Fui convidada a escrever um texto… pandemia, um ano depois.

Me estranhei com a dor muda, com o sofrimento silenciado, com a sensação de impotência e desesperança com que me deparei, ao tentar trazer em palavras minha vivência de agora.

Tantas perdas, tantas relações estremecidas, tantos momentos perdidos, tanta instabilidade material.

A principio estávamos lutando, sendo fortes, praticando resiliência frente a um inimigo imensamente maior que nós, contra o qual tínhamos poucas armas e nenhum conhecimento.

Agora estamos nos relacionando com um inimigo conhecido, antigo, com a manifestação da ignorância nos inúmeros erros de gestão. Erros que significam vidas. Erros que significam vazios. Erros que significam também nossa falta de capacidade de reagir enquanto povo brasileiro de forma organizada e assertiva.

Palavras de motivação e reflexões sobre como cada um pode lidar melhor com os fatos já não cabem mais.

Precisamos de palavras de misericórdia. Precisamos de compaixão ativa.

Precisamos transmutar essa dor muda em ação pelos mais necessitados.

Precisamos colocar nossos recursos internos e externos à disposição, para socorrer os que estão ficando pelo caminho. Para oferecer o pão, mas também a alma e o coração.

Direcionar nossa energia de indignação, dor e medo em ações de
corpo, fala e mente, na escala que nos for possível.

Etienne Janiake – Bela Urbana, psicóloga, professora de Yoga e meditação, mãe, se encanta pelo florescimento humano e pelo cultivo de relações mais lúcidas e compassivas. Nas horas vagas adora dançar e desenhar mandalas.

A pandemia continua e o que eu poderia falar que você não saiba…nada!

Então, vou falar o que aprendi até agora:

– Que, cuidar de plantas não é uma obrigação e fica cada vez mais prazeroso quando se faz com calma.

– Que todo mundo da casa pode ajudar de alguma forma.

– Que a gente subestima o conhecimento culinário dos filhos e do marido.

– Que usava muito tempo meu para limpeza de casa e passar roupas (não passo quase nada agora).

– Que aquele monte de roupas, sapatos e bolsas, não fazem tanta diferença… nem os batons…mas, os perfumes sim… eles me trazem lembranças e os pijamas então? Nossa, eles devem ser muuuuito confortáveis e bonitos, afinal… eu mereço estar bonita na melhor hora do dia!

– Que fazer um esporte é cuidar da gente, mais que isso… é liberdade de sair e ter um tempinho pra você!

– Que eu corria muito para depois, só no fim do dia encontrar quem valia realmente a pena… hoje, ficamos o dia todo juntos!

Que apesar de não parecer… gente famosa, também é de carne e osso como eu!

 E o principal… a gente começa a fazer vários cursos on line, ler livros para aprender… mas que na verdade, quem tem mesmo razão é a Monja Cohen…

O INFERNO SOMOS NÓS.

Tudo depende de como a gente resolve enfrentar a vida e qualquer coisa que nos aconteça. Você que define como quer e vai enfrentar a vida, as pessoas e essa pandemia. Acorda, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Roberta Corsi – Bela Urbana.
Fundadora e coordenadora do
Movimento Gentileza Sim,
que tem por objetivo “unir pessoas que acreditam na gentileza” e incansavelmente positiva. Mãe da Gabi e do Gui. Gosta muito de reunir a família ao redor de uma boa mesa
.

Em meio a uma crise mundial onde tudo parece diferente, onde uma palavra pungente não cansa de aparecer, onde esta tal de pandemia, pegou uma ruim mania de nos entristecer, pergunto meu querido amigo, você sabe de onde eu venho?

Em meio a pessoas ruins que teimam em jogar nosso país na lama, em meio ao nosso povo que teima em não se unir, polarizando sua força sem lutar pelo que é certo, eu pergunto meu amigo, você sabe de onde eu venho?

Entre hospitais lotados e o meu povo passando fome, no olhar desgastado do pai de família, que se ajoelha ante ao caos montado por quem desgoverna estes país, eu lhe pergunto meu amigo, você sabe de onde eu venho?

Eu venho daqui e de lá, eu fui forjado por um povo que não conhece o medo de lutar, eu fui feito pelas serras gaúchas, eu fui montado pela caatinga do sertão nordestino, pelo sol do meio dia da Bahia, pela chuva de Belém do Pará, pelo tempo mesclado das quatro estações da capital do meu País.

Eu não me entrego, fui índio, fui negro, fui asiático, fui português e muitos outros, mas hoje eu venho daqui, das entranhas deste povo, hoje eu venho da brasa de fogo da bandeira verde que ecoa em nosso olhos, hoje eu venho de um povo que insiste em vencer tudo que se propõe a fazer, então meu caro, já vou dizer sem medo de errar, apesar de já ter sido muitos, hoje sou brasileiro e novamente vou ganhar.

Estou maltratado, separado, abatido, mas não vencido, não é esta pandemia que vai me derrubar, não é o governo corrupto que vai acabar comigo, sou da terra e do ar, não tenho medo de lutar, vou novamente me levantar e novamente vou ganhar, para que em algum fevereiro da vida eu volte a festejar, porque sou brasileiro, sou de luta, sou de força não sou descansar.

Quero todos aqui, juntos, vamos deixar de criticar, vamos levantar a nossa bandeira, a mesma bandeira que é sua, é minha, vamos mostrar as nossas raízes e vamos vencer esta crise, porque nós não sabemos perder, não nos ensinaram a nos render, não nos mostraram a tristeza de ficar parado, nós vamos novamente vencer por o único motivo, nós viemos do Brasil.

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração. 46 anos de idade, com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela Mulher sorrindo.

Eu acordei. Abri os olhos, mas não quis me levantar. Puxei o celular da mesinha de cabeceira e vi que muitas mensagens chegaram durante a madrugada.

Ninguém dorme? O sono é um opioide salvador e necessário. Mas, quem descansa? Quem tem paz quando se é refém do ar que respira? Quem relaxa por oito horas como se o amanhã fosse um lugar seguro? Quem se levanta da cama de primeira em 2021 sem antes refletir sobre todos os acontecimentos das últimas 24 horas?

Eu me perco nos meus pensamentos e quando, de fato, presto atenção no relógio, sobra pouco tempo para fazer as coisas de forma espaçada. Eu devo tomar o café em frente ao computador, permanecer com a câmera desligada enquanto o edema das olheiras não passa pelo choque do creme, filtro solar e uns beliscõezinhos nas bochechas que uma influencer sugeriu para parecer mais saudável.

Não me sinto saudável.

Há um ano não ando tranquila, não caminho no sol, não passeio, não abraço uma amiga, não consolo, nem sou consolada.

Há um ano os planos foram desprogramados e no horizonte não se vê uma probabilidade segura de realizar nada que envolva o tremular dos horizontes: as fronteiras estão fechadas, estamos cercados. Me sinto cercada, enclausurada, imobilizada.

Há um ano minha vida se desvenda entre muitos amanheceres nas janelas quadradas do meu apartamento, compartilhado com marido e dois filhos adultos. Ocupamos os espaços de um lar que foi pensado para momentos especiais, agradáveis, mas nunca para todos os momentos de 365 dias multiplicados pelos interesses e razões de quatro pessoas independentes.

Os sentimentos são assim dicotômicos, antagônicos e, apesar de toda carga de intolerância sobre as palavras escritas, há também uma dose cavalar e consciente de gratidão, porque o pulso ainda pulsa, porque a cabeça ainda gira, porque entre nós, reina um privilégio que sabemos que foi negado a tantos outros.

Essa luta de realidades verdadeiras e limitantes provoca um cansaço extremo, que beira a síncope do caos. A minha sensação é estar vivendo em uma maratona infinita, com a linha de chegada distante (quase utopia) e no percurso tem obstáculos e riscos permanentes.

A angústia é certa. Os sentidos estão todos sôfregos. Pelas telas vimos faltar ar e consciência, enquanto sobra medo e inconsequência…

A vacina seria para os maratonistas mais otimistas um aceno da bandeira. Mas, não é ainda acessível para todos e no ritmo que seguimos, muitos não terão a chance de avistá-la. Sinto raiva de quem desdenha da vida dessa forma, mais ainda de quem dificulta a cura e se entorpece com a morte dos outros.

Próximo a mim nunca faltam máscara e álcool em gel, não abro mão de cuidados que são antes de tudo, um gesto de respeito e carinho com a humanidade toda.

