lojas especializadas, encontrando ofertas de sei lá quantos países diferentes. Mas, confesso que já me vi pagando caro por um determinado Malbec Argentino… o mesmo que escolhi há 12 anos para ser servido no aniversário do meu pai. E esse vinho foi um néctar para mim, com ele revivi experiências deliciosas.

Para vinho, não existe regra, não existe certo ou errado. É gosto, é experiência, é interesse, é curiosidade, é atenção.

Eu adoro vinho, bebo diariamente. Nada boba, me adaptei fácil e rápido a este delicioso costume europeu! Consigo sentir minhas preferencias e fazer conexões entre minhas experiências. Diferencio e descarto os vinhos banais. Sinto quando um vinho não “está” bom, o que é diferente de quando ele não “é” bom.

O conhecimento veio com o tempo, com a curiosidade, com a exploração de muitas garrafas. Mas veio também o respeito: não me meto a abrir garrafas muito mais caras que meu conhecimento. Acho um desperdiço, um desrespeito!

É um pouco como arte, gosto de Picasso e evito Dalí. Os dois são bons, têm seus méritos mas não agradam a todos. Ainda bem!

TECA

TECA HUNGRIA
Viajante desde os 13 anos de idade, adora descobrir e experimentar tudo que é novo. 
Cansada da vida de executiva, pediu demissão e foi para Suíça, onde enraizou e ficou.
É apaixonada por gastronomia, vinhos e design de interiores.
Mora com um Suíço alemão que, mesmo sem querer, ensina todos os dias algo novo para ela.