Hoje chorei!
Sei que minha dor nunca será tão intensa quanto a de quem passa pelo problema diariamente. Mas quero deixar aqui o meu profundo sentimento de tristeza.
É inimaginável que em pleno 2020 vidas sejam sucumbidas pelo racismo estrutural.
É inaceitável que o respeito não seja a palavra de ordem.
Até quando?
Chega!
É preciso dar um basta nessa covardia, na arrogância dos que se sentem superiores, na impunidade de quem fere e mata, em quem oprime, diminui, ridiculariza, humilha e destrói vidas.
Chega!
Já passou da hora.

Simara Bussiol Manfrinatti Bittar – Bela Urbana, pedagoga, revisora, escritora e conselheira de direitos humanos. Ama o universo da leitura e escrita. Comida japonesa faz parte dos seus melhores momentos gastronômicos. Aventuras nas alturas são as suas preferidas, mas o melhor são as boas risadas com os filhos, família e amigos.

… O corpo é sempre uma reserva pessoal.

… A pessoa reservada é uma forma natural.

… A dor presente em corpos doentes é normal.

… O clamor pela vida precisa ser substancial.

… A carência prevenida não tem taxa preferencial.

… A alma pré-aquecida deve ser sempre presencial.

… O corpo é a vivência na realidade de nossa sobrevida!!

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

“Esse texto foi escrito dentro da UTI após Gi ter passado por uma cirurgia no cérebro”

A doença não escolhe a sua vítima. Ela não escolhe cor, classe, sexo, gostos ou política social.

A doença não define. Ela vem sem avisar, fica sem pedir.

Lá fora há filas preferenciais, classes femininas, masculinas e infantis.

Aqui não há ninguém melhor que ninguém, aqui não há escolhas. NADA nos difere uns dos outros.

Aqui dentro o pensamento esvai, a etiqueta dissolve, não há vaidade ou opções. Aqui é a doença e nós.

Meros aprendizes e cobaias da vida.

Aqui encerra um ciclo e recomeça outro. Aqui não há outra opção à não ser, ser grato.

Grata pela vida até aqui, grata pela segunda chance. Grata pela dor, pois se há dor há vida.

E o sol brilha lá fora nos convidando a dançar novamente, esta maravilhosa festa e este grande espetáculo que é a vida.

Gratidão.

 

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

 

Ele perdeu a noção do tempo. Não sabia qual era o dia da semana, o mês, o horário. Tudo isso deixou em uma outra vida, em um certo dia.

O dia que uma dor tão profunda apertou seu peito, maior do que todas as outras que já tinha sentido. Ele sempre sentiu dores fortes, desde criança. A dor de um vazio, como se fosse a queda em um buraco, ele sempre se sentia caindo. As vezes parava e se agarrava em algo, mas não conseguia segurar por muito tempo, logo caia de novo.

Em cada queda a dor aumentava, foi ficando tão grande, mas tão grande, assim como o vazio que sentia. Vazio infinito. Dor crescente.

Tinha sorte, mas não a percebia. Perdia, sempre perdia, não pela falta de sorte, mas pela confusão mental que o VAZIO lhe causava.

Tentou o suicídio três vezes em épocas diferentes, mas não morreu, foi salvo.

Salvo? Ele nunca viu assim, preferia ter ido, mas se achava incompetente até para isso.

Em uma tarde de inverno resolver largar tudo, a madrasta, a namorada, a irmã, o cachorro. Saiu pela porta, não deixou bilhete, não levou roupas, não levou comidas, não levou telefone, nem carteira, nem cartões, nada. Foi embora somente com o VAZIO.

Quanto tempo faz? Ele não sabe, Não sabe mais quem era. Sabe quem é, sabe que vive nas ruas, sabe que mendiga, nem sabe se está na sua cidade ou em outras, já andou tanto, que não sabe nem se já voltou.

A dor acalmou, se sente anestesiado. Nunca mais amou, amar machucava. Nunca mais quis se matar. Nunca mais quis nada. Não sentia nem dor, nem amor.

Uma noite bem tarde, ruas vazias, estava na frente de uma uma loja, com televisores que começaram a acender e mostravam um show de rock de uma banda que ele ouvia e gostava.

Uma lágrima escorreu de seus olhos. Ficou olhando aquilo. Lembrou da dor, lembrou do amor. Lembrou de si. Do vazio. Da queda. Fechou os olhos, pediu perdão. Foi embora, era melhor ser invisível. Não queria ascender.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

Vamos amigos, colecionar amigos, com sorrisos nas dores do dia-a-dia.

Com harmonia, paz e poesia é que se faz um dia a frente, que lá atrás deveria.

Alegria, alegria!

Apesar do mal, ser bom a toda gente, sem olhar a quem.

Ser sorriso por todo o sempre, tudo que é ruim está fora do trem.

Amém, além!

Me preocupar com todos sem o troco vir a mim.

Quem ajuda a quem se ajuda, ajuda a si.

Gentileza em gentileza com certeza faz um mundo feliz,

Bis, Bis.

Se me sobra pra beber, me sobra pra ceder

A quem na mesa do bar ou em qualquer lugar for e precisar.

Quem sabe alguém possa perder assim sua dor e se alegrar.

Amor, Amor

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Há alguns dias me sinto muito incomodada para escrever esse texto. Depois de alguns posts sobre o que “mães” fazem com seus filhos decidi escrevê-lo hoje.

Pois bem, desde que aceitei Deus como meu Único Salvador e Santo vejo muitos cristãos dar ênfase sobre a vida de alguns apóstolos, profetas, seguidores e outros não. Sempre que alguém se encontra enfermo há uma pessoa para nos lembrar da Mulher do Fluxo de Sangue que foi curada, quando alguém esta em total fracasso nos lembramos que com com Jó também foi assim se não pior e com fé ele obteve sucesso. Lembramos da conversão de Maria Madalena no auge do pecado … Vejo muitos cristãos falando de Pedro, Thiago, Samuel, Davi, Elias … Mas e Maria?
Dentre tantas mães virtuosas que existem entre nós, por que não lembrar de Maria que foi um instrumento tão abençoado na mão de Deus para que pudesse gerar em teu ventre nosso Único Salvador?
Seria pecado? Sinceramente não sei. A gloria que reina em minha vida pertence somente a Jesus filho de Deus, mas como quero que Ele me molde e me use como Maria!!!
Num mundo de hoje como esse que vivemos onde existem tantas mortes e crueldade com nossos filhos alguém que esta lendo isso já parou para pensar na dor de Maria?
Meu Deus que força esta mulher teve! Pare um pouco e pense. Você gera por nove meses um presente de Deus, sente as dores do parto, acolhe teu bebê em seus braços, dá amor e proteção, o vê crescer como um santo, ama sem limites. Incondicionalmente. E certo dia você vê teu filho sendo humilhado, pisoteado, espancado, PREGADO em uma cruz. Aquele filho que Deus lhe confiou porque somente você saberia como criá-lo aqui na Terra, agora esta agonizando lavado de sangue e sofrimento morrendo aos poucos sem reclamar e você sem poder fazer nada. Você não pode fazer nada à não ser sofrer junto com aquele menino que você concebeu e esta vendo partir da forma mais cruel e injusta.
Sinceramente? Eu imaginei e já me encontro em soluços só de imaginar o começo da dor.
Quisera eu Pai ter a força de Maria. Logo eu que me acabo de sofrer ao ver meu filho tomando qualquer agulhada.
Quisera Você Pai que eu tenha a paciência de Jó, a fé de Abraão e a força materna de Maria.
Infelizmente nunca vi uma igreja evangélica citar Maria como falam de Davi, João Batista ou Saul.
As mulheres de hoje nasceram com a maternidade aflorada na alma e neste mundo tão desesperador precisam de um ícone de Mãe e Mulher.
Sou Cristã, meu Único Salvador é Jesus e a glória dEle não divido com ninguém, pois Santo na minha vida somente Ele.
Mas quero e espero ser como Maria e que minha força como Mãe transceda qualquer tipo de medo ou falha que eu venha a ter como ser humano.

Por um mundo com mais Mães como Maria.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

 

Não me delate

nem me delete 

do seu mundo, não.

Por pouco pecado 

por um erro listado.

Não, sem perdão.

 

Pois o ódio se esconde

na entranha do amor que sentes.

Eleva a intolerância e toda a mágoa.

A dor transcende.

 

Quem não larga o osso da arrogância

quem só leva a sério a brincadeira.

Quem parte para a ignorância 

que esvazia o amor por besteira.

 

Deixa de ser intolerante.

Deixa de lado essa frieza.

Deixe de ser tão inconstante.

Deixa pra lá essa fraqueza.

 

Apenas me ame,

do resto, esqueça.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico.