Guardei a esperança e o desespero na mesma gaveta. Organizo todos os dias, à medida que faço uso de suas propriedades, para que não se misturem, para que se preservem enquanto durarem os estoques. Torço para que o desespero acabe primeiro e reste ainda esperanças…

Na manhã de hoje, o pensamento que me segurou na cama foi de que eu sei quem eu era antes da pandemia chegar, mas não sei, nem tenho ideia, de quem eu serei no dia que anunciarem que ela se foi.

Dany Cais – Bela Urbana, fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos

Consulentes

O momento é de recolhimento. Recolher não para encolher, mas para colher.

Frutos novos nascerão dentro de cada um que puder além de sobreviver, VIVER o novo, renascer.

Pra renascer e preciso morrer. Isso é a Páscoa, a morte para a nova vida. O ovo simboliza o nascimento. O ovo hoje é a esperança da vacina.

Ovos controlados cujos embriões serão utilizados em um processo muito especial: produzir vacinas para imunização humana contra a pandemia do covid 19.

Consulentes, desejo muito ovos para comerem cozido, frito, mexido, ovo de chocolate, mas acima de todos o OVO ESPERANÇA, o que traz a cura física, e se você de fato renascer, o que traz a cura para as dores da alma.

Para quem acha ainda que tudo isso é UMA OVA, eu lamento com as familias de todos 2,5 milhões de pessoas que não tiveram a chance de renascer, e ainda digo, usando uma frase de Cristo, aquele que renasceu nesse dia de Páscoa, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Aproveite a chance, renasça! Força! Feliz Páscoa!

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é: ” Madame Zoraide sabe tudo”. Atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 



O ano começou ótimo para ela. Pretendia se formar na faculdade. Sim, essa era sua prioridade, já que seus pais sempre lhe disseram o quanto ter seu próprio diploma era importante; o quanto independência intelectual e financeira eram tudo na vida de uma mulher. Por isso, ela também ia encontrar um emprego. Um bom, daqueles que se tem possibilidade de crescer e orgulho de contar para a família. Família. Ela pretendia visitar seus avós toda semana. Agora, ela podia dirigir! Parte da tão cobiçada independência já estava bem encaminhada. Esse ano ela poderia ir sozinha pra a faculdade; poderia visitar os amigos; ir a festas; viajar com o amor de sua vida. Tão jovem, e já havia encontrado o amor! E ela planejava aproveitar naquele ano. Aquele ano prometia… além de tudo isso, sua autoestima estava melhor do que nunca, ela acabara de começar a fazer aulas de dança, ela tinha idade para ir aos bares e começar a explorar a vida.

E que vida ela tinha planejada! E começava agora!

Que ano era esse? Esse ano era 2020.

Em março, tudo estava caminhando em direção a um ano de sucesso, quem sabe o melhor de todos? Era isso que ela prometia para si mesma todo Ano Novo: fazer esse ano ser o melhor da sua vida.

Até que, um dia, tudo se despedaçou. A faculdade foi cancelada, e todos foram mandados para casa. Ela deu adeus a um emprego, já que não tinha mais ninguém contratando. Pior de tudo, ela nem podia sair de casa! Como veria seus avós? Como os poria em risco? Sairia de casa para que, então? E suas viagens? Seus amigos? A dança? As festas e bares? De que serviria a carteira de motorista que ela lutara tanto para conseguir?

E a distância doía…

A solidão aumentava a cada dia, como se ela fosse uma mochila cada vez com um livro a mais dentro de si. Pesava. E sufocava. Que importava o que ela pensava sem ninguém para compartilhar? E no que ela poderia pensar, se nenhum dos objetivos dela podiam mais ser alcançados? E a cada dia, ela sentia que aquilo que, um dia, ela sonhou, importava menos e menos… até que ela se tornou um recipiente vazio.

Sem forças, comia menos. Não estudava mais tanto, porque não importava. Se afastou dos amigos e perdeu contato com a família. A cada dia ela entrava mais e mais dentro de si. E a cada dia ela encontrava menos e menos para ver.

