Comecei a pensar nesse tema ao observar como os homens querem a atenção das mulheres para seus assuntos, mas não prestam atenção no que as mulheres querem dizer.

É comum ver piadinhas, memes, cartoons mostrando as mulheres falando sem parar e os homens entediados, sem prestar atenção ou batendo o carro, ou a mulher com a boca calada pelo cinto de segurança, enquanto o homem dirige tranquilo.

O que tenho observado é que há um conflito entre os assuntos de interesse do homem e da mulher. Muitos homens gostam de contar para a mulher seus novos projetos, seu dia no trabalho, sua discussão no trânsito. Enquanto outros, por considerarem seus assuntos somente interessantes para homens só conversam com os amigos do futebol, do trabalho, do bar. A mulher gosta de dividir seus assuntos com o parceiro, mas normalmente não encontra interesse da parte dele.

Mulheres gostam de falar sobre relacionamentos, comportamento. Quando comentam sobre o trabalho, geralmente falam sobre as atitudes do chefe ou dos colegas. Quando expõe seus projetos, levam em conta a parte humana da coisa. Para os homens, mais práticos, não interessa saber esses “detalhes”.

Os assuntos das mulheres que optaram por tomar conta do lar e das crianças, são ainda menos interessantes para eles. A nova receita de bolo, como as crianças se comportaram, tudo lhes parece tão chato!

A questão é que esse desinteresse gera uma distância tão triste entre um casal, uma falta de diálogo, que, acredito eu, tem causado muitas separações de casais.

Aquela pessoa que, um dia foi o centro dos seus interesses, de repente se torna alguém com quem você não quer conversar.

Para manter a chama do casamento ou do relacionamento acesa, não é preciso só sexo, mas é preciso saber ouvir, ter interesse no outro, compreender suas carências, suas necessidades e dificuldades. Temos dois ouvidos e só uma boca, por isso, temos que aprender a ouvir.

Filipa Mourato de Jesus –  Bela Urbana, 43 anos, a espera do terceiro filho, ex bancária concursada, atual mãe em tempo integral, larguei tudo em busca de fazer o que amo, quero ser confeiteira!

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“A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.”

Leon Tolstoi

Essa afirmação existe há tempos não é mesmo? Não tanto como a luta pelos Direitos de Gêneros, mas não vou falar sobre isso, quero somente falar de uma mulher qualquer nesse dia qualquer de um hoje qualquer.

Eu.

Acordo já pensando nas mil pequenas tarefas diárias, aquelas que esgotam nosso tempo e também parte do humor, mas alguém terá que fazer o trabalho, no caso eu mesma, pois bem, sigo em frente, igual a milhões de pessoas, atarefada e cronometrada pelas 24 horas, parecendo competir comigo mesma num campeonato onde o troféu é o meu cúmplice travesseiro. No elevador com compras, malas, bolsas e mochilas, sigo para levar as crianças para a escola e verifico se meu I pod está carregado porque terei um ensaio importante. Esqueci de mencionar que trabalho com Dança.

E entre todas as prioridades apareceu mais uma, achar um argumento para explicar para o filho mais novo porque ele não pode ter seu próprio jabuti. Isso mesmo. Ele ainda não pode. Nem eu posso. Talvez nem você possa, mas é necessário dar uma resposta condizente ao pequeno quando o elevador abre e “ufa”, todos saem correndo; inclusive eu. Dai chego ao trabalho. E lá vem ela.

A Dança.

Sim, a Dança que me obriga e despir-me de mim mesma como numa ordem. E assim, eu faço, obedecendo e tentando agradá la de todas as formas. O tempo todo. Naqueles momentos junto aos amigos, alunos, parceiros, música, dor, suor e concentração acontece uma tríade. Mente, corpo e alma, onde seu corpo vira uma espécie de pensão de emoções tentando comunicar se com você mesmo e com o outro.

A Dança é uma arte que te escolhe e ponto. Não tem outra opção, não há acordo, não discuta com ela. Ela é tirana e tão feminina como uma leoa no cio. Caça e caçadora se alimenta de você e te alimenta de volta, devolvendo a energia que faz você respirar. Claro, que muitas pessoas encontram isso em igual força e semelhança em outras artes, mas posso falar desta. Soberana ela dita e você obedece. Mas muitas valentes teimosas não escolhidas também chegam lá. E como!

Em meio a idas e vindas, versos e reversos lá estamos em busca do aplauso. Um aplauso interno, pessoal que complete uma existência. A mulher da dança estará sempre insatisfeita como todas as outras, será sempre crítica, como muitas outras, lutará contra o tempo até aceitá lo e também será interrompida de sua última valsa como todas as outras.

Mas se ao raiar do novo dia, você estiver lá com suas demandas e agradecer por logo menos poder encontrá la novamente, terá outra chance diante do indizível. Comunicar-se através do corpo e do ritmo em busca de seu aplauso interno. Aplauso que todas merecem. Parabéns para nós em todos os 364 dias, mas por hoje vale lembrar que o significado de ser mulher é a gente que dá e não o cupom de supermercado ou a flor doada no banco.

