Cristina é uma cinquentona, bonita, fina, cheirosa, que anda com um carrão novo importando e tão perfumado quanto ela.

Mãe de um jovem adulto, rapaz bonito também, moreno, como ela. Ela torcia para que filho casasse com uma loira, vivia dizendo “brincando”: – precisa clarear a família. Falava em tom de brincadeira e nem se dava conta o quanto preconceito tinha em sua fala, no fundo queria mesmo ter netos loiros, de morenos já bastava sua família e a do marido.

Marido esse muito bem sucedido, alto executivo, viajado, andava com seu carrão do ano importado, sempre com o ar condicionado ligado e com vidros blindados. Nesse país não tem como ser de outra forma, pensava. Sorte que seu dinheiro permitia esses gastos.

Ela tinha se aposentado há um ano, fez carreira pública, se aposentou muito bem, preferiu ter seu dinheiro para suas despesas pessoais e para alguns segredos. Segredos tão escondidos que é difícil imaginar aquela mulher que adora fazer caridade na igreja com seus segredos.

A guerra pelas eleições fervia na internet, mas ela preferia não dar palpite. Falava sua opinião para grupos pequenos de amigos, todos que pensavam como ela. Se alguém pensasse diferente, já olhava por cima, com desdém, pedia licença, afinal, era educada e saia de perto. Para que discutir política?

A vida dela é chata, assim como ela, bem chata. Era desejada por outros chatos e infelizes, afinal o poder do dinheiro e ainda da beleza, mesmo que morena, ainda causavam impacto e fetiche nesses outros iguais.

O marido e ela, tinham aquela união estável e chata onde a paixão foi embora há muito tempo, se é que existiu em algum dia. Cada um no seu mundo solitário, perfumado e protegido. A casa andava andava mais quieta do que antes, sempre foi uma casa de pouco barulho, mas depois que o filho foi estudar fora, o silêncio é quase mortal.

Aquele candidato é verdadeiro, homem que fala o que pensa, se encantou. Chegou a sonhar com ele. Um sonho que jamais poderia ser compartilhado. Um sonho onde aquele homem a amarrava na cama e berrava com ela, Ela frágil, ele forte, e não é que ele tinha algo do seu pai quando dava bronca nela e em suas irmãs.

Em segredo ficou esse sonho, assim como os outros que ninguém jamais poderia imaginar naquela figura tão perfeitinha da sociedade do alto escalão. Esses segredos eram quase uma felicidade.

Vivia de quases e tanto fazia o resto.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

Ainda leremos em livros o que ouso chamar de Brasi-fascismo. Um fascismo a brasileira, sem uma ideologia definida, fascismo de covardes do cotidiano que negam que são fascistas, só porque o fascismo “é coisa de italiano, de alemão, tá certo?”.

Primeiro vamos entender o fascismo em uma explicação pretensiosamente simples. Fascismo é uma forma de agir que, com base em uma ideologia fixa de estado forte e autoritário, calçado em uma propaganda incessante, se apoia no medo construído por discurso e em um personagem feito como “inimigo”, justifica ideias e atos inconcebíveis em um estado de coisas comum como o preconceito, o ódio, a violência e até a morte. Imagine a Alemanha de Hitler, temos medo da miséria que vivemos, colocamos a culpa nos comunistas e judeus e matamos 6 milhões de pessoas, sendo judeus, comunistas ou não. Lhe parece absurdo, não é?

Aqui no país, com medo das misérias que vivemos no passado, colocamos a culpa nos comunistas – ou petistas, negros, homossexuais etc. – estamos vendo pessoas sendo mortas, violentadas, ofendidas, excluídas ao mesmo tempo que um líder simbólico candidato ao cargo mor insinua que o problema não é dele e que são atos isolados. Tudo patrocinado por uma propaganda oculta em mensagens anônimas que nos chegam digitalmente, mas fortalece um lado na disputa eleitoral. Numa situação de normalidade, tais atos seriam crimes, e um líder de fato condenaria e pediria punição exemplar. Sei que alguns de vocês discordam de mim agora, me chamando de petista e negando ser fascista. Pois bem. É agora inicia minha explicação.

Esse Brasi-fascismo, é um tipo de fascismo praticado com base na autoverdade individual, explico: quem o pratica, o faz convencido de que é o melhor caminho agir e justifica negando que tenha sido influenciado por ideias que lhe chegam a partir de grupos sociais do qual faz parte: um grupo de WhatsApp, de Facebook, Instagram e outros. Esses grupos, que muitas vezes são habitados por familiares e não por partidários do neofascismo se retroalimentando em ódios e oposições a inimigos que não conhecem, baseados em um medo que, de fato é superestimado, mas paralisa. Nesse caso, agir de forma odiosa, compartilhar comportamento e conteúdo odioso lhe parece uma forma de se defender desse mal, o que legítima suas posições e escolhas.

Escolhas e posições legitimadas ela colabora com a violência, mas quando confrontada com os absurdos que defende, nega e cria um caminhão de argumentos particulares para não admitir que é de fato um fascista, afinal, não faz parte de um grupo formal que defende o fascismo, com uma ideologia definida e defendida, mas de um grupo de WhatsApp da família que compartilha o mesmo medo, o mesmo ódio e o mesmo comportamento absurdo de odiar quem nem se conhece. Simplesmente porque se auto-afirmam entre si sem fazer uma análise de tal ato. Justificam mais absurdamente do que agem, para evitar a vergonha inevitável de suas ações diante de uma ameaça inexistente, afinal “fascismo é coisa de italiano, tá ok?”.

E se pensa que entre a esquerda não há também esse tipo de comportamento, se engana. O mais triste é ver pessoas que defendem os direitos humanos dizendo que tem que encher de porrada esses fascistas aí. Oi?

Pense nisso, afinal, já os gregos ensinavam que pensar é a base de toda solução para impasses.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Foto de Cristian Newman 

Quem matou Toninho? Quem matou Celso Daniel? Quem matou Marielle? Odete Roitman?

Essa última quase todos os brasileiros com mais de 40 anos sabem. Causou comoção, curiosidade e dedicação nacional, até que seu assassino, ou melhor assassina, foi desvendada na novela Vale Tudo em janeiro de 1989.

Talvez a mesma maioria não saiba que a atriz Beatriz Segall que interpretou Odete Roitman tenha falecido no último dia 05 do mês passado, com 92 anos. Ela foi uma grande atriz. Rejeitava cultuar a personagem de Vale Tudo porque isso a reduzia. Em 2008 participou de uma audiência publica e uma de suas falas foi “Vim aqui defender e falar sobre teatro para muitos que nunca pisaram em uma sala de espetáculos. Isso reflete a nossa cultura. Deputados não têm a mais vaga ideia de quem foram Ibsen, Shakespeare e Nelson Rodrigues“.

Infelizmente só sabemos quem matou a personagem de uma novela de 30 anos atrás. Novela que fez história no Brasil, que escancarava a cultura do “levar vantagem em tudo”, “do jeitinho esperto brasileiro”, “da ostentação” e que a música de abertura do falecido Cazuza, Brasil, era o retrato fiel do nosso País. Era?

Nossa cultura perde sua história, porque não a valoriza. Quem queimou o Museu Nacional no Rio de Janeiro? E o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo? E o Memorial da América Latina?

Somos todos nós os culpados?

Se nós não nos aprofundamos em questões, mas gritamos para todos nossa rasa opinião, sim. Se nós estamos tão ocupados com o nosso dia a dia, ocupadíssimos por sinal, não nos sobra tempo para além dos nossos afazeres, sim. Se nós queremos tudo de bom que a vida pode dar, mas não estamos dispostos a repartir, seja o que for, sim.

