Aconteceu num país distante no longínquo ano de 2018…

Nessa época, todo mundo achava que sua opinião era a única válida, mas não só isso, as pessoas passaram a utilizar de armas, físicas e verbais, para fazer descer suas opiniões goela abaixo de quem discordasse.

Nesse tempo, as pessoas estavam prestes a decidir, em plebiscito, quem governaria o reino.

De um lado, havia o representante de um governo anterior, que havia levado o reino a uma crise financeira sem precedentes e que institucionalizou a corrupção a um ponto em que as finanças estavam minguando e reino estava mergulhado em uma recessão. Esse representante, muitas vezes, precisava recorrer aos conselhos do grande Pai para se decidir… O problema é que esse grande Pai estava encarcerado.

Mas o que agravou a insatisfação popular contra o grupo desse representante, foi a falta de humildade de admitir que podiam, sim, ter errado em algum ponto, passaram a insistir que eram santos e que o grande pai era um preso político.

Com isso, foram deixando que o outro representante se fortalecesse, o representante que prometia acabar com a corrupção, e, apesar de ter enriquecido seus próprios filhos, durante os 30 anos em que fora deputado, insistia ser honesto. Não tinha plano de governo concreto, fugia de debates, por não saber conversar, apenas sabia cuspir monólogos… Seu discurso sempre enaltecia a instituição religiosa, embora o reino fosse laico e, achava que todos deveriam andar armados, gostava inclusive de ficar fazendo gestos que simulavam armas. Também prometia fazer o reino voltar ao que era há 50 anos.

Por longos 30 anos, esse representante vinha exalando veneno, contra algumas minorias, ironizando, ameaçando, exaltando torturadores condenados. Defendia que bandido bom é bandido morto, orientação sexual devia ser resolvida na porrada, que mulher merecia ou não ser estuprada de acordo com sua beleza ou falta dela, que cantar mulher na rua era elogio, que índio não tem direito à terra, que negro pesa arrobas e por aí vai.

As gentes daquele reino passaram, então, a se comportar extremamente mal, muito pior que antes.  Não mais se preocupavam se o reino teria mais escolas, nem se o meio ambiente seria preservado. Importavam-se unicamente com suas próprias opiniões, que nem eram tão suas assim, eram ideias incutidas, frases distorcidas, de uma realidade surreal. Da violência que se seguiu, a culpa era sempre dos outros.

Nesses tempos, famílias inteiras foram desintegradas, com filhos acusando seus pais de quererem suas mortes, pais acusando filhos de quererem sua pobreza, pessoas acusando outras de bruxaria e as queimando em praças públicas. Queriam censurar jornalistas que eram de opinião contrária e ridicularizavam-se uns aos outros.

Algumas pessoas da “fina sociedade”, pessoas de bem, que em eventos sociais se acotovelavam para tirarem fotos ao lado da linda e competente apresentadora – fotos essas que circulavam nas colunas sociais dos jornais da província – passaram a xingar a mesma apresentadora de puta, quando a opinião dela era diferente da que eles queriam, lembrando a música “Geni e o Zepelim”, de outra época obscura.

A cada dia a incredulidade crescia, não com os dois representantes, pois deles não vinha mais nenhuma surpresa, mas com as pessoas. Triste lembrar de amigos de quem se gostava, mas que não mais existiam, haviam sido transformadas em uma massa de opiniões disformes, babando veneno e se alimentando de cérebros contaminados.

Enfim, foi a era das trevas de 2018! Ninguém sabe ainda como terminou…

Synnöve Dahlström Hilkner – Bela Urbana, é artista visual, cartunista e ilustradora. Nasceu na Finlândia e mora no Brasil desde pequena. Formada em Comunicação Social/Publicidade e Propaganda pela PUCC. Desde 1992, atua nas áreas de marketing e comunicação, tendo trabalhado também como tradutora e professora de inglês. Participa de exposições individuais e coletivas, como artista e curadora, além de salões de humor, especialmente o Salão de Humor de Piracicaba, também faz ilustrações para livros. É do signo de Touro, no horóscopo chinês é do signo do Coelho e não acredita em horóscopo.

Ilustração: Synnöve Dahlström Hilkner

 

Por favor, leiam tudo, não importa sua posição política, seus ideais e nem seu candidato.

Amigos e família,

Eu não peço que votem no PT porque vocês amam o Lula e acham que ele deveria estar livre. Eu peço que votem 13 para que eu e todas as mulheres desse país possam sair de casa sem medo de serem ofendidas, agredidas, baleadas, mortas ou estupradas.

Eu não peço que votem no Haddad porque acreditam que ele vai levar o Brasil pra frente. Eu peço que votem nele porque não querem que o Brasil seja levado para trás, onde as pessoas acreditam que não tem problema diminuir as mulheres ou ofender negros.

