Ao nascer,

Mordeu o cordão umbilical.

Ao invés de chorar,

Bateu no doutor.

Foi crescendo inconsequente

A mãe morria de vergonha,

Ainda criança ele bebia,

Fumava e usava entorpecente.

Seu pai se matava em serão,

Não havia arroz que desse

Para larica infinita

do moleque doidão.

Na adolescência

Destruía corações.

Humilhava os poucos amigos,

Maltratava as suas paixões.

Na fase adulta

não parava com mulher

Ninguém suportava o

Mau humor do biruta.

O tempo foi passando

E ele foi amargurando

A estricnina, o próprio fel.

Inseguro, raivoso e infiel.

Nem um pouco se arrependia

Achava justa a perfídia que fazia

E apoiava esse jeito destemperado

Pra ele o mundo tinha que ser abestalhado

Porém ao morrer,

Não teve nenhum homem

Que levasse seu caixão.

E os vermes do cemitério

Se encarregaram da função.

E a seis palmos e não sete, foi enterrado.

Fazendo menção ao Beu Zebu,

Por tudo que fizera quando encarnado.

Achando certo pregar em.vida o mundo cão.

Por mérito, eternamente ficara enterrado.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Irão nos interceptar, estudar e captar nosso silêncio.
Serão estrategicamente contraditórios para nós derrotar.
Mudarão suas táticas para nos confundir, cooptar.
Sem perceber, saberemos ser flexíveis, surpreendentes,
Alterando nossa rota, sempre opostas as rotas deles.

Onde não estão, estaremos.
Onde estiverem, estaremos.
Onde são queridos, seremos amados.
Onde são temidos, seremos força.
Onde são confusos, somos simples e óbvios.
Onde são óbvios, seremos poesia.

Eles serão ardilosos e nós seremos nós:
Seremos jovens e rápidos, espertos e sorridentes.
Seremos o que nos caberá ser a cada momento,
Pragmáticos no agir, firmes no querer.
Sangraremos, cairemos e sofreremos na alma,
Mas não em vão, se o fizermos por nós,
nosso bem, o bem de todos.
Pois faremos.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

A hora é de fazer diferente, fazer junto e fazer melhor:
Se controlam pela crise: nos enxergamos que não há crise.
Se controlam pelo medo, mostraremos coragem inabalável.
Se governam para poucos, somo a grande união dos pequenos.
Se governam com o ódio, mostraremos amor e partilha.
Se governam pelo dinheiro, seremos os valores impagáveis.
Se governam com elites, mostraremos os dons da plebe rude.

Se usam linguagem truncada, confusa, exagerada e má,
falaremos de forma simples como o povo fala e entende.
Se fecham a cara, abrimos o sorriso maroto.
Se são ignorantes, somos um rincão de sapiência.
Onde gritam, sussurramos com afagos.
Se estão em uma bolha, estaremos em todo ar.
Se prezam pelo império, seremos a cidadela fortificada.

Pois se tudo que querem é poder e dinheiro,
Queremos uns aos outros, a felicidade.
Queremos mais e melhor, como nunca na história!

E sabemos, não precisamos deles para tal,
Pois entre nós teremos tudo que precisamos.
Se precisam do arrocho, temos a partilha abundante.
Onde criam inimigos, vemos amigos, vemos os iguais.
Se dão respostas duras, faremos cada vez mais perguntas
E perguntando, saberemos que suas respostas divergem
E divergindo, racharão, cairão, abrirão espaço para quem as responda.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

 

 

 

Esperam de nós grandes atos, passeatas
Para lançarem seus cães de aluguel
Mas estaremos nas casas, falando, debatendo
Apoiando e resistindo, à espera da hora certa.

Esperam de nós como nos tempos passados,
Mas sabemos: hoje é diferente, somos novos!
Se aproveitam que tudo está nas redes, virtual e publica.
Estaremos no particular de cada um, de um em um, coordenados.

Novas atitudes teremos, sem que possam controlar.

Esperam de nós raiva, fúria e caras pintadas, fechadas.
Não seremos alvos de tiros, da borracha no olho, ódio no coração.
Ninguém soltará a mão de ninguém, e todos dançaremos
A mais bela canção da liberdade. Nisso hino.

Somos todos necessários, do mais brando ao mais radical.
Inspirados e inspirando, honrando cada qual sua função.

Seremos o melhor da alma humana, no Mundo, no Brasil.
Seremos para além de resistentes, motores inspiradores.

Pois inspirar arrasta mais que convencer.

Inspirar é ser o que a nação precisa, anseia.
E não apenas discurso, curtida e postagem.
Inspirar é luta ganha. Inspire, transpire.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

 

 

Ainda leremos em livros o que ouso chamar de Brasi-fascismo. Um fascismo a brasileira, sem uma ideologia definida, fascismo de covardes do cotidiano que negam que são fascistas, só porque o fascismo “é coisa de italiano, de alemão, tá certo?”.

Primeiro vamos entender o fascismo em uma explicação pretensiosamente simples. Fascismo é uma forma de agir que, com base em uma ideologia fixa de estado forte e autoritário, calçado em uma propaganda incessante, se apoia no medo construído por discurso e em um personagem feito como “inimigo”, justifica ideias e atos inconcebíveis em um estado de coisas comum como o preconceito, o ódio, a violência e até a morte. Imagine a Alemanha de Hitler, temos medo da miséria que vivemos, colocamos a culpa nos comunistas e judeus e matamos 6 milhões de pessoas, sendo judeus, comunistas ou não. Lhe parece absurdo, não é?

Aqui no país, com medo das misérias que vivemos no passado, colocamos a culpa nos comunistas – ou petistas, negros, homossexuais etc. – estamos vendo pessoas sendo mortas, violentadas, ofendidas, excluídas ao mesmo tempo que um líder simbólico candidato ao cargo mor insinua que o problema não é dele e que são atos isolados. Tudo patrocinado por uma propaganda oculta em mensagens anônimas que nos chegam digitalmente, mas fortalece um lado na disputa eleitoral. Numa situação de normalidade, tais atos seriam crimes, e um líder de fato condenaria e pediria punição exemplar. Sei que alguns de vocês discordam de mim agora, me chamando de petista e negando ser fascista. Pois bem. É agora inicia minha explicação.

Esse Brasi-fascismo, é um tipo de fascismo praticado com base na autoverdade individual, explico: quem o pratica, o faz convencido de que é o melhor caminho agir e justifica negando que tenha sido influenciado por ideias que lhe chegam a partir de grupos sociais do qual faz parte: um grupo de WhatsApp, de Facebook, Instagram e outros. Esses grupos, que muitas vezes são habitados por familiares e não por partidários do neofascismo se retroalimentando em ódios e oposições a inimigos que não conhecem, baseados em um medo que, de fato é superestimado, mas paralisa. Nesse caso, agir de forma odiosa, compartilhar comportamento e conteúdo odioso lhe parece uma forma de se defender desse mal, o que legítima suas posições e escolhas.

Escolhas e posições legitimadas ela colabora com a violência, mas quando confrontada com os absurdos que defende, nega e cria um caminhão de argumentos particulares para não admitir que é de fato um fascista, afinal, não faz parte de um grupo formal que defende o fascismo, com uma ideologia definida e defendida, mas de um grupo de WhatsApp da família que compartilha o mesmo medo, o mesmo ódio e o mesmo comportamento absurdo de odiar quem nem se conhece. Simplesmente porque se auto-afirmam entre si sem fazer uma análise de tal ato. Justificam mais absurdamente do que agem, para evitar a vergonha inevitável de suas ações diante de uma ameaça inexistente, afinal “fascismo é coisa de italiano, tá ok?”.

E se pensa que entre a esquerda não há também esse tipo de comportamento, se engana. O mais triste é ver pessoas que defendem os direitos humanos dizendo que tem que encher de porrada esses fascistas aí. Oi?

Pense nisso, afinal, já os gregos ensinavam que pensar é a base de toda solução para impasses.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto de Cristian Newman 

Ele trata todos bem.

