Eu gostaria de começar este texto com uma pergunta, mas como a gente ainda não se conhece, considero que essa não é a melhor maneira para começar este texto. Melhor eu me apresentar primeiro: Olá! Eu sou a Geovana Pavanelli, mãe do Vicente, de três anos e meio, esposa do Daniel, Relações Públicas por formação (e paixão) e atualmente atuo como Gerente de Pessoas de uma empresa de tecnologia. Muito Prazer!

Agora que você me conhece um pouco vou direto para a pergunta: O que você estava fazendo em 25 de fevereiro de 2020?

Se você não estava em algum bloquinho (ou qualquer evento em grupo) por aí, curtindo a terça-feira de carnaval, talvez esteja, assim como eu, arrependida por não aproveitar a última oportunidade que tivemos de aglomerar sem medo. Parece que foi ontem, mas há quase um ano, em 26 de fevereiro, estávamos recebendo a notícia do primeiro caso de Coronavírus no Brasil.

E agora eu te convido a uma reflexão… Além do kit básico (distanciamento, máscaras e álcool em gel), o que mais mudou na sua vida de lá para cá? Nós tivemos que nos adaptar a um mundo novo. Profissionalmente falando, as mudanças foram ainda mais intensas, e o trabalho remoto passou a fazer parte (se é que ainda não fazia, como é o meu caso) da realidade de muita gente.

Atuando na área de pessoas, posso garantir que a cultura do trabalho remoto (que é diferente do home office) é o futuro das organizações, principalmente na área de tecnologia. Mesmo muita gente voltando ao trabalho presencial com a flexibilização das medidas de proteção da pandemia, mais de 86% das pessoas preferiram continuar no modelo remoto e 52%  mudariam de trabalho se recebessem uma oferta full remote (pesquisa da Robert Half realizada em 2020). As empresas terão que aceitar esse “novo” modelo de trabalho, principalmente porque, sem ele, em um futuro próximo poderão perder talentos e desmotivar equipes.  

Nesse cenário de pandemia muito se ouviu falar de como as pessoas precisaram se adaptar ao trabalho remoto, mas pouco sobre como as empresas precisam se posicionar e orientar a sua liderança sobre esse novo modelo. Tornar uma empresa remota ou híbrida não é fácil e muito menos automático, exige maturidade do empregador, confiança no time e preparação da liderança.

Se aquele modelo de “chefe” que faz microgerenciamento já estava ultrapassado, e as empresas que viam os seus colaboradores apenas como recursos já estão ficando cada vez menos atraentes, no modelo de trabalho remoto esses posicionamentos simplesmente não funcionam. É responsabilidade das empresas entender esse novo cenário, preparar os seus times para o trabalho remoto ou híbrido, motivar e alinhar todos os colaboradores na busca do mesmo propósito e, principalmente, investir na gestão do trabalho remoto, afinal, ele é completamente diferente do presencial.

E me conta, como foi essa experiência do trabalho remoto para você? A sua empresa estava preparada?

Eu posso responder pela empresa em que eu trabalho: por lá o trabalho remoto foi um processo normal e até que relativamente simples, até porque já fazia parte da nossa cultura, mas vi muitos absurdos sendo relatados por colegas que atuam nos mais diversos segmentos, tais como: empresas que não respeitam horários e acreditam que o trabalho remoto é sinônimo de exaustão obrigatória; que cobram por ambientes 100% silenciosos, quando na verdade é impossível controlar a reforma do vizinho; que não respeitam que você vive em uma casa com outras pessoas (por mais que você zele para evitar interrupções) e dão advertência quando seu filho aparece para pedir para fazer cocô; ou que obrigam mulheres grávidas a trabalhar em ambientes fechados, mesmo quando a atividade é totalmente compatível com a atuação remota.

Há um longo caminho pela frente para que as empresas estejam preparadas para o trabalho remoto ou híbrido, mas a meu ver, elas terão que se adaptar, pelo amor ou pela dor, esse será o futuro.