Eu não peço que elejam o PT de novo porque vocês são esquerdistas. Eu peço que vocês votem nele porque, se não o fizerem, o Brasil corre risco de voltar a ser uma ditadura sem direito de expressão, com tortura, mortes e repressão artística e de pensamento.

Eu não peço que votem no Haddad porque ele vai melhorar a segurança pública. Mas lembrem-se de que o Bolsonaro já é deputado do Rio, o estado com maiores índices de violência do Brasil! Ele não poderá proteger vocês e a sua família porque, depois de 20 anos como político, ele não o fez por seu estado, quem dirá por seu país!

Eu não peço que votem 13 para mudar o Brasil para melhor. Mas por favor, não votem 17 para mudar o Brasil para pior!

Eu não imploro que votem 13 porque é a nossa melhor opção. Eu peço que o façam porque é a única que nos resta.

Obrigada.

Giulia Giacomello Pompilio – Bela Urbana, 17 anos, estudante de engenharia mecânica da UNICAMP, participa de grupos ativistas e feministas da faculdade, como o Engenheiras que Resistem. Fluente em 4 idiomas. Gosta de escrever poemas, contos e textos curtos, jogar tênis, aprender novos instrumentos e dançar sapateado. Foi premiada em olimpíadas e concursos nacionais e internacionais de matemática, programação, astronomia e física, além de ter um prêmio em uma simulação oficial da ONU.

Quem matou Toninho? Quem matou Celso Daniel? Quem matou Marielle? Odete Roitman?

Essa última quase todos os brasileiros com mais de 40 anos sabem. Causou comoção, curiosidade e dedicação nacional, até que seu assassino, ou melhor assassina, foi desvendada na novela Vale Tudo em janeiro de 1989.

Talvez a mesma maioria não saiba que a atriz Beatriz Segall que interpretou Odete Roitman tenha falecido no último dia 05 do mês passado, com 92 anos. Ela foi uma grande atriz. Rejeitava cultuar a personagem de Vale Tudo porque isso a reduzia. Em 2008 participou de uma audiência publica e uma de suas falas foi “Vim aqui defender e falar sobre teatro para muitos que nunca pisaram em uma sala de espetáculos. Isso reflete a nossa cultura. Deputados não têm a mais vaga ideia de quem foram Ibsen, Shakespeare e Nelson Rodrigues“.

Infelizmente só sabemos quem matou a personagem de uma novela de 30 anos atrás. Novela que fez história no Brasil, que escancarava a cultura do “levar vantagem em tudo”, “do jeitinho esperto brasileiro”, “da ostentação” e que a música de abertura do falecido Cazuza, Brasil, era o retrato fiel do nosso País. Era?

Nossa cultura perde sua história, porque não a valoriza. Quem queimou o Museu Nacional no Rio de Janeiro? E o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo? E o Memorial da América Latina?

Somos todos nós os culpados?

Se nós não nos aprofundamos em questões, mas gritamos para todos nossa rasa opinião, sim. Se nós estamos tão ocupados com o nosso dia a dia, ocupadíssimos por sinal, não nos sobra tempo para além dos nossos afazeres, sim. Se nós queremos tudo de bom que a vida pode dar, mas não estamos dispostos a repartir, seja o que for, sim.

Fácil é xingar, apontar o dedo, colocar a culpa nos outros, inclusive nos políticos. Fácil é se fazer “de” e não ser. É fácil colocar Botox e por um tempo congelar as rugas e a expressão. Fácil, todo mundo igual sem expressão. com Botox aplicado na alma que ficou atrofiada.

Saber requer estudar, ler, se informar por mais de um único canal de informação e isso gera trabalho, exige tempo e é claro que hoje ninguém tem tempo. Então, continuaremos gritando que a culpa é dos políticos, que outros tempos foram melhores e que com certeza agora vem um salvador da Pátria, para salvar toda esse gente de bem, que tem medo de perder o que tem.

Quem matou?

Matamos e morremos no dia a dia, no meio de tanta estupidez, de tanta maldade, de tanta intolerância. Estamos na primavera e as flores estão sendo abortadas nas almas.  A arte salva, mas ela não nasce se não existe educação.

Não vivemos sozinhos, precisamos um dos outros, isso é uma sociedade. Não tem como viver bem se o outro não está bem, uma hora esse “não bem” do outro te atinge, ou entendemos que todos estamos juntos ou continuaremos a matar e morrer.

Eu não sei quem matou Toninho, Celso Daniel e Marielle e não sei também quem matou José, João, Amanda, Vera, Sonia, Antonio, Maria, Marcelo, Cristina, Ana, André e tantos outros brasileiros da vida real.

Você sabe me dizer?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

Estamos diante da oportunidade de construir um novo projeto civilizacional de nação e de sociedade, com uma democracia participativa e representativa à população, ao invés de representações apenas dos objetivos de bancadas e de bancos.

