Bendito o fruto do vosso ventre, bendita sois vós entre as mulheres, bendita são as mulheres, aos milhares, ao mero esmero do seus bons corações, donas de toda imensidão – e ainda assim são tantas as ilusões.

Belas ilustrações, filhas da esperança à espera de crianças que não vão voltar. Mortas antes de nascer, violentadas durante a primavera ou outra estação qualquer, entre violetas e a depressão, pós parto, pré-nupcial, pré-histórica, pós-moderna, hemorragia interna, fratura exposta, vidas vazias preenchidas com socos, ódio, beijos e rancor dados pelo marido exemplar, na boca, batom sem cor. Falta amor, sobra hipocrisia, lágrimas acumuladas com a louça na pia.

Vadia! Vai criar a criança sozinha, putinha, ave maria, ninguém ouve a reza sussurrada, ninguém ouve os gritos contidos, os gemidos, os tiros, todos tapam os ouvidos: em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.

Você não tem bom humor? Tá naqueles dias? Não sabe aceitar elogio! É uma louca, psicopata, é pica que te falta, mal-comida, mal-amada, mágoas bem alimentadas, surras bem dadas. Sociedade (ben)dita as regras – cuidar de um bom marido, igreja aos domingos, não responder aos patrões, seguir os padrões. Seja o que a moda impõe. Não dê motivos, não dê razões, seja aos estupradores ou aos ladrões.

Venha me dê a mão, confie em mim, eu sei o que é bom, aborte apenas o seu coração, não se esqueça que bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, não esqueça a sua função – nascer, parir e morrer, não sonhe, nem pense em achar que sabe o que é viver.

Lucas Alberti Amaral – Belo urbanonascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias www.facebook.com/quaseinedito (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.


Assédio não avisa quando vem. É aquela visita chata dos infernos que – quando você percebe – já tá dentro da sua casa. É aquela demissão que chega quando você já tá cheio de dívidas – e planos para fazer novas dívidas. É aquela gripe que invade corpo, alma e coração quando o final de semana prometia ser dionísico, de cima em baixo até o chão.

Mas o mais foda do assédio é quando ele vem – e muitas vezes é bem isso que acontece – de um figura que deveria ser teu parceiro. Porque assédio de desconhecido – na rua – também é uma merda, mas um pouco mais fácil de lidar. Pode-se, por exemplo: 1) ignorar – triste, mas tem dia que né, é a opção mais cômoda e segura; 2) numa atitude mais reativa, erguer aquele obelisco de protesto em forma de dedo médio – gosto desta quando é carro passando e não dá tempo de xingar de volta; ou 3) quando a gente tá se sentindo mega empoderada, parar na frente do boteco, do comércio, da construção e responder: “E aí, que foi, meu filho? Me chamou? Te conheço?” – a semgracisse do mané até pensar numa resposta é coisa linda de se contemplar. Já rendeu até pedido de desculpas a número 3. Mas, em suma, como assédio na rua é mais manjado que sessão da tarde e mais frequente que bater cartão de ponto, a gente aprende a tacar o “vida que segue” porque – daqui há pouco – já vem outro. E eu falava da desgraça do assédio que vem de alguém próximo. Relatos indigestos de mulheres que são assediadas nas situações mais improváveis a gente lê todo santo dia. O chefe, o parente, o professor, o médico. E sabe o que todos eles tem a comum? A covardia de quem pratica. Nada mais fraco e baixo do que se aproveitar da sua posição para constranger alguém que você deveria apoiar.

Agora pega essa: fui assediada durante um vôo de paraglider. Pelo instrutor que tava atracado nas minhas costas. Pelo cara que confiei de pular junto de um despenhadeiro. Numa situação da qual, simplesmente, não tinha pra onde fugir. No meio do vôo, o cretino me solta: “Pena que você namora, pra mulher solteira tem serviço especial.” Veja, eu paguei o ~profissional~ pra praticar um esporte radical, pra sentir adrenalina e desfrutar da paisagem – e não pra brincar de siririca nas alturas. Na hora, o máximo que consegui foi dar aquela risadinha sem graça e dizer que tava de boa. Por um tempo, achei que tinha levado na esportiva – achei que TINHA QUE levar essas coisas na esportiva – mas lembrar dessa história com um pouco mais de esclarecimento, me faz querer contá-la pra constar nos anais da babaquice. Hoje, sei que deveria ter exigido pra ele terminar o vôo imediatamente. E assédio tem essa coisa dupla – a gente é agredida pelo o que vem e ainda fica mal de não ter reagido de uma maneira mais incisiva depois. Mas é isso, você nunca tá preparada pra um assédio. E ali, eu tava – literalmente – na mão do babaca. Era a primeira vez que eu fazia aquilo, o bagulho é feito pra dar medo, tinha uma tempestade armando atrás da gente, e a minha segurança dependia das manobras do meu instrutor “safadinho” – aff, que nojo.

Mas pelo menos meu estômago reagiu. Comecei a sentir a pior náusea da vida – tipo de andar de barco, virada de costas, tentando ler um livro, depois de cachaçar. Nisso, o zé terminou o vôo loguinho com medo de tomar gorfo no pé. E como merecia. Desci, fui pro banheiro e vomitei. Enjôo passa.

Voar de paraglider e ser oportunista é fácil, mas tenho certeza que um tipo desse aí não aguenta um dia sendo mulher.

Camila Santos – Bela Urbana, formada em Psicologia, já foi cantora e professora de inglês. Já morou por três meses na Inglaterra e por três anos em Ilhabela. Entre uma ilha e outra, também passou um tempo como tripulante de um navio. De volta a São Paulo, escreve e dança forró para viver.

Se você pedir para uma plateia fechar os olhos e apontar pra si mesmo, ao menos 80% das pessoas irão apontar para o peito na direção do coração, embora seja no cérebro que está o centro de suas convicções, todo seu pensamento e decisões. Por que isso?

Porque no fundo temos o mesmo conceito dos gregos, somos o que SENTIMOS. No fundo o que realmente  importa são as emoções, mais especificamente o AMOR.

Tomei conta disso lendo um livro de um médico, “Emoções Mortais” Dr Don Colbert.

Mas e no nosso dia a dia?

Se um coração físico estiver com veias e artérias entupidas o que vai acontecer? Infarto. Morte.

Será que somos a geração que entupiu as artérias das emoções e desaprendeu a amar?

Amar envolve confiança, de cara já há um problema, vivemos um caos de confiança. Qual laboratório vende remédio realmente confiável? Qual marca vende lavadora que não quebra? Qual site realmente vai entregar o produto comprado? Qual operadora vai entregar o plano contratado de verdade? Imagine então você confiar SEUS SENTIMENTOS em uma relação. Vou ser tratado bem? Rejeitado? Meu amor será retribuído? Acabamos por proteção e instinto de sobrevivência a pisar em cascas de ovos, vamos tateando. O problema é que acabamos nunca vivendo um amor verdadeiro, e quando enfim acontece um amor verdadeiro corremos assustados porque isso envolve baixar nossos escudos. Amor é uma rua de duas mãos, e quando deixamos nossos sentimentos, afetos, carinhos, amor, perdão etc. parados congestionamos a rua do amor e acabamos infartando sufocados de amor retido.

Se você soubesse que fosse morrer hoje procuraria quem você ama? Precisamos aprender logo a amar e perdoar. Não tem perdão sem amor ou amor sem perdão.

Não tem amor sem entrega e sem confiança. Talvez alguém quebre a confiança, te decepcione, mas você só vai saber se tentar. Vivemos a geração do DESAMOR. Quantos relacionamentos onde,  estão investindo de tudo, menos no amor. Quem pode dizer de verdade que recebeu um abraço eterno onde olhos se cruzaram e nesse olhar almas se tocaram e não desejavam mais sair daquele abraço? Entregamos nossos corpos, mas, não entregamos nossa alma. Você já enxergou a alma de alguém? Almas são lindas porque elas não conseguem dissimular nada. Por isso as pessoas não se olham mais nos olhos….

Imagine que uma pessoa fosse proibida de beber água por uma semana, na verdade fosse apenas liberada para beber refrigerante de cola. Daqui a uma semana como estaria o organismo dessa pessoa? No mínimo, caso não tivesse morrido, estaria com diabetes e outros casos graves. Provavelmente alguns dentes destruídos. Se para nós é inaceitável imaginar uma pessoa passar dias sem água, como podemos aceitar nossa alma viver sem amor?

Hoje vejo pessoas fazendo essa tortura com sua alma, alimentam a alma com um bombardeio de medo (notícias, telejornais…), um bombardeio de desamor, de desesperança, falta de fé, falta de carinho. É tanta orfandade que o que sobra nessa criatura bombardeada pelo medo acaba sendo pior do que o medo que ela tinha. Em outras palavras, pessoas com medo de amar acabam recebendo em si mesmas,  algo muito pior do que o medo delas: recebem desamor, indiferença e morte espiritual.

Estamos com as emoções na UTI, um mundo de muros, de uma esquerda grotesca que insiste em vulgarizar com suas “artes” tudo que era belo, e uma direita ultra conservadora que insiste em voltar com a castração. Não há mais o equilíbrio. Não há mais AMOR.

Espero que você que teve a paciência de ler até aqui, faça um favor a si mesmo: INTERROMPA A MÍDIA TRADICIONAL E SUA CULTURA IMEDIATAMENTE NA SUA ALMA. Busque alternativas, não aceite mais essa ordem mundial. Já está provado que roubaram nossa felicidade e tiraram a nossa paz, nossa beleza.

Depois, limpe suas artérias da alma, retire medos, orfandades, se perdoe e  perdoe os outros e viva, porque com medo de viver, muitos estão morrendo sem amor, e alguns vivem sem saber que são zumbis. Amem, tentem, já pensaram que de repente PODE DAR CERTO?

Aproveitem o hoje, e respirem, saiam desse turbilhão. Eu resolvi quebrar rotinas impostas, uma delas, estou mexendo dez vezes menos no celular…. e descobri que tenho tempo sobrando no meu dia acreditam?

Bora AMAR?

Renato B Sampaio – Belo Urbano, publicitário, cristão e um questionador da vida, sempre em busca da verdade. Signo de áries, fã de Jazz, Blues e Música gospel.