Fácil é xingar, apontar o dedo, colocar a culpa nos outros, inclusive nos políticos. Fácil é se fazer “de” e não ser. É fácil colocar Botox e por um tempo congelar as rugas e a expressão. Fácil, todo mundo igual sem expressão. com Botox aplicado na alma que ficou atrofiada.

Saber requer estudar, ler, se informar por mais de um único canal de informação e isso gera trabalho, exige tempo e é claro que hoje ninguém tem tempo. Então, continuaremos gritando que a culpa é dos políticos, que outros tempos foram melhores e que com certeza agora vem um salvador da Pátria, para salvar toda esse gente de bem, que tem medo de perder o que tem.

Quem matou?

Matamos e morremos no dia a dia, no meio de tanta estupidez, de tanta maldade, de tanta intolerância. Estamos na primavera e as flores estão sendo abortadas nas almas.  A arte salva, mas ela não nasce se não existe educação.

Não vivemos sozinhos, precisamos um dos outros, isso é uma sociedade. Não tem como viver bem se o outro não está bem, uma hora esse “não bem” do outro te atinge, ou entendemos que todos estamos juntos ou continuaremos a matar e morrer.

Eu não sei quem matou Toninho, Celso Daniel e Marielle e não sei também quem matou José, João, Amanda, Vera, Sonia, Antonio, Maria, Marcelo, Cristina, Ana, André e tantos outros brasileiros da vida real.

Você sabe me dizer?

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

Já escrevi sobre o processo de decisão do eleitor, frente a propaganda e o processo e formação de opinião pública.

Vou falar agora sobre a estrutura de construção emocional que a propaganda gera. E é bem curiosa, pois ao invés de apresentar projetos, que são complexos e boa parte do povo mal compreenderia (apesar de ser o caminho correto explicar), apelam para as emoções dos eleitores. Decidimos emocionalmente, como fazemos com qualquer produto descartável de supermercado.

Emoções como o medo. Medo do mercado quebrar, do desemprego, do bandido ou da dívida gera votos. Ninguém gosta de perder, e não perder gera voto. Faça alguém ter medo e você dominará esse alguém muito fácil. Vilões de novela mostram esse processo a anos e não aprendemos,  mas medo não debate nem resolve problemas.

Emoções como revolta e indignação. Quem não está revoltado com tudo? Vivemos um mundo estressante por natureza, ainda mais quando está em crise, seja política, econômica, humanitária. Revolta é inerente a vida e apelar a esse sentimento para agrupar pessoas e ganhar voto é tática barata. Revolta e indignação não resolvem e nem debatem problemas.

Emoções como o sentimento de ridículo. Soar ridículo, seja o próprio candidato ou ainda mais quando direcionado a um oponente gera votos. Pois ninguém fala o que esse cara (o ridículo) tem coragem de falar. Se tem coragem é diferente, se é diferente, é melhor dos que os outros. Talvez pessoas sensatas não teriam coragem de falar tais coisas simplesmente porque elas não funcionam, mas são obrigados a entrar nesse debate ridículo, se tornando ridículos por consequência. É o processo da “mitada”, você fala algo ridículo, mas acusa o outro que se defende de ser ridículo na réplica. Mas “mitar” não resolve nem debate problemas.

Emoções como a saudade. A saudade de um tempo melhor também gera voto. Sempre e para todos o passado era melhor. Pode pesquisar. Esse saudosismo acontece em todas as áreas da vida, e apenas a ele gera votos. Mas saudade não resolve e nem debate os reais problemas.

Emoções como o sentimento de novidade. Mesmo que sendo exatamente a mesma coisa, vestida com terno laranja, todos adoram algo que pareça novidade. Não importa a essência, importa a aparência, para ficar bonito nas redes. O velho se reinventa e lucra bastante com esse investimento barato. Mas cara de novo não resolve problema.

Dentre outras emoções. São tantas…

Emoções servem para pegar o eleitor fraco. E depois da eleição, como ficamos? No dia seguinte da eleição, o que você sabe sobre a atuação de seu candidato eleito? Nada. Nada foi comunicado a você. A propaganda apenas te fez sentir um caminhão de emoções, mas não te disse nada de concreto, que desse subsídios para decidir e cobrar futuramente. Observe, é verdade esse bilhete.

