Viajandão…

Com minha cara de hippie, meus cabelos longos, sempre vestindo jeans e camiseta, a vida toda me chamaram de maconheiro e viajandão.

O cara que vive viajando.

Pois acordei pensando nisso hoje. Pago um pau pra quem não tem medo do novo, do lugar novo, do desconhecido. Quem viaja sem destino ou sem grana, ou ainda as duas coisas juntas.

Sem falar outra língua, conhecer pessoas do lugar, ruas, casas, onde vai dormir, comer, essas coisas triviais.

Logo pensei na minha filha Nina, que saiu de casa aos 20 anos, foi morar sozinha, começou trabalhar numa grande empresa. Por essa empresa viajava pelo Brasil sem parar. Pegou até um avião da TAM num domingo e ele caiu logo na terça.

Depois de 3 anos mudou pra São Paulo, outra nova empresa, um novo lugar, sem conhecer nada nem ninguém por lá…

Assustador!?!

Passou 7 anos naquela cidade, foi promovida e veio a proposta: se mudar para a Holanda pela mesma empresa e com um ótimo cargo. Foi correndo, ou melhor, voando!

Ela mora lá há mais de 4 anos, trabalha na mesma empresa e viaja loucamente por todos os países da Europa, o tempo todo. Diz que é perto um do outro, pra ela normal, nem aventura é mais, ou será nunca foi.

Admiro ela e outras pessoas que fazem isso, conheço mais algumas que pior que minha filha, foram com a força e a coragem, sem destino e sem grana alguma. Como disse acima, dou o maior valor.

Eu tenho medo! Sempre que vou a algum lugar novo vou tremendo, tentando planejar cada passo, nada pode dar errado!

Daí você me pergunta “como crio”? Como pinto imagens novas o tempo todo com tanto medo?

E te respondo com clareza e coragem: a imaginação é minha casa, meus papéis, telas e tintas minhas viagens, nasci com o passaporte da criatividade. Nelas me sinto seguro, sempre!

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

Fui publicitário, diretor de arte e criação por 46 anos e há 4 deixei a profissão pra me dedicar exclusivamente para a pintura, o que desde meus 13 anos eu já fazia profissionalmente, paralelo ao meu trabalho na publicidade e propaganda.

Sentia que deixaria toda a cobrança dos tais clientes e agências. Cobranças essas de temas, layouts, ideias, criação, etc,… Ledo engano! Nas artes também existe isso, e muito, e sempre vem dos leigos ou dos “entendidos em arte”, que de arte mesmo não entendem nada! Sempre tem aquele “metido a marchand” que vem dizendo: “pinta isso, pinta aquilo, etc, etc, porque vende e tals…”. Um saco!

A diferença é que na pintura faço o que eu quero, não dependo das agências e seus clientes, dependo apenas de mim. Colecionadores de arte, se gostam da pintura, do tema ou da técnica eles compram mesmo, sem se importar com o resto. Já vi muitas vezes acontecer comigo, e acho incrível tudo isso. Na publicidade é uma doidera, um desespero, um stresse imenso, prazos, cobranças de todo tipo…arghhh.

Claro que trabalhando com pinturas minhas tenho sempre a pressão das vendas “e tals”, não tenho salário, dependo muitas vezes de marchands que são em sua maioria uma piada, dependo de galerias e suas altíssimas comissões sobre as vendas, etc, mas no fundo tudo é mais tranquilo. Você faz sua hora, seu dia, sua semana…bebe seu Jack na hora que quer!

Tenho minhas neuroses, lógico, mas também faço meus horários, minha logística pessoal.

Pintura é igual sexo, você não pode determinar que vai ou não pintar. Existe todo um entrosamento entre você e a tela. Você chega olha pra ela, ela olha pra você e mesmo estando no meio de uma pintura depende dos dois naquele momento. Se a tela olhar pra você naquele dia e sentir que não vai rolar, não insista, porque o sexo será uma porcaria, ou melhor, vai estragar todo um trabalho.

Normalmente quando isso acontece saio e vou fazer outra coisa. Deixo pra continuar em outro dia quando eu e a tela estivermos na mesma vibe.

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

foto: Mauro Soares

Fico aqui pensando se não seria melhor não saber desenhar ou não saber pintar.

Talvez eu ficasse mais livre pra desenhar e pintar, talvez eu criasse mais, igual uma criança, sem dogmas, sem preconceitos, sem frescuras, sem direção, sem um rumo determinado, desenharia e pronto.

Pintaria sem estilo, sem técnica, sem certo ou errado, como Miró fazia. Ou será que ele fazia isso mesmo?

Ou ele já estava também preso a um estilo seu?

Vida, sempre uma incógnita…

Mauro Soares – Belo Urbano, publicitário, diretor de arte e criação, ilustrador, fotógrafo, artista plástico e pontepretano. Ou apenas um artista há mais de 50 anos.

shutterstock_287329556 (2) Belas criança

Toda criança deve ter o direito de ser criança. De brincar, de estudar, de ser cuidada e protegida, necessidades básicas de toda criança, mas infelizmente nem todas tem acesso a isso.

Gosto muito dos pensamentos infantis  e da forma que fazem conexão com as coisas. Uma vez meu filho mais velho – quando tinha 05 anos –  vendo um anão, me perguntou, porque ele era daquele jeito. Eu respondi que ele era um anão. Alguns minutos ele silêncio e ele solta: – mas mãe, porque ele não usa o gorrinho?

Tão pura sua colocação e tão forte a imagem que ele tinha dos sete anões. Olhem a influência dos desenhos e filmes em nossas crianças. Me questiono que devemos filtrar o que nossas crianças assistem.

Porém, não conseguimos filtrar tudo. Como passar um filtro sobre as coisas reais que acontecem? Não temos o poder de filtrar tantas e tantas notícias ruins que batem nas nossas telas todos os dias e que nossas crianças, cada vez mais cedo tem acesso.

Os questionamentos chegam e devem chegar, mas como explicar sem matar essa pureza infantil, que acredita no ser humano, que tem o lado bom muito maior que o mal, como?  Ah, se o mundo fosse governado pelas crianças comeríamos brigadeiro todos os dias.

A criança que brinca aprende e cresce de forma saudável.  Incentivar que meninas e meninos deixem tão cedo de ser crinças em função de mil e uma outra atividades é ignorância e frustração de um adulto que em algum momento foi tolido de brincar, porque quem de verdade viveu sua infância de forma rica sabe a importância de brincar e o impacto que isso causa na pessoa e na sociedade a longo prazo.

Brincar é criar e criar é vida. Precisamos criar o tempo todo e durante toda a vida, seja para cozinhar ou para descobrir um novo remédio. Em qualquer profissão criar é algo bem vindo, mesmo nas profissões que nos parecem mais concretas criar é o que faz o mundo ir para frente, superar o que nos parecia sem saída.

Então, que tal pensarmos um pouco sobre esse tema?

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas os contos e poesias. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos.