Esse foi um desses anos SUPER, muita coisa aconteceu, de tudo um pouco e mais um pouco. Faculdade, namoro, namoros, trampos, gente nova de todos os lados, cursos, peças, shows, praias e mais, teatro, desfiles, paixões, festas, provas, briga, choro, riso, amigos, esse ano eu posso dizer que “SUPER VIVI”. O mundo da mil voltas e acaba no mesmo ponto? Não sei se é bem assim, mas que essa vida é muito engraçada isso é. Tô super feliz, em dúvidas, mas feliz!

Amo poder estar viva e poder ser eu e ter tudo que tenho, e ser o que sou. Não vou esperar nada do ano novo, vou fazer, tudo que poder fazer da melhor maneira possível não sei aonde vou parar, aliás não quero nunca parar, tenho certeza que vou fazer tudo pra continuar a ser feliz e SUPER VIVENDO TUDO!

Obrigada!

Giza Luiza – 20 anos – 31 de dezembro

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Giza Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Sobre o tempo que transforma e o brilho inesperado de alguém que já caminhou;
Seus gestos e sua maturidade encanta quem ainda está no início do caminho;
O brilho que envolve, a educação que fala mais que qualquer carinho;
Olhar para todas estas formas nos fazem pensar em “por que não?”;

De sua parte, ele vê, a juventude que brilha em um pulsar que não pode ser contido;
O sorriso e o brilho no olhar de alguém que está repleto de esperança, sem medo das derrotas do caminho;
Entendendo que se tomar esta juventude ele tenha até condições de se sentir mais jovem, e se entrega a este sentimento.

Ambos se esqueceram que o tempo não perdoa, que ele continuará seu caminho e ela também;
Que ele sentirá, com passar do tempo, maior cansaço que ela, e ela por sua vez, se sentirá mais jovem do que nunca e eles sentirão que estão em momentos diferentes;
Entregues ainda pelo carinho inicial, tentarão, em vão, ignorar a força do tempo, mas logo ele se sentará para olhar o brilho de sua jovem seguir em frente.

Distante, ainda com dor no coração, ela irá entender que o melhor é caminhar ao lado e não à frente.
O coração se alegrará em encontrar alguém que esteja em seu mesmo tempo e construirá novas recordações.
Ele irá sorrir com suas memórias, e entenderá que foi bom, que realmente não era possível.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

 Para chegar lá, preciso situar um pouco a história.

 Sou filha de imigrantes portugueses e credito a isso, o meu pé fora de casa, da cidade, do país, nômade que continuo sendo.

 Assim criei os meus para que voassem tão logo pudessem.

 E eles foram saindo aos poucos, os três.

Quando ainda éramos os quatro, depois de casamentos desfeitos, ficamos fora apenas três anos.

Por fim, aluguei a casa e fui atrás de um deles, a filha do meio que se mudou pra Londres, fiquei pouco menos de um mês e senti o gosto da liberdade, num país estranho, outra língua, outra cultura. Pensava em voltar rápido, o problema era o meu inglês quase inexistente. Então a volta foi direto para uma aula particular de inglês e reaprender aquela língua já esquecida com o tempo. A coragem e a determinação eram bem maiores que esse pequeno obstáculo.

Agora a cena era, dois anos depois, a filha casada. Dinheiro juntado para alugar um quarto. Lembro bem da sensação ao chegar a cidade próxima a Londres e falar pra mim, é aqui que quero morar.

Uma semana era o meu prazo para estar junto a filha e arranjar um quarto para passar os próximos três meses, a esperança era conseguir trabalho que me mantivesse por mais tempo. Nunca deixo de sonhar.

Tudo muito caro e com a ajuda da filha, negociamos um quarto mínimo numa casa onde moravam dois Albanezes e uma Jamaicana com um filho de três anos.