Se você pesquisa, lê, compara e vota de forma racional e independente, focada nas soluções que mais lhe parecem viáveis, praticáveis, você faz direito. Dá trabalho votar direito, não? Por isso a propaganda te engana. Porque pela sua preguiça, após a eleição, um país inteiro pode compartilhar um sentimento de ser feito de trouxa.

E pasmem, alguém vai aproveitar esse sentimento de trouxa para iniciar a propaganda da próxima eleição!

Acredite, por mais trabalhoso que seja, “tirar essa corja”, como bradavam.muitos nas manifestações do impeachment está mais em nossas mãos em 2018 do que no post de Facebook emocionado que fizeste, só para parecer cidadão de bem.

Pense nisso e faça direito agora, senão não adianta chorar de amarelo.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Vamos ser realistas: Fazer com que a corrupção desapareça do Brasil (e da Terra) em uma única eleição é uma ilusão. Quem pensa assim talvez seja infantil demais para entender a complexidade do problema, e saber que há um trabalho intenso de expurgo, eleição a eleição dos velhos caciques e seus herdeiros, que, parceiros de uma mídia conivente, perpetuam as barbáries morais que vivemos.

Vamos ser realistas: Boa parte dos candidatos (principalmente no legislativo) é oportunista. Boa parte mas não todos, por isso há uma solução. Perceba: daqueles ditos “representantes dos revoltados da sociedade apartidária”, maioria saiu candidato em partidos corruptos, como se fosse um teatro armado. Porém, há caminhos de se livrar dessa corja de sacanas: pesquisar, ler, buscar informações verdadeiras para seu voto. Depois da eleição, cobrar e ficar em cima. Sempre foi esse caminho, mas buscamos atalho porque? Pura preguiça e certa visão mágica de que não somos capazes de dominar o processo e mudança. Discurso não faz governo. Discurso fácil menos ainda. É preciso que tomemos atitudes constantes de vigilância.

Vamos ser realistas: Violência não é, senão, falta de investimento em escola e oportunidades econômicas para o povo. Esse papo de que “armar população resolve” é coisa de quem apoia uma indústria bélica americana, que vê riscos de o congresso de lá limitar o acesso da população as armas frente a casos bizarros de “gente de bem” desequilibrada causar mortes gratuitas. Essa industria bélica pode perder mercado interno a uma canetada. Aconteceu o mesmo com a Monsanto, quando a Europa proibiu substâncias tóxicas de seus produtos. Eles vieram a nós e convenceram a bancada ruralista a liberar os mesmos produtos por aqui. Um povo despreparado armado só vai fazer com que bandidos, que detém a vantagem do efeito surpresa, atirar primeiro e roubar depois. Além de fornecer armas mais que de graça a bandidagem, que entrará nas casas dos cidadãos para roubá-las, ao invés de pagar propina a uma cadeia de policiais corruptos nas fronteiras. Sem contar os valentões de plantão…

Vamos ser realistas: A economia não está tão ruim assim e a solução grita aos olhos. Todos nós temos o que resolver se tivéssemos mais dinheiro em mãos. Seja a compra ou a reforma da casa, concerto de algum bem, aquisições de bens e serviços que são postergados, cuidados pessoais e com a saúde etc. Todo mundo tem uma pendência que depende de grana. E isso é um enorme mercado contido, aguardando por uma economia revisada, que faça o dinheiro circular para a mão de quem deveria: o povo.

