Me encanta a fala profunda, além dos clichês e estereótipos, o diálogo. Me encanta o olhar acolhedor e aberto. O ouvido atento ao outro e o gesto gentil. Me encanta o pensamento no coletivo antes do individual. O trato como sujeito e não objeto. A moderação das ideias e ideologias nas visões de mundo, afinal, todas são úteis.

Me encanta a poesia no pensamento, a beleza no coração e a verdade nos lábios de quem é solidário. O balanço de um cabelo livre das amarras da mente, das cores, da idade que reflete a cabeça aberta que os porta. Me encanta o andar firme e seguro de quem não deve nada a ninguém e a resposta pronta para quem condena. Quem luta pelo bem do mundo. Quem não se prende aos fetiches do consumo, das coisas, das modas.

Me encanta a liberdade de quem voa para dentro de si como um Concorde. A liberdade de quem pensa, não apenas sente. E pensa no bem, não no ódio. Quem sente o bom, não a maldade. Me encantam as mãos abertas e dadas. O corpo no formato que for, na cor que for, na idade que for.

Pareço exigente, mas é o mínimo que deveríamos cultivar. Apenas sinto que deveria me esforçar mais, pois estou aquém de minhas pretensões. O mundo merece sempre mais, e eu mereço ser correspondido na medida do que aprendia a ser. Apenas isso. 

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Desde os primórdios da humanidade que jovens e crianças observam os mais velhos realizarem suas tarefas. Desde então, brincam, imitando tais tarefas, seja de caça, coleta, agricultura, escrita, artesanato, manufatura, indústria, comercio, serviços, tecnologia, computação, astrofísica. Jovens mimetizam, imitam, se divertem, aprendem. Ao lado, sempre alguém, munido de algum conhecimento sorri lembrando de seu saudoso passado e os incentiva.

Esses jovens passam adiante, conforme a idade avança, o que aprenderam brincando, debatendo, perguntando e refletindo em suas praticas. Esses jovens fazem sua parte no mundo e tocam a bola do futuro aos mais novos.

Sempre foi assim, então para que romantizar a função do professor, se ele é, na realidade, mais um dentro desse ciclo milenar de passagem de bastão? Para que ele sinta-se um herói mal compreendido e mal remunerado? Para que ele seja reconhecido com tapa nas costas? Para que seja consolado pelas suas condições de trabalho precárias, burocratizantes e desmotivadoras?

Ser professor é navegar num mar bipolar do humor. Uma alegria infinita quando deparamos com alunos que sonham, uma ponta de tristeza quando nos deparamos com o mercado que se tornou esse processo natural do ser humano que é ensinar. Uma alegria de aprender a cada dia com quem menos se espera, uma tristeza ao penhorar horas a fio em preparo, pesquisa, processos administrativos e formação. Alegria de enxergar a olhos nus o futuro, tristeza de saber que, dali a dias, terá de pagar uma conta que talvez não caiba no orçamento.

Não basta elogiar, há de se brigar para que não o professor, mas a educação seja tomada como base de uma nação próspera, para além do lucro que gera sob a despesa que exige.

O saldo é positivo. Poucas profissões permitem sonhar tanto quanto a de ensinar. Sonhar junto, em coletivo com os jovens, que imitam, brincam, sonham, crescem e levam adiante o que aprenderam, ensinando. É assim, a forma de tornar-se sutilmente eterno, anonimamente eterno, amorosamente eterno, apesar de tudo. Sigamos em frente!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


E se me cansar do reacionário?
Cansar do somelie de esquerda?
Cansar do santo religioso?
Cansar do ateu convicto?
Que que tem?

E se me cansar do ódio?
Cansar do que fala e não faz?
Cansar do que faz errado e ri?
Cansar do que ri de tudo?
Que que tem?

Cansar do que diz que é?
Do falso amigo?
Do falso parente?
Do falso profeta?
Que que há?

Deixa eu me cansar!
Deixa eu viver!
Viver a loucura do óbvio,
O incerto, o correto,
O indecoroso respeito,
O impiedoso silêncio,
O afrontozo pensar,
O proibido amar!
Que que tem?
Que que há?

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Silencio
Silício
Eu tento
O mundo imaginado

Passado
Pesado
A bolha
Separa o ar gelado

Me canso
Do encanto
Sinto tudo
E era só boato

Me cobram
Me dobram
Lados, tanques,
Guerra e maus tratos

Eu sumo
Eu durmo
Recolho
A paz não é covarde

Espera
Me espera
Eu volto
Mais forte que a cidade


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Quando o sol nascer
Eu irei lá te ver
Onde quiser estar
Bem estar

Mas se o sol se por
Todo meu rancor
Lá no mar se vai
Se esvai


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

O beijo surgiu
Num dia de frio
Dia norte e sul
Anil, azul, a mil
Carinho de céu
A dois em um
Um, dois, fugiu

Nosso encontro
Nasceu inusitado
Cresceu remediando
Trajetos errados
Seja eterno
Enquanto dure
Mais que o tempo
De uma vida
Ao teu lado!