(Só leia esse texto se você for vítima da sociedade padronizada ou já tiverem te mandado sentar como Mocinha)

Estou farta, arrotando pelos cantos. Vítima da sociedade. 
Por quanto tempo mais terei que aguentar o dedo do jovem branco apontando pro meu cabelo afro? Quantas vezes vou ter que ouvir que eu ”não sou tão negra assim”? Quantas lojas eu vou ter que entrar para ser tratada como cliente e não como funcionária?
Estou farta! E não é pouco. Arrotando pelos cantos.
Cansada de ouvir que eu tenho que me desdobrar ao quintos pois sou mãe solteira. Tendo que conviver com a opinião de quem não me sustenta, dizendo que a responsabilidade da mãe é maior do que a do pai (oi?).
Por quantas vezes mais vou ter que me calar pra não ofender o outro? Quantas vezes vou ter que engolir seco a cantada de quem esta ali só para comer sexualmente o outro como um predador?
Quantas vezes vou ter que ouvir da mídia, do homem e da sociedade que meu quadril largo é ótimo pra procriar mas não constituir família?
Quantas vezes mais vou ter que ouvir do policial e do confidente qual era roupa que eu estava usando quando fui estuprada?
Até quando vou ter que aguentar ouvir que apanhei do namorado por que ele perdeu o controle e se exaltou, mas não foi por querer?
Por quanto tempo vou ter que levar meu filho no colo em pé no transporte pra não ser hostilizada por quem trabalhou o dia inteiro e está sentado no banco prioritário?
Quantas vezes vão me mandar sentar igual mocinha e ter a força de um bruto?
Quantos ‘Nãos’ eu vou ter que ouvir nas entrevistas de emprego por ter tatuagem, por ter filho, por ser solteira, por ser gorda, por ser mulher?
Tá doendo?
Em mim não dói nada. Não mais!
A sociedade me deixou assim, o soco na face me deixou assim. Aquele grupo de brancos me chamando de macaca, aqueles homens que eu atendia no restaurante insinuando sexo oral, aquele cara que me forçou pra ir além, aquela mulher que me olhou da cabeça aos pés e disse que eu não tinha o perfil, aquela empresa que preferiu um homem ou uma mulher sem filhos, aquela revista que disse que o manequim tinha que ser 38, aquele fora da família do namorado branco, aquela pessoa que eu achei que estava tendo um papo legal e logo já me mandou fotos obscenas, me deixaram assim.
Eu sou a Gi, eu sou a Mãe do Noah, eu sou aquela que escreve legal e os amigos gostam.
Eu sou a estatística, eu sou o vácuo, o grito abafado da dor, o sorriso amarelo, o “está tudo bem” disfarçado.
Eu sou mulher, eu sou filha, sou mãe, sou preta, sou gorda, sou tatuada, sou gente e não me calo.
Porque estou farta.
Farta e arrotando pelos cantos.
Digerindo o teu ódio e vomitando poder pra quem quiser ver.
Mandando nudes da alma pra quem pedir.
Essa sou eu.
Só mais um número na multidão.
Farta de toda pressão que aos poucos está me mutilando.
Farta e arrotando pelos cantos.

Gi Gonçalves – Bela Urbana, mãe, mulher e profissional. Acredita na igualdade social e luta por um mundo onde as mulheres conheçam o seu próprio valor. 

Outro dia assisti a uma aula, na qual o professor descrevia a felicidade sob a ótica da prática filosófica. Dizia ele que “felicidade é o estado de potência máxima do ser” – nós só somos felizes de fato naqueles momentos que não queremos que acabem. E isso fez muito sentido para mim, pois, ao olhar para trás, notei que os momentos que não quis que acabassem foram também os momentos mais intensos que experimentei.

Quando digo intenso, me refiro a prazer, relaxamento e até dor. Sim, dor! A vida não existiria sem dor. A dor é aquele professor ranzinza que nos ensina e nos força a fazer o que quer que seja necessário para chegarmos a um lugar melhor, fazermos algo melhor e sermos alguém melhor, mais flexível e com mais recursos. Só o desconforto nos move e sem ele, morreríamos de inanição – muita gente morre assim!

A mente jovem não racionaliza; não abre mão do desejo para sentir segurança; não se afunda na rotina porque ‘a aventura dá trabalho’; e pouco importa o caminho mais seguro, porque o foco está na emoção.

Uma mente jovem não escolhe seus relacionamentos pela lista de virtudes e defeitos do pretendente. Jovens querem se provar, se testar, e, para tanto, encaram qualquer desafio, se atiram no que querem, fazem o que precisa ser feito e até mais! Às vezes caem, mas se levantam, sentem dor, mas se curam, erram, mas aprendem… A mente jovem pode até se dar mal, mas jamais admitirá isso por um simples fato: ela está exatamente onde queria estar e, se está lá, está no lugar certo!