Me esperavam, uma cama de solteiro com um colchão afundando, uma cômoda e uma cadeira. O quarto era colado ao banheiro que servia a todos. Sem problemas, na casa os banhos eram semanais para minha alegria, porque duravam horas, eu no meu tradicional banho diário feliz. Os quartos em cima, cozinha e sala vazia embaixo. Choquei. O dono era um Nigeriano que alugava a casa. E realugava os quartos, disse que ia trazer uma mesa e umas cadeiras. Nunca vi.

A cidade ficava duas paradas de trem da cidade da filha, o local era mais bonito que o da filha. A proposta era caminhar cedo, banho, trem para a casa da filha. Arrumar, fazer comida e quando ela voltasse, dar um oi e partir para casa dormir. Final de semana era pegar o trem e em vinte minutos estar no centro de Londres, andar a toa nas feiras, comer nas barracas, viver. Estava feliz. É preciso muito desprendimento e determinação para pisar nesse caminho, mas essa era eu, sou eu.

Assim que fui apresentada aos outros moradores da casa, um homem me chamou atenção nos seus 1.90m boa aparência. Dividia o quarto com o sobrinho de vinte e poucos anos. Expliquei que falava pouco inglês e estava estudando. Eles falavam um inglês sofrível e Albanes, que eu nunca iria aprender.

Na primeira manha após a mudança, eu na janela da cozinha, vi o Albanez velho de nome Fred, passar e fixar seu olhar nos meu. Nós mulheres, sabemos identificar olhares e esse foi bem significativo. Mas estranhei um pouco já que ele aparentava uns cinco anos mais novo que eu. Eu chegando na casa dos 60, cabelos naturalmente brancos e ele com seus 54 talvez. Hora, hora, hora, me senti uma gata….

Vida seguindo, num bom domingo, pós passeios, almoço e a volta pra casa. Ninguém na casa. Desci pra sala vazia, coloquei música no ipad e sentei no chão. Tinha um jardim abandonado por trás de belas portas de vidro me dando a sensação de amplidão após a saída do minúsculo quarto. Claro que já me imaginava limpando e cuidando daquele lugar acabado para pelo menos ter para onde olhar.

Ali sentei e me esqueci. Eis que surge o Fred com roupas nos braços e percebi no canto da sala um varal de pé onde ele foi calmamente pendurando as roupas. Do jeito estava, do jeito fiquei. Ele usava uma bermuda azul clara e uma camiseta branca suja. Iria vê-lo nesses trajes, todo tempo que passei ali.

Se aproximou, dei um leve sorriso e ele me perguntou de onde eu vinha e fui contando um pouco do que sabia me expressar em inglês. Por fim, resolvi mostrar fotos dos filhos e da praia de onde eu vinha. Senti que ele se aproximou demais, mais do que eu gostaria. Ao fundo um sambinha e ele me pega pelos bracos todo desajeitado, me chamando pra dancar….oi…..

Aonde foi que eu atropelei o enredo…

No no no just a moment…..sorry …..e por ai vai…

Nessa hora do chega pra lá e chega pra cá, senti o cheiro azedo de suor e pouco banho de sua camiseta branca suja. Bateu feio.

Subiu,  eu continuei ouvindo música, sentada no chão e tola, me dando conta que já tinha construído um castelo e colocado o Albanes num cercadinho. Qual nada, tolinha…

E segue o caminho. Rotina, trem, compras, lojas de caridade, descobertas no lugar, aprendizados. Pouco via o cheiroso, mas notei que nossas rotinas eram parecidas, ele saia muito cedo pra trabalhar, eu pra caminhar, mesmo no inverno, 3 graus e eu lá. Não conseguia parar. No retorno a casa por volta das seis horas da tarde, já o encontrava no seu shortinho azul preparando o jantar na pequena cozinha.

Cruzamos várias vezes a escada dias após aquele domingo e ele sequer me comprimentava. Não entendi nada. Mais uma semana e mais um domingo, só ele e eu na casa. Ele entrou na sala, eu no lugar escolhido, no meu pouco inglês, resolvi perguntar porque ele não me comprimentava. Não respondeu, envolvido numa mudança interminável para o andar de cima.