Sempre alegre,

Sempre de bem.

Mesmo solitário,

Segue solidário.

Esse é o Zé.

Que não tem nada de mané.

Pensa, com a nega se casar,

Não para dominar.

Mas família fazer.

Tenta ser justo,

Preza pela verdade.

Junta os amigos

Na humildade.

Com dignidade.

Escreve uns lances,

Pinta umas cores,

Faz um som

E espanta as dores.

Espalha sorriso.

Mesmo com um passado triste.

Com uma mãe doente,

Com um pai velho,

Um irmão distante.

O Zé segue enfrente, doce.

Trata bem as mulheres,

Cumprimenta os camaradas,

Respeita a criançada,

É solicito como velhos.

Grita pelo time, futebol.

Ama sua gente.

Gosta de ser bom,

De graça assim por ser.

Nunca reclama e acredita

Que o amanhã pode melhorar.

Mas tem que se cuidar…

Pois sabe que tem gente

Que não gosta dele,

Que tem medo dele,

Que tem inveja dele,

Que acha ele meio viado.

Se isso ofensa fosse…

Boca mole,

Vida dura.

Água fria,

Um balde de amargura?

E o Zé segue, na sua.

Segue e acredita na bondade,

Convicto, firme assim.

Do ser humano que vê,

Algo de bom pode vir.

O Zé é homem forte. Espero assim.

Mas tantos outros Zés,

Se perdem nas agruras.

Das calunias alheias, no dia-a-dia.

Que vagam pelas ruas.

Escolhem a carranca à alegria.

Mais um Zé amargo, triste,

que larga seus ideais, se um dia teve.

Deixando pela eternidade

um mundo mais cinza. É escolha?

De Zé para Zé contagia, escolha!

Somos apenas o Zé que queremos ser.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto abertura: Pierrick VAN-TROOST

Já escrevi sobre o processo de decisão do eleitor, frente a propaganda e o processo e formação de opinião pública.

Vou falar agora sobre a estrutura de construção emocional que a propaganda gera. E é bem curiosa, pois ao invés de apresentar projetos, que são complexos e boa parte do povo mal compreenderia (apesar de ser o caminho correto explicar), apelam para as emoções dos eleitores. Decidimos emocionalmente, como fazemos com qualquer produto descartável de supermercado.

Emoções como o medo. Medo do mercado quebrar, do desemprego, do bandido ou da dívida gera votos. Ninguém gosta de perder, e não perder gera voto. Faça alguém ter medo e você dominará esse alguém muito fácil. Vilões de novela mostram esse processo a anos e não aprendemos,  mas medo não debate nem resolve problemas.

Emoções como revolta e indignação. Quem não está revoltado com tudo? Vivemos um mundo estressante por natureza, ainda mais quando está em crise, seja política, econômica, humanitária. Revolta é inerente a vida e apelar a esse sentimento para agrupar pessoas e ganhar voto é tática barata. Revolta e indignação não resolvem e nem debatem problemas.

Emoções como o sentimento de ridículo. Soar ridículo, seja o próprio candidato ou ainda mais quando direcionado a um oponente gera votos. Pois ninguém fala o que esse cara (o ridículo) tem coragem de falar. Se tem coragem é diferente, se é diferente, é melhor dos que os outros. Talvez pessoas sensatas não teriam coragem de falar tais coisas simplesmente porque elas não funcionam, mas são obrigados a entrar nesse debate ridículo, se tornando ridículos por consequência. É o processo da “mitada”, você fala algo ridículo, mas acusa o outro que se defende de ser ridículo na réplica. Mas “mitar” não resolve nem debate problemas.

Emoções como a saudade. A saudade de um tempo melhor também gera voto. Sempre e para todos o passado era melhor. Pode pesquisar. Esse saudosismo acontece em todas as áreas da vida, e apenas a ele gera votos. Mas saudade não resolve e nem debate os reais problemas.