Época de crise é assim, os donos da grana realizam lucros de seus investimentos e concentram a renda, fornecendo o discurso do medo para cooptar o povo. Mas isso também é, de certa forma burro. Uma economia ativa geraria lucratividade constante e sustentável a qualquer companhia. Lucro gera arrecadação, arrecadação gera mais investimentos e assim por diante, o ciclo torna-se virtuoso. O nome disso é desenvolvimentismo e consiste em uma política econômica que foque não na proteção dos investimentos especulativos (o tal do mercado), mas na produção e circulação dos bens que faltam para atender nossa demanda contida. Fabrica-se, vende-se, gera-se empregos e arrecadação, ponto. Todos sabem disso no fundo. Temos um medo falso que nos faz acreditar em contos de fadas dos megainvestidores, que são minoria.

O tal “mercado” não vota senão por proteger seus lucros. Veja, mercados de armas, de seguros, de escolas, de planos de saúde, tudo o que o estado deveria fornecer por direito constitucional é cooptado por velhos coronéis que associam-se a políticos, a fim de sucatear tais serviços públicos, gerando mais mercado aos coronéis. Esse mecanismo exclui os mais necessitados de uma vida melhor, mais produtiva e mais digna, gerando o caos social que vivemos. Por isso o “mercado’ tem seus candidatos, que fingem ser do povo. Esses barões, quando a “água bater na bunda”, pegarão seus jatinhos rumo ao exterior, olhando a desgraça pela janela. Não são compatriotas, entende?

O povo é quem deveria vota por si. Mas acaba votando por medo em candidatos que não representam a si, acreditando que um mercado em crise, o prejudicará. Um papo furado, que circula em propaganda e noticiário incansavelmente, convencendo os incautos. Quando o povo perde o medo, olha para a realidade e decide com base nela, entende sempre o que é melhor para si e para a nação. É dever de cada um de nós recobrar a consciência e, com coragem, pensar de forma independente.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Como você vota? Eu digo: vota por impulso e influência alheia. Explico.

É notório que a maioria das pessoas vota não por estudar as opções que se apresentam a fundo, mas decidem por influência do que chamamos de opinião pública. A opinião pública é como óculos escuros: uma ideia geral que norteia nossa visão, pautando o que gostamos e o que não gostamos. 

Opinião pública é de fato um pré-conceito estabelecido através das informações que recebemos no dia a dia, seja da propaganda, entretenimento, noticiário e influenciadores, guiando nossa percepção de mundo. O poder da opinião pública, como massificação das preferências faz mover montanhas literalmente.

Mas quem a constrói? Os meios de comunicação. E há de se perceber muito fácil a partir de como algumas ideias parecem mais aceitáveis que outras, por mais que pareçam, a uma mínima reflexão, sem nexo. Exemplo: o Brasil é o país do samba. Todos temos essa impressão, mas sabemos que o Brasil tem diversos ritmos particularmente nossos e até mais ricos sonoramente que o samba. Porque ele nos representa? Alguém convencionou, outros repetiram e hoje, nos parece comum. Isso é opinião pública, simplificadamente.

Portanto, comunicadores de diversos meios e contextos tentam influenciar a opinião pública nesses tempos de eleição. Opinativos de jornal, publicidade, meios digitais, relatórios financeiros, noticiário, apresentadores, artistas e diversas vozes potentes da sociedade tentam dizer o que você deve pensar. E você, na maioria dos casos concorda cegamente, simplesmente porque a pessoa tem credibilidade. Você cai de gaiato no truque da opinião pública. Decidimos por impulso e influência alheia e isso não e democrático. 

É a ditadura de uma opinião pública que gera comportamento que não é controlado facilmente por nós, mas por meios de comunicação e propaganda. Quem controla esses agentes, seja por meio da publicidade, da influência política ou ideológica, detém o poder de decidir, de fato, quem estará no governo ou não. É na comunicação social, com sua voz uníssona e hipnotizante, o embate maior do poder em tempos de eleição. E isso não é democrático.

E se te contar que os proprietários da maioria desses meios de comunicação, que geram opinião pública são deputados, senadores e outros políticos ou pessoas fortemente ligada a eles? Até emissoras evangélicas, católicas, ditas “santas” tem deputados para defender sua concessão pública, fazendo conchavos estranhos e negociatas espúrias. Um fisiologismo sem fim, num poder pouco vigiado como o legislativo. Entende que há nesse caso um mecanismo nada democrático?