Nesse dia eu tinha almoçado com minha filha e genro e tomado umas duas taças de vinho, suficiente para me animar e aturar a camiseta suja e resolvi oferecer ajuda, até hoje duvido de tamanha estupidez. Um armário numa escada em caracol, essa a insanidade. Devo isso ao teor alcoólico. Por fim, armário no corredor, e ele veio buscar outras coisas, nos esbarramos nos últimos degraus da escada estreita. SUFICIENTE. Ai foi cena piegas de filme americano, tiramos as roupas e saímos derrubando tudo. O cenário foi minha cama molenga, tudo rápido, suado, fedido e muito doido. Contando com o detalhe do rapaz ser bem bem dotado para meu desespero e eu na seca há tempos, literalmente vi estrelas…

Durou, dois minutos ou menos. Sorte minha o banheiro colado ao quarto e eu banho imediato.

Banho tomado, quarto trancado e a realidade bateu forte porque o álcool já tinha saído do sangue. Que merda é essa?! Acabei de chegar, vou embora em dois meses, esse Albanez ou vai me matar transando ou vai me matar, matando.

Aos poucos fui sabendo que morava há dez anos em Londres era motorista de ônibus.

Nunca casou, suficiente para mim. Claro que eu já achava que ia ficar ali e viver um romance, carinho, fazer comida, lavar a roupa, bem necessário, passear sair pra beber, tudo o que a gente vive sonhando. Mas não foi bem por aí, o cara era estranho e estranho ficou. Depois desse atropelamento inicial na escada o cara voltou a não me cumprimentar aí fiquei muito puta e resolvi nem olhar para a cara dele e evitar passar por ele. Mas ele era MAIS esquisito ainda e esperava eu sair do quarto e ficava me olhando. Claro que eu achei que ele ia me matar.

Ele era meio responsável por coisas da casa e a praga do roteador caquético dava ruim volta e meia e claro que a Lady aqui, tinha que pedir ajuda do estranho. Numa dessas ajudas foi o aquecedor do quarto, ele entrou, porta aberta, mexeu, tenho certeza que não fez nada, fingiu. Frio ,gelado. Lá fui eu bater na porta do quarto dele e pedir ajuda de novo, aí ele consertou de verdade. Só que a proximidade da cama nos tirou qualquer dúvida e lá fomos nós para mais um round, claro que eu perdia sempre, nenhum beijo, nenhum nada, só põe tira e tchau. Porra caí de novo, mas já estava até gostando da histórinha na minha cabeça. Odiava, queria matar, depois ria e fugia dele. Num outro domingo, era único dia de folga dele,  não o vi em momento algum, saí voltei, fiz a vida e fui dormir, lá pelas tantas escuto batidas na porta, acordei assustada e abri devagar e aquele 1m90 de um homem bêbado veio caindo por cima de mim. Imagina o esforço que fiz para colocar esse idiota sentado na cama e tentar expulsá-lo do quarto…. out out out, tanto gritei empurrei que coloquei o idiota para fora .

Pensava comigo FUDEU, dois meses ainda aqui com esse encosto. Claro que continuou tudo como antes. Perdi aos poucos ILUSÕES e o pouco tesão. Resolvi ir vivendo, realmente não consegui trabalho e comecei a preparar a saída. Mas resolvi dar uma sacaneada no Abanês. Malas prontas, viajaria na manhã seguinte. Desci e fui à cozinha e resolvi chamá-lo para me despedir, ele subiu ao quarto. Fred I’m going to Brazil tomorrow Morning. What… ele achando que aquilo era tudo. Claro que demos a última péssima rápida suada  e eu senti um gostinho bom de Vai se Fuder Fred…

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana. Jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

 

Era 1979, logo após a anistia. A menina, com seus 20 anos, estava cansada daquilo tudo, daquela cidade de pedra. Junto da sua amiga, resolveram partir para viver uma vida livre e cheia de sonhos. Foram para o sul do país, num estado cheio de praias e natureza.