Já como mãe de uma criança de três anos e meio, nada foi mais desafiador do que exercer o lado maternal e profissional ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. É maravilhoso poder estar perto do meu filho por mais tempo; no modelo presencial era impossível almoçar com ele todos os dias. Mas também é doloroso vê-lo mais tempo na televisão do que eu gostaria (e do que é indicado), ouvir ele pedindo minha atenção, quando é impossível parar uma tarefa.

É uma balança difícil de equilibrar: culpa materna x profissionalismo. Eu sigo tentando fazer o meu melhor nos dois lados, mas confesso que dificilmente o dia termina com a balança equilibrada e, na maioria das vezes, um dos lados pesa mais. Como profissional também há um longo caminho pela frente, e eu também tenho que me adaptar (pelo amor ou pela dor), afinal, esse é o meu futuro.

Geovana Capovilla Pavanelli – Bela Urbana. Relações Públicas, especialista em comunicação e recentemente apaixonada pelo universo de gestão de pessoas. Mãe do Vicente, de três anos, que é a minha razão de viver. Sou uma pessoa intensa que ama trabalhar, ama o filho, ama a família, ama os amigos e, principalmente, amo a mim mesma.  

Você que acorda cedo pra pular Carnaval. Que vai tarde adentro, noite afora. Que esperou ansioso para camelar ao sol e ao som de batuques. Não vai poder entrar na folia este ano, porém não passará de bar em bar pisando em urina fresca, não vai levar passada de mão gratuita e terá seu dinheiro guardado na pochete no fim do dia.

Brincadeiras à parte, o carnaval foi cancelado! A pandemia não!

Ainda na espera dos blocos vacinados muita gente vai ter que reinventar a passagem sem o batuque horas a fio.

O que faria no carnaval será feito em casa e sem o agravante de ser assaltado ou ferido. Brincadeiras à parte, este texto satírico é só pra deixar mais ameno o fato de que o brasileiro, folião por definição, terá que brincar de pijama mesmo. Do Oiapoque ao Chuí.

Mas não se lamente, ouça um álbum novo, ou velho, faça uma playlist, entretenha-se num podcast, leia um livro engavetado, veja um clássico.

Seu carna vai ser diferente porque todos somos hoje. Não haverá festas, nem manchetes e fuzuê.

Seu amor sambista vai aguardar a vacina chegar.

Fantasia de coronga nem à vista. A gente não aguenta mais ver essa praga.

Não há festa. Nem manchetes dos títulos, alvoroço nas ruas.

Tô fria? Não. Realista.

Cozinhe seu prato preferido, sambe na sala até calejar. O importante é que estaremos vivos para pular feito doido quando o mundo deixar a folia voltar.

E tá tudo bem! O samba é maior! E tá dentro da gente oriundo que só ele, guardado e protegido.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

Natal uma festa cristã carregada de significados. Nesta data somos convidados a experimentar, na intimidade de nossos lares, um momento especial entre familiares e amigos. E assim compartilhar afetos e gestos que nos remeta a vivências como a comunhão, fraternidade e pertencimento.

O Natal promove a oportunidade de rever valores, relevar divergências e
construir pontes que nos unam. É quando pisamos no chão da humildade que, podemos reconhecer que somos seres humanos limitados, buscando evoluir de alguma forma. Às vezes escolhemos caminhos tortuosos, a fim de chegar em algum lugar de paz e encontro. No entanto de modo equivocado nos ferimos, bem como a outros, com quem poderíamos fazer trocas significativas.

O Natal em sua origem carrega a mensagem de boas novas, ou seja, o
menino, Jesus, nasce como resposta de Deus ao sofrimento humano. Jesus, o Deus encarnado experimenta em sua trajetória, as dores humanas, identifica- se com aqueles, cuja, a dignidade fora violada.

É interessante observar que, Jesus, se oferece como sacrifício vivo e de amor na cruz por todos os seres humanos inclusive seus malfeitores. Sendo assim como Deus, escolhe o caminho do amor em sua potência máxima.
Torna-se um grande farol a nos guiar e através de sua imensa compaixão com as misérias humanas, nos deixa um caminho aberto para reconciliação entre realidades diversas e aparentemente contraditórias.