Emoções como o sentimento de novidade. Mesmo que sendo exatamente a mesma coisa, vestida com terno laranja, todos adoram algo que pareça novidade. Não importa a essência, importa a aparência, para ficar bonito nas redes. O velho se reinventa e lucra bastante com esse investimento barato. Mas cara de novo não resolve problema.

Dentre outras emoções. São tantas…

Emoções servem para pegar o eleitor fraco. E depois da eleição, como ficamos? No dia seguinte da eleição, o que você sabe sobre a atuação de seu candidato eleito? Nada. Nada foi comunicado a você. A propaganda apenas te fez sentir um caminhão de emoções, mas não te disse nada de concreto, que desse subsídios para decidir e cobrar futuramente. Observe, é verdade esse bilhete.

Se você pesquisa, lê, compara e vota de forma racional e independente, focada nas soluções que mais lhe parecem viáveis, praticáveis, você faz direito. Dá trabalho votar direito, não? Por isso a propaganda te engana. Porque pela sua preguiça, após a eleição, um país inteiro pode compartilhar um sentimento de ser feito de trouxa.

E pasmem, alguém vai aproveitar esse sentimento de trouxa para iniciar a propaganda da próxima eleição!

Acredite, por mais trabalhoso que seja, “tirar essa corja”, como bradavam.muitos nas manifestações do impeachment está mais em nossas mãos em 2018 do que no post de Facebook emocionado que fizeste, só para parecer cidadão de bem.

Pense nisso e faça direito agora, senão não adianta chorar de amarelo.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Vamos ser realistas: Fazer com que a corrupção desapareça do Brasil (e da Terra) em uma única eleição é uma ilusão. Quem pensa assim talvez seja infantil demais para entender a complexidade do problema, e saber que há um trabalho intenso de expurgo, eleição a eleição dos velhos caciques e seus herdeiros, que, parceiros de uma mídia conivente, perpetuam as barbáries morais que vivemos.

Vamos ser realistas: Boa parte dos candidatos (principalmente no legislativo) é oportunista. Boa parte mas não todos, por isso há uma solução. Perceba: daqueles ditos “representantes dos revoltados da sociedade apartidária”, maioria saiu candidato em partidos corruptos, como se fosse um teatro armado. Porém, há caminhos de se livrar dessa corja de sacanas: pesquisar, ler, buscar informações verdadeiras para seu voto. Depois da eleição, cobrar e ficar em cima. Sempre foi esse caminho, mas buscamos atalho porque? Pura preguiça e certa visão mágica de que não somos capazes de dominar o processo e mudança. Discurso não faz governo. Discurso fácil menos ainda. É preciso que tomemos atitudes constantes de vigilância.

Vamos ser realistas: Violência não é, senão, falta de investimento em escola e oportunidades econômicas para o povo. Esse papo de que “armar população resolve” é coisa de quem apoia uma indústria bélica americana, que vê riscos de o congresso de lá limitar o acesso da população as armas frente a casos bizarros de “gente de bem” desequilibrada causar mortes gratuitas. Essa industria bélica pode perder mercado interno a uma canetada. Aconteceu o mesmo com a Monsanto, quando a Europa proibiu substâncias tóxicas de seus produtos. Eles vieram a nós e convenceram a bancada ruralista a liberar os mesmos produtos por aqui. Um povo despreparado armado só vai fazer com que bandidos, que detém a vantagem do efeito surpresa, atirar primeiro e roubar depois. Além de fornecer armas mais que de graça a bandidagem, que entrará nas casas dos cidadãos para roubá-las, ao invés de pagar propina a uma cadeia de policiais corruptos nas fronteiras. Sem contar os valentões de plantão…

Vamos ser realistas: A economia não está tão ruim assim e a solução grita aos olhos. Todos nós temos o que resolver se tivéssemos mais dinheiro em mãos. Seja a compra ou a reforma da casa, concerto de algum bem, aquisições de bens e serviços que são postergados, cuidados pessoais e com a saúde etc. Todo mundo tem uma pendência que depende de grana. E isso é um enorme mercado contido, aguardando por uma economia revisada, que faça o dinheiro circular para a mão de quem deveria: o povo.