Lá trabalharam de tudo um pouco. Comércio, serviços gerais, indústria. O que desse algum dinheiro e tempo para viver era suficiente. A menina estudava bastante, principalmente a natureza. Estudava, lia, cantava e vivia livre, sem ter que se preocupar com todo o caos social em que o país vivia, em meio a uma ditadura irresponsável.

Nesse meio tempo, conheceu um homem trabalhando em uma editora. Ele era mais velho, maduro e estruturado. Vinha toda segunda de sua cidade natal e sexta ao final do dia para lá retornava. Ele também sonhava e queria viver de forma livre o mundo e a natureza. Era um par perfeito, se amavam e se completavam. A menina estava plena: tinha um par romântico perfeito, uma amiga inseparável, estava no local que sempre sonhou viver… o que esperar mais da vida?

Foram meses de muita alegria e completude. Conheceram toda região, frequentaram shows, liam e cantavam juntos. Era um sonho. Mas o sonho tinha prazo de validade e ele expirou quando a menina soube que ele era casado. A decepção juvenil não permitiu que as possibilidades fossem pensadas e a coragem necessária tivesse espaço. O rompimento dramático, bem típico daquela juventude veio e ela decidiu voltar a sua cidade de pedra com sua amiga fiel. Abandonaram o sonho para viver a realidade dura.

Logo conheceu um garoto e, para esquecer do homem que a machucou, decidiu seguir com ele a vida morna. Logo se casaram para provar que eram capazes, logo vieram os filhos para provar que são capazes, logo vieram as responsabilidades e dificuldades que provaram sua capacidade de deixar de ser menina e passar a ser mulher. E sendo mulher, não arredou pé de arcar com as agruras e usufruir das poucas alegrias que vinham. 

Mas o garoto não virou homem e logo vieram as traições, a violência psicológica, os abusos. Ela, mulher firme, aguentou tudo pelos filhos. Não era totalmente infeliz. Além dos filhos, tinha uma família maravilhosa e sempre que podia (e que o garoto não estava por perto), vivia essas alegrias plenamente, nunca sem esquecer do que poderia ter sido se aquela decisão precipitada de abandonar o paraíso no Sul e seu amor proibido tivesse dado certo.

Em meio a tudo isso, fez uma promessa a si mesma: assim que os filhos saíssem de casa, largaria tudo e faria como aos 20 anos. Partiria para o paraíso que conhecera e retomaria a vida de onde parou, de preferência, encontrando aquele amor pelo e impossível. A pergunta que não calava: será que consigo?

A filha se casou, o filho casou e lhe deu uma neta. Era hora de criar coragem e, mais uma vez, correr ao encontro da felicidade. Pela internet iniciou uma busca por aquele homem de outrora. Agarrou sua amiga inseparável e, escondido daquele garoto (que, apesar das rugas, mantinha a postura infantil e insegura de um menino), iniciou sua vida novamente.

Enfim, encontrou o homem do passado, que agora era um senhor. Juntou coragem e entrou em contato com ele. Surpresos, reviveram ao telefone os sonhos de outrora. Juntos, planejaram esse reencontro e a mudança daquela senhora-menina para o lugar em que a história avia abruptamente parado. Ela pediu divórcio, juntou as poucas coisas e partiu. Ele não poderia fazer o mesmo. Cuidava de uma esposa doente. Mas isso não seria impeditivo para viverem novamente uma história impossível.

Ela foi viver dos mesmos trabalhos que lhe dessem o sustento e o tempo necessário para ser feliz. Trabalhava com a natureza que havia estudado e voltou a ler e ouvir tudo que o garoto não permitia. E agora, nos poucos momentos possíveis, ao lado de seu grande amor. Mas também, a vida não seria um morango. Ela adoeceria e, pouco mais de três anos após sua libertação, viria a falecer devido a complicações de uma doença que surgira nos anos de estresse e infelicidade viveu na selva de pedras.