Então, o que é ser livre para uma escolha realmente democrática? É não ouvir nada e ninguém, pesquisar sobre tudo e decidir de forma racional e planejada, por uma condição mais favorável para todos. É quebrar criticamente a opinião pública forjada e imposta a nós e criar uma opinião independente e realista, sem influências alheias. É trilhar o caminho mais difícil sim, mas não compactuar com o efeito manada da comunicação nunca. 

Quem vota é você, e não quem você da ouvidos. Pense nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Sou uma pessoa boa. Claro, eu sou. Afinal foi só isso que me disseram a minha vida inteira. Por isso eu luto pelo povo a cada dia. Mas não qualquer povo, mas o meu povo. O povo daqueles iguais a mim. O povo daqueles iguais a nós. Afinal sou uma pessoa boa e tudo o que eu faço não é bom por causa disso? Não me importa o que aqueles contra mim digam. Eu luto contra os homens maus! Luto contra esse bando de vagabundos que tomam a vida de gente do bem (como eu).

Sou uma pessoa boa. Eu luto pelo povo. Contra os fracos e oprimidos pelo sistema. Ajudo os pobres e já dei a muitos deles. Eu sou uma boa pessoa. Ajudo os meus. Hoje em dia, eles conseguem ser tão ou mais ricos do que eu. E dai se o dinheiro nosso não é “legítimo”? Sou um homem do povo!

Somos pessoas boas. Nós lutamos pelos nossos e protegemos os nossos! E danem-se aqueles que não são dos nossos! Danem-se os diferentes de nós! Vivem em nossa terra, comem da nossa comida, pegam nosso dinheiro! Nós somos as pessoas boas e não eles que nem de nossa companhia deveriam usufruir. Nós é que somos as pessoas boas.

Sou um homem bom. Sou uma boa mulher. Sou uma boa pessoa.

Eu sou aquele em quem colocaram em um local de confiança. Sou aquele no qual você acreditou. Sou o bem acima do mal, sou a esperança. Sou o não corrupto e o homem de bem. Sou o que salvou os pobres e junto deles a mim também. Sou o adversário e o diabo, jamais esquecei.

Sou o homofobico, preconceituoso, racista, machista e o outro ista que você odeia. Sou o ladrão condenado, o que tirou por anos que não era meu para mim e meus amigos. Somos o anjo e a luz no final do seu túnel.

Mas é engraçado. E não deixarei ninguém saber. Que sozinho, não consegui e nem conseguirei ir ao poder. Sou a salvação e a destruição de sonhos de uma nação. Não sou perfeito, embora muitos achem que serei, ou sou. Somos o mal tanto quanto aquele que fui, quanto aquele posso ser. Sou o seu destino e somos seu passado. Se você deixar, poderemos ser o seu futuro também.

Igor Mota – Belo Urbano, um garoto nascido em 1995, aluno de Filosofia na Puc Campinas do segundo ano. Jovem de corpo, mas velho na alma, gasta grande parte de seu tempo mais lendo do que qualquer outra coisa. Do signo de Gêmeos e ascendente em Aquário, uma péssima combinação (se é que isso importa).

A- a vitória de um candidato/partido a presidência
B- a derrota de.um candidato/partido a presidência
C- a identificação positiva com um candidato/partido/espectro político para presidência
D- a identificação negativa com um candidato/partido/espectro político para presidência
E- um plano de governo específico na presidência
F- uma raiva de tudo e de todos, “me dá uma arma”

As opções B e D não são naturalmente uma escolha, mas uma anti-escolha que não escolhe algo ao certo. Se evita um para passar qualquer um, e isso é muito ruim, pois pode vir coisa pior do que se tenta evitar. Por mais que seja tentador combater um candidato.ou ideologia, esse caminho é muito pouco consciente e só favorece oportunistas.