Época de crise é assim, os donos da grana realizam lucros de seus investimentos e concentram a renda, fornecendo o discurso do medo para cooptar o povo. Mas isso também é, de certa forma burro. Uma economia ativa geraria lucratividade constante e sustentável a qualquer companhia. Lucro gera arrecadação, arrecadação gera mais investimentos e assim por diante, o ciclo torna-se virtuoso. O nome disso é desenvolvimentismo e consiste em uma política econômica que foque não na proteção dos investimentos especulativos (o tal do mercado), mas na produção e circulação dos bens que faltam para atender nossa demanda contida. Fabrica-se, vende-se, gera-se empregos e arrecadação, ponto. Todos sabem disso no fundo. Temos um medo falso que nos faz acreditar em contos de fadas dos megainvestidores, que são minoria.

O tal “mercado” não vota senão por proteger seus lucros. Veja, mercados de armas, de seguros, de escolas, de planos de saúde, tudo o que o estado deveria fornecer por direito constitucional é cooptado por velhos coronéis que associam-se a políticos, a fim de sucatear tais serviços públicos, gerando mais mercado aos coronéis. Esse mecanismo exclui os mais necessitados de uma vida melhor, mais produtiva e mais digna, gerando o caos social que vivemos. Por isso o “mercado’ tem seus candidatos, que fingem ser do povo. Esses barões, quando a “água bater na bunda”, pegarão seus jatinhos rumo ao exterior, olhando a desgraça pela janela. Não são compatriotas, entende?

O povo é quem deveria vota por si. Mas acaba votando por medo em candidatos que não representam a si, acreditando que um mercado em crise, o prejudicará. Um papo furado, que circula em propaganda e noticiário incansavelmente, convencendo os incautos. Quando o povo perde o medo, olha para a realidade e decide com base nela, entende sempre o que é melhor para si e para a nação. É dever de cada um de nós recobrar a consciência e, com coragem, pensar de forma independente.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Como você vota? Eu digo: vota por impulso e influência alheia. Explico.

É notório que a maioria das pessoas vota não por estudar as opções que se apresentam a fundo, mas decidem por influência do que chamamos de opinião pública. A opinião pública é como óculos escuros: uma ideia geral que norteia nossa visão, pautando o que gostamos e o que não gostamos. 

Opinião pública é de fato um pré-conceito estabelecido através das informações que recebemos no dia a dia, seja da propaganda, entretenimento, noticiário e influenciadores, guiando nossa percepção de mundo. O poder da opinião pública, como massificação das preferências faz mover montanhas literalmente.

Mas quem a constrói? Os meios de comunicação. E há de se perceber muito fácil a partir de como algumas ideias parecem mais aceitáveis que outras, por mais que pareçam, a uma mínima reflexão, sem nexo. Exemplo: o Brasil é o país do samba. Todos temos essa impressão, mas sabemos que o Brasil tem diversos ritmos particularmente nossos e até mais ricos sonoramente que o samba. Porque ele nos representa? Alguém convencionou, outros repetiram e hoje, nos parece comum. Isso é opinião pública, simplificadamente.

Portanto, comunicadores de diversos meios e contextos tentam influenciar a opinião pública nesses tempos de eleição. Opinativos de jornal, publicidade, meios digitais, relatórios financeiros, noticiário, apresentadores, artistas e diversas vozes potentes da sociedade tentam dizer o que você deve pensar. E você, na maioria dos casos concorda cegamente, simplesmente porque a pessoa tem credibilidade. Você cai de gaiato no truque da opinião pública. Decidimos por impulso e influência alheia e isso não e democrático. 

É a ditadura de uma opinião pública que gera comportamento que não é controlado facilmente por nós, mas por meios de comunicação e propaganda. Quem controla esses agentes, seja por meio da publicidade, da influência política ou ideológica, detém o poder de decidir, de fato, quem estará no governo ou não. É na comunicação social, com sua voz uníssona e hipnotizante, o embate maior do poder em tempos de eleição. E isso não é democrático.