Bravo!
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Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.Meg Lovato-

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Adoro ser mulher. Mas sou de uma geração que cresceu querendo ser a mulher maravilha, lutar contra a injustiça, ser forte, bela, íntegra, doce e justa.

Me inspirava nas mulheres fortes da minha família que, sem medo (ou talvez por medo), seguiam em frente e davam conta das tarefas.

Ver a tia pular grávida de um trampolim, e eu lá com meus nove anos olhando admirada aquela mulher sem freios, corajosa e querendo ser igual. Nunca fiz isso, aliás confesso que morro de medo de altura, mas aos poucos tento superar.

Ainda menina, brincava que era uma das “panteras”, série de sucesso numa época que ainda não existia TV a cabo. Queria ser sempre a personagem Sabrina, a de cabelo tijelinha e preto como o meu. A menos bonita, mas a mais inteligente. Gostava de ser essa.

Já fui seguida na rua diversas vezes. No final da adolescência e no início da vida adulta isso acontecia muito, mas eu era esperta e percebia rápido. Atravessava para ruas que eram contramão para quem estava de carro.  Entrava em alguma loja ou padaria e lá ficava até o seguidor desistir. Fingia que ia entrar em uma rua e corria para outra. Fui criando técnicas para não ser abordada, incomodada e sabe-se lá o que mais.

Quando estava no terceiro ano da faculdade fui fazer estágio em uma multinacional. Meu trabalho era interno, porém uma vez fui convocada para acompanhar um colega – talvez uns 15 anos mais velho que eu – em uma tomada de preços. Achei bacana porque seria algo diferente da minha rotina diária.

Tinha 21 anos, eu e toda minha geração usávamos muito minissaias, bermudas e shorts. Mesmo para trabalhar, até porque nosso departamento era composto basicamente por estagiários.

Fomos no carro dele, eu estava de bermuda-saia que também era moda na época. Participamos daquela tomada de preços e, na volta, esse homem parou em uma rua e começou a me dizer que morava perto dali. Não me lembro das minhas respostas, não me lembro se entendia que aquilo era nitidamente uma cantada e que eu estava em uma posição bem vulnerável ou se, de fato, não percebia. Não sei, de verdade, excluí da minha lembrança.

Ele viu que eu não demostrava nada e foi me mostrando alguns álbuns de fotos que tinha tirado do porta-luvas. Até que em um momento ele simplesmente passou a mão na minha perna com uma dessas pegadas fortes e disse algo do tipo: que pernão.

Não sei explicar o meu sentimento: nojo, constrangimento. Acho que minha cara deve ter sido de alguém tão pasma que aquilo não passou dali, por sorte minha. Pedi que fossemos embora e fomos.

Cheguei na empresa com uma sensação ruim, com vergonha e só vim contar isso há poucos anos para uma amiga que trabalhou na mesma empresa. Ela ficou assustada com a história, mas sabia que o tal sujeito era cafajeste. Neste último mês contei essa mesma história para mais três pessoas e, agora, publicamente.

Por que não contar antes? Vergonha? Constrangimento? Não sei, o fato é que não quis compartilhar com ninguém e somente agora, mais de 20 anos depois estou escancarando isso em um texto e divulgando para onde for e para quem quiser ler, simplesmente porque acho que não devemos nos calar em situações abusivas como esta.

Não sou contra cantadas, e nem as tão famosas cantadas de pedreiro. Se não forem agressivas, ok, estão valendo. É gostoso ouvir um “fiu fiu” de vez em quando, mas do assobio à agressão verbal e física existe uma grande diferença.

Mulheres são ainda estigmatizadas pela sua aparência. Bonita, feia, gorda, gostosa, siliconada, loira burra e por ai entram em cena adjetivos animais, como gata, baleia, vaca, piranha, capivara, cachorra, cavala etc.

Tenho 47 anos e três filhos, um com 18, outro com 12 e a caçula com 10 anos. Contra as probabilidades da vida de uma mulher, continuei trabalhando. Sou fundadora e sócia da Modo Comunicação e Marketing há 23 anos, desde que me formei. Trabalhei até um dia antes do nascimento de cada filho, fiquei home office no período de licença-maternidade, mas amamentei todos filhos bem mais que os seis meses necessários.

Ao invés de chorar pela falta de oportunidades para as mulheres fui criando as minhas e elas foram dando certo. Cresci muito, hoje sei muito da minha área. Nessa altura, me permito criar que adoro, além é claro das demais funções que como sócia sou responsável.

Outro dia estava em um evento da área para sócios de agências de comunicação e percebi que eu era a única mulher – sócia de agência – que estava lá. Comecei a tentar lembrar as mulheres daqui de Campinas (interior de SP) que estão há mais de 20 anos no mercado a frente de agências. Temos muitas na cidade, mas só consegui  lembrar de mais duas mulheres nas mesmas condições que eu. É muito pouco.

Se tem uma palavra que hoje eu escolho para mim é coragem. As probabilidades não me assustam e nem me fazem recuar. É justamente por essa coragem de hoje que coloco a boca no trombone, conto essas histórias verídicas e sigo em frente gostando da mulher que sou.

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos e poesias, mas também e atreve a escrever no divã desse blog. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa 🙂