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.


Eu vou louvar a vida de meu pai
Numa canção assim, bonita
E tenho certeza que ela vai
Trazer ao mundo mais amor.

Quando teve terra, era roceiro.
Foi jardineiro, beato e pedreiro.
Foi gerente sábio, foi padeiro.
Balconista, caixa e caixeiro.

Já alugou casa e vendeu carro,
Trocando Dollar, virou investidor.
Patrão, mascate ou assalariado,
Sem passar fome, sempre ele lutou.

Foi Motorista, camelô, De faxineiro a doutor
E agora na proeza dos oitenta
Aposentado, por favor!  

Eu vou louvar a vida de meu pai
Numa canção assim, bonita
E tenho certeza que ela vai
Trazer ao mundo mais amor.  


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

É um Ritmo de toda uma Africa
Melodia da mão Europeia
Harmonia do índio ao natural
Veio tudo parar no meu quintal!

E o que faço com tudo isso?
Uma letra que une e iguala!
Um poema do mundo eu Canto
No baque, um baque de virada!

Sabores que soam da Africa
Linguás cáucaso-européias
Na terra do Índio Meridional
Miscigenado, eu sou um igual.


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Entro num aplicativo. Esse aplicativo me abre portas, conquistas, afetos, sentimentos. Consigo conversar com pessoas que ao vivo não tenho capacidade. Até tenho. Mas não gosto. Até gosto, mas não sei bem como fazer.

Confuso? Não sei. Na realidade, dizem que sou um cara legal, agradável, simpático. Mas tenho outro lado que ninguém sabe. Poucos sabem. E os que sabem, se arrependem de saber.

Os que sabem, quando descobrem tem medo. Elas se acovardam, sentem culpa, sentem vergonha, sentem nojo. Algumas até se interessam por essa sombra, esse fetiche. Mas sempre há desconforto, peso. Elas se calam, e por se calarem, fui vivendo. Não me controlei, não me controlo. 
Por isso o universo virtual me atrai. Esse mar anônimo de ilhas isoladas que se encontram. Muitas naus sem controle como eu. Mas naquele dia foi diferente…

Ela não se calou. Ela falou, denunciou, chamou a família, se expôs para além do medo, da culpa, da vergonha e do nojo. Para além de tudo que a freasse, ela pediu ajuda. Ela foi ajudada e eu naufraguei.

Minha sombra viu a luz nascer quadrada. Viu holofotes. Talvez senti medo, vergonha, culpa, nojo de minha covardia? Não sei. Mas dessa vez, minha sobra perdeu. Uma sombra a menos no mundo, por enquanto…

Obs.: Cara leitora, se por ventura tenha vivido algo parecido ou saiba de algum caso próximo, denuncie, encoraje a denuncia. Ilumine uma sombra com a luz da lei e ajude a combater esse comportamento nefasto que é a violência contra a mulher. Não é fácil, eu sei. Coragem e força!

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Jorge enfim colocou a vida em ordem. Usou o ano para botar a saúde em dia, as finanças em dia, o trabalho e os estudos. Colocar a cabeça em dia, a alma. 

Há muito deixava a vida levar de qualquer jeito, levando suas alegrias e sonhos pelo ralo. Mas nesse ano foi diferente. Largou tudo e mudou de casa, uma casa mais simples, menos móveis, menos coisas. Escolheu ter mais histórias e mais gente de verdade. Deletou as redes sociais, vendeu o smartphone caro, o tablet, os notebook, a câmera fotográfica que não usava senão para ostentar. Deu os quadros, os livros, alguns objetos. Ficou o essencial, mesmo que de improviso. E ficou bom!

Todo movimento que fez deu surpreendentemente certo. Fez o balanço do ano e, apesar de não ser perfeito (nenhum é), sentiu-se feliz, com domínio sobre a realidade e sobre si. Sonhou então fazer um novo ano ainda melhor, para ele mesmo e para os outros. Sabia a fórmula, bastava aplicar com coragem. E de alegria, escorreu uma lágrima…

Percebeu que aquele foi o primeiro natal verdadeiro em anos. Família reunida e em paz na ceia. Ceia feita por eles e não comprada pronta, como sempre fez. As coisas que deu aos amigos e parentes, até mesmo as que vendeu, serviram meio que de presente de natal, só que bem mais útil a quem recebeu que um presente comprado em loja, só para marcar a data. A decoração, simples e improvisada, tinha significado para além dos efeitos elaborados e pirotecnia. 

Jorge viu verdade naquelas pessoas, naquelas coisas, nos momentos.

Antes tarde, Jorge em fevereiro já era outro.


Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.