Um dia ela acordou no meio da noite. Estava fraca e sem vontade. Estava sem ar. Abriu a janela de seu quarto. Olhou para as estrelas. Olhou para as ruas vazias. Viu a lua. Viu as árvores. E se espantou. Tudo ainda estava lá! Ela havia se esquecido! Esquecera-se de tudo fora de sua janela! Esquecera-se da linda paisagem que a aguardava! Esquecera-se das pessoas que esperavam por ela! Esquecera-se do mar, que ela não podia ver, mas tinha certeza de que estava lá! Esquecera-se de quem ela prometera ser! Esquecera-se de viver! Afinal, havia esperança, e estava lá! Tudo que ela queria estava lá, quieto na calada da noite, pausado, à sua espera, suspenso, mas o vento disse a ela que não era tarde! Que amanhã ela teria uma nova chance de sonhar! Uma menina, uma criança, 20 anos não é tempo de desistir de tentar!

Ela não dormiu mais naquela noite. Estava atrasada. Sem tempo. A vida esperava por ela. Ela sentia saudades do sabor! Do seu prato favorito; de um abraço de seu pai; de um beijo de amor; de fracassar! Mas de tentar de novo. Ela tinha tanta energia armazenada e queria começar a gastar agora! Ela tinha saudades do saber! Da fome dos livros! Da ambição que tinha antes! Ia demorar um pouco para reconquistá-la, mas aquela menina ainda estava lá! Pouco a pouco, a vontade brotou dentro dela como uma pequena muda, pronta para se tornar uma frondosa árvore. E ela a regou. Ia garantir que crescesse e que ela pararia de ser a sombra em seu caminho. Ela seria luz.

Ela abriu a porta de casa. Respirou o ar puro. Não, não era tarde. Ela guardou aquela vista. Guardou as memórias. Com o gosto de liberdade na boca, ela entrou de novo. Sorriu.

Agora, ela era uma mulher de 20 anos. E estava pronta.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU

Eu gostaria de começar este texto com uma pergunta, mas como a gente ainda não se conhece, considero que essa não é a melhor maneira para começar este texto. Melhor eu me apresentar primeiro: Olá! Eu sou a Geovana Pavanelli, mãe do Vicente, de três anos e meio, esposa do Daniel, Relações Públicas por formação (e paixão) e atualmente atuo como Gerente de Pessoas de uma empresa de tecnologia. Muito Prazer!

Agora que você me conhece um pouco vou direto para a pergunta: O que você estava fazendo em 25 de fevereiro de 2020?

Se você não estava em algum bloquinho (ou qualquer evento em grupo) por aí, curtindo a terça-feira de carnaval, talvez esteja, assim como eu, arrependida por não aproveitar a última oportunidade que tivemos de aglomerar sem medo. Parece que foi ontem, mas há quase um ano, em 26 de fevereiro, estávamos recebendo a notícia do primeiro caso de Coronavírus no Brasil.

E agora eu te convido a uma reflexão… Além do kit básico (distanciamento, máscaras e álcool em gel), o que mais mudou na sua vida de lá para cá? Nós tivemos que nos adaptar a um mundo novo. Profissionalmente falando, as mudanças foram ainda mais intensas, e o trabalho remoto passou a fazer parte (se é que ainda não fazia, como é o meu caso) da realidade de muita gente.

Atuando na área de pessoas, posso garantir que a cultura do trabalho remoto (que é diferente do home office) é o futuro das organizações, principalmente na área de tecnologia. Mesmo muita gente voltando ao trabalho presencial com a flexibilização das medidas de proteção da pandemia, mais de 86% das pessoas preferiram continuar no modelo remoto e 52%  mudariam de trabalho se recebessem uma oferta full remote (pesquisa da Robert Half realizada em 2020). As empresas terão que aceitar esse “novo” modelo de trabalho, principalmente porque, sem ele, em um futuro próximo poderão perder talentos e desmotivar equipes.  

Nesse cenário de pandemia muito se ouviu falar de como as pessoas precisaram se adaptar ao trabalho remoto, mas pouco sobre como as empresas precisam se posicionar e orientar a sua liderança sobre esse novo modelo. Tornar uma empresa remota ou híbrida não é fácil e muito menos automático, exige maturidade do empregador, confiança no time e preparação da liderança.