F, claro, nunca se justifica dada a gravidade das consequências e diante de uma decisão seria e adulta. Revoltinha é coisa de criança mimada. Não seja.

A e C parecem até boas, mas não se votar em pessoa em partido, mas sim em suas ideias e o que pretende oferecer a nós. Porque uma pessoa apenas, o presidente, não consegue, apenas por ser presidente, resolver nada. Sua plataforma é o que interfere em nossa vida brasileira. Seria o clássico voto populista: vota-se na pessoa ou partido, e não no que farão por nós. Um voto cego.

Talvez, de todas as respostas, apenas a E possa parecer viável, mas veremos que não:

Sobre o cargo de presidente, temos uma opinião pública (ou algumas) majoritária. Mas, e se te contar que o poder de verdade surgirá entre deputados e senadores, e o presidente, meu caro, esse cargo executivo cheio de pompa, é apenas a bucha de canhão, o boi de piranha dessas eleições? Sobre o legislativo, sabemos algo? Pois bem, aí mora o grande perigo, pois o foco dos debates no cargo a presidente, influência diretamente a escolha dos legisladores por impulso e sem pesquisa nenhuma.

Quando você apoia um presidente, apoia seu espectro político, suas ideias e também os que concordam com suas posições. Naturalmente, quem vota em um presidente, sem pensar muito (até porque não há na mídia debate sobre) vota em deputados e senadores próximos a ele. Mas nunca lembra deles para cobrar, nunca culpa a eles sobre as mazelas que vivemos, apenas o presidente. Muito cômodo ao parlamentar, não?

E aí é que mora o perigo, quem são esses? Pouco se sabe. É um corpo fisiológico e oportunista que siga os recursos da nação em um sistema perpétuo de reeleições que não permite a correção de um sistema que nasceu velho propositalmente.

É aí no legislativo que deveria haver a maior renovação, mas pouco se aprende e fala sobre esse corpo de poder. Mas há aparentemente uma obsessão da opinião pública pelo presidente que chega a visão sobre esse conjunto de representantes. Uma opinião pública criada por meios de comunicação e comunicadores sem escrúpulos, apenas em busca de poder e audiência fácil.

Quem é seu deputado? Seus senadores? Você não sabe? Melhor pesquisar. Porque qualquer presidente eleito não fará nada se não houver um legislativo positivamente comprometido com o país. Fuja da manada, pense por si só e vote consciente, por mais trabalhoso que seja.

Pense muito nisso.

Crido Santos – Belo urbano, designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

Foto Crido: Gilguzzo/Ofotografico

Pense em quem é você. Reflita sobre seu comportamento.

Você é daqueles que ficam só atirando pedras ou constroem algo?

Você anda para a frente ou anda sempre na esteira?

Você sabe me dizer quem te definiu ou o quê?

Fácil é falar dos outros, fácil é ser raso, fácil é não crescer.

Ninguém pode fazer por você. Ninguém pode achar tudo por você. Cresçam consulentes.

Aqui e onde você está também pode ser um bom lugar. Existe algo há fazer que é bonito. Faça.

Em tempos quentes de eleições o que mais vemos são bananas por aí, lá e cá. Bananas brigando, bananas amassadas, bananas enfeitadas. Chega. Deixe de ser banana.

Afinal, em terra de bananas qualquer mamão é rei! E isso é outro perigo.

Atenção!

Até a próxima e em com mais frutas em nossos cardápios.

Madame Zoraide – Bela Urbana, nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou  atendendo pelo telefone, atingiu o sucesso absoluto, mas foi reprimida por forças maiores, tempos depois começou a fazer mapas astrais e estudar signos e numerologias, sempre soube tudo do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica, é sabida e é loira. Seu slogan é ” Madame Zoraide sabe tudo”. Tem um canal no Youtube: Madame Zoraide dicas e conselhos https://www.youtube.com/channel/UCxrDqIToNwKB_eHRMrJLN-Q.  Também atende pela sua página no facebook @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe 😉