A mente jovem está sempre certa, o mundo é que tem que mudar! Tentar mudar o mundo é a grande graça da vida e arrisco até dizer ‘O SENTIDO DA VIDA’.

Só uma mente jovem tem a capacidade de ser feliz de verdade!

Cássio C. Nogueira – Belo Urbano, psicanalista, coaching, marqueteiro, curioso, apaixonado pela vida e na potência máxima, sempre!

Ela estendeu o seu tapetinho de yoga cor de rosa no chão se sentou, ouviu o bater do metal. Três sinais… silêncio total. “Feche os olhos, se concentre na respiração”, era o que dizia uma voz suave que conduzia o trabalho naquela tarde. “Deixe a emoção fluir, não pense, não resista às emoções.”

E ela, em uma tentativa quase que desesperada, tentava se aquietar. Cabeça a milhão, pensamentos distintos. 1,2,3 inspira… tenho que fazer o material do trabalho de segunda… 1,2,3 expira… o que será que terá na janta? 1,2,3 faz a posição da cobra… 1,2,3 vai desligando, musiquinha ao fundo… 1,2,3 desligando… 1,2,3 desligou!

Ela escorregou por um túnel colorido e circular… Deu de cara com uma lagarta, que um dia iria morrer naquela forma e se transformar na borboleta mais linda, de preferência amarela… As amarelas sempre as fascinaram. Ouviu ao fundo o “cri cri” do grilo. Enquanto a descida acontecia, ela fechou os olhos novamente, sem medo de cair. Eram ela, a música e o movimento de seu corpo.

Até que aquela voz, mansa e suave, a colocou em cheque. “Vamos falar de amor, amor no seu sentido mais amplo. Se você pudesse voltar ao passado a quem pediria perdão e quem perdoaria? E hoje, seu perdão vai para quem e quem precisa te perdoar? E no futuro? Você terá se perdoado suficiente para reaprender a amar?” Uma, duas, três lágrimas escorreram pelo seu rosto. E o tal “autocontrole” que ela teima em fingir que tem, desapareceu… Movendo o corpo, no ritmo da música e da voz suave. “Hoje falar de amor virou banal. Todo mundo ama todo mundo, mas poucos sabem o que significa amar. Então, quando você estiver naquela euforia gostosa, achando que é amor, se faça quatro perguntas básicas: Eu quero conhecer o outro todo dia? Eu aceito as decisões do outro? Eu protejo o outro para ele não se ferir? Eu quero que ele seja feliz e cresça, independente da minha presença? E se você conseguir responder sim a todas as perguntas, você pode estar amando. Mas a relação com o outro é de amor? Refaça, então, as quatro perguntas, mas dessa vez coloque você no lugar do outro. Ele quer me conhecer diariamente? Ele aceita minhas decisões? Ele me protege para que eu não me machuque? Ele me quer feliz e crescendo, independente da sua presença? E se novamente as respostas forem sim, definitivamente é amor…”

Respira fundo, expira, cresce o pulmão, chora… posição do cachorro… Ela esquece a respiração de novo e se prende àquelas palavras… Teria amado plenamente, seus amigos, familiares, amantes? Será? Teria se disposto a tal libertação e liberdade? Posse, controle, autocontrole, mania de querer ser bruxa e prever o futuro e os sentimentos dos outros.

Mais lágrimas… era Semana Santa… semana da ressureição de Cristo, para quem acredita. Semana de ressureição dela. Esse era o propósito daquele tapete… 1, 2, 3… inspira…. 1, 2, 3 expira… Mais lágrimas… 1,2,3 posição da árvore… 1,2 ,3 meia lua… 1,2,3 deitada novamente de barriga para cima em seu tapete rosa… Ela abriu os olhos ao ouvir novamente as três batidas no metal… Foi voltando aos poucos, enxugou os olhos, sentou de coluna ereta, na posição do sup, fez seu mudra… ganhou um abraço apertado de uma total desconhecida, junto com um lenço de papel.

Naquela noite, ela não dormiu muito e o pouco que conseguiu, teve pesadelos. Acordada de madrugada, ouvindo apenas os grilos e o vento na janela, refletiu: “amei, amei sim… e fui amada. Isso não significa que não doa ver as pessoas que amo, crescerem longe de mim… Amigos, família, amantes…”

Marina Prado – Bela Urbana, jornalista por formação, inquieta por natureza. 30 e poucos anos de risada e drama, como boa gemiana. Sobre ela só uma certeza: ou frio ou quente. Nunca morno!