Busque nos detalhes a poesia.

Faça do simples a sua liturgia.

Colecione as alegrias. 

Busque a real poética 

de todas as coisas.

Neste mundo, conviva 

como quem sonha.

Construa a Comunidade Anônima.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Nesses últimos dias do ano fiz algo bem diferente, resolvi apostar na loteria. Estava no Shopping com meus filhos e fui pra lotérica, minha filha estranhou. Sim, é de estranhar mesmo, porque eu nunca aposto ou jogo em nada.

Enquanto estávamos na fila conversamos sobre o valor do prêmio, eu disse que se ganhasse iria gastar com compromissos, meu filho me interrompeu na hora e disse, não, se você ganhar nós vamos viajar todos juntos, você vai ficar com uma reserva e vai ficar mais tranquila.

Eu sorri e disse, você está certo, não posso achar que vim aqui só pra trabalhar. A vida não é só trabalho. Ela é trabalho sim, mas é diversão também. Ela é construir, mas é também descansar. A vida é hoje, não da pra deixar todos os sonhos para amanhã. Bom senso sempre, mas bom senso não quer dizer se privar de tudo que você gosta no presente, esperando um futuro que nunca chega.

Esse ano foi um ano conturbado, um ano em geral difícil em vários aspectos para a maioria das pessoas aqui no Brasil, eu estou nessa maioria. Mas por mais difícil que seja um ano, ele não se faz somente de problemas. Se faz de aprendizados, se faz de persistência, de faz de generosidade, se faz de mãos dadas. Você já pensou em quantas mãos você segurou esse ano? Já pensou em todos que abraçou durante o ano? Já pensou se você mais agradeceu ou se lamentou?

Estou pensando no que não fiz e queria ter feito. Estou pensando nos imprevistos que me tiraram o sono. Estou pensando nas pessoas que estiveram do meu lado, muitas dessas pessoas já estão por muito tempo. Estou pensando se fui generosa e ajudei como fui ajudada. Estou pensando o quanto cresci e quanto ainda tenho para crescer.

Estou pensando nos caminhos que andei, nas paisagens que apreciei, nas fotos que tirei, nas músicas que ouvi, nos pratos que comi, nos livros que li, filmes que assisti. Nos beijos que dei, nas risadas que dei e junto com quem, gargalhadas e nos choros também.

Penso que o tempo vai passando e vamos tendo cada vez mais claro e certo o que fato importa. Importa ter saúde antes de tudo.

Então, minha grande reflexão desse ano é viver um dia de cada vez, sem fazer planos para um futuro tão distante. VIVER sem radicalismos, um pouco da cigarra e um pouco da formiga.

Então, vamos em frente, de cara limpa e coração aberto para 2018.

PS.: Não ganhei na loteria…mas aprendi a lição do ano. E você qual foi sua lição desse ano?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :).

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Esta historinha aconteceu comigo em janeiro de 2017. Eu tenho 46 anos de idade.

EU: por favor, quero ver alguns biquínis

VENDEDORA: (mostrando alguns maiôs) ESTES SÃO LINDOS

EU: (insistindo) PREFIRO BIQUÍNIS

VENDEDORA: eu mostrei os maiôs por que eles definem o corpo.

EU: (vendo a moça pegar apenas biquínis pretos) NÃO TEM COLORIDO? GOSTO DE ESTAMPADOS

VENDEDORA: é que preto emagrece, né?

EU: não vou comer os biquínis, vou usá-los na praia, na piscina.

VENDEDORA:  (ofendida) a maioria prefere preto e maiô.

Tempos atrás vi uma reportagem que falava sobre a pressão que as mulheres britânicas dizem sentir para serem perfeitas em tudo. Imediatamente passei a analisar a minha vida buscando pelas mesmas pressões, profissional perfeita, corpo perfeito, amiga perfeita, filha perfeita, e sei lá mais quantas (im)possibilidades de perfeição.

Confesso que de início achei que não sofria pressão nenhuma. Mas, pensando melhor…

O que quero analisar aqui com você é a perfeição da imperfeição. Pois não é que para ser uma mulher gorda também há padrões!?

Veja amiga, a vendedora da minha história:

  • Pensa que eu quero “corrigir” meu corpo com um maiô;
  • Pensa que eu quero “corrigir meu peso com um biquíni preto;
  • Pensa que eu sou infeliz por ser gorda.
  • Pensa que eu tenho vergonha do meu corpo.
  • Pensa que mulheres gordas são mulheres infelizes que fingem ser alegrinhas;
  • Pensa que mulheres gordas querem, desesperadamente, emagrecer.
  • Pensa que eu devo ser grata a ela por me ajudar a “corrigir” meu corpo.

Não sei dizer a vocês quantas vezes em um único dia eu escuto falas que me cobram para ser um modelo de mulher gorda. Mas acreditem em mim, são várias vezes. Quando digo que não gosto de doces e de chocolate me olham com desconfiança, quando uma mulher magra diz o mesmo ela ouve: por isso você é magra!

Se eu como uma maça, escuto: isso mesmo! Saúde é tudo!

Se a maça esta na mão da moça magra: por isso você é magra!

Poderia escrever mais de cem frases do meu cotidiano, mas o que quero ressaltar é que a pressão pela imperfeição perfeita é sutil e pesada. Ela não para, não tem horário e vem das mais diferentes pessoas. Cansa? Sim, podem apostar. Irrita, entristece, magoa… surpreende.

E se há pressão por causa do corpo, com a mesma intensidade há pressão por um modelo de comportamento de mulher gorda. Muito já se falou sobre isso: pessoas gordas têm que ser alegres, bonachonas, preguiçosas e gulosas. Mais, pessoas gordas precisam ser doentes.

Pois bem, eu sou uma mulher gorda e não sou exatamente a alegria do lugar!

Pois bem, eu sou uma mulher gorda e não tenho nenhum índice de diabetes, colesterol, triglicérides ou pressão alterados.

Parece ser difícil acreditar que eu goste de mim, do meu corpo, da minha imagem. Desconfio que o problema é que para a magreza ser sinônimo de alegria e saúde eu preciso assumir o papel de triste e doente. Desculpas, seja feliz consigo mesma tanto quanto eu sou comigo.

E se você quiser saber como esta pressão pela maneira perfeita de ser imperfeita acontece é só compartilhar este texto e acompanhar os comentários. Com certeza aparecerão os “vigilantes da normalidade” com seus discursos de: ok, você não é assim, mas sobrepeso é doença. Ou: você não é doente agora, mas no seu futuro será.

Alguns talvez até comentem: belo texto, parabéns pela sua atitude! Como se fosse necessário coragem para gostar de mim mesma.

Eu seguirei minha vida sendo quem sou e gostando de mim. Espero que você siga a sua pensando melhor nos comentários que faz para as pessoas que convivem com você.

De uma coisa eu tenho certeza, nem todo mundo aguenta esta pressão. Pense nisso.

14570348_1456367081089994_3046299689890768592_n foto Luciana Cury

Luciana Cury – Bela Urbana, trabalha com educação publica a muito tempo e continua apaixonada pelo que faz. Gosta de gastos, dias chuvosos e de sentir frio.