Ele é uma síntese perfeita na qual a vida sempre recomeça. A ressureição
acontece a cada dia. Basta observarmos os ciclos da natureza, onde uma
estação termina para dar lugar a outra, a noite gentilmente recebe o
amanhecer e, a tempestade cessa para que o dia brilhe ainda mais.

E assim em um movimento de expansão da vida acontece. Neste ano de 2020, diferentemente de outros, vivenciamos uma tempestade provocada pela presença do coronavírus; tão pequeno, porém tão ameaçador a manutenção vida.

A princípio nos recolhemos dentro de nossas casas. O sentimento de
impotência nos atingiu e, nos sentimos como que, arrastados por uma
tempestade. Desequilibramos, caímos e levantamos. Um caos instalou se e
percebemos que estruturas as quais, nos apegávamos se fragilizaram.

Fomos forçados a nos distanciar uns dos outros, limitando assim em muito o nosso convívio social. Em geral o nosso tempo com familiares tornou-se maior e as relações se intensificaram. A vida pareceu ter encolhido, nos sentimos sufocados e, mais do que nunca a nossa alma clamou por liberdade e expansão.

Não imaginávamos que bem precioso que experimentávamos ao exercer a
liberdade de nossas escolhas, cair nossos próprios tombos e nos reerguer construindo o nosso próprio caminho. Sentimos falta de gestos
simples como abraçar, beijar, sorrir, gargalhar etc…. A satisfação de nos
encontrar com amigos e familiares para, trocar confidências ou mesmo jogar conversa fora. Respirar ar puro, contemplar a natureza que tanto nos ensina sobre a vida.

Apesar de tantas privações descobrimos que há um mundo vastos a ser
explorado tanto para fora como para dentro de nós. Tivemos que enfrentar
muitos fantasmas externos e internos. Nos esforçamos para que o nosso
desejo pela vida prevalecesse e ressignificamos a nossa dor a transformando em força a favor da continuidade da vida.

Descobrimos que não estamos sozinhos e que, podemos contar com
instrumentos tecnológicos e redes de apoio para nos manter próximos mesmo que a distância. A humanidade mais do que nunca se percebeu interligada.

Nos unimos para cuidar dos feridos e, estamos utilizando as adversidades
como matéria prima para a criação de novos caminhos e assim a vida vai
retomando seu seu fluxo.

Faltam poucos dias para o Natal e diferentemente de outros anos, pessoas queridas podem não estar presentes. No entanto aprendemos algo novo, ou seja, a presença também se faz na ausência, pois para o amor não há distância. E a vida sempre acontece para aqueles para que sonham com dias melhores. E reconhecem que os intervalos e as pausas da vida, apenas fazem com que o reencontro, seja, um momento de intensa alegria, de modo que tudo tenha valido a pena.

Podemos então concluir que, o nascimento e a vida de Jesus, sacrificada na cruz, nos disponibilizou uma fonte de amor acessível a todos. A cruz simboliza na sua forma horizontal e vertical um lugar onde a nossa humanidade pode se encontrar e, quando isso acontece somos remetidos a lugares mais elevados.

E assim podemos perceber que os processos da vida, se organizam de modo
a cooperarem na direção do aperfeiçoamento do amor. Pontes são estendidas fora e dentro de nós e a vida se faz novamente.

Não conseguimos controlar o que nos acontece, mas conseguimos ter a
liberdade de escolher como vivenciar a experiência.

Feliz Natal a todos os amantes pela vida.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Bela Urbana. Psicologa clinica. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o Mar.

E assim começou: declaração da pandemia, quarentenas, bagunça geral.

Histórias parecidas no mundo todo, não importa onde vá, seja rico ou seja pobre, more na Suíça ou na Índia, o assunto da moda é sempre o mesmo. Distância social, máscara, lave a mão, não toque o rosto, use álcool, não tem álcool, e agora? Tem vacina? Não. Quanto tempo demora? Especulação.  

Teorias de conspiração chegam rápido. Acusam os chineses, CIA, Bill Gates, indústria farmacêutica. Até rede de celular 5G entrou na lista de culpados.  Muitos se ocupam debatendo o que não importa. Ajuda a passar o tempo.

Nossos líderes, eleitos democraticamente, mostram para que vieram.  Seja Trump, seja Bolsonaro, parece que só muda o endereço. Arrogância, discórdia, guerra de egos, desunião.  Trump chama o vírus de “inimigo invisível”, mas esquece esse não recua com ameaça, embargos nem bomba atômica.

Penso que o buraco é muito mais embaixo. Penso que a crise de liderança reflete uma crise de valores e pode ser tão devastadora quanto o vírus.

Também penso nas consequências de longo prazo dessa crise.  Nos Estados Unidos uma das principais causas de mortalidade de jovens e adultos de meia idade inclui uso de drogas e suicídio. Chama-se “Deaths of Despair” (mortes do desespero). Acho que um dos efeitos colaterais da quarentena será um agravamento dessa situação. 

Penso nas crianças de rua, ou crianças com pais alcoólatras ou narcóticos, agora juntos, debaixo do mesmo teto, 24 horas por dia. Antes da pandemia muitas dessas crianças iam a escola onde encontravam um ambiente estável. Hoje não é possível. Mais um efeito colateral da quarentena. Acho que estamos vivendo algo que assistiremos em filmes daqui alguns anos. Fico pensando se no final das contas teremos mais gente em hospitais psiquiátricos do que nas UTIs. Mas essas estatísticas não dão muito ibope. Além do mais, esses efeitos colaterais chegam mais tarde, depois das eleições. 

Ao mesmo tempo, penso no lado positivo. Somos seis bilhões de pessoas lutando contra o mesmo vírus, passando pelos mesmos problemas. Que oportunidade melhor do que essa para enxergarmos que temos muito mais em comum do que diferenças?

Não temos controle nem sabemos que rumo que essa pandemia vai tomar. Mas uma coisa é certa, temos total controle das nossas atitudes. Penso que nas horas difíceis, de crise, é que temos a oportunidade de aprender (na marra). Temos a oportunidade de ver o mundo (e a nós mesmos) com outra perspectiva. Quem sabe nos tornarmos pessoas melhores.

No final das contas, não precisamos fazer nada grande ou tentar mudar o mundo. Posso fazer coisas pequenas, todo dia, que não custam nada e contribuem para um mundo melhor. Sorrir para o vizinho, porteiro, ou desconhecido na rua, usar palavras gentis, praticar empatia, não julgar, não tentar mudar o que é imutável, aceitar a situação, por pior que seja, e usá-la para algo bom.

Alice Chebabi – Bela Urbana, 38 anos, mãe, esposa, natural de Campinas, mora em Houston, Texas, onde é diretora de desenvolvimento de projetos. Adora trabalhar, jogar squash, ir ao cinema, brincar com seu filho Lucas e aprender coisas novas.

Pandemia que agonia. As vezes durmo como uma pedra, mas na maioria desses dias não tem sido assim. Insônia, pesadelos, sonhos esquisitos.

Dinossauro saindo pela janela de um hotel e eu de fora olhando aquela cena surreal. Ontem, o sonho foi com elefante cinza no meio da cidade, a cidade era o Rio de Janeiro, o elevante ficou meu amigo, e eu pensava que quando era criança queria ter tanto um elefante…

Essa noite, sonhei com crianças levando outra no carrinho para passear, eu pensava se deveria segui-las para garantir proteção, mas pensava, precisam crescer… mas isso me angustiava, sentia medo que algo acontecesse com elas.

Nos sonhos, eu penso. Lembro meus pensamentos, como também lembro o que pensei em vários momentos da minha vida. Não lembro tudo, mas lembro muito, muito mesmo, do que penso e do que aconteceu na realidade.

Memória de elefante? Para muitas coisas sim, até dos dinossauros da minha vida. Serei eu também um dinossauro? Para muitas coisas sim. E as crianças? As crianças estão em mim. Dentro, a menina que fui e ainda vive. Fora, as que convivem comigo.