Poderia encerrar aqui a história de forma pessimista, já que todo leitor que se prese, espera um final feliz. O Senhor ficou triste com a partida da menina, os filhos dela também. Sua amiga inseparável também ficou inconsolável. Eu mesmo que escrevo essas linhas, no pouco tempo que a conheci, fiquei indignado com a vida ao saber de sua passagem.

Mas paremos para refletir: seria uma vida digna se ela tivesse fincado sua vida junto a moral e bons costumes, mantido um casamento infeliz, sofrente ao lado daquele velho garoto até a morte? Ou seria feliz uma vida pela metade, sustentando uma relação paralela desde a juventude com o homem que amava, mas que já tinha esposa e filhos?

Nunca saberemos. O que sabemos mesmo é que a maturidade trouxe a coragem necessária para que a vida possível fosse vivida e a sabedoria necessária para conviver com as incompletudes e impossibilidades. E tudo que foi possível viver em cada momento foi vivido de forma plena, porque a postura que aquela menina, que virou mulher e que se tornou uma sabia senhora nunca deixou de acreditar que a felicidade era possível, que os relacionamentos não são coisa perfeitas e imaculadas como nos romances hollyudeanos, e que a moral, a expectativa alheia ou mesmo as inseguranças e medos de dentro não são capazes de barrar uma alma livre, cheia de vontade de viver um amor possível, porém verdadeiro.

Esse conto é uma homenagem a uma vida que viveu e amou da forma que, não o que eu desejava escrever e nem o que desejávamos ler. Se você se identifica com a menina, com o homem, com o garoto, com a amiga inseparável, com os filhos da mulher ou mesmo com esse que vos escreve, se pergunte: que coragem me falta para viver a vida e o amor que mereço, mesmo com suas imperfeições? O que me falta fazer para ser feliz? O que preciso ser, independente da expectativa de quem lê minha vida de fora? O que me falta para ser livre?

Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Hoje pela manhã me deitei no parque, havia bastante barulho ao redor;
Pessoas faziam exercícios, crianças brincando e pessoas jogando dominó;
Ainda deitado na grama fresca, sob o sol que ardia em uma tarde vazia;
Pude observar, a pipa que subia e descia, em um balé de criança a se admirar;

Absorvido por aquela visão, crianças e adultos em uma mesma canção;
Mal poderia acreditar, que já tinha um ano que fomos libertos da pandemia;
Das máscaras e olhares que se escondiam, das opiniões especialistas de toda forma que se faziam;
Não podíamos ver sorrisos, só os ouviam, mal podia ver seus olhos, envoltas as lágrimas, se escondiam;

Mas tudo isso passou, o povo se vacinou e a pandemia acabou, foi passado, não existe mais;
Ficou do nosso lado algo a se aprender, ricos, pobres, brancos e negros, ante a doença, somos todos iguais;
Também aprendemos como é importante o abraço, mas o álcool em gel veio e ficou;
Quero ver seu rosto, abraçar seu corpo e não me preocupar, já tem um ano que vi este problema acabar;

Hoje a noite tem barzinho, se não me engano é samba e violão;
Vou encontrar com os amigos, beber chopp, cantar canções;
Ao final da noite, já um pouco cansado, retornar para casa;
Tomar meu banho e me prepara para um domingo de alegria, vai ter corrida no parque, quase uma poesia;

Isso não é imaginação, isso é uma visão do futuro, mesmo o samba e o violão;
Não teremos mais pandemia, que apesar de rimar com poesia, não me traz alegria;
Este futuro próximo e distante alimenta meu coração;
Vai passar, basta acreditar, encontraremos o caminho e nos restará as nossas lições.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Eu e meus amigos frequentávamos aquele bar assiduamente.

Era um lugar descontraído, onde podíamos nos divertir de diversas maneiras, desde uma boa música ao vivo, uma pista de dança, comidinhas deliciosas, até um vinho de primeira!