Se aquele modelo de “chefe” que faz microgerenciamento já estava ultrapassado, e as empresas que viam os seus colaboradores apenas como recursos já estão ficando cada vez menos atraentes, no modelo de trabalho remoto esses posicionamentos simplesmente não funcionam. É responsabilidade das empresas entender esse novo cenário, preparar os seus times para o trabalho remoto ou híbrido, motivar e alinhar todos os colaboradores na busca do mesmo propósito e, principalmente, investir na gestão do trabalho remoto, afinal, ele é completamente diferente do presencial.

E me conta, como foi essa experiência do trabalho remoto para você? A sua empresa estava preparada?

Eu posso responder pela empresa em que eu trabalho: por lá o trabalho remoto foi um processo normal e até que relativamente simples, até porque já fazia parte da nossa cultura, mas vi muitos absurdos sendo relatados por colegas que atuam nos mais diversos segmentos, tais como: empresas que não respeitam horários e acreditam que o trabalho remoto é sinônimo de exaustão obrigatória; que cobram por ambientes 100% silenciosos, quando na verdade é impossível controlar a reforma do vizinho; que não respeitam que você vive em uma casa com outras pessoas (por mais que você zele para evitar interrupções) e dão advertência quando seu filho aparece para pedir para fazer cocô; ou que obrigam mulheres grávidas a trabalhar em ambientes fechados, mesmo quando a atividade é totalmente compatível com a atuação remota.

Há um longo caminho pela frente para que as empresas estejam preparadas para o trabalho remoto ou híbrido, mas a meu ver, elas terão que se adaptar, pelo amor ou pela dor, esse será o futuro.

Já como mãe de uma criança de três anos e meio, nada foi mais desafiador do que exercer o lado maternal e profissional ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. É maravilhoso poder estar perto do meu filho por mais tempo; no modelo presencial era impossível almoçar com ele todos os dias. Mas também é doloroso vê-lo mais tempo na televisão do que eu gostaria (e do que é indicado), ouvir ele pedindo minha atenção, quando é impossível parar uma tarefa.

É uma balança difícil de equilibrar: culpa materna x profissionalismo. Eu sigo tentando fazer o meu melhor nos dois lados, mas confesso que dificilmente o dia termina com a balança equilibrada e, na maioria das vezes, um dos lados pesa mais. Como profissional também há um longo caminho pela frente, e eu também tenho que me adaptar (pelo amor ou pela dor), afinal, esse é o meu futuro.

Geovana Capovilla Pavanelli – Bela Urbana. Relações Públicas, especialista em comunicação e recentemente apaixonada pelo universo de gestão de pessoas. Mãe do Vicente, de três anos, que é a minha razão de viver. Sou uma pessoa intensa que ama trabalhar, ama o filho, ama a família, ama os amigos e, principalmente, amo a mim mesma.  

Você que acorda cedo pra pular Carnaval. Que vai tarde adentro, noite afora. Que esperou ansioso para camelar ao sol e ao som de batuques. Não vai poder entrar na folia este ano, porém não passará de bar em bar pisando em urina fresca, não vai levar passada de mão gratuita e terá seu dinheiro guardado na pochete no fim do dia.

Brincadeiras à parte, o carnaval foi cancelado! A pandemia não!

Ainda na espera dos blocos vacinados muita gente vai ter que reinventar a passagem sem o batuque horas a fio.

O que faria no carnaval será feito em casa e sem o agravante de ser assaltado ou ferido. Brincadeiras à parte, este texto satírico é só pra deixar mais ameno o fato de que o brasileiro, folião por definição, terá que brincar de pijama mesmo. Do Oiapoque ao Chuí.

Mas não se lamente, ouça um álbum novo, ou velho, faça uma playlist, entretenha-se num podcast, leia um livro engavetado, veja um clássico.

Seu carna vai ser diferente porque todos somos hoje. Não haverá festas, nem manchetes e fuzuê.

Seu amor sambista vai aguardar a vacina chegar.

Fantasia de coronga nem à vista. A gente não aguenta mais ver essa praga.

Não há festa. Nem manchetes dos títulos, alvoroço nas ruas.

Tô fria? Não. Realista.

Cozinhe seu prato preferido, sambe na sala até calejar. O importante é que estaremos vivos para pular feito doido quando o mundo deixar a folia voltar.

E tá tudo bem! O samba é maior! E tá dentro da gente oriundo que só ele, guardado e protegido.