E eu aqui querendo decifrar meus sonhos e pesadelos….. pesadelo mesmo é essa pandemia.

20 de maio – Gisa Luiza – 51 anos

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa . 

A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: @gilguzzo @ofotografico

Eu sem dúvida me tornei uma pessoa melhor esse ano, decorrente de várias experiências. Tive um período sabático de 18 meses após mais de 40 anos trabalhando, e desapeguei geral.

Quando falo que me tornei melhor foi por relatos dos outros, não pela minha avaliação. Eu estou nessa busca de ser uma pessoa melhor, mas para isso, penso que é preciso ter impacto positivo no meio que me relaciono.

Digo esse ano, porque minha maior comemoração veio na virada do ano. Mesmo que simbólico, para nós humanos, essa virada do ano, foi eu ter vencido um vicio de dois terços da minha vida: o cigarro. E isso me empoderou muito! Percebi que poderia “arrumar” outras coisas e relações que não me faziam tão bem. E assim o fiz!

Comecei o ano vivendo muito bem em outro país,  com duas pessoas por quarenta dias, e percebi que precisava muito pouco de “cama, mesa e banho” para viver. Com isso percebi duas coisas: a evolução na convivência pacífica e gostosa e, o desprendimento material. Digo que voltei mais enfática ainda a “eliminar excessos”. E aí, quando veio a pandemia, eu estava mais “inteira” comigo, mais preparada e menos exigente com o semelhante, aceitando-os da forma que são, e pedindo para que ajudassem a ser melhor a cada dia.

Claro que é um exercício diário, mas entender que estamos com quem temos que estar e que esse é nosso crescimento espiritual até, nos traz saúde de corpo e alma, porque nos traz leveza.

Eu sempre digo que não podemos estar “mancos”, e explico: somos um tripé de material, físico e espiritual. E quando uma parte dessas não é valorizada, ficamos mancos e balançando. Então, vamos cuidar do conjunto! Isso nos torna mais saudáveis e leves a cada dia!

Edna Prado Gonçalves – Bela Urbana, administradora de empresas, consultora em pesquisa de mercado na Neometrics, signo leão, apaixonada pela
vida (resume tudo)!
e-mail: ednamaio13@gmail.com

Sempre gostei de me alimentar bem e de forma saudável!

Sou curiosa pela cozinha, vejo vídeos, leio livros e aprendi a curtir os utensílios da cozinha e mais do que tudo, adoro fazer projetos de cozinha! Entretanto, nunca tive tempo de me dedicar a isso, pois a correria do dia a dia e as obrigações de trabalho me ocupam boa parte do tempo, dessa forma almoço fora todos os dias. Me aventuro a fazer alguns pratos esporadicamente, então minha prática é muito pequena.

Em março de 2020 chegou a PANDEMIA e aí? Restaurantes fechados, economia enfraquecida, orçamento reduzido e tudo mudou… A necessidade surgiu e o tempo aumentou, eis a oportunidade de aprender e experimentar COZINHAR!

Lá fui eu, entrei na cozinha e fui aprender na prática! Antes de cada prato li várias receitas, assisti vídeos e consultei pessoas queridas, como minha mãe, irmã e amigos próximos, que me orientaram na elaboração e construção dos pratos. Comecei pela base, arroz soltinho, cozimento do feijão e temperos, depois grelhar carnes, bifes, frango, refogar verduras, esterilizar saladas, posteriormente preparar molhos, compotas, congelar etc… Foi uma experiência bem interessante, que fez eu me descobrir! Nas primeiras semanas me cortei várias vezes, me queimei, derrubava coisas, sujava outras e como todo início os erros são importantes para chegar nos acertos. Percebi então, que na cozinha precisa de muita concentração e atenção, me desliguei do celular, TV, e-mail, etc… Se errar na dosagem salga, na temperatura queima, além do desperdício. Depois disso os acidentes diminuíram e os pratos saíram melhores e cozinhar passou a me dar prazer, pois a cada dia pensava em algo que gostaria de comer e lá eu ia preparar o prato com vontade e entusiasmo! Percebi que podia preparar qualquer coisa na cozinha, fiz pão de queijo, pão caseiro (isso foi o máximo! Algo que consumo todos os dias) nhoque, massas, compotas, saladas, sanduíches e os bolos então? Tudo fica delicioso pois você coloca o ingrediente da sua preferência, descobri assim meu paladar, novos sabores, novos alimentos, além de ser super saudável e econômico!

Uma das experiências mais incríveis da comida, além de você unir as pessoas, são as memórias que guardamos por gerações! Neste dia das Mães meu presente foi preparar um doce escolhido por ela, um doce árabe chamado Namura (Aristilaus) foi tão gostoso e gratificante e mais especial do que qualquer presente! Passei algumas horas preparando, estudando o prato, comprando ingredientes, me surpreendi com resultado. Ela ficou tão feliz e eu mais ainda! Disse que foi um dos melhores doces que ela comeu!

Percebi que cozinhar não é só o fato de você se alimentar bem, uma condição primordial em nossa vidas, mas cozinhar é um ato de amor, carinho, doação, paciência, é uma conexão interna incrível, pois a medida que você pratica você aperfeiçoa, e se reinventa! Cozinhar é libertador pois não dependemos de ninguém, nós mesmos podemos preparar tudo aquilo que queremos comer e da nossa maneira, aproveitando ingredientes e suas propriedades!

Uma pena que cozinhamos tão pouco e deixamos de lado essa oportunidade de nos cuidar e cuidar do outro, não damos a devida atenção ao ato de cozinhar! Este momento para mim significou muita lindas lições, mas o melhor de tudo é poder agradecer a oportunidade de ter o que comer, poder comer e fazer com amor!

Andrea El Banat – Bela Urbana, arquiteta, designer, canceriana, maior paixão é
estar em família, maior prazer é viajar para conhecer culturas, pessoas e novos
sabores! Adoro café cuado e pão com manteiga o simples bem feito é sempre a

melhor escolha na vida!

De repente…

Tudo parou..

Parou o barulho das crianças e seus burburinhos.

Os beijos e os abraços…

As chegadas e as partidas. 

Tudo parou. 

Guardaram-se os planos e os sonhos. 

A Vida da escola congelou. 

Pararam as festas, a música alegre, a decoração. 

O colorido descoloriu.

A tinta secou.

A brincadeira foi embora com as crianças. 

Também foi embora a alegria.

Não há conte outra vez, nem o silencio do sono e o tilintar dos talheres na hora da refeição.

Tudo paralisou. 

De repente.

Tudo fechou. 

Fecharam as portas, os portões e os armários.

Materiais guardados, livros empoeirados e  parque desmontado. 

A balança parou. 

De repente…  

A balança não balança mais…

O telefone não toca.

A campainha ficou muda…

O movimento é só o das folhas e das árvores que insistem em se mostrar…

A escola parou…. 

Mas o *Coração* não parou. 

Continuou pulsando em cada peito.

Em cada criança e em cada educador.

Ele esta vivo em cada canto da escola.

Afinal ela é o CORAÇÃO. 

E por isso…

Continua a vida.

A espera do que virá. 

A espera de tudo, de volta outra vez…..

NO CORAÇÃO DE MARIA. 

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social,
” Coração de Maria“



Ela coçou os olhos, sentou na cama e literalmente reclamou de ter que acordar naquela manhã gelada. Sair debaixo das cobertas não fazia parte dos seus planos, muito menos abandonar o seu quarto, que se tornou o seu refúgio neste confinamento obrigatório!
Pegou o celular e lá estavam as mensagens de “bom dia” e “oiê” que a têm feito sorrir nos últimos tempos. Como é bom ter amigos! Esse foi o primeiro pensamento dela, ainda sem sair da cama.
E às vésperas de quarentar em plena quarentena, ela se pegou pensando: o que essa pandemia tem feito com as pessoas? No seu caso, foram tantas perdas até então: o contato com o outro, que lhe é tão característico; o tocar; trabalhos; a avó, que naquele dia completava um mês de sua partida; a despedida que não aconteceu; os amigos que estão longe; a saúde que teima em ter ligeiros baques pelo tal estresse.
Coerente, ela sabe que muita gente, por esse mundão afora, perdeu muito mais. Mas é impossível dela não sentir a sua dor, nem que na maioria das vezes seja em silêncio.
Sendo assim, ela pensou nos que eram, nos que são e nos que serão…
Para alguma coisa essa reclusão forçada há de servir! Muitos dizem que é para buscar o “eu interior”, ela, nos seus pensamentos mais secretos, acredita que vá muito além do reconhecer o “eu”, mas é reconhecer o “nós”.
Se cada um passa pela nossa vida com um propósito, durante um determinado período, ela fez questão de entender o cada um daquele momento.
Foram tantas mensagens que ela esperou em vão. Foram tantos os olhares que não vieram. Foram tantas certezas desfeitas. O aconchego veio de quem talvez ela menos esperasse: novos amigos, alguns quase tão recentes quanto à própria quarentena, amigos distantes geograficamente e tão presentes.
É claro que algumas certezas se mostram absolutas e aquelas amizades de anos, de quase uma vida, estão lá, naquele lugar especial que estiveram e sempre estarão. Pessoas que a leem como se fossem sua alma.
Ela lembrou da fala rotineira da terapeuta: “não se apegue ao passado, nem se penitencie pelo futuro. Viva o hoje. Não fique chorando pelo que se tinha, mas valorize o que se tem”.
Coçou novamente os olhos. Respondeu suas mensagens, como faz toda manhã, mas com uma grande diferença. Sorriu, com os lábios e com o coração, entendendo que aqueles que FORAM, foram. E esses, que fazem questão de estar, cada um a seu jeito, SÃO e, se Deus assim o permitir, ainda SERÃO.
Finalmente ela levantou da cama, fez o coque em seu cabelo e foi de pijama mesmo cuidar da sua vida!

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

E surgem nas telas, os “Donos da Palavra”!
Aplausos!
Vaias!
Xingamentos!
Vamos lá, é isso mesmo que eles mais querem…
Como parasitas, se alimentam e absorvem toda essa enxurrada de informações, que é despejada à sua volta. Todas as fontes, todos os assuntos, todas as verdades e todas as inverdades, agregando a esse arsenal, uma pesada carga de energia! Boa ou ruim?
Não importa, Bônus!
Plim!
Próxima fase.
Hora de vomitar, ou melhor, informar, passar adiante todo o seu “conhecimento”.
De alguma forma, alguém tem que se pronunciar, então, é tiro pra todo lado, encaminha, compartilha, copia e cola!
E fica ali, de olho, só aguardando o primeiro round.

Ao observar o surgimento de vários representantes dessa nova “Espécie “, digo que é fato afirmar:

⁃ Esses seres de “suprema sabedoria”, sabem como ninguém, ignorar o sentido das palavras Respeito, amizade e livre arbítrio.

⁃ Será uma regra? Depois penso nisso? (Deve ser assim mesmo!)

Gritar a sua “Palavra”, talvez seja mais importante do que esses meros “detalhes”.
O que vejo, em muitos casos, é o fim de relações, que se perdem durante uma disputa de egos, nesse jogo do “Quem tem razão, quem grita mais alto?”
Por fim, à você, “Dono da Palavra “, dedico o meu profundo silêncio, minha atenção já conseguiu, parei pra te ouvir, me fez pensar e lamentar também.
Plim!
Ponto!
Talvez, um dia, eu tire um tempinho pra tentar entender essa sua imensa necessidade auto-afirmação…não hoje, um dia!
Plim!
Fim de jogo!

Ganhei?

Gabi Leite – Bela Urbana, publicitária, empresária, mãe. Ama pão com banana e queijo, viajar e criar. Acredita que ser do bem, ainda é a melhor pedida!