Que se produza mais bem-estar social do que sofrimento e miséria, encorajando uma vivência coletiva inclinada à solidariedade e à paz e não, conflitos e polarizações. Que se criem condições efetivas de conhecimento e criatividade do que estupidez coletiva, ignorância e apatia.

Que se crie profundo respeito à diversidade cultural, à dignidade humana e aos seus direitos do que submeter a população a violências diversas e a uma homogeneidade cultural e social embrutecedoras.

É preciso haver economia sustentável a partir de uma organização e distribuição de renda digna e justa, ao invés de uma economia concentradora de poder, de cunho oligárquico e monopolista, em nome de um mercado mundial.

Política não se faz – ao menos não deveria – por revanchismo ou por vingança, mas com profundo sentimento de respeito à democracia e às melhores práticas a uma vida social justa, coletiva e múltipla.

Jorge Martins de Jesus –  Belo Urbano, Mestre em Ciência da Religião pela PUCCAMP e Teologia plea UMESP. Sua linha de pesquisa concentra-se sobre o estudo da Religião, Sociedade e Cultura. De forma paralela, estende sua análise sobre essas Instituições e suas práticas discursivas.

Caros consulentes.

Tenho medo do que vejo na minha bola de cristal. Vejo sujeira.

Me disseram que Bozzo deu pt. Tem esse diz que me disse, mas quem te disse?

Fakes estão em todos os lugares e o que os olhos não leem….

Leiam, se informem, estudem.

A razão é construída em cima de fatos. E ter razão não significa não ser feliz.

Em tempos de votação é melhor buscar a razão e só assim seremos felizes.

Então: #EuSim, #TuSim #ElaSim #NósSim #VósSim #ElesNão

Agora preciso limpar minha bola de cristal ou.. TUBRO.

Entenderam?

Até a próxima e que os astros nos protejam.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos https://www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉

 

 

Como você vota? Eu digo: vota por impulso e influência alheia. Explico.

É notório que a maioria das pessoas vota não por estudar as opções que se apresentam a fundo, mas decidem por influência do que chamamos de opinião pública. A opinião pública é como óculos escuros: uma ideia geral que norteia nossa visão, pautando o que gostamos e o que não gostamos. 

Opinião pública é de fato um pré-conceito estabelecido através das informações que recebemos no dia a dia, seja da propaganda, entretenimento, noticiário e influenciadores, guiando nossa percepção de mundo. O poder da opinião pública, como massificação das preferências faz mover montanhas literalmente.

Mas quem a constrói? Os meios de comunicação. E há de se perceber muito fácil a partir de como algumas ideias parecem mais aceitáveis que outras, por mais que pareçam, a uma mínima reflexão, sem nexo. Exemplo: o Brasil é o país do samba. Todos temos essa impressão, mas sabemos que o Brasil tem diversos ritmos particularmente nossos e até mais ricos sonoramente que o samba. Porque ele nos representa? Alguém convencionou, outros repetiram e hoje, nos parece comum. Isso é opinião pública, simplificadamente.

Portanto, comunicadores de diversos meios e contextos tentam influenciar a opinião pública nesses tempos de eleição. Opinativos de jornal, publicidade, meios digitais, relatórios financeiros, noticiário, apresentadores, artistas e diversas vozes potentes da sociedade tentam dizer o que você deve pensar. E você, na maioria dos casos concorda cegamente, simplesmente porque a pessoa tem credibilidade. Você cai de gaiato no truque da opinião pública. Decidimos por impulso e influência alheia e isso não e democrático. 

É a ditadura de uma opinião pública que gera comportamento que não é controlado facilmente por nós, mas por meios de comunicação e propaganda. Quem controla esses agentes, seja por meio da publicidade, da influência política ou ideológica, detém o poder de decidir, de fato, quem estará no governo ou não. É na comunicação social, com sua voz uníssona e hipnotizante, o embate maior do poder em tempos de eleição. E isso não é democrático.

E se te contar que os proprietários da maioria desses meios de comunicação, que geram opinião pública são deputados, senadores e outros políticos ou pessoas fortemente ligada a eles? Até emissoras evangélicas, católicas, ditas “santas” tem deputados para defender sua concessão pública, fazendo conchavos estranhos e negociatas espúrias. Um fisiologismo sem fim, num poder pouco vigiado como o legislativo. Entende que há nesse caso um mecanismo nada democrático?

Então, o que é ser livre para uma escolha realmente democrática? É não ouvir nada e ninguém, pesquisar sobre tudo e decidir de forma racional e planejada, por uma condição mais favorável para todos. É quebrar criticamente a opinião pública forjada e imposta a nós e criar uma opinião independente e realista, sem influências alheias. É trilhar o caminho mais difícil sim, mas não compactuar com o efeito manada da comunicação nunca. 

Quem vota é você, e não quem você da ouvidos. Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico