Observo a real poética das coisas
e faço minha toda palavra útil.

Todo o ensinamento.

O mecanismo da vida parece ser simples,
porém com detalhes belos e sagazes.

Parece único, funcional para tudo,
peculiar em certos pontos.

Conhecê-los é arte

Arte da cor e do som
Da voz e da visão, voz e violão

Mudando uma nação, uma canção
Alterar a constelação 

com mão do seu irmão.

Criação de Deus, humana criação

Tudo é belo, pelo ângulo certo observado.

Pela real poética das coisas.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

Viajandão…

Com minha cara de hippie, meus cabelos longos, sempre vestindo jeans e camiseta, a vida toda me chamaram de maconheiro e viajandão.

O cara que vive viajando.

Pois acordei pensando nisso hoje. Pago um pau pra quem não tem medo do novo, do lugar novo, do desconhecido. Quem viaja sem destino ou sem grana, ou ainda as duas coisas juntas.

Sem falar outra língua, conhecer pessoas do lugar, ruas, casas, onde vai dormir, comer, essas coisas triviais.

Logo pensei na minha filha Nina, que saiu de casa aos 20 anos, foi morar sozinha, começou trabalhar numa grande empresa. Por essa empresa viajava pelo Brasil sem parar. Pegou até um avião da TAM num domingo e ele caiu logo na terça.

Depois de 3 anos mudou pra São Paulo, outra nova empresa, um novo lugar, sem conhecer nada nem ninguém por lá…

Assustador!?!

Passou 7 anos naquela cidade, foi promovida e veio a proposta: se mudar para a Holanda pela mesma empresa e com um ótimo cargo. Foi correndo, ou melhor, voando!

Ela mora lá há mais de 4 anos, trabalha na mesma empresa e viaja loucamente por todos os países da Europa, o tempo todo. Diz que é perto um do outro, pra ela normal, nem aventura é mais, ou será nunca foi.

Admiro ela e outras pessoas que fazem isso, conheço mais algumas que pior que minha filha, foram com a força e a coragem, sem destino e sem grana alguma. Como disse acima, dou o maior valor.

Eu tenho medo! Sempre que vou a algum lugar novo vou tremendo, tentando planejar cada passo, nada pode dar errado!

Daí você me pergunta “como crio”? Como pinto imagens novas o tempo todo com tanto medo?

E te respondo com clareza e coragem: a imaginação é minha casa, meus papéis, telas e tintas minhas viagens, nasci com o passaporte da criatividade. Nelas me sinto seguro, sempre!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Lembro de minha tia Ada dizendo sobre minha infância, basicamente quando eu nem andava e já trazia traços da arte comigo.

Dizia ela que me colocava no chão, bem em cima de um pequeno tapete onde pudesse me olhar enquanto costurava, e com um lápis nas mãos eu passava horas desenhando pelo chão, em volta do tal tapete. Na verdade na volta toda…

Hoje ainda misturo tintas ajoelhado em cima de uma pequena almofada que fica guardada embaixo da bancada feita com cadeiras respingadas e com muitos potes coloridos em cima.

Quase um oratório, onde se concentrar, pensar e misturar tintas vira quase uma reza, uma oração ao Deus da criação eterna.

E sigo meu caminho pelos chãos dessa vida, sempre ligado neles e em minha criação, meus pensamentos e ideias, sempre focado num futuro que não chega e nunca deverá chegar pois o que importa e sempre importou pra mim é percorrer e nunca chegar.

“Quem chega para, e parar não tem a menor graça”

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Combinei com minha amiga que escreverá a história da minha vida como artista, mas como começar?

 Qual trecho seria interessante pra esse começo além do nascimento?

 Começar é igual uma tela em branco, sempre difícil e assustadora para muitos, ou uma fantástica aventura, um desafio, uma nova possibilidade para tantos outros. Pra mim por exemplo…

 Adoro essas novas possibilidades e desafios, elas me aguardam na minha intensa vontade de começar algo novo, diferente sempre, repleto de incertezas, tensões, frio na espinha, pensamentos, criação, …e aqui vamos nós nesse mais novo desafio, contar a história da minha vida enquanto vivo, ao menos por aqui.

 “Pinceladas de uma vida”

 Auto biografia de Mauro Soares, apenas um simples artista.

 Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Não, este texto nada tem a ver com a história original de Lewis Carroll ou com o filme que ela originou. Neste caso, Alice sou eu, é você, somos todas nós, mulheres modernas e sonhadoras que tentam enlouquecidamente sair do País das Maravilhas e voltar para a tão almejada liberdade.

Liberdade? Cortem a cabeça de quem sonhou… De quem deu uma de chapeleiro maluco e que em um delírio alucinante ousou quebrar os padrões durante um chá das cinco…

Como Alice pensa em desafiar a Rainha Vermelha, suas ordens e seu reino? Como tenta fugir da estética perfeita, do amor de conto de fadas, do sucesso profissional? Cortem-lhe a cabeça!

E no tique taque alucinado do relógio do coelho branco, que teima em estar atrasado, a Alice moderna corre, sofre de crise de ansiedade, stress e perde a calma. Opa, alguém chama a lagarta que com sua sapiência e seu narguilê tranquilizante pode ter a resposta mais astuta por meio de suas charadas… ou não… eita paisinho confuso esse.