Meg Lovato – Bela Urbana, formada em comunicação social, coreógrafa e mestra de sapateado americano e dança para musicais. Tem dois filhos lindos. É chocolatra e do signo de touro. Não acredita em horóscopo mas sempre da uma olhadela na previsão do tempo.

Natal uma festa cristã carregada de significados. Nesta data somos convidados a experimentar, na intimidade de nossos lares, um momento especial entre familiares e amigos. E assim compartilhar afetos e gestos que nos remeta a vivências como a comunhão, fraternidade e pertencimento.

O Natal promove a oportunidade de rever valores, relevar divergências e
construir pontes que nos unam. É quando pisamos no chão da humildade que, podemos reconhecer que somos seres humanos limitados, buscando evoluir de alguma forma. Às vezes escolhemos caminhos tortuosos, a fim de chegar em algum lugar de paz e encontro. No entanto de modo equivocado nos ferimos, bem como a outros, com quem poderíamos fazer trocas significativas.

O Natal em sua origem carrega a mensagem de boas novas, ou seja, o
menino, Jesus, nasce como resposta de Deus ao sofrimento humano. Jesus, o Deus encarnado experimenta em sua trajetória, as dores humanas, identifica- se com aqueles, cuja, a dignidade fora violada.

É interessante observar que, Jesus, se oferece como sacrifício vivo e de amor na cruz por todos os seres humanos inclusive seus malfeitores. Sendo assim como Deus, escolhe o caminho do amor em sua potência máxima.
Torna-se um grande farol a nos guiar e através de sua imensa compaixão com as misérias humanas, nos deixa um caminho aberto para reconciliação entre realidades diversas e aparentemente contraditórias.

Ele é uma síntese perfeita na qual a vida sempre recomeça. A ressureição
acontece a cada dia. Basta observarmos os ciclos da natureza, onde uma
estação termina para dar lugar a outra, a noite gentilmente recebe o
amanhecer e, a tempestade cessa para que o dia brilhe ainda mais.

E assim em um movimento de expansão da vida acontece. Neste ano de 2020, diferentemente de outros, vivenciamos uma tempestade provocada pela presença do coronavírus; tão pequeno, porém tão ameaçador a manutenção vida.

A princípio nos recolhemos dentro de nossas casas. O sentimento de
impotência nos atingiu e, nos sentimos como que, arrastados por uma
tempestade. Desequilibramos, caímos e levantamos. Um caos instalou se e
percebemos que estruturas as quais, nos apegávamos se fragilizaram.

Fomos forçados a nos distanciar uns dos outros, limitando assim em muito o nosso convívio social. Em geral o nosso tempo com familiares tornou-se maior e as relações se intensificaram. A vida pareceu ter encolhido, nos sentimos sufocados e, mais do que nunca a nossa alma clamou por liberdade e expansão.

Não imaginávamos que bem precioso que experimentávamos ao exercer a
liberdade de nossas escolhas, cair nossos próprios tombos e nos reerguer construindo o nosso próprio caminho. Sentimos falta de gestos
simples como abraçar, beijar, sorrir, gargalhar etc…. A satisfação de nos
encontrar com amigos e familiares para, trocar confidências ou mesmo jogar conversa fora. Respirar ar puro, contemplar a natureza que tanto nos ensina sobre a vida.

Apesar de tantas privações descobrimos que há um mundo vastos a ser
explorado tanto para fora como para dentro de nós. Tivemos que enfrentar
muitos fantasmas externos e internos. Nos esforçamos para que o nosso
desejo pela vida prevalecesse e ressignificamos a nossa dor a transformando em força a favor da continuidade da vida.

Descobrimos que não estamos sozinhos e que, podemos contar com
instrumentos tecnológicos e redes de apoio para nos manter próximos mesmo que a distância. A humanidade mais do que nunca se percebeu interligada.

Nos unimos para cuidar dos feridos e, estamos utilizando as adversidades
como matéria prima para a criação de novos caminhos e assim a vida vai
retomando seu seu fluxo.

Faltam poucos dias para o Natal e diferentemente de outros anos, pessoas queridas podem não estar presentes. No entanto aprendemos algo novo, ou seja, a presença também se faz na ausência, pois para o amor não há distância. E a vida sempre acontece para aqueles para que sonham com dias melhores. E reconhecem que os intervalos e as pausas da vida, apenas fazem com que o reencontro, seja, um momento de intensa alegria, de modo que tudo tenha valido a pena.

Podemos então concluir que, o nascimento e a vida de Jesus, sacrificada na cruz, nos disponibilizou uma fonte de amor acessível a todos. A cruz simboliza na sua forma horizontal e vertical um lugar onde a nossa humanidade pode se encontrar e, quando isso acontece somos remetidos a lugares mais elevados.

E assim podemos perceber que os processos da vida, se organizam de modo
a cooperarem na direção do aperfeiçoamento do amor. Pontes são estendidas fora e dentro de nós e a vida se faz novamente.

Não conseguimos controlar o que nos acontece, mas conseguimos ter a
liberdade de escolher como vivenciar a experiência.

Feliz Natal a todos os amantes pela vida.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Bela Urbana. Psicologa clinica. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o Mar.

E assim começou: declaração da pandemia, quarentenas, bagunça geral.

Histórias parecidas no mundo todo, não importa onde vá, seja rico ou seja pobre, more na Suíça ou na Índia, o assunto da moda é sempre o mesmo. Distância social, máscara, lave a mão, não toque o rosto, use álcool, não tem álcool, e agora? Tem vacina? Não. Quanto tempo demora? Especulação.  

Teorias de conspiração chegam rápido. Acusam os chineses, CIA, Bill Gates, indústria farmacêutica. Até rede de celular 5G entrou na lista de culpados.  Muitos se ocupam debatendo o que não importa. Ajuda a passar o tempo.

Nossos líderes, eleitos democraticamente, mostram para que vieram.  Seja Trump, seja Bolsonaro, parece que só muda o endereço. Arrogância, discórdia, guerra de egos, desunião.  Trump chama o vírus de “inimigo invisível”, mas esquece esse não recua com ameaça, embargos nem bomba atômica.

Penso que o buraco é muito mais embaixo. Penso que a crise de liderança reflete uma crise de valores e pode ser tão devastadora quanto o vírus.

Também penso nas consequências de longo prazo dessa crise.  Nos Estados Unidos uma das principais causas de mortalidade de jovens e adultos de meia idade inclui uso de drogas e suicídio. Chama-se “Deaths of Despair” (mortes do desespero). Acho que um dos efeitos colaterais da quarentena será um agravamento dessa situação. 

Penso nas crianças de rua, ou crianças com pais alcoólatras ou narcóticos, agora juntos, debaixo do mesmo teto, 24 horas por dia. Antes da pandemia muitas dessas crianças iam a escola onde encontravam um ambiente estável. Hoje não é possível. Mais um efeito colateral da quarentena. Acho que estamos vivendo algo que assistiremos em filmes daqui alguns anos. Fico pensando se no final das contas teremos mais gente em hospitais psiquiátricos do que nas UTIs. Mas essas estatísticas não dão muito ibope. Além do mais, esses efeitos colaterais chegam mais tarde, depois das eleições. 

Ao mesmo tempo, penso no lado positivo. Somos seis bilhões de pessoas lutando contra o mesmo vírus, passando pelos mesmos problemas. Que oportunidade melhor do que essa para enxergarmos que temos muito mais em comum do que diferenças?

Não temos controle nem sabemos que rumo que essa pandemia vai tomar. Mas uma coisa é certa, temos total controle das nossas atitudes. Penso que nas horas difíceis, de crise, é que temos a oportunidade de aprender (na marra). Temos a oportunidade de ver o mundo (e a nós mesmos) com outra perspectiva. Quem sabe nos tornarmos pessoas melhores.

No final das contas, não precisamos fazer nada grande ou tentar mudar o mundo. Posso fazer coisas pequenas, todo dia, que não custam nada e contribuem para um mundo melhor. Sorrir para o vizinho, porteiro, ou desconhecido na rua, usar palavras gentis, praticar empatia, não julgar, não tentar mudar o que é imutável, aceitar a situação, por pior que seja, e usá-la para algo bom.

Alice Chebabi – Bela Urbana, 38 anos, mãe, esposa, natural de Campinas, mora em Houston, Texas, onde é diretora de desenvolvimento de projetos. Adora trabalhar, jogar squash, ir ao cinema, brincar com seu filho Lucas e aprender coisas novas.