Oferenda em forma de pensamentos e sussurros, altas magnitudes aderindo meu silêncio transformado em tentáculos que falam de saudades incrustadas.

Prata mais próxima da rua, prata que invade a casa, que abraça, enquanto entre o cinza dos concretos da cidade sigo minha sina à deriva.

As cidades são tudo isso, um amontoamento de pontos nos quais somos jogados como estrangeiros em nossas próprias vidas.

Nossa prataria é lata vulgar, por mais que tentemos mudar nos inserimos nesse preto e branco da cidade.

Cristina Bonetti – Bela urbana, piracaiense, amante da literatura e de música clássica desde a infância. Filha e neta de escultores. Fã de Manoel Bandeira, Fernando Pessoa, Paulo Coelho e Pablo Neruda. Poetisa, artista plástica e publicitária. Co-autor: Paulo Monteiro

Todas janelas se fecharam, desesperada procura na amplidão, em aclives e declives da cidade adormecida.

Pássaros mecânicos arrastam-se em idas e vindas enquanto o negro asfalto crepita sob passos angustiantes entre timbres e ressonâncias de algazarras distantes.

Mariposa entre os pássaros, voo ricocheteando nas vidraças, nenhuma flor onde pousar, encontro.

As luzes atraem, mas estão longe como as estrelas.

Só o alvoroço move o mundo.

Cristina Bonetti –  Bela urbana, piracaiense, amante da literatura e de música clássica desde a infância. Filha e neta de escultores. Fã de Manoel Bandeira, Fernando Pessoa, Paulo Coelho e Pablo Neruda. Poetisa, artista plástica e publicitária. Co-autoria de Paulo Monteiro.

Nas noites frias e estreladas aquela alma penada urra e passa atrelada, é o coronel, dono da cidade, homem pagão, cruel e ladrão, não está vivo e nem morto.

Quando vem a ventania, ele é carregado pela agonia, pois, nem a terra quer o seu corpo.

Atrás do morro, no grande rochedo, o morto-vivo passeia, pende o corpo e cambaleia enquanto outras almas zombam em pavorosa gritaria.

É um corpo seco.

Atormentado por seus crimes, entrou mato a dento, encostou-se num velho angico e ali morreu ereto. Seu corpo secou e acabou coberto de barba-de-pau.

E é dali que sai para as suas caminhadas infernais e para onde retorna ao silêncio de sua sepultura a campo aberto.

Cristina Bonetti – Bela urbana, piracaiense, amante da literatura e de música clássica desde a infância. Filha e neta de escultores. Fã de Manoel Bandeira, Fernando Pessoa, Paulo Coelho e Pablo Neruda. Poetisa, artista plástica e publicitária.

Muitas vezes sou incompreendida, tenho fama de dar vida ao submundo desprendido desafiando a mim mesma.

A verdade é que me apetece tentar em simples pedaço de papel realizar em versos o sonho de ser poetisa e trovadora.

A verdade é que não sou hipócrita, muito menos irônica ou falsa.

Se falo, logo sou interrompida com palavras de reprovação e descaso, mas, ao digitar neste minúsculo teclado sinto-me livre desta amarra cruel, escrevo o que quero e o que penso, meus pensamentos reprimidos e abandonados.

Agir contrário é ser irracional!

Cristina Bonetti – Bela urbana. Piracaiense, amante da literatura e de música clássica desde a infância. Filha e neta de escultores. Fã de Manoel Bandeira, Fernando Pessoa, Paulo Coelho e Pablo Neruda. Poetisa, artista plástica e publicitária.