Alice dorme menina, acorda mulher… Seguindo as maluquices de um mundo moderno, que não começa com o cair na toca do coelho, comer bolos mágicos para aumentar ou diminuir de tamanho. Por mais que a vida às vezes careça dessa magia para nos adaptarmos na sociedade e nas loucuras do dia-a-dia.

Quem nunca se sentiu fora dos padrões da “normalidade”, como se tivesse crescido exageradamente de tamanho ou precisasse diminuir radicalmente para passar pela porta e seguir o curso da vida? Só não pode errar na medida, senão… Cortem-lhe a cabeça…. A insanidade desse meu país, dessa minha visão através do espelho, é tanta que busco insistentemente o sorriso do gato sem corpo que aparece do nada para me fazer graça, rodopiando a cabeça no ar.

Alice quer tanto a liberdade, a leveza da borboleta, a risada desmantelada do Chapeleiro, a graça das flores que falam, que pinta a si mesma e a esse País das Maravilhas como se fosse um retrato. Uma mistura frenética de tintas e sua imagem assim se reflete: em uma projeção de história infantil que em que por um breve momento a mágica se faz e em que se é feliz completamente… por um breve momento… como num sonho… como numa viagem…

De repente, a efemeridade do conto aparece e a tinta do quadro vira um borrão no espelho… esse é o reflexo da alma de Alice… uma mistura densa, complexa de cores e texturas… de repente… antes do grito final de “cortem-lhe a cabeça”, Alice perdeu o chão, perdeu a mão, perdeu o traço, perdeu os laços e o caminho de volta para casa.

Alice quer voar nesse mundo entre o real e o fantástico. Mas como sair da gaiola mesmo que a porta esteja aberta? Alice quer voltar para casa, mas sua casa se tornou aquele País das Maravilhas que ela criou para se satisfazer, momentaneamente. É tudo urgente, tudo para ontem, está sempre tarde. Tique taque, corre o coelho atrasado… Tique taque, Alice o segue. Tique e taque, marcham apressados os guardas cartas de baralho… É tanta insanidade, que tudo roda, nauseia, dá vertigem. Viva o complexo de Alice que eu inventei, viva o País das Maravilhas que eu criei e desejei.

Como diria uma grande amiga e voz da consciência: “Menos, menina. Bem menos. Limpe o espelho e encare-se. Quando você não intervir mais na imagem e na paisagem refletidas, você saberá o real significado de ser livre”. Seria a lagarta falando comigo?

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!

Queres conhecer a Deus?

Entre o mais fundo no teu coração.

Se quiseres entende-lo, saia e viaje com tua mente no maior dos

espaços que conseguires, e entenderas a criação.

Olhe o universo como um todo e entenderás Deus,

Não peça, agradeça pelo tudo que foi criado,

e pegue o que lhe tem como necessidade.

Não colha mais do que precisa para viver.

Não traia a Natureza,

Ela não se defende quando atacada,

Mas quando revida á sua insensatez,

Sua força é tão forte

E tu homem tão ínfimo perto dela

Que não poderá sequer esboçar reações.

Tenha fé na criação,

Quem criou o universo tem

Uma visão muito maior

E mais perfeita que a tua.

JA kuringa – Belo Urbano, é um viajante, fotógrafo e escritor, publicou em diversas revistas de aventuras e turismo alternativo. Formou-se em Exatas mas sempre foi um filósofo, misturar os conceitos e tirar dai experiências da vida. Relata seu aprendizado como romancista sobre as experiencias e pensamentos adquiridos nas caminhadas pelas matas.

Parece não ter nada, mas pra quem trabalha com criação na verdade é aí, no canvas branco que temos tudo. O paradoxo diário entre o nada aparente e o tudo de possibilidades, ideias, objetivos, esforço, dedicação, inspiração, transpiração, exposição, alegria, medo, erros e acertos. Nasci querendo ser artista, e entre tintas e canetinhas fui parar em agência, webcompany, produtora, agência de novo… e o canvas branco sempre, sempre esteve e está por aí. Tem dias que esse tudo do nada dá uma ansiedade, outros momentos uma euforia, e as vezes dá medo também… seja pra fazer algo pessoal ou uma campanha… transformar as ideias que estão no ar ou em você em algo palpável e que se comunique com os outros é todo dia um desafio diferente… precisamos pegar um pouquinho de alma pra dar a liga e fazer a coisa aparecer nesse canvas… Portanto trabalhar com criação é estar sujeito a se sentir pessoalmente rejeitado a cada tudo não aceito… Mas o estranho mesmo, é que quem nasceu pra isso, não sabe viver de outra maneira, entre aceitações e rejeições, entre glórias e outras nem tanto, entre o amor e o ódio… entre o tudo e o nada nós nos tornamos o próprio canvas… e nele vamos desenhando nossa história.

Juh Leidl

 Juh Leidl – Bela urbana, artista, designer, publicitária e eterna amante da moda. Divide seu tempo entre as criações na Modo Comunicação e Marketing www.modo.com.br e exposições pelo mundo como membro da Ward-Nasse Gallery | SoHo – NY www.wardnasse.com/Juh_Leidl.php