Não posso me esquecer da mesa de sinuca, meu lugar favorito, pois ali conhecia muita gente diferente e a interação era uma constante.

E foi dali que rumei ao balcão do bar, pois queria mais uma taça, quando de repente a vi sentada, conversando com um rapaz. Deu para ouvir que falavam algo sobre o Japão, e logo pensei se seria possível ela ter viajado em algum momento para lá. Na verdade, pouco me importava.

Fazia anos que não a via, desde a nossa triste e definitiva discussão. Ela foi uma figura importante, mas saiu da minha vida de um jeito ruim, não deixando boas recordações. Preferi esquecer aquela amizade, pois tinha motivos sérios para isso.

Peguei minha bebida e passei por ela, fingindo não vê-la; não sei se ela me viu, sigo com a dúvida.

Nenhuma palavra foi dita, nem tampouco algum gesto foi feito.

Retomei minha sinuca e fiz uma tacada contínua, deixando a equipe adversária embasbacada.

Confiante de que eu era mesmo uma exímia jogadora – claro que isso não passava nem perto da verdade –,  senti uma vontade imensa de dançar. A música sempre teve um poder transformador em mim.

Na pista de dança com meus amigos me senti feliz! As mágoas do passado não tinham vez… Pelo menos não ali, não naquele momento mágico, onde a melodia me envolvia e fazia com que meu corpo e minha alma estivessem livres.

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

Ela andava pelas ruas. Era madrugada, estava só.

A noite tinha sido uma sucessão de desencontros. Primeiro com os amigos, o que ela entendeu não foi o que eles entenderam e ela foi parar em outro bar com o mesmo nome.

Gente estranha tinha por lá. Esperou, tomou uma cerveja, nada de chegarem, olhou o relógio, nada ainda, mais uma cerveja. Como era fraca para bebidas, já no final da segunda estava meio zonza, resolveu ir para a terceira, começou a rir de tudo que observava por ali.

Chegou um carinha na sua mesa, com uma dessas cantadas baratas e abobadas, mas como ela estava só, aceitou a cantada e que ele sentasse na mesa. Falaram do Japão, nenhum era japonês, e o lugar mais distante que ela conhecia era bem perto, mas atrevida que era, não se fez de rogada e do Japão falava sem parar e ria, porque quem bebe um pouco além da conta ri.

Lembrou da turma de amigos que nunca chegava. Pensou no celular, mas como de costume, sem bateria. Xingou as velhas gerações por não ter comprado aquele carregador que pode carregar em qualquer lugar, mas sabe como é, grana curta.

O carinha que só falava do Japão lá estava a falar sem parar e aquilo parecia uma boca nervosa que precisa ser calada e acalmada; sem pensar lascou-lhe um beijo. Há dois anos atrás ela jamais faria aquilo, mas agora, as águas rolaram e era só um beijo em uma noite de verão, em um alguém, sabe-se lá quem.

Ele ficou boquiaberto e ela foi embora, deixando a mesa e a conta para ele. Foi embora a pé, rodando aqueles bares, sem celular, cabeça acelerada, fala lenta.

Pensava nele, tinha saudades dele, do beijo dele. Não, não era do carinha de cinco minutos atrás não, aquilo era nada, era do outro, do antigo, do que grudava na sua pele, mas que estava longe, do que tinha a melhor pegada, pele a pele.

E esses amigos onde estão? Cabeça ia, vinha, voltava e vinham risadas, ânsia de vômito. Ela era fraca para beber, ficava engraçada, mas assim na madrugada, sozinha na multidão, com quem podia compartilhar?

Podia passar uma cantada e usar o celular de alguém, mas não adiantaria porque não sabia ‘de cór’ nenhum número. Eram quase três horas da manhã, resolveu andar e ir para a praça perto da faculdade, não tinha combinado de dormir na casa de ninguém, e não queria voltar para a casa da mãe porque garantiu que dormiria na casa das amigas.

Então, foi para a praça esperar o nascer do sol, a vista era linda! Já tinha feito aquilo uma vez com ele (ele de novo nos seus pensamentos), ela ria e tinha vontade de dançar, melhor não, estava zonza mas não totalmente sem juízo, dançar na rua era um sonho de infância, mas sem companhia não teria graça.

Na praça, sentou no mirante. Ela, o céu e um celular que tocou. Sim, tocou um celular que estava perto, ninguém ali, só ela, o céu e o celular.

Não atendeu. Tocou de novo. Atendeu: – Alô, não, não é ela. Não, não é ela que está falando. O quê? Como assim? Não, não sou. Ah, por favor, não sou, ligue depois.

Desligou, esperou e o sol começou a clarear o dia, assim como a mente clareava para seu estado normal.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa. 

As vezes preciso estar só. Para acalmar a mente. Para prestar atenção na minha respiração. Para desacelerar meus pensamentos. Para ouvir música e escrever.

Às vezes preciso ficar só para olhar o horizonte à frente. Deixar a lâmpada acesa ou mesmo beber água saboreando devagar.

Preciso. Às vezes preciso muito. Como nesse exato momento.

Fecho meus olhos, meus lábios sorriem e eu escuto “eu tô voltando pra casa outra vez”, mas eu tô em casa e gosto muito.

Giza Luiza – 52 anos – dia 29 de agosto

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Giza Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza




… chegou o N, desceu do carro e foi falar com a gente. Ele estava uma gracinha de piratinha, uma calça branca e uma blusa amarela, tava demais!

Não sei quem falou que não precisava dar beijinho em mim e ele disse: –Eu to apaixonado por ela.

Eu sei que apaixonado é meio difícil, mas ele tava afim de mim, dando em cima.

Depois, outro dia, na terceira festa, disse que eu tava linda. Estávamos na frente da casa e N virou para o amigo dele e disse olhando para mim, que era por essa menina que eu tava apaixonado. Eu como sempre imbecil, fiquei quieta. Depois ele foi conversar comigo e me dar um piratinha que tinha na carteira, eu não aceitei, tava abobada. Não aconteceu nada porque eu sou uma idiota. A festa foi legal, mas poderia ter sido muito mais legal.

O N mexeu comigo, é gostoso a gente ficar afim de alguém, ainda mais quando essa pessoa tá afim da gente….

Férias de janeiro, na praia  – Gisa Luiza – 16 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

E ela fechou os olhos quando tudo se tornou preto… e jurou só abri-los novamente quando o branco prevalecesse… quanta besteira… menina tola… o mundo não é e nem poderia ser preto e branco… Ensinamentos que a vida ainda vai lhe trazer… Esqueceu do amarelo do nascer do sol e do alaranjar de quando ele se põe… Ignorou o verde da grama, o azul do mar e do céu, o violeta das flores… esqueceu a cor mel do olho daquela pessoa, do marrom do cavalo, do tigrado das roupas que usa…. Ignorou por mais uma vez o areia, o gelo, as cores com novos nomes e o colorido dos esmaltes que usa nas unhas…Não, menina tola, a vida não é preto e branco, apenas porque algo não saiu tão perfeito quanto em seu conto de fadas imaginário, porque alguém lhe disse um não, ou porque a música certa não tocou no momento correto… Existe muito mais do que isso a sua volta… Olhe para os lados, para cima e para baixo… Sim, tudo pode estar preto por um momento, mas não espere ficar branco para voltar a abrir os olhos… Deixe para abri-los quando tudo ganhar cor… uma miscelânea delas… Levante, amarre as sandálias de salto, dê um tapa na saia curta para tirar a poeira, arrume os fios os cabelos, passe um batom…. Ria quando tiver que rir e chore às vezes, quando a vida doer um pouco demais… Mas abra os olhos e não defina tudo como preto e branco… E ela aprende, day by day, em meio a tropeções e gargalhadas, que nem tudo é preto e branco… E que existe uma gama infinita de tons e sobretons para seguir colorindo….

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!