E se te contar que os proprietários da maioria desses meios de comunicação, que geram opinião pública são deputados, senadores e outros políticos ou pessoas fortemente ligada a eles? Até emissoras evangélicas, católicas, ditas “santas” tem deputados para defender sua concessão pública, fazendo conchavos estranhos e negociatas espúrias. Um fisiologismo sem fim, num poder pouco vigiado como o legislativo. Entende que há nesse caso um mecanismo nada democrático?

Então, o que é ser livre para uma escolha realmente democrática? É não ouvir nada e ninguém, pesquisar sobre tudo e decidir de forma racional e planejada, por uma condição mais favorável para todos. É quebrar criticamente a opinião pública forjada e imposta a nós e criar uma opinião independente e realista, sem influências alheias. É trilhar o caminho mais difícil sim, mas não compactuar com o efeito manada da comunicação nunca. 

Quem vota é você, e não quem você da ouvidos. Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

A- a vitória de um candidato/partido a presidência
B- a derrota de.um candidato/partido a presidência
C- a identificação positiva com um candidato/partido/espectro político para presidência
D- a identificação negativa com um candidato/partido/espectro político para presidência
E- um plano de governo específico na presidência
F- uma raiva de tudo e de todos, “me dá uma arma”

As opções B e D não são naturalmente uma escolha, mas uma anti-escolha que não escolhe algo ao certo. Se evita um para passar qualquer um, e isso é muito ruim, pois pode vir coisa pior do que se tenta evitar. Por mais que seja tentador combater um candidato.ou ideologia, esse caminho é muito pouco consciente e só favorece oportunistas.

F, claro, nunca se justifica dada a gravidade das consequências e diante de uma decisão seria e adulta. Revoltinha é coisa de criança mimada. Não seja.

A e C parecem até boas, mas não se votar em pessoa em partido, mas sim em suas ideias e o que pretende oferecer a nós. Porque uma pessoa apenas, o presidente, não consegue, apenas por ser presidente, resolver nada. Sua plataforma é o que interfere em nossa vida brasileira. Seria o clássico voto populista: vota-se na pessoa ou partido, e não no que farão por nós. Um voto cego.

Talvez, de todas as respostas, apenas a E possa parecer viável, mas veremos que não:

Sobre o cargo de presidente, temos uma opinião pública (ou algumas) majoritária. Mas, e se te contar que o poder de verdade surgirá entre deputados e senadores, e o presidente, meu caro, esse cargo executivo cheio de pompa, é apenas a bucha de canhão, o boi de piranha dessas eleições? Sobre o legislativo, sabemos algo? Pois bem, aí mora o grande perigo, pois o foco dos debates no cargo a presidente, influência diretamente a escolha dos legisladores por impulso e sem pesquisa nenhuma.

Quando você apoia um presidente, apoia seu espectro político, suas ideias e também os que concordam com suas posições. Naturalmente, quem vota em um presidente, sem pensar muito (até porque não há na mídia debate sobre) vota em deputados e senadores próximos a ele. Mas nunca lembra deles para cobrar, nunca culpa a eles sobre as mazelas que vivemos, apenas o presidente. Muito cômodo ao parlamentar, não?

E aí é que mora o perigo, quem são esses? Pouco se sabe. É um corpo fisiológico e oportunista que siga os recursos da nação em um sistema perpétuo de reeleições que não permite a correção de um sistema que nasceu velho propositalmente.

É aí no legislativo que deveria haver a maior renovação, mas pouco se aprende e fala sobre esse corpo de poder. Mas há aparentemente uma obsessão da opinião pública pelo presidente que chega a visão sobre esse conjunto de representantes. Uma opinião pública criada por meios de comunicação e comunicadores sem escrúpulos, apenas em busca de poder e audiência fácil.

Quem é seu deputado? Seus senadores? Você não sabe? Melhor pesquisar. Porque qualquer presidente eleito não fará nada se não houver um legislativo positivamente comprometido com o país. Fuja da manada, pense por si só e vote consciente, por mais trabalhoso que seja.